O Menino de Vermelho

1 Prólogo - Gatos Embaixo da Mesa.


Notas iniciais
Boa tarde, ou noite. Não sei quando postarei isso. Gostaria de informar os tópicos que irei construir, mas tenho medo. Enfim, gostaria de saber como está, e nessa questão comentários iriam me ajudar. :)Não irei conseguir falar muito, pretendo postar toda terça-feira, mas posso chegar a atrasar, então, gostaria que não ficassem bravos comigo caso eu chegue a atrasar. Afinal, eu tenho que fazer várias pesquisas para postar, certamente, eu não quero passar informações erradas.

O Menino de Vermelho.

Prólogo – O Coelho Embaixo da Mesa, Rude, mas ele é legal!

“Você já se sentiu diferente de todos? Emergido em desculpas perfeitas para sua vida ser perfeita? E quando tudo cai, e a verdade é jogada na sua cara como uma bola de basquete acertando a cesta, a dor te invade. Às vezes, eu penso como seria se eu tivesse ignorado tudo isso. Se eu fosse normal como eles.

Tudo começou nos meus primeiros anos de vida. Nunca fui um menino comum, desejável. Eu era muito estranho, tinha medo de coisas que, para meus pais, não estavam lá. Era estranho. Mas nada que me assustasse tanto, afinal, eu tinha meus pais comigo, era feliz.

Eu nunca esperei ficar sozinho, nunca se espera. Mas... Você sempre vai morrer sozinho. Quando meus amados pais se foram, tudo piorou. Eu não quis mais comer, beber, ou sair de casa. Não que eu tivesse casa, mas como o testamento da minha mãe dizia: tia Anne começou a cuidar de mim.

Em meu novo lar, eu me sentia estranho. Muito estranho. Passei as férias pensando na vida, em como eu seria se fosse o que chamam de “Normal”, se tivesse amigos. Depois de um tempo, eu decidi que cuidar do gato que mora embaixo da mesa era melhor! Ele é lindo, se chama Rude.”

A professora passou o olho mais uma vez na redação, e riu baixinho ao perceber os estranhos pingos nos “i’s” em forma de coração. Anastácia estava em um dia difícil, mas ler as redações que seus alunos a fazia a acalmava. Aquele misterioso menino que sempre ficava sozinho. Com pensamentos estranhos. Oliver Jenkis.

Dessa vez foi lhe dado em mãos uma pequena redação feita à mão. Com uma estranha dedicação, e uma linda letra. Oliver havia prometido uma pequena redação sobre suas férias, por que não quis entregar no primeiro dia de aula. Dois dias depois, a tão esperada redação estava em suas mãos.

Oliver era incomodado por seus colegas pela sua forma de agir. Ele era “reservado” demais. Não vamos negar que ela entendia o menino, na época de escola da professora, ela também era bem reservada. Porém ela era seletiva demais. Este era seu problema; já Oliver era antissocial por medo.

“Rude é bem legal comigo. Por mais que ele me arranhe às vezes, ele é bem legal comigo. Conta-me sobre as coisas que acontece em casa. Eu estranho quando meu pai diz que não vê o Rude, mas mesmo assim eu gosto dele!

Ontem de noite, eu acordei no meio da noite com ele em cima de mim, ronronando. Brinquei com ele a noite toda, e me senti zonzo de manhã. Foi muito divertido! Queria o trazer para a escola, mas meus pais insistem que ele não existe. Às vezes magoa um pouco, é como se eles estivessem me chamando de maluco. Não gosto.

Sinto falta de meus pais, eles eram melhores comigo. Tinham mais paciência, mas eu não consigo me sentir parte da “família perfeita” deles. O meu novo irmão mais velho fica me maltratando! Dói quando eu percebo que nunca vou ser parte deles de verdade. Por mais que eu tente. Eu nunca vou me encaixar em nenhum lugar! Eu sinto isso.”

Os olhos da professora brilharam em meio às lágrimas que teimavam em escorrer. Desde pequena Anastácia sempre foi muito sensível, e aquele menino conseguiu tirar lágrimas de seus olhos. Não que fosse muito difícil. Ela estava criando um pequeno laço com Oliver, ler seus pensamentos mais profundos os ligavam.

