Notas iniciais
Cadê as melhores leitoras do mundo? Gente, vocês não fazem ideia do quão emocionada que me deixaram com cada comentário, de verdade. Muito obrigada. Vocês merecem muito e aqui está um novo capítulo. Boa leitura

O domingo amanheceu diferente, o sol estava raiando e o ar limpo. Me levantei devagar, olhando tudo se entender. Peguei meu celular, deparando com muitas mensagens de Mike e chamadas. Apaguei tudo e me foquei ao que importava, uma de Rose me convidando pra almoçar na casa dela, uma de mamãe me desejando um feliz domingo e outra de Jacob, perguntando sobre o carro. Respondi todos e peguei o celular da empresa, vendo quem me ligou ou mandou alguma mensagem. Junto o Blackberry, respondi tudo e fui para o banheiro.

Esvaziei a bexiga que já me enchia o saco, escovei os dentes, me enrolei em meu roupao e fiz uma traça. Desci a escada rumo à cozinha, pois meu estomago já roncava e notei no relógio de parede que já eram nove da manhã.
Estava distraída com meu celular que ao chegar na mesa de jantar, me assustei. Tinha de tudo ali, montado para um café da manhã. Pão, biscoito, bolacha, bolo, suco, café, achocolatado...

Rosnei, esfregando o rosto. Mike não conhecia limites. Fui na cozinha, na sala, no escritório, no banheiro e nada dele. Procurei um bilhete, algum papel e nem isso achei. Já havia perdido a fome. Olhei aquela mesa po alguns segundos e suspirei, sacando meu celular.

Liguei para Lígia, pedindo urgente que viesse arrumar pra mim e depois para o chaveiro, pedindo para que ele viesse trocar a fechadura de meu apartamento. Ele recusou no começo, mas quando dobrei a oferta, falou que estaria aqui em 15 minutos.

Voltei para meu quarto, onde coloquei uma regata e uma legging, em seguida amarrei meu cabelo num rabo de cavalo alto. Peguei a braçadeira empoeirada que estava guardada na cômoda e coloquei meu Ipod dentro.

Saí do apartamento, o trancando e indo para o elevador descer. Coloquei os óculos escuros e liguei a música, pondo os fones. Na portaria, falei que o chaveiro estava liberado e que pegasse o dinheiro com Lígia, que sabia onde estava.

Saí pra rua, me aqueci rapidamente e andei alguns quarteirões antes de correr. A música em meus ouvidos e o ar batendo em meu rosto me davam a sensação de liberdade, mas minha mente não saia do que Mike havia feito, do homem de olhos verdes e dos trabalhos que eu tinha de começar para a semana.

Estava extremamente fora de forma, e após dois minutos de corrida, sentia todo meu corpo doer e meus pulmões arderem em busca de ar. Mas ainda sim não desisti e só parei para comprar uma garrafinha d'água.

Acabei não voltando pra casa e sim ficando na de Rosalie. Subi as escadas que levava até a porta e bati, desligando a música e tirando os óculos. Quem me atendeu foi Emmett.

–-Bellinha! — Saudou, me fazendo rolar os olhos.

–-Estou suada, já vou avisando. — Falei antes que ele me abraçasse. Foi a vez dele rolar os olhos e me esmagar nos braços.

Emmett era o esposo de Rosalie, um cara enorme de altura e cheio de músculos, passando facilmente por um fisioculturista. Pra quem não o conhecia, era intimidador chegar perto dele, com todo seu tamanho. Porém, sua personalidade era o contrário disso tudo, sendo um cara brincalhão, sensível e amável. Era professor de Biologia em Harvard.

–Veio correndo de casa? O carro quebrou de novo? — Indagou, me deixando entrar.

–-Não, eu só precisava alongar as pernas mesmo. E tirar toda a tensão.- Comentei dando de ombros.

–-Mike não anda dando no couro? — Provocou.

–-Há, há. Muito engraçado. — Zombei. Ele riu, fechando a porta e indo para o pé da escada.

–-ROSE! Sua irmã chegou! — Berrou.

