O Melhor Das Piores Intenções
22 Capítulo 20.5 - Vícios e virtudes
Notas iniciais
Estavam se beijando no terraço quando Shizuo sentiu o corpo de Izaya estremecer sob suas mãos.
– Está muito frio aqui em cima — o informante murmurou, batendo os dentes.
– Vamos para dentro, então.
Os dois entraram no apartamento de Izaya e este trancou a porta atrás, jogando as chaves em uma mesa. Logo depois, o moreno passou os braços por trás do pescoço de Shizuo e sussurrou em seu ouvido:
– Shizu-chan... Já que nós estamos sozinhos e estamos aqui... Vamos fazer...
– Mmm, não.
– Como assim, não?
– Não estou a fim.
A imprevisibilidade de Shizu-chan deve ter chegado ao seu nível máximo. Hah, como se eu fosse aceitar isso.
– MENTIRA! Tenho certeza que Shizu-chan está... Tanto quanto eu...
– Talvez. Mas você não merece ganhar o que você quer.
– Que estranho você desperdiçar uma oportunidade dessas, nee... E que cruel. Está quase machucando os meus sentimentos.
– Que sentimentos? — Shizuo sussurrou, passando a mão sobre o volume nas calças do informante e segurando-o repentinamente, fazendo o moreno arfar em suspresa. — Sentimentos daqui?
– Hnn... Esses também... Falando sério, Shizu-chan, vamos foder. Agora.
– Eu já disse, não.
– Por quê?
– Você não merece.
Izaya já estava ficando indignado com aquele comportamento tão sério de Shizuo. O loiro estava fazendo aquilo de propósito, provocando-o, e estava ficando bem satisfeito com os resultados, notando a frustração do moreno. Bem feito.
– Desde quando Shizu-chan liga para essas coisas, haaa? Aliás, se você acha que eu tenho sido tão desmerecedor assim, você deveria me punir~
– Exatamente — Shizuo respondeu, com um sorriso. — Sua punição vai ser ficar aí se masturbando até não aguentar mais enquanto eu vou dormir no seu quarto.
– Muito engraçado, Shizu-chan. Esse tipo de punição eu não quero.
– Uma punição não deveria ser algo que você quer.
O moreno soltou um suspiro frustrado, segurando a mão de Shizuo e levando-a até a curva de seu traseiro ainda coberto, em seguida puxando um dedo e colocando-o bem no meio de suas nádegas.
– Shizu-chan... Chega de bancar o difícil, nee...
Eu nem sei como ele, que deveria ser o monstro selvagem, está resistindo tanto quando nem eu estou aguentando esperar pelos toques dele.
– Se você quer tanto assim, faça você mesmo — disse Shizuo, com um olhar sério.
– Como assim?
O loiro tirou do bolso uma embalagem de lubrificante e jogou-a na direção de Izaya, como se fosse uma bola de beisebol que o informante pegou com as duas mãos.
Shizu-chan trouxe o lubrificante e não queria sexo? Impossível.
– Se prepare — Shizuo disse, apontando para o frasco nas mãos do outro.
– Então você vai...?
– Não sei. Depende se o seu showzinho vai me agradar ou não. Eu vou ficar assistindo.
– Shizu-chan é terrivelmente pervertido — Izaya suspirou, sentando-se no sofá de couro preto.
– Cale a boca e vá em frente se quiser alguma coisa, pulga.
Izaya se ajoelhou no sofá e abriu o cinto de suas calças, em seguida abrindo o zíper e descendo-as até o joelho. Mesmo sem ter tirado a boxer, Shizuo já percebeu que ele estava duro e a ponta de seu membro molhava de leve o tecido cinza.
O moreno abaixou a cueca devagar até ficar exposto, embaraçosamente duro, logo passando um pouco de lubrificante na mão e massageando de cima para baixo.
– Atrás — Shizuo murmurou, sem desviar os olhos.
