O Melhor Das Piores Intenções

33 Capítulo 31 - Ações, reações e consequências


Notas iniciais
Vocês comentaram na velocidade da luz e eu fiquei muito feliz, então estou atualizando na velocidade da luz também, como o prometido. Boa leitura!

Izaya acordou com febre alta no dia seguinte. Seu corpo todo parecia mole, meio dolorido, sua cabeça doía um pouco e seu nariz estava congestionado. Deveria ser algo como um resfriado, embora o moreno raramente ficasse doente. E se fosse mesmo um resfriado, era um bem pesado, pois ele mal tinha vontade de sair da cama.

Ele ligou para Namie, pedindo que desmarcasse todos os seus clientes do dia. Apesar de ter dito para ela não ir trabalhar, a secretária apareceu lá do mesmo jeito, usando uma máscara cirúrgica. Ela cozinhou alguma coisa quente para ele, fez algumas piadas sobre seu estado patético e foi embora.

– Namie-san é cruel...

– Não diga isso quando eu acabei de fazer um ensopado pra você — disse Namie, antes de fechar a porta. — Ah, e é bom você melhorar logo ou o trabalho vai ficar todo atrasado.

– Mhm hm...

O moreno pegou um cobertor e deitou no sofá de couro preto em sua sala de estar, vestindo roupas de moletom. Ele ligou a televisão e ficou assistindo o jornal da manhã, sentindo como se sua cabeça fosse explodir. A previsão do tempo anunciou mais um dia com baixas temperaturas e chuva; os últimos dias tinham sido daquele jeito e talvez fosse esse o motivo por trás de seu resfriado.

– Eu quero trabalhar... Mas com essa dor-de-cabeça... Que entediante...

Izaya fechou os olhos e tentou dormir, mas foi inútil. Mesmo depois de um analgésico, o incômodo era o mesmo. Sem contar que, toda vez que ele fechava os olhos, começava a pensar em Shizuo.

– Quando Namie ou Shizu-chan não estão por perto eu percebo o quão vazio esse apartamento fica...

Shizu-chan.

Eu não quero relembrar a cara que ele fez ontem.

Eu não deveria ter dito aquelas coisas.

Mas o que eu iria dizer?

– Que saco... — Ele murmurou para si mesmo, antes de ter um ataque de tosse.

Eu não quero sentir a falta de Shizu-chan.

– Tédio... Eu detesto não poder fazer nada... Vou ligar para o Shinra...

Izaya fez um enorme esforço para alcançar seu celular na mesa de centro e discou rapidamente o número do médico, pedindo que lhe trouxesse algum remédio.

– É raro você pegar um resfriado — disse Shinra, quando chegou lá. — Se bem que estava bem frio ontem... O que você estava fazendo?

– Eu? Nada... Me encontrei com alguns clientes mas... Foi só isso, o de sempre...

– A propósito... — O falso doutor mexeu em sua maleta procurando os remédios. — Faz tempo que não vejo você e Shizuo-kun se enfrentarem nas ruas. Vocês estão trabalhando juntos, não estão?

– É, acho que sim — Izaya respondeu, com um longo suspiro. — Trabalhar com ele... É muito complicado...

– É mesmo? Quem sabe agora trabalhando juntos vocês não se reconciliem e acabem de uma vez por todas com essa rivalidade.

– Nem brinque com isso, Shinra.

O médico riu.

– Você não tem jeito mesmo, não é? — Disse ele. — Enfim, esse é o remédio que você precisa tomar. Uma pílula a cada oito horas deve ser o suficiente.

– Obrigado. O dinheiro está em cima da mesa.

Shinra pegou as várias notas de ienes e se dirigiu à porta.

– Certo. Então eu já vou-

– Shinra, espera — disse Izaya, deitado no sofá.

– O que foi?

– O que você acha que teria acontecido se eu e Shizu-chan tivéssemos sido amigos?