–-Eu vou beber água. — Falei, já indo pra cozinha.

Enchi um copo com a água filtrada e entornei. Depois mais dois, até Rosalie chegar.

–-Hey, você veio! — Disse, me abraçando. A abracei de volta, com um sorriso de canto.

–-Eu to suada. — Disse. Ela bufou.

–-Limpei sua bunda, idiota. -- Ironizou, me soltando e indo para o fogão. Me encostei na pia, cruzando os braços.

–-O que está fazendo de bom aí?

–-Lasanha de quatro queijo, bife à parmeggiana e salada de escarola. — Disse distraída, tirando uma travessa do forno.

–-Está cheirando muito bem. Acho que essa minha corrida não valeu pra nada. — Sorri, lavando o copo e o colocando no escorredor. Ela fez um gesto de desdem com a mão.

–-Bobagem. Você precisa engordar. — E lançou um olhar para meu corpo.

–-Não comece. — Avisei. Ela passou os dedos na boca como zíper.

–-Eu não ia falar nada.

–-Claro que não.

–-E Mike, como está? — Indagou casualmente, mas eu sabia que ela não queria saber realmente.

–-Sei lá, com alguma vadia em algum motel por aí.

Ela parou o que estava fazendo e me encarou.

–-Que?

Eu suspirei, me sentando na bancada e balançando as pernas.

–-Brigamos ontem porque ele queria sair e eu não. Ele saiu de casa dizendo que ia na mãe e eu estava no tédio e não queria trabalhar, me arrumei e fui para um pub qualquer aí. Depois de alguma bebida, o vi se amassando com alguma mulher numa pilastra e terminei tudo.
Rosalie me encarou, absorvendo as palavras e assentiu.

–-Até que enfim. Terei que ir à igreja pagar promessa. — Zombou. Eu rolei os olhos, brincando com a barra da regata.

–-Aí acordei hoje cedo e desci pra tomar café, e advinha só? Magicamente minha mesa havia se transformado numa padaria. Tinha de tudo lá, sério.

Ela franziu o cenho, confusa enquanto montava os bifes.

–-Foi ele? — Indagou.

–-Ué, quem mais seria?

–-Mas Bella... Mike não é um cara desse tipo de coisa. — Disse, com se fosse óbvio.

–-Dã.ã, só ele tem a chave de casa.

–-É eu sei, mas...

–-Belinha, olha aqui sua xará! — Emmett disse, aparecendo do nada com um cachorro na mão. — Belinha, essa é sua tia Belinha. Belinha, essa é nossa cachorra Belinha.

Olhei para o animal nas mãos de Emmett com o cenho franzido. Era uma coisa pequena, peluda e preta.

–-Que raça que é? — Indaguei.

–-Chow-chow. Ganhei de um amigo. Ela não é linda e a sua cara? — Disse, pegando a cachorra e colocando-a cara a cara comigo.

–-Emmett, estou cozinhando! — Rosalie grasnou.

A cara que Emmett fez foi hilária. Rapidamente ele tirou a cachorra da minha cara e saiu da cozinha.

–-Você casou com uma criança. — Falei. Ela bufou.

–-Nem me diga.

Um silêncio se firmou enquanto ela terminava. Depois, pediu para me ajudar a por a mesa na sala de jantar, onde o fiz de prontidão.

–-Rose... Por falar em criança... — Deixei no ar. Ela suspirou, esfregando o rosto.

–-Paramos de tentar. Estamos no: "Se for pra ser, será''. -- Disse, me olhando nos olhos.

Eu ofereci um sorriso.

–-Vocês vão conseguir. E serão ótimos pais. — Falei com sinceridade. Ela assentiu, agradecendo em silêncio.

–-EMMETT, VEM COMER! — Berrou do nada. Eu já era acostumada com minha irmã, e apenas ri, me sentando à mesa.

Eles me levaram para casa no meio da tarde. O porteiro me entregou a nova chave do apartamento e a nota fiscal. Eu subi para casa, onde tomei um banho demorado e me enrolei no roupão felpudo para trabalhar.