– Porra, Shizu-chan, eu sei... Que constrangedor.
– Você tá precisando se constranger um pouco.
Deixando seu pênis de lado, Izaya aplicou lubrificante nos dedos da outra mão. Em seguida, levou um dedo até a sua entrada, logo adicionando outro. Os dedos foram inseridos devagar e não chegaram a causar-lhe dor. Ele tentou controlar os gemidos, mas estes escaparam de seus lábios conforme começou a mexer os dedos devagar, abaixando seu corpo sobre os mesmos, desejando que pudesse trocá-los por Shizuo imediatamente.
– Ah... Nnn...
Um tom de rosa tingia as bochechas de Izaya e ele tentava desviar o olhar de Shizuo, por vergonha. Seus próprios estímulos faziam sons molhados, combinados ao som de sua respiração ofegante e gemidos suaves que não conseguiam ser contidos.
Shizuo abriu suas calças e passou a manusear a própria ereção, enquanto assistia o moreno atentamente, sem desviar os olhos por um segundo.
– Nn... Shizu-chan gosta de assistir, nee...
– Eu quero ver você colocar um terceiro dedo.
– Ah, não, Shizu-chan, eu não-
– Então nós vamos parar por aqui.
– Não! Droga...
Relutante, Izaya inseriu mais um dedo em sua entrada, gemendo ao se sentir ainda mais aberto e, dessa vez, bem mais dolorido. Mesmo assim, nada se compararia à sensação de ter Shizuo dentro dele, movendo-se, esfregando, tocando-o onde ele mais queria ser tocado.
– Nnnn... Nngh... Ah... Hn...
Shizuo parou o que estava fazendo, aproximou-se e, sem muita paciência, rasgou a camiseta preta de Izaya, exibindo o abdome pálido do moreno.
– Shizu-chan, a minha-
– Shhh.
Antes que Izaya pudesse terminar sua reclamação, os lábios de Shizuo capturaram os dele e forçaram para que se abrissem, de modo que a língua quente do loiro deslizou sobre a sua, fazendo-lhe estremecer, apesar do calor que subia seu corpo. Ele respondeu ao beijo, inclinando a cabeça e mordiscando o lábio de Shizuo de leve, logo permitindo que ele brincasse com sua boca.
Ao descolarem seus lábios, uma gota de saliva ficou no queixo de Shizuo, a qual Izaya lambeu rapidamente, em seguida beijando seu pescoço. O loiro segurou seu membro e o do moreno juntos, massageando-os um contra o outro, movimento que fez o informante gemer alto e deitar a cabeça em seu ombro.
– Ei, quem disse que você poderia parar de fazer aquilo? — Shizuo perguntou.
– O quê? — Izaya murmurou, sentindo-se embriagado no calor que o envolvia.
– Continue fazendo o que você estava fazendo antes.
– Ah...
O moreno, que tinha retirado os dedos de dentro de si, logo os inseriu novamente. Ele voltou a movimentá-los, no mesmo ritmo das puxadas de Shizuo, indo o mais fundo que podia.
– AH! Ahhn... AHnn... Nnn... Haah... Shizu-chan... Eu vou gozar...
– É, você vai.
Shizuo o beijou novamente e o excesso de estímulos em diferentes lugares fez com que Izaya chegasse ao clímax, sujando de branco o colete preto do ex-barman. Em seguida, deitou-se no sofá, suado e ofegando, enquanto Shizuo ainda parecia estar em perfeita compostura.
– Já cansou? Pois para mim a noite acabou de começar, Izaya-kun.
– Quem disse que eu estava cansado? — Izaya disse, um belo sorriso de gato de Cheshire formando-se em seus lábios finos e delicados, lábios contraditórios, que poderiam arruinar a vida de muitos e ao mesmo tempo oferecer os melhores beijos.
– Vamos para o seu quarto — Shizuo afirmou.
