O Meu Ídolo - Sem Cortes
19 Um Pequeno Acidente Proposital
(Júlia's POV)
Enfim, posso voltar para casa. Preciso fazer isso antes que o temporal que se aproxima caia de vez. Se bem que um banho de chuva agora talvez me fizesse bem, mas estou com pouca disposição, então, melhor eu me apressar. Ando pelas ruas e parece que todo mundo decidiu sumir, e agora, estou aqui, só, do jeito que mais gosto de estar.
Não fosse o fato de a rua estar terrivelmente esquisita, eu não estaria me preocupando. Um vento gelado corre e o tempo se torna cinzento. Isso está me deixando com medo. O barulho dos trovões me assusta, mas isso é um bom sinal, pelo menos não vai chover, como pensei. Os pingos de água teimam em cair. Que droga, vai estragar o meu cabelo. A cada minuto, a chuva fica mais densa.
(Júlia's Pov)
Enquanto Júlia corre, um carro passa por ela molhando-a com a água de uma poça:
- Filho da puta, vá se lascar, seu infeliz. — Mira o dedo médio em direção ao carro.
- Essa merda de vida, tomara que eu morra. — Espragueja e atira a mochila com toda a força, no chão.
O automóvel que molhou-a passa de volta, até chegar ao encontro de Júlia, que começa a correr com medo de o motorista ter visto seu gesto e ter vindo tomar satisfação.
- AAAAAAAH. — Júlia grita e corre.
- Ei, garota, sou eu, volte aqui. — Os vidros se abaixam e uma voz familiar surge, e Júlia olha para ver quem é.
- Ahn? Matthew???
- O que te deixou assim, tão descontrolada?
- Eu, descontrolada? Imagina. Estou correndo de uma chuva, então, passa uma certa pessoa e me molha todinha, ainda me prega um susto desses.
- Larga de ser chata e entra nesse carro. Eu sei que você está querendo chegar em casa.
- Nossa... Eu mal te conheço. — Não deveria estar aceitando caronas de estranhos — pensou.
- Eu não vou fazer nada, além de te deixar em casa.
- Tudo bem, estou precisando chegar em casa, mesmo. — Seja o que Deus quiser — pensou mais uma vez.
Entraram no carro e permaneceram em silêncio, conversando somente o trivial. Júlia se mostrava envergonhada, pois sua blusa branca e molhada, se tornou transparente e deixava entrever partes incovenientes de seu corpo, que se tornavam evidentes, por conta do frio do ambiente. Matthew estava vestindo uma camisa sem mangas, e exibia um corpo extremamente tatuado, causando estranheza em Júlia.
- Matthew, me deixe na esquina da minha rua, por favor.
- Tá com medo que o seus pais me vejam?
- É, mais ou menos isso... Bom, é isso.
- Se eles me verem, diga que sou seu amigo.
- Eles iriam cair pra trás. Você é meio alternativo. Olha só, as suas tatuagens.
- Com a sua irmã não tem isso.
- Olha, eu sei que vocês andaram se pegando e tal. Minha irmã é uma louca, mesmo. Argh.
- Hum... ficou com ciúmes foi?
- Eu deveria não ter vindo, você é muito enxerido. Me respeite, ok? Só pelo fato de ter aceitado a sua carona, não quer dizer que estou a fim de você.
- Calma, eu estava brincando. Você mais parece uma velha rabugenta.
- Esse tipo de "brincadeira" — falou fazendo aspas no ar — esgota toda a minha paciência. Muito obrigada pela carona. — Dirigiu-se ao Matthew para dar um beijo discreto no rosto, mas as faces se desencontraram, talvez propositalmente, da parte de um dos dois, e acabaram dando um rápido beijo nos lábios.
- Desculpe. — Falou Matthew.
- Tchau. — Caminhou apressadamente em direção à sua casa, sem olhar para trás, em momento algum.
Notas finais
Bem, aqui está um capítulo, se ainda interessar a alguém.
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