Notas iniciais
Oi, vocês. Espero que gostem. Através de um vídeo com uma história que me emocionou, tive a ideia de criar essa fanfic. E posta-la, depois de tanto tempo sem fazer isso.
Enjoy!

Eu estava estressada. Muito estressada. Aquela reunião havia acabado com meus neurônios e com o resto de paciência que eu tinha depois de falar com Michael. Pelo amor de Deus, tenho apenas 32 anos e já tirei aquela empresa da beira do precipício milhares de vezes! Não que eu me preocupe com estética, mas desse jeito, quando eu tiver 40 vou parecer ter 80 anos de idade!
Eu amo minha profissão, é minha paixão desde a infância quando assistia filmes com mulheres protagonistas fodonas e empresárias, que botavam pra quebrar, e ainda tinham tempo para um relacionamento com final feliz. Eu amo ser advogada trabalhista, mas isso está me matando. E mais uma vez estou falando comigo mesma, parabéns Isabella, logo terá seu diploma de insanidade também.
--Bells? Bells?! Bella?! – Uma voz ecoava ao fundo, me tirando dos meus devaneios. Olhei para cima e encontrei os olhos azuis piscinas de Rosalie. Eu sempre odiei aqueles olhos porque me lembravam a cor besta dos meus, mas eu amava aquela pessoa. Que era minha irmã ainda por cima.
--Ham? Que? Desculpe... E só que... Aquela reunião... Ugh! – Me sacudi, tendo um chilique de raiva. Rose riu.
--Calma. É só uma fase turbulenta enquanto tentamos fechar o contrato de fundição com aqueles corvos, mas logo passa. – Disse, pegando um café pra si também. Notei que o copo que eu havia pego estava em minha mão, com o café já frio. Suspirei e joguei no lixo.
--Sei disso, mas é estressante demais.
--Juro que se você não fosse a melhor advogada aqui, eu te daria férias, mas... –Ela sorriu em desculpa.
Fiz um gesto de desdém com a mão.
--Não quero férias. Quero que as coisas se resolvam. Só isso.
--Todos queremos isso, mas por enquanto temos de dar duro.
--Já estou arromabada de dar duro. – Resmunguei, de forma birrenta e emburrada. Patético pra alguém de minha idade. Mas Rosalie riu.
Voltamos para nossas salas, Rosalie era gerente do RH e estava com uma bomba em mãos, uma bomba que viria para mim se tudo desse certo.
Minha mesa estava extremamente organizada, graças à Leah, minha assistente pessoal, que –graças à Deus- tinha TOC e não suportava nada bagunçado. Minha sala só era arrumada graças à ela, já que eu não era uma pessoa muito organizada. Por onde olhasse em minha sala, haviam post-it colados, de todas as cores, indicando o que havia em cada lugar. Pra tirar sarro de mim, até na beira do lixinho tinha um post-it cor-de-rosa colado escrito “Oi, sou o Lixo” e uma carinha feliz.
Sentei em minha cadeira, atrás da grande mesa de madeira envernizada, e peguei o contrato novo que estava em cima. Com um marca texto, ia lendo e grifando partes importantes tanto boas e ruins. Havia ficado entretida, tatnto que me assustei quando a porta se abriu com força, trazendo uma rajada de vento e... Lauren. Rolei os olhos, entediada.
--Ficou sabendo? – Indagou toda empolgada.
--Sei de muitas coisas. Especifique-se. – Disse sem interesse, ainda olhando para o papél em minha mão.
Escutei ela bufar.
--Alguém irá ser efetivado e parece ser desse andar! – Sua euforia chegava à ser ultrajante.
--Que legal. Boa sorte. – Lhe lancei um sorriso, mas voltei ao contrato.
Só que Lauren não entendia deixas, e ainda por cima se sentou em uma das cadeiras de visitas à minha frente. Não me entenda mal, não sou uma megera metida que odeia todo mundo, mas é que um estágiario que fala mais que a boca, que fofoca sobre tudo, parece ter 14 anos e acabou de sair duma faculdade nem tão renomada assim é um saco. E Lauren, desde que começou o estágio aqui, desenvolveu alguma paixão por mim, já que não saia do meu pé.
Ela começou a falar sobre algo, mas eu viajei para não ter que ouvir. Quando a sala ficou em silêncio, um bom tempo depois, notei que ela me encarava e parecia querer uma resposta pra algo que eu não fazia ideia ser. Ela riu.
--Ai, Bella, você parece não ter ouvido nada do que falei não é? Não tem problema, eu falo denovo! Então...
--Lauren, querida, na verdade estou meio ocupada aqui, então se puder deixar pra outra hora... – A cortei, me levantando.
Ela sorriu mais ainda. Posso ter me arrepiado de medo. Vai que ela é psicopata? Lauren se levantou e veio até mim, que já estava no meio do caminho até a porta.
--Claro! Tem esse lugar que é super descolado, e a gente poderia ir... – Ela continuava à falar. Eu sorria e acenava, a empurrando de leve, enquanto abria a porta. – Okay pra você? –Disse já fora da minha sala.
--Perfeito. – Estiquei mais o sorriso e fechei a porta. –Deus do céu.
Suspirei, esfregando o rosto. Voltei para minha cadeira e ao trabalho, meio assombrada com o falatório de Lauren.