– Nee, nee, Shizu-chan, o apartamento é meu, não vá simplesmente escolhendo onde quer ir~
– Você prefere o chão?
– N-Não...
– Então vem.
– Mas... Eu não quero... Levantar...
O loiro andou de volta até o sofá e rapidamente levantou o informante no colo, segurando-o como se fosse uma princesa.
– E você ainda disse que não estava cansado. Tch.
– Eu não estou cansado para outras coisas, Shizu-chan... — Izaya sussurrou, depositando um beijo molhado no pescoço de Shizuo.
Chegando no quarto de Izaya, Shizuo o deitou na cama, sem se preocupar em ser muito delicado.
– Tomara que você não esteja com frio agora também, porque eu vou tirar todas as suas roupas.
– SHIZU-CHAN!
Nisso, o ex-barman removeu completa e apressadamente a calça, a cueca e a camiseta de manga longa do moreno. Em seguida, aproveitou a ausência de tecido para beijar um de seus mamilos, mordendo-o de leve e rolando-o com sua língua.
– Não é justo que só eu tenha que ficar completamente sem roupas... Ah! — O informante reclamou, ao mesmo tempo que tentava controlar suas reações aos toques de Shizuo.
– Eu já disse que você precisava se constranger um pouco, pulga. Aliás, muito.
Shizuo então chupou o mamilo de Izaya com força, fazendo-o gemer tanto de prazer quanto de dor, certo de que iria deixar uma marca roxa na pele em volta daquela região.
– Você é bem sensível aí. — Shizuo observou. — E já está duro de novo lá embaixo.
O rosto de Izaya ficou vermelho e ele não soube o que dizer — algo que raramente acontecia. Era difícil deixar o informante envergonhado ou fazê-lo descer de seu pedestal. Mas Shizuo estava fazendo aquilo da maneira mais deliciosa possível.
O loiro segurou novamente a ereção de Izaya e a massageou repetidas vezes, rápido, fazendo mais gemidos escaparem da boca do moreno, que se inclinou para beijar seu pescoço, já não fazendo qualquer esforço para resistir aos estímulos.
– Shizu-chan... — Izaya murmurou, a voz fraca e alterada.
– Hm?
– Eu não aguento mais... Eu preciso que você... Me penetre...
– Lembra que da última vez eu disse que você teria que implorar?
– Meu corpo já está deixando bem óbvio, nee... Isso já não conta?
– Você precisa tanto assim de sexo, pulga?
– Não é de sexo que eu preciso... É de Shizu-chan...
– ... Boa resposta.
Shizuo deitou Izaya na cama com as pernas para cima, em seguida manuseando a própria ereção e esfregando-a na coxa, virilha e em volta da entrada do moreno, sujando-o de pré-gozo.
– Ahh... Ah... Nn! Shizu-chan... Dentro...
– Como você é impaciente. Me deixe aproveitar um pouco a visão que eu estou tendo, sim?
– Shizu-chan também é impaciente, nee. Mas está agindo assim de propósito.
– Preciso pôr você no seu lugar de vez em quando, senão você fica se achando demais.
– Você pode me pôr no lugar em que quiser agora contanto que seja para me foder.
– ... Você tá realmente desesperado para isso, huh? Quem diria...
Izaya virou o rosto para não ter que olhar Shizuo nos olhos, sentindo mais calor subir-lhe as bochechas e tendo certeza de que seu rosto estava rubro apesar de não poder vê-lo da mesma maneira que o loiro podia.
Que gracinha, Shizuo pensou, ao mesmo tempo com vontade de rir.
– Nee... Chega de conversa... — Izaya murmurou, alinhando o membro de Shizuo na direção de seu ânus. — Vamos acabar logo com isso...
– Acabar? Mas a brincadeira nem começou ainda, pulga.
Terminada esta frase, Shizuo empurrou seu membro na entrada de Izaya, forçando para dentro e penetrando-o vagarosamente, sentindo a pressão e o calor dos músculos do moreno ao se fecharem lentamente sobre si.