Com o passar dos olhos na folha, a professora percebeu a tentativa de uma pegada de gato no lado esquerdo. Estava fofo, em tons pretos, e totalmente ressaltados na folha de cor branca. A letra do aluno era fofa, muito mais, até, que a patinha. Era singela, e doce.

Quando o toque do termino da aula, a professora se sentiu obrigada a permanecer ali e terminar de ler aquele lindo texto, porém se conteve ao saber que a próxima aula seria com Oliver Jenkis, na turma do 7º D, de português.

Levantei-se de sua cadeira, e se dirigiu até a sala gritando para seus alunos que a atividade se transformaria em tarefa para casa. Alguns soltaram “ah” de desprezo, porém desejaram um bom dia para a professora. A mesma já estava quase no corredor quando avistou ao longe seu menino de ouro.

— Oliver! – chamou a professora ganhando a atenção do garoto facilmente. O menino se virou gentilmente para a professora, que sorriu contente com aquilo. Jenkis nem era tão “reservado” assim. Ou talvez, o fato dela ser professora tenha ajudado um pouco. – Posso falar com você um segundo? – perguntou, com um grande sorriso para não assustar o garoto.

— ... – Ele não sabia o que responder, tentou se manter calado, mas o sorriso da professora fez com que ele falasse com ela, mesmo contra sua própria vontade. – T-tudo bem... – gaguejou, entrando na sala sendo seguido pela professora, que o puxou para conversar na mesa dela. – Fiz algo errado? – indagou com medo.

— Não, meu bem. – sorriu, acariciando a face do garoto. – Eu estava lendo sua redação. – esta pequena afirmação fez com que a cara do menor se tornasse cor de tomate, ele não sabia como reagir, não estava totalmente preparado para aquilo, ele não queria que ela lesse a redação, nem mesmo queria escrever. – Eu queria conhecer o Rude. – sorriu novamente, alegrando e tirando parte da vergonha do garoto, que acabou por sorrir também. Demonstrando sua felicidade.

Um pouco timidamente sussurrou ao pé do ouvido da professora. — Não sei se vai conseguir vê-lo. – sua face tornou a se tornar rubra, mostrando a vergonha e falta de experiência de Oliver para falar com as pessoas. – Ele é tímido. – explicou. Anastácia começou a acariciar a cabeça do Jenkis, como se afirmasse que não havia problema para ela.

— Eu posso ir à sua casa, hoje? – indagou, alegrando o menor. Para dizer a verdade, Oliver nunca havia levado ninguém, após o acidente de seus pais, para sua casa. Era um pouco empolgante, mesmo a idade avançada da professora, ela era muito melhor que qualquer pessoa que nunca teve paciência com ele. – Posso?

— Pode! – exclamou animado. Realmente não era uma das coisas que se planeja acontecer, mas aquele dia estava sendo especial para o pequeno, e Anastácia estava ajudando ele.

— Certo! Quero que sente aqui na minha frente hoje. – riu um pouco apontando para uma cadeira desocupada em sua frente. Ele era realmente divertido quando se abria. – Quero que faça uma redação para mim. Uma lição especial só para você! – informou se divertindo com o sorriso do menor. Podia ser tratamento diferenciado, mas ela estava certa que Oliver tinha o mesmo problema que seu irmão, e então decidiu agir assim com ele. Igual agia com seu irmão. – E eu quero a patinha do Rude! – informou, anotando outra lição na lousa.

De lição para os outros, algumas páginas da apostila. Vendo que Oliver Jenkis escrevia sorridentemente uma redação, alguns alunos começaram a se esbravejar. “Por que o Jenkis pode fazer uma redação, e nós temos que fazer essas 20 páginas que você passou?!”, pensaram silenciosamente. Afinal, ninguém tinha coragem para falar em voz alta.

— ‘Fessora! – gritou Marcos, um dos mais encrenqueiros do colégio. A professora sorriu, e assentiu para que ele continuasse a falar, afinal, seria um saco ter que aumentar a voz e discutir mais uma vez com aquele garoto da sétima série. – Por que o Oliver ‘tá escrevendo uma redação, e agente ‘tá tendo que se matar aqui para fazer o que “tu” passou? – perguntou, bravo com a situação.

