O Mestre : A última missão.

8 Duelo no coração do veneno.



Eles chegaram ao hangar principal para encontrar o caos. Guardas lutavam entre si por um lugar nos poucos veículos restantes. O jato de Kaito, um protótipo experimental chamado "Corvo Noturno", estava sendo preparado para a decolagem, mas por uma equipe leal apenas a Kaito.


"Precisamos daquele avião!", gritou Teri.


Enquanto McAllister e Okasa mantinham os guardas ocupados, Max e Teri correram em direção ao Corvo Noturno. Teri, reconhecendo o design do avião de seus dias como piloto de teste, sabia que ela era a única que poderia pilotá-lo. Ela nocauteou o piloto e assumiu o controle, seus movimentos rápidos e eficientes.


Max, por sua vez, lutou contra a equipe de solo, garantindo que o avião pudesse decolar. Ele não era mais o garoto que precisava de ajuda. Ele era um guerreiro, protegendo sua rota de fuga, protegendo a mulher que ele estava começando a amar.


McAllister e Okasa se juntaram a eles no hangar, tendo aberto um caminho através dos guardas. Mas Kaito, ferido e enlouquecido, apareceu em uma plataforma elevada, segurando um detonador.


"Eu posso não escapar", gritou ele, "mas vocês também não!"


Antes que alguém pudesse reagir, ele apertou um botão. Não houve explosão. Em vez disso, um som sibilante ecoou pelo hangar. Das saídas de ventilação do teto, um gás amarelado começou a jorrar, descendo em nuvens pesadas e oleosas.


"Gás neurotóxico!", gritou Teri do cockpit, sua experiência militar reconhecendo a ameaça instantaneamente. "Temos que sair daqui AGORA! Os filtros de ar do hangar não vão segurar por muito tempo!"


Kaito soltou uma última risada gargalhante antes de sucumbir à sua própria arma, seu corpo convulsionando no chão.


O gás era um catalisador. O impasse havia acabado. A sobrevivência era a única coisa que importava. McAllister correu em direção ao Corvo Noturno, gritando para Max segui-lo. Mas seu caminho foi bloqueado. Okasa se interpôs entre ele e a rampa do jato, sua katana erguida.


"Nós terminamos isso agora, Mestre", disse Okasa, sua voz abafada pela nuvem de gás que se aproximava. "Aqui. No meio do veneno. Uma morte digna de um ninja."


"Saia da minha frente, Okasa!", ordenou McAllister.


"Você terá que me mover", respondeu Okasa.


Max avançou, pronto para lutar, mas McAllister estendeu um braço, parando-o. Seus olhos encontraram os de seu aluno, e uma compreensão silenciosa passou entre eles. Anos de treinamento, de perigos compartilhados, de uma relação pai-filho forjada no fogo, tudo culminou naquele momento.


"Não, Max", disse McAllister, sua voz firme. "Isso é entre nós. Sempre foi. Sua missão é protegê-la. Agora vá! Isso é uma ordem!"


Max hesitou, seu coração em guerra. Deixar seu mestre para uma morte quase certa era impensável. Mas desobedecer a uma ordem direta, a ordem final, era uma traição de outro tipo. Ele olhou para Teri, que o chamava desesperadamente do cockpit, e para McAllister, que já havia se virado para enfrentar seu destino. Com o coração pesado, Max fez sua escolha. Ele correu pela rampa do Corvo Noturno, que começou a se fechar atrás dele.


No hangar que se enchia de veneno, mestre e ex-aluno se encararam pela última vez. O mundo exterior havia desaparecido. Havia apenas os dois, o som de suas respirações e o assobio da morte ao seu redor.


A luta começou sem aviso, uma explosão de movimento no meio das nuvens de gás que se adensavam. Não era uma batalha de ódio, não mais. Era algo mais primordial: um ritual, a conclusão inevitável de um ciclo de honra, traição e dor. O ar queimava seus pulmões, e a visão começava a ficar turva nas bordas, mas seus corpos se moviam com uma precisão nascida de décadas de treinamento.


Okasa, em sua juventude e fúria, era uma tempestade. Sua katana cortava o ar envenenado, cada golpe uma tentativa de terminar a luta rapidamente, de reivindicar a vitória antes que o gás os reivindicasse a ambos. McAllister, mais velho, mais sábio, era a rocha contra a qual a tempestade quebrava. Ele não tentou igualar a velocidade de Okasa. Ele a absorveu, a redirecionou, usando a economia de movimento de um mestre para sobreviver ao ataque.


Suas lâminas cantavam uma canção de morte, faíscas iluminando a névoa amarelada. Eles se moviam entre os destroços do império de Kaito, cada objeto um obstáculo ou uma arma em potencial. McAllister usou um pedaço de metal retorcido como um escudo improvisado, desviando um golpe que teria perfurado seu coração. Okasa, com uma agilidade acrobática, correu pela asa de um jato destruído para atacar de cima.


O gás estava fazendo seu trabalho. A respiração de McAllister tornou-se difícil, seus movimentos mais lentos. Ele podia sentir o veneno se infiltrando em seu sistema, a força se esvaindo de seus membros. Okasa também estava sofrendo. Sua ferida no ombro o retardava, e a tosse abalava seu corpo a cada poucos segundos. Eles estavam em uma corrida contra a morte, tanto pela espada quanto pelo ar que respiravam.


Fora do hangar, o Corvo Noturno rugia pela pista. No cockpit, Max e Teri observavam a estrutura em chamas no monitor da câmera traseira. "Não podemos simplesmente deixá-lo!", gritou Teri.


"Foi uma ordem!", respondeu Max, sua voz embargada, enquanto puxava o manche. O jato subiu no céu, uma flecha negra contra a aurora que se aproximava.


De volta ao duelo, a maré virou. McAllister, sabendo que seus segundos estavam contados, viu uma abertura. Okasa, em um ataque desesperado, se expôs por uma fração de segundo. McAllister não hesitou. Ele avançou, não com sua espada, mas com seu corpo, usando uma técnica de arremesso que Okasa não esperava. Os dois caíram, rolando pelo chão de concreto. A katana de Okasa voou de sua mão.


Desarmado, mas não derrotado, Okasa sacou seu tanto, a adaga curta, e atacou. McAllister o bloqueou, e eles lutaram corpo a corpo, uma dança íntima e mortal. Era a luta de um pai e um filho, de um criador e sua criação quebrada.


McAllister sentiu a lâmina fria do tanto perfurar seu lado, uma dor aguda e final. Ao mesmo tempo, ele conseguiu torcer o braço de Okasa e usar sua própria adaga, o ninja-to que ele carregava, para encontrar uma abertura na armadura de seu ex-aluno. Um único e preciso golpe.


Eles se separaram, ambos mortalmente feridos, e caíram de joelhos, um de frente para o outro, enquanto o gás girava ao redor deles.