O Mestre : A última missão.
9 Sacrifício e Legado.
O som da batalha cessou. Havia apenas o sibilar do gás e a respiração ofegante de dois homens morrendo. Eles se ajoelharam, a poucos metros um do outro, o mundo se reduzindo àquele pequeno espaço no inferno.
Okasa olhou para o ferimento em seu peito, depois para McAllister. O ódio em seus olhos, o fogo que o consumiu por anos, finalmente se extinguiu. O que restou foi um vazio, uma compreensão trágica.
"Você...", ofegou Okasa. "Você nunca parou de ser meu mestre, não é? Mesmo agora... você me ensina a lição final."
"A lição...", sussurrou McAllister, o sangue escorrendo pelo canto de sua boca, "...é que a honra não é encontrada na vingança, Okasa. É encontrada no sacrifício."
McAllister olhou para o teto em chamas, seu olhar passando pelas chamas, como se pudesse ver o céu lá fora, onde sua filha voava para a liberdade. Um pequeno sorriso tocou seus lábios. Ele havia cumprido sua promessa. Ele a havia encontrado. Ele a havia salvado.
Okasa seguiu seu olhar. Ele entendeu. A busca de McAllister não era por uma vida pacífica para si mesmo, mas por uma para sua filha. O sacrifício não era uma derrota, mas a vitória final. Em seus últimos momentos, Okasa, o ninja caído, encontrou um vislumbre da verdade que ele havia perdido.
Ele pegou sua katana, que estava ao seu lado. Com suas últimas forças, ele se levantou e ficou em uma postura de guarda, não de frente para McAllister, mas de costas para ele, de frente para a entrada do hangar, como se para proteger seu mestre de quaisquer ameaças que pudessem vir. Foi seu último ato, um ato de penitência, um retorno ao código de proteção que ele havia abandonado há muito tempo.
McAllister viu o ato e fechou os olhos, uma única lágrima traçando um caminho através da fuligem em seu rosto. Ele não morreu sozinho. E, de uma forma estranha e trágica, ele não morreu como inimigo de seu aluno mais talentoso.
Quando o hangar finalmente desabou em uma explosão final de fogo e aço, ele consumiu os corpos de dois mestres ninjas, encerrando um capítulo de sangue e vingança. Um morreu como um pai, o outro, finalmente, como um guerreiro honrado.
Longe, voando em direção ao sol nascente, Max e Teri sentiram a explosão secundária como uma vibração através da fuselagem do avião. Eles não precisavam olhar para trás. Eles sabiam. O silêncio no cockpit era um monumento à perda que ambos sentiam.
Max, seguindo as instruções da carta de McAllister, que ele havia encontrado e lido anteriormente, definiu um novo curso. Não para o Japão. McAllister sabia que o clã, embora não mais caçando-o ativamente, nunca aceitaria o aluno de um traidor. A vendetta poderia ter acabado com sua morte, mas a desonra permaneceria. A carta continha um endereço diferente. Um nome. Takeda. Um velho amigo em Seattle. Um mestre de um clã diferente, um que devia a McAllister uma dívida de vida.
"Ele sabia que isso poderia acontecer", disse Max, sua voz rouca. "Ele fez planos. Para nós. Para mim."
Teri olhou para o horizonte, para o futuro incerto. Ela havia encontrado e perdido seu pai no mesmo dia. Mas ele lhe dera um presente final: a liberdade. E ele lhe dera um guardião.
Ela olhou para Max, que pilotava o jato com uma competência que ela não sabia que ele possuía, e viu a mesma determinação, a mesma força silenciosa que ela havia visto em seu pai. O legado de McAllister não havia morrido no fogo. Havia apenas sido transferido. O treinamento nunca terminava. O legado continuava.
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