– O quê? — Shinra pareceu surpreso. — A sua febre está te fazendo ter alucinações?

– Não... Eu só estava curioso... Sobre como tudo teria sido...

– Bem, eu tive a chance de observá-los de perto por um bom tempo. Para mim, parece que vocês dois, de certa forma, precisam um do outro.

– O quê? — Izaya se sentou e sentiu a dor de cabeça ficar um pouco mais forte.

– Isso pode parecer estranho, mas vocês tem um papel importante na vida um do outro. Se Shizuo-kun não tivesse você para descontar toda a sua raiva, seria complicado para ele, quem sabe não se tornasse um verdadeiro monstro. E, da maneira que você vive, se você não tivesse Shizuo-kun para te entreter, sua vida seria bem mais entediante.

– Você está falando coisas estranhas...

– São só suposições, claro, mas é assim que eu penso. Vocês representam o equilíbrio na vida um do outro. Se um de vocês fosse embora ou deixasse de existir, isso poderia ser um desastre total.

– Eu não entendo o que você quer dizer com isso.

– É bem simples: amor e ódio são forças de mesma intensidade aplicadas em sentidos opostos. Se o vetor estivesse apontando para outro lado, talvez vocês fossem melhores amigos. É uma teoria; mas só as atitudes de vocês já tornam isso completamente impossível agora, haha.

Izaya ficou em silêncio.

– Por que você me fez essa pergunta? Por acaso desejou que tivesse sido diferente? — Shinra provocou.

– É claro que não. Por que eu iria querer a amizade de um animal irracional como Shizu-chan...

– Se me lembro bem, você bem que queria que ele fosse seu aliado quando éramos adolescentes.

– Sua memória deve estar ruim, então. E não importa, porque nós não somos mais adolescentes.

– Isso é verdade — Shinra pareceu um pouco triste ao concordar. — Mas algumas coisas nunca mudam, não é? Enfim, agora eu estou indo mesmo. Não se esqueça de tomar seus remédios~

– Aham...

Depois de ouvir o som da porta se fechando, Izaya suspirou com pesar.

– Que deprimente... Eu não deveria ter feito aquela pergunta. — Murmurou para si mesmo. — Doente e pensando em Shizu-chan; hoje deve ser o dia da minha morte, mesmo.

Com o remédio, ele conseguiu tirar um cochilo, que durou aproximadamente duas horas. Izaya acordou quando o celular que tinha deixado na mesa de centro começou a vibrar.

– Ahhh... Quem será que é... Eu não quero atender...

Ele se esticou para ver a tela e percebeu que era Namie quem estava ligando. Portanto, resolveu atender.

– Alô.

– Izaya, eu estava analisando as substâncias que você trouxe da Shouichi Pharmaceuticals.

– Ah, sim — ele deu um sorriso satisfeito. — Então, o que tem aí? Encontrou o que eu estava procurando?

– Você me trouxe quatro frascos. Os três primeiros continham medicamentos normais e eu tinha quase certeza que seria o mesmo no quarto frasco, mas aí fiz os testes e... Eu acho que encontrei a substância que você procurava.

– E como ela é?

– Bom, só dá para explicar através dos experimentos. Aqui no meu laboratório, eu experimentei em camundongos. Foi uma das coisas mais estranhas que eu já vi. As cobaias começaram a se atacar, como se tivessem desenvolvido uma aversão à própria espécie. Quando pararam, começaram a se debater e morreram depois de algumas horas.

– Morreram...?

– É, morreram. Não dá para termos certeza de que o efeito seria o mesmo nos seres humanos, também tem a questão da dosagem e tal. Mas entre os frascos que você me trouxe, com certeza é esse o suspeito.

– Ótimo. Agora, a próxima coisa que você tem que fazer é criar alguma coisa que possa reverter o efeito dessa droga. Como um antídoto, talvez.

– Izaya, isso não é um veneno.

