Jon Connington acordara sobressaltado. "Às armas", gritava Aegon, "Levantem, às armas, soldados!". O sol nascia do distante leste, nas terras de dragões, poetas e magia, tão antigas quanto o próprio mundo. Haviam montado acampamento nos portões de Ponta Tempestade há três dias. Os navios da Companhia Dourada impediam a chegada de suprimentos ao castelo.

O senhor chamou seu escudeiro, um garoto moreno de olhos verdes cujo nome sempre se esquecia, para que preparasse sua armadura e afiasse a espada. Jon botou um gibão e calças de couro negro e enluvou as mãos antes que o jovem entrasse na tenda.

Ele saiu para a luz e viu seu jovem príncipe preparando as tropas. Oh, pensou ele, se parece tanto com o pai. O senhor ainda sofria por dentro com a morte de seu corajoso príncipe prateado, seu valoroso amigo Rhaegar. Ele jurou perante todos os deuses, novos e velhos, da vida e da morte, de R'hllor ao Leão Negro de Yi Ti, da Criança Pálida ao Grande Outro, ele jurou que levaria o jovem garoto ao Trono de Ferro, por Rhaegar.

Segundo seu escudeiro, os homens haviam encontrado uma entrada na base do muro, por onde Jon tinha ouvido falar que Davos Seaworth levara suprimentos para Stannis durante a rebelião de Robert. Era um túnel amplo, que passava por baixo das fortes muralhas e saia perto da torre do castelo. Ele e cinquenta homens iriam à frente, enquanto Aegon entraria depois, na retaguarda, seguido por cavaleiros e soldados mais experientes.

Ele olhou para a enorme fortaleza. O alto torreão erguia-se sobre as muralhas grossas de pedra, com uma janela grande no topo, de onde se dizia que uma sombra matara Sor Cortnay Penrose, castelão de Ponta Tempestade, a mando de Stannis Baratheon. De repente vieram-lhe à memória os três irmãos. Robert, um valoroso guerreiro, forte, obstinado, porém um traidor. Stannis, silencioso, justo e vingativo. E Renly, que conhecia pouco, já que não passava de um garoto quando Jon fora banido.

O castelo fora construído para derrotar os deuses do mar e da tempestade, porém isso não se aplicaria a um dragão. Os veados tiraram a soberania dos Dragões, agora os Dragões voltam para roubar a fortaleza dos veados. Isso era pouco, comparado com seu verdadeiro objetivo: destruir os Lannister e seus aliados e retomar o Trono para a Casa Targaryen. Quando visse Aegon coroado, Jon poderia morrer em paz, pois cumprira seu juramento.

As trombetas soaram, e ele se pôs em marcha. Todos vestiam capas negras com capuz e andavam enfileirados. Se tivéssemos seguido o plano, teríamos os dragões e um exército de Imaculados, e estas muralhas seriam esmagadas sob o fogo, como as muralhas de Harrenhal foram um dia. Porém, um certo anão acordara o espírito ardente do jovem príncipe, e então tudo começou, e agora estavam ali.

Quando chegaram ao túnel, os batedores afirmaram que havia guardas. Rapidamente, os arqueiros se esgueiraram e, com tiros silenciosos, eliminaram todos, enquanto os soldados avançavam pela entrada. Rapidamente, a grade foi erguida e eles passaram. As escadarias que levavam até o pátio eram estreitas e desgastadas pelo tempo, mas isso não foi problema, logo estavam na luz da superfície interna do castelo

A defesa estava bem parca, Jon viu que eles estavam apenas resistindo pela força de suas muralhas, mas mesmo assim lutaram. Cavaleiros lutaram para impedi-los de entrar, mas logo foram derrubados. Os arqueiros nas muralhas foram derrotados pela rapidez dos seus próprios, e os mais fracos se renderam.

Quando tudo acabou, os portões foram abertos, e Aegon entrou cavalgando um belo corcel branco e vestindo sua armadura de escamas esmaltadas, negras e vermelhas, com um estandarte dobrado nas mãos. Ele apeou do cavalo e seguiu para a torre, com um andar nobre e elegante, como se cada passo seu guiasse o girar do mundo. Ele subiu até o topo do torreão, e lá desdobrou o estandarte. Todos no pátio se ajoelharam, fossem eles soldados, camponeses ou crianças, sob a seda negra balançando no alto da torre.

Um dragão vermelho sobre fundo negro, cuspindo chamas feitas com rubis brilhando no sol, e embaixo, escrito com letras cor de sangue, estava estampado para todos verem. O lema do Conquistador e de todos os reis que o sucederam. Uma frase que há muito tempo não era falada naquelas terras.

Fogo e Sangue.

Notas finais
Esperam que tenham gostado, desculpem pela demora, e também pela rapidez do capítulo. Não me agrada descrever alguns desses eventos, mas eu tenho que abranger a história como uma todo, não apenas os personagens que todos gostam, já que esses eventos terão influencia no decorrer da história.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.