Era tarde da noite quando consegui finalizar várias revisões e assinar todos os documentos que precisavam, e também após duas reuniões por câmera. No entanto, o sono não vinha, e como o tempo estava um pouco abafado, resolvi tomar um sorvete. Coloquei jeans e camiseta e desci para a rua. Em duas esquinas encontrei uma sorveteria aberta e entrei.

–-Pois não? — A atendente sorriu.

–-Eu vou querer uma caquinha dupla, chocolate e flocos com cobertura de mel. — Pedi. Ela assentiu, fazendo a nota e me entregando. Levei ao balcão de pedidos e entreguei ao moço que montava o sorvete.

Esperei ele terminar e peguei, indo me sentar em uma mesa na frente do estabelecimento com apenas duas cadeiras. Comecei a comer com a pazinha, enquanto me lembrava do que tinha que fazer amanhã.

Ouvi quando alguém sentou na cadeira em frente a minha, mas como eu estava sentada de lado não pude ver quem era. Achei que fosse por conta do local estar lotado e não me importei em fazer uma social.

–-Sabia que com lambidas é mais fácil? — A pessoa disse.

Franzi o cenho, irritada e um pouco ultrajada. Não gosto que pessoas estranhas falem comigo e eu com certeza não conhecia aquela voz. Nem me virei.

–-Hmm. — Resmunguei apenas.

Ele insistiu.

–-É sério. É mais fácil e mais divertido também. — Disse.

Rolei os olhos me remexendo incomodada.

–-E você, quem é, o especialista em como chupar um sorvete? — Rebati.

Escutei sua risada abafada.

–-Na verdade, não.

–-Imaginei.

–-E você? Aposto que é uma executiva chata. — Ele disse.

–-O que te faz pensar que pode falar comigo dessa maneira? — Disse raivosa, me virando para a pessoa inoportuna. Mas parei quando olhei naqueles olhos, arregalando os meus assustada.

–-Talvez o fato de você ser tão receptiva. — Disse com ironia, arqueando uma sobrancelha.

Eu poderia não reconhecer. A barba grande, o cabelo longo e desgrenhado, as roupas sujas e rasgadas, as manchas de sujeira de rua haviam ido embora. Mas aqueles olhos eu reconheceria em qualquer lugar.

–-Você. — Sussurrei chocada.

–-Eu. — Disse simplesmente. — Mas acho que prefere minha versão antiga.

–-Co-como você... Eu... Você... Me... Jesus Cristo! — Esfreguei os olhos, nervosa. Sem olha-lo, tentei de novo: — O que quero dizer é... Como me achou?

–-Se eu falar, você vai sair correndo pra polícia. — Disse zombador. Arqueei uma sobrancelha.

–-Andou me seguindo? — Indaguei.

Ele sorriu sem graça.

–-Bom. Mais ou menos. Na terça-feira, depois do que aconteceu eu fui para meu... Bem, meu lugar, com uma chama de esperança. Na quarta eu acordei mais decidido à tentar de novo, à recomeçar. Na quinta eu fui comer num bar ali perto do seu emprego quando vi a movimentação. Eu sei algo de elétrica e consegui arrumar... E vi você... Consegui algumas informações e descobri que esse é seu bairro.

–-Uau. Mas... Tudo isso pra que? — Indaguei. Eu sabia que eu devia estar com medo, devia estar chamando-o de louco perseguidor e sair dali o mais rápido possível. Meu cérebro sabia de tudo isso, mas meu corpo não queria obedecer.

Ele olhou dentro de meus olhos.

–-Porque eu precisava agradecer.
Aquelas palavras tocaram em algum lugar dentro de mim que eu nem sabia mais que era viva. Senti meus olhos arderem e meu coração palpitar mais rápido.

Eu sorri. E foi um sorriso grande e sincero.

–-Não há de que. Além do mais, eu fiquei encantada com você tocando. Eu sou apaixonada por música clássica.

Ele sorriu também.

–-Você toca alguma coisa? — Indagou.

–-Eu tocava... Acho que estou enferrujada. Piano, Cello e Harpa. -- Comentei. Ele rolou os olhos.