– Eu sei que não. Mas deve haver algo capaz de anular as propriedades dessa substância, certo?

– Não tenho certeza disso. Você quer salvar a Segunda Saika?

– Talvez. Nós não sabemos se é mais de uma, e se forem várias? Vamos apenas matar cada uma? Isso não faz o meu estilo.

– Seu estilo, huh? Às vezes você me dá a sensação de que não é uma pessoa tão ruim quanto parece.

– Pare de falar bobagem. Desenvolva aquela substância pra mim, nee. Estou te pagando bem.

– Eu vou tentar. Te ligo novamente mais tarde. Até mais.

Izaya finalizou a ligação e colocou o celular no sofá, ao seu lado.

* * *

Enquanto isso, em Ikebukuro, Shizuo recebia um telefonema especial.

– Alô?

– Shizuo Heiwajima? — Disse uma voz masculina desconhecida do outro lado da linha.

– Sim, sou eu. Quem é?

– Meu nome é Shouichi, Matsubara Shouichi.

O sangue de Shizuo pareceu ter congelado nas veias. Aquele tempo todo, ele e Izaya tinham estado atrás desse homem, mas essa era a primeira vez que estava falando com ele pessoalmente.

Ele abriu a boca em surpresa, se perguntando o que deveria dizer.

Por que esse cara está me ligando?

– Ah, vamos lá, Shizuo — mesmo sem ver o homem do outro lado da linha, o loiro tinha certeza de que ele estava sorrindo. — Eu sei que você me conhece.

Shizuo respirou fundo.

– O que você quer comigo?

– O que eu quero conversar com você não pode ser dito por telefone — disse Shouichi. — Gostaria de convidá-lo a comparecer ao meu escritório amanhã, às oito horas da noite. O endereço lhe será enviado como mensagem de texto em alguns segundos.

– Eu vou perguntar mais uma vez: o que você quer comigo? — Shizuo ficou mais sério, demonstrando sinais de irritação.

– Eu já disse, quero só conversar. Fazer um acordo, talvez? Você verá quando estiver aqui. Mas venha sozinho.

O ex-barman ficou em silêncio, receoso.

– Se você trouxer alguém, vamos dar um jeito de eliminar essa pessoa. E se você não aparecer, eu vou ter que ir atrás do informante.

Outra ameaça.

Shizuo se lembrou de todas as vezes que Izaya tinha estado em perigo recentemente — o carro sabotado, o apartamento invadido, a ameaça às suas irmãs. Ele realmente tinha que fazer isso sozinho.

Além do mais, apesar das habilidades de Izaya, ele ainda era o mais forte. Nada de tão ruim poderia acontecer, certo?

– Eu vou.

– Ótimo — afirmou Shouichi, parecendo satisfeito. — Estarei esperando-o. Boa noite, Shizuo.

– Boa noite.

O loiro finalizou a ligação e jogou o celular na cama, suspirando pesadamente.

Notas finais
É OFICIAL: o Shinra também shippa Shizaya. E é com um misto de alegria e tristeza que eu anuncio que O Melhor Das Piores Intenções está chegando à sua reta final. Alegria porque cheguei até aqui (no início achei que a história fosse ter só uns vinte e cinco capítulos) e tristeza porque é meio chato quando as coisas estão acabando, né? Para vocês não ficarem em dúvida no final de um capítulo tipo 'acabou? não acabou?', vou deixar claro que a história só vai terminar no capítulo 36 (na minha contagem) ou capítulo 38 (na contagem do Nyah!) + um epílogo. Posso falar isso com certeza absoluta porque acabei de terminar de escrevê-la (e estou tão satisfeita ; u ;) Vou fazer assim: postar um capítulo novo toda vez que o anterior tiver OITO comentários, para eu ter uma ideia de quantos de vocês já leram. Então agora a velocidade das postagens depende de vocês. Até o próximo! ♥