— Porque eu pedi que ele fizesse essa redação, e pedi para vocês que fizessem essas páginas. Afinal, eu sou SUA professora, não é, Marcos? – recitou vendo que o pequeno Jenkis se ofendeu com aquilo. Sim, ele não sabia pra quê tal tratamento. – E, porque eu ‘to muito curiosa para saber o que o Oliver e o Rude fizeram ontem. – piscou de canto de olho para Jenkis, que sorriu.

— Ele é um demente! – resmungou entre os dentes. Por mais que sussurrado o comentário maldoso conseguiu ser escutado por Oliver, que parou de sorrir, e tentou pegar sua apostila na bolsa. Ele não queria ser tratado de forma especial. Ele não era um demente.

— Marcos, diretoria, agora! – gritou, abrindo de forma rápida e inesperada a porta. Anastácia tinha a política de não aceitar comentários maldosos de alunos para alunos, nem de alunos para professores. Era séria quanto a isso. – E Olie, continue fazendo sua redação, ok? – dessa vez sua fala estava mais pacífica, e ela acariciava os fios de tons vermelhos do órfão.

— Por que está agindo diferente comigo? – sussurrou quase inaudível para a professora loura. – Acha, igual a ele, que eu sou um demente? Porque imagino gatos? – ele estava perdendo o controle, Ana sentiu isso, seu único passo foi dar uma bala sabor uva para ele. – Uva? – segurou a bala com ambas as mãos, e começou a abrir o pacotinho.

— Gosto de bala de uva. – explicou a professora, abrindo uma igual a do ruivinho. – Sabe, não te considero um demente, mas algumas pessoas são mais sensíveis. Você é uma delas, Ollie. Precisa de cuidados especiais, e eu amo suas redações. Mostrou seus dentes para a professora, e voltou a escrever alegremente.

“Estranhamente a professora está sendo muito gentil comigo, não irei dizer que não estou gostando. Mas hoje eu estou falando tanto que se eu não ficar com dor de garganta até o final do dia, eu devo virar cantor! Normalmente eu falo um pouco com o Rube, só.

É um pouco estranho falar com alguém que outras pessoas veem. É divertido. Para falar a verdade, ela quer vir na minha casa conhecer o Rude, e isso me deixa tão feliz! Eu sinceramente não me lembro da última vez que eu levei alguém para a minha casa.

Ela até me defendeu do Marcos! Bem, eu acho que ela vai ler essa redação depois, então não posso falar muita coisa. Só sei que ela está sendo um amor de pessoa comigo, eu adoro ela! Ontem de noite, eu fui passear com o Rube, e eu falei com a moça da cantina também.

Sim, esses dias que se passam me mostram que eu estou mudando. ESTOU VIRANDO SOCIÁVEL! Estou um pouco feliz, é como quando o Rube sobe em mim e começa a ronronar baixinho, mas na maioria das vezes eu tenho que ir para debaixo da mesa para acariciar ele, e minha nova mãe não gosta.

Ela vive reclamando que eu não saio de casa, e principalmente que eu não levo amigos para lá! Poxa, eu nem amigos tenho... Bem, agora eu tenho a Anastácia, e isso me deixa feliz. Será que ela vai me deixar dar um apelido fofo para ela? Como o Thomas deixou? Estou animado!

A aula dela sempre foi uma das melhores! Na verdade, mudar de colégio está me fazendo bem. Sim, essa foi uma boa decisão. Eu nem sei o que minha mãe vai falar quando eu levar a “Profi” para casa! Ela vai surtar!”.

Anastácia sorriu ao ver que o lápis de Oliver parou de se mexer, ela realmente estava gostando de sua atual interação com o menino. Os olhos azuis cristais de Oliver vagaram pela sala, tentando achar a professora que se sentava atrás do menino, e assim que a encontraram, ele sorriu novamente.

— Terminei! – informou entusiasmado. Melhor que o seu entusiasmo, só o da professora. Ela puxou a folha de caderno suavemente das mãos frágeis do garotinho e se levantou de sua cadeira. Ela decidiu ler no final da aula, para dar um pouco de atenção aos outros alunos. Ansiosa, piscou para Oliver ao ouvir o sinal de sua aula acabando. – Então, sobre você vir para minha casa hoje... – começou. Afinal, mesmo ansioso, ela nem sabia onde ele morava!

— Eu sei aonde moras. Lembra, sua irmã? – perguntou. Claramente, a professora dava aula para a irmã mais velha adotiva de Oliver. – Chego lá pelas... 3 horas? – ele assentiu com a cabeça, correndo para não se atrasar no seu ônibus escolar. Sorrindo pela última vez para a professora.