– AH!
Izaya jogou a cabeça para trás e agarrou-se aos lençóis, entregando-se àquela mistura deliciosa de dor e prazer que parecia dominar seu corpo devagar. Conforme Shizuo chegava mais fundo, a sensação de desconforto e ardência dava lugar a um sentimento quente, desejável, prazeroso, que parecia deixar o informante embriagado e desesperado por mais.
Ele estava viciado — não no ato sexual em si, mas no homem que lhe provocava todas aquelas sensações e o único pelo qual ele permitiria ser dominado.
Ser dominado até um ponto em que passo a desejar isso... Que nojo de mim.
– Nnn...
Sentindo-se envergonhado por seus pensamentos, Izaya fechou os olhos com força, incapaz de olhar diretamente para Shizuo. Em seguida, cobriu a boca com o braço para abafar todos aqueles sons que ele não conseguia conter.
– Mas que palhaçada é essa? — Shizuo perguntou, notando a mudança repentina de comportamento do moreno. — Abra os olhos, Izaya.
– Não...
– Abra, agora.
– Não...
– Olhe para mim, Izaya.
O informante abriu os olhos lentamente, dando de cara com o olhar sério, porém nem um pouco irritado, do ex-barman. Os olhos de ambos continuaram fixos e Izaya sentiu seu coração acelerar conforme Shizuo segurou seus pulsos longe de seu rosto.
– Olhe apenas para mim.
O loiro então empurrou dentro do moreno com força e rápido, fazendo os lábios dele se abrirem em gemidos mudos e deixando sua visão embaçada.
– Eu sempre peguei leve demais com você, mas eu não vou mais ser tão tolerante daqui para a frente.
Shizuo continuou estocando, fundo e rápido, retirando-se quase completamente e logo empurrando para dentro mais uma vez, repetidamente.
– AH! AH... Shizu...! Nnn... Isso... É muito bom... Não pare-AH!
O corpo do moreno sentia como se estivesse prestes à derreter em meio ao calor delicioso daquele momento, calafrios subiam-lhe a espinha enquanto os movimentos de Shizuo ficavam mais precisos e acertavam-o no lugar certo, várias vezes.
Sensações semelhantes eram sentidas pelo ex-barman, conforme aquelas paredes quentes o seguravam e apertavam e massageavam do jeito que ele queria, de uma maneira tão boa que parecia surreal.
– Caramba, Izaya...
– SHIZU-CHA...N! Aí! AHN... AH...! De novo...!
Shizuo levantou as pernas de Izaya um pouco mais alto, deixando o na posição perfeita e o atingindo em cheio uma última vez.
Izaya sentiu seu corpo ser invadido por líquido grosso e quente conforme o loiro se desfez dentro dele, logo em seguida também chegando a seu clímax e ejaculando — pela segunda vez naquela noite — sujando uma parte descoberta do abdômen de Shizuo.
Ao recuperarem seus sentidos, Shizuo se retirou de dentro de Izaya e se deitou ao lado dele na cama bagunçada. Eles ficaram assim por alguns instantes, deitados lado a lado e em silêncio, até que o maior se levantou para tirar as roupas que ainda estava vestindo.
– Agora que a gente já transou você tira a roupa, nee? — Izaya falou baixinho.
– Se é esse o problema, a gente pode fazer tudo de novo — Shizuo respondeu, apagando a luz e voltando para a cama.
– Shizu-chan é insaciável... Eu vou morrer...
– Você também é.
O moreno sorriu na escuridão e se aproximou de Shizuo até encostar seus pés nas pernas dele. Depois, levou sua boca até a boca dele mais uma vez, em um beijo mais lento, confortável e preguiçoso.
É bom ficar assim com Shizu-chan. Não parece certo, mas é bom.
– Boa noite, Shizu-chan.
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