–-Nunca nos esquecemos do que aprendemos. Vá por mim. — E riu de forma sombria, como se lembrasse de algo ruim.

Antes que eu pudesse segurar, as palavras pularam de minha boca.

–-Você quer... Fazer alguma coisa terça? — Indaguei. Imediatamente meus olhos se arregalaram e minhas bochechas esquentaram.

EU ESTAVA CORANDO?

Ele me olhou desconfiado.

–-Sério? — Indagou.

Eu assenti, sorrindo.

–-Sim. Eu saio às cinco e meia do trabalho. Lá pra umas sete, podemos nos encontrar aqui pra ir em algum lugar legal. — Sugeri.

Ele ponderou um pouco e então sorriu.

–-Okay. Será um prazer. — Disse.

Assenti, me levantando.

–-Tenho que ir. — Falei, vendo que já era quase meia-noite e eu precisava acordar cedo. Ele se levantou também.

–-Quer que eu te acompanhe? — Indagou.

Parei e olhei para seu rosto sincero.

–-Seria um prazer. Aliás, aceita um? — Indiquei o sorvete. Notei que minha casquinha estava molenga, por conta do sorvete derretido.

–-Não, obrigado.

Joguei o meu no lixo e fui rapidamente no banheiro lavar a mão. Quando voltei, ele estava do lado de fora da sorveteria, com as mãos nos bolsos do jeans negro e olhando para o céu. Me dei alguns segundos para observa-lo. Ele era ruivo, e seu cabelo parecia macio e sedoso, aparado e jogado para trás. Tinha um rosto de marca forte, com o nariz reto, olhos pequenos e maxilar quadrado. Era alto e com ombros largos, estava magro por conta de ser maltratado, mas se estivesse em seu melhor físico, seria um corpo maravilhoso.

Ele então abaixou a cabeça e me pegou o olhando, me fazendo corar de vergonha e baixar a cabeça. Saí da sorveteria, indo ao encontro dele.

–Vamos? Não é muito longe. — Disse. Ele assentiu e começamos a andar.

Ficamos alguns metros em silêncio, apenas observando ao redor. Foi ele quem quebrou isso.

–-Eu não sei seu nome.

Olhei para ele, com um meio sorriso.

–-Isabella Swan. Mas pode me chamar só de Bella. — Comentei. Ele assentiu, parando. Eu parei e me virei para ele. — Que?

Ele estendeu sua mão, arqueando uma sobrancelha. Coloquei a minha na sua.

–-Edward. É um prazer. — Disse e então levou a costa de minha mão em seus lábios e a beijou, me deixando sem fôlego.

–-Só... — Chacoalhei a cabeça, tirando a mão de suas. — Só Edward?

–-Acho que sim. — Deu de ombros.

Notei que se tratava de algo delicado e resolvi não pressionar. Voltamos à andar em silêncio.

Paramos em frente ao meu prédio, onde olhamos para o outro ao mesmo tempo e rapidamente desviamos o rosto, eu ficando sem graça.

–-Bom. Até terça? — Indaguei. Ele assentiu com um sorriso.

–-Até terça. — Disse piscando.

Eu ri, rolando os olhos e dando um tchau para entrar. Cumprimentei o porteiro e fui para o elevador, onde dei um boa noite sorridente para os que estavam ali. Entrei em meu apartamento e fechei a porta, me encostando nela.

Se eu tinha um sorriso idiota no rosto? Sim, eu tinha. Se eu estava corada? Sim eu estava. Se meu coração palpitava rápido? Sim, também.

E acho que nunca senti uma sensação melhor na vida.

Notas finais
E aí, gostaram que ATÉ QUE ENFIM ele apareceu? :x KKKKKK' Gente, gostaria de saber se vocês gostariam de um meio de interação, como por exemplo um grupo no Facebook, no Whatsapp ou uma Fanpage... Para a fanfic? Novidades, quando postei, fotos e tals? Digam pra mim que eu faço e no próximo capítulo deixo o link. Beijão e até o próximo!