O Melhor Presente de Todos
1 Capítulo Único - O Melhor Presente de Todos
Notas iniciais
Lovino bufou. Ele realmente não sabia porque raios havia concordado em ir a uma festa na noite de véspera de natal, ainda mais sendo Francis o animado anfitrião. Ele olhou pro lado, encontrando ali o motivo de ele ter concordado em quebrar a sua tradição natalina — ficar em casa sozinho comendo biscoitos natalinos com um gorro vermelho na cabeça e reclamando da vida — para ir aquela festa em que ele estava visivelmente entediado. Antônio estava sentado no sofá ao lado dele, conversando animadamente com Gilbert, rindo de alguma coisa idiota que Gilbert dissera. Lovino realmente não dava a mínima para o que era, só para o quão bonito Antônio ficava rindo.
O italiano desviou o olhar com a costumeira expressão irritada, os braços cruzados e as bochechas levemente coradas. Ele estava apaixonado por Antônio já havia algum tempo, mas mesmo tendo certeza de que não era correspondido, ele não conseguia apenas esquecê-lo. Quando Lovino começava a achar que estava perto de superá-lo, o espanhol voltava a conquistá-lo com aqueles olhos verdes expressivos, aquele sorriso encantador e a mania "irritante" de abraçar Lovino quase o tempo todo. Mas não era como se Lovino se incomodasse de verdade com todos os toques de Antônio, muito pelo contrário. Intimamente, o italiano implorava que o espanhol jamais o soltasse. Mas não era como se ele fosse dizer isso para o próprio.
Uma coisa que Lovino detestava sobre aqueles sentimentos era como ele conseguia se tornar capaz de fazer qualquer coisa simplesmente para alegrar o idiota. Ele aguentava os amigos idiotas de Antônio, o que já era um grande sacrifício considerando que eram Francis e Gilbert, saía com Antônio meramente para alegrá-lo entre outras pequenas coisas, todas despercebidas pelo dito espanhol. Aquele maldito idiota.
Lovino encostou a cabeça no braço do sofá, fechando os olhos. Talvez se ele dormisse um pouco ele pudesse parar de pensar no idiota sentado ao lado dele. Talvez ele conseguisse ignorar o local onde estava por alguns segundos e aproveitar pelo menos um pouco de sua véspera de natal. Ele foi frustrado rapidamente, sentindo um toque irritante nas suas costas, um pouco para baixo demais, e ouvindo uma típica risada francesa.
-O que houve, mon ami? Toni te abandonou, mon petit Lovino? — perguntou Francis, passando os braços ao redor dele e puxando-o para si.
-Me solte seu pervertido! Vá encher o saco do Arthur ou de qualquer idiota que aguente você, seu maldito bastardo tarado! — disse Lovino, empurrando Francis tentando se livrar deste. Ele apenas riu, ganhando mais xingamentos por parte do italiano. Antônio percebeu que Francis incomodava seu pequeno italiano, então resolveu interferir.
-Francis, não machuque mí tomatito!
-A culpa não é minha se você está deixando o garoto de lado! Já que você não dá a devida atenção a ele, o irmãozão França tem que dar... — disse Francis, com um tom sugestivo.
-Sai para lá, seu pervertido! Espanha, seu idiota, me ajude! — dizia Lovino, corando. Vendo que Lovino estava incomodado o suficiente para realmente pedir sua ajuda, o espanhol se levantou e afastou o francês do menor, recebendo reclamações do homem.
-A culpa não é minha se você não dá atenção ao pobrezinho! — disse Francis. — Gilbert já foi atrás da Elizaveta para irritar, fique um pouco com o seu italiano. — e sem nem esperar uma resposta, o francês se levantou e saiu. Lovino bufou e novamente e acomodou no sofá.
-Ei Lovi, você está mesmo entediado? — perguntou Antônio.
-Imagina. Eu estou adorando olhar para a cara desses bastardos e não fazer absolutamente nada. — disse Lovino, com um tom sarcástico que até Antônio, lento como era, conseguiu entender de cara.
-Já que você está entediado, vamos dar uma volta! Vamos sair daqui e caminhar um pouco! Acho que tem um parque aqui perto, vamos até lá! — dizia o espanhol, animado.
-Tá. Pode ser. Tudo para sair dessa festa estúpida.
Antônio sorriu e pegou a sua mão, guiando-o para fora da casa, recebendo xingamentos por estar segurando sua mão. O espanhol riu e diminuiu o ritmo, caminhando lentamente sem soltar a mão do italiano, que não se incomodou em puxá-la para si. Estava frio, iria deixar o idiota segurar a sua mão apenas para esquentá-la. É claro que ele não queria ficar de mãos dadas com Antônio, não mesmo! Antônio o levou até o dito parque, que estava com as árvores decoradas para o Natal e coberto de neve, mas com ninguém a vista caminhando por ali. Antônio se sentou em um banco, que por sorte tinha pouquíssima neve para retirar e não estava molhado. Este suspirou e disse:
-Eu acho que já posso te dar o seu presente, Lovi! — e Antônio tirou um envelope do bolso do casaco. Lovino olhou com desconfiança, e depois de murmurar um obrigado baixinho pegou o envelope, abrindo-o sem pressa. Depois de enfim aberto, Lovino encontrou algo que não esperava ganhar.