Era pouco mais das seis quando pisei na calçada e respirei ar puro. Mas eu estava com azar, pois meu Koenigsegg preto estava no conserto, os táxia escassos, Michael bravo comigo e Rose havia ido mais cedo.
A única opção era o metrô.
Lembrei que a cinco minutos dali estava a estação, então comecei a andar para lá. No caminho, algumas vitrines me chamaram atenção, principalmente uma com moletons em oferta. Não resisti e entrei.
Os vendedores sabem quando o cliente tem grana, e em menos de dois minutos dispensei 5 deles. Por conta disso, acabei perdendo o interesse e saí da loja, retomando meu caminho.
Estava perto, quando ouvi um som. Na verdade, uma melodia. E não estava longe. Sabendo que iria perder a hora, mas não resistindo à tentação, segui o som.
Alguns metros da estação havia um restaurante três estrelas, e em frente à ele, na calçada havia um piano. Esse que estava sendo tocado por alguém.
Cheguei mais perto, notando o aglomerado de pessoas que já estava se formando. A pouco espaço do piano, olhei melhor a cena. Era um homem, parecia ser alto, tinha cabelos longos e desgrenhados, parecia ser ruivo, havia barba em seu rosto. Não conseguia ver seus olhos, já que ele estava concentrado em sua música. Olhei suas roupas, e meu queixo caiu.
Um mendigo.
Do tempo que fiquei ali, vi-o tocar Bach, Beethoven, Chopin e Debussy. Por ser uma amante de música clássica, não consegui desgrudar os olhos daquilo, até o momento em que ele finalizou. Parecia cansado e estava ofegante. A platéia que se formou estorou em palmas, inclusive eu. Só então notei que algumas lágrimas haviam escorrido e limpei rapidamente.
Sem pensar duas vezes, peguei minha carteira da bolsa e saquei três notas de cem dólares dali, indo até aquele homem. Ele estava se levantando, parecia fazer esforço para isso.
Já do lado daquele homem, toquei em seu braço e tive que olhar para cima, pois mesmo com saltos, ele era mais alto que eu. O homem parecia totalmente sem jeito, e quando o toquei, parecia ter sido agredido. Quase recuei, mas não pude, pois ele me encarou e eu vi olhos mais verdes em toda a minha vida bem ali.
Escorreguei a mão em seu braço sujo e peguei sua mão, virando a palma para cima, meu olhos ainda nos dele. Depositei ali o dinheiro e fechei sua mão, enfim a soltando.
Não falei nada nem fiz gentos, assim como ele. Apenas dei uma última encarada naqueles olhos e recuei, dando passos para trás e enfim virando as costas.
Não sei como e nem porquê, mas meu estômago havia ficado agitado e minha cabeça zonza. A única coisa que não saia dela eram aquelea olhos, e foi assim até no momento que fechei os olhos para dormir.

Notas finais
Comentem, por favor. Me ajuda saber se devo continuar ou não.