— Tchau, professora! – gritou saltitante pelo corredor. Encontrando sua irmã parada em um armário, ele acenou para ela, que praticamente o ignorou, fazendo com que ele tirasse de seu rosto o seu sorriso, e continuasse a caminhar para o ônibus. “Às três horas, ela virá às três horas!” Repetiu em pensamento. “Preciso contar para o Rude...!”

Ao chegar a sua casa, ele colocou, delicadamente, a sua mochila no chão da sala. Correndo até debaixo da mesa, para encontrar seu amado bichinho de estimação, Rude. Chegando ao tão esperado centro de debaixo da mesa, ele gritou alto quando viu seu bichinho, chamando para ir a sua cama.

Sem que sua mãe descobrisse, ele escapou com Rude até o quarto de Oliver. Com os passos apressados, Oliver abriu com força a porta do seu quarto, caso sua mãe descobrisse que ele entrou e não lavou as mãos para almoçar, e já escapou para o quarto ficaria brava.

“Eu tenho novidades”, sussurrou para Rude. O pequeno gatinho de pelos pretos, e olhos profundamente verdes se transformou em um homem, nu, e sem pelos. O mesmo homem possuía uma bela face, com olhos verdes folha, e cabelos negros como a escuridão. Era sério, e belo. Uma rosa negra.

“O que aconteceu, Jen?” perguntou com sua grave voz que só podia ser ouvida por Oliver. O pequeno ruivinho estava animado, o que acontecia raramente. Ou era um novo filme de princesas, ou o belo jardim que a mãe dele fez florescendo.

“Anna vem aqui em casa às três!” sussurrou animado. O gatinho ronronou mais uma vez, empurrando com seus fortes braços, Oliver à mesa de almoço. Caso o menino se atrasasse novamente, os pais iriam proibi-lo de ver Rude.

“Quando ela vier, às três, eu vou estar em seu armário. Quero que ela adivinhe onde estou. Se ela me achar, ela me vê, e podemos confiar nela. Senão...” continuou o homem lambendo seus dedos de forma desajeitada. “Você entendeu, Jen?” falou de maneira mais grossa. O menino assentiu e começou a comer seu almoço, dando um pequeno pedaço de carne para o amigo embaixo da mesa.

— Mãe, minha professora vem aqui às três horas, tudo bem? – perguntou, interrompendo o silencio que sempre reinava em seus almoços ou jantares. Oliver nunca falava em casa, e o timbre animado deixou os pais dele felizes. A mãe concordou e começou a falar sobre a viagem que eles pretendiam fazer, e que Oliver não queria ir para não deixar Rude sozinho, mês que vem.

A tão esperada hora chegou com o passar do relógio. Oliver ficou de segundo em segundo vendo se já era três da tarde. E quando faltava apenas mais um minuto, o som da campainha animou o garoto, que pulou até a porta para atender.

— Anna! – gritou, abraçando sua nova amiga. A professora vestia um vestido preto comprido e solto, ficava muito bonita naquilo. Ela estava de batom vermelho, e pequenos brincos. Nada muito ressaltante. – Bonito os brincos! – brincou, mexendo seus dedos em sua roupa caseira.

— Obrigada. – agradeceu, mexendo nos lindos cabelos cor de fogo de Oliver. – Você está lindo com roupas caseiras! São muito mais confortáveis que as minhas. – reclamou, entrando e seguindo Oliver até o sofá da sala. – Cadê o Rude? – perguntou brincalhona.

— Ele disse que só podemos confiar em você, se você o achar. E quando deu dois e meia ele se escondeu na casa. Eu disse que ele era tímido, mas eu acho que a professora vai gostar muito dele! – brincou, subindo no sofá e pulando nele. O menino estava se divertindo hoje.

Notas finais
Para qualquer demora de postagem, coloco minha doença como desculpa. Às vezes eu esqueço as mais simples palavras, sem nenhum motivo. E tenho que ficar tentando lembrar, demora. Vou dar meu máximo! Eu iria agradecer qualquer comentário que vocês possam deixar. Realmente, essa é quase minha primeira história, e eu estou realmente muito animada. Espero que gostem, e que eu tenha atendido suas expectativas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.