-Passagens de avião?
-É! Saem do aeroporto perto do hotel que estamos amanhã a tarde. — disse Antônio, visivelmente animado. — Eu conversei com o seu chefe e com o meu e consegui convencê-los a nos dar mais uma semana de férias depois do ano novo. Você e eu vamos passar os últimos dias do ano, o ano novo e mais sete dias tranquilos em um dos melhores hotéis da Espanha. Para começar o ano do melhor jeito possível.
-S-Sério? — perguntou Lovino, incrédulo.
-Claro. Para mim não tem jeito melhor de começar um novo ano do que com você ao meu lado. E eu espero que você consiga relaxar um pouco. — disse Antônio. — E então? Você gostou?
-E-Eu... Eu adorei. Obrigado Antônio. — disse Lovino, deixando o espanhol abraçá-lo, abraçando de volta para surpresa do maior. — M-Mas... Eu esqueci o seu presente em casa. Não sabia que você me daria o meu nessa festa idiota, então não achei que precisaria trazer.
-Ah! Lovi! Então eu vou ficar sem um presente? — reclamou Antônio, fazendo uma cara de decepção e tristeza visivelmente falsa, pois ele voltou a sorrir logo depois. — Você pode me dar outro presente por enquanto. Só para eu não ficar sem nada.
-O que eu poderia te dar, bastardo? — perguntou Lovino. Antônio sorriu divertido e riu, passando um braço pela cintura de Lovino puxando-o para si e segurando seu queixo, olhando-o nos olhos ao dizer o que queria.
-Um beijo. — Lovino arregalou os olhos, corando logo em seguida. Ele agora via o quão perto Antônio estava de si e o quão fácil seria apenas mover alguns centímetros para unir seus lábios. E com um leve estímulo para frente no queixo dele pela mão de Antônio, o garoto moveu os lábios em direção aos do espanhol, fechando os olhos, esperançoso.
Antônio soltou o queixo do italiano e moveu a mão para junto da outra, na cintura de Lovino, enquanto este o puxava para si pela nuca, brincando com os fios de seu cabelo. O espanhol estava feliz por Lovino finalmente tê-lo beijado, mas ele queria mais. Pediu passagem com a língua e ficou surpreso com o quão prontamente Lovino havia aceitado aquilo. Para ambos aquilo estava sendo muito melhor do que quando imaginaram o momento. E os dois estavam surpresos em constatar que o outro queria aquilo tanto quanto eles próprios. Quando eles se separaram, Antônio deu selinhos nos lábios de Lovino, logo depois traçando um caminho de beijos até o seu pescoço, afastando o cachecol para tocar a pele do italiano. Depois de alguns beijos ali, Antônio deu um último selinho demorado nos lábios de Lovino. O espanhol uniu sua testa à de Lovino, olhando-o para perceber o quão vermelho o menor estava.
-Lovi, você está todo vermelho! — ele disse, rindo.
-C-C-C-Como não estaria, s-s-seu bastardo! Nós acabamos de... d-de... — gaguejava um Lovino confuso e envergonhado.
-Beijar. Você acabou de me beijar. E eu beijei você de volta. — disse Antônio, sorrindo com toda a felicidade do mundo.
-E-E-Eu... Eu... Argh. Bastardo. — Antônio riu e o puxou para si num abraço apertado, suspirando.
-Esse foi o melhor presente de Natal que você poderia me dar. — disse Antônio.
-Seu idiota. — disse Lovino, ainda todo vermelho.
-Também te amo Lovi. — respondeu Antônio, acariciando as costas e os cabelos de Lovino.
-O quê? — disse Lovino, se afastando. — M-Mas esse a-a-amor que você diz... Q-Que tipo de amor é?
-Ora, Lovino. É tão óbvio. Eu te amo mais do que um amigo e quero fazer com você o que namorados fazem. Abraçar, dar as mãos, beijar... — dizia Antônio, se aproximando cada vez mais, até roçar o nariz na bochecha de Lovino, fazendo o garoto se arrepiar. — Mas eu preciso saber o que você sente por mim. Você me ama, Lovi?
-E-Eu... Eu... — gaguejava Lovino, envergonhado com o olhar apaixonado e esperançoso de Antônio para si. — Argh, é claro que amo você, seu bastardo idiota. — disse ele, escondendo o rosto no peito do maior. Antônio sorriu e segurou seu rosto com as duas mãos, beijando-o outra vez, sendo correspondido como da última vez. O beijo foi demorado como o último, mas quando finalmente se separaram, Antônio já sabia exatamente o que fazer.
-Lovi... Isso tudo quer dizer que você é meu namorado agora? — Lovino corou mais e baixou a cabeça, envergonhado.
-S-S-S-Se você q-quiser... E-Eu... Eu adoraria... — Antônio sorriu e o abraçou outra vez, rindo.
-Esse foi o melhor presente de Natal, mí tomatito! Te quiero, Lovi!
-T-Ti amo, bastardo...
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