O Melhor Das Piores Intenções

17 Capítulo 16 - Noite sem estrelas


Notas iniciais
Boa leitura! ♥

Chegou o dia do evento de comemoração dos vinte anos da Shouichi Pharmaceuticals, ao qual Shizuo e Izaya tinham ficado de comparecer.

Depois de uma longa discussão e muito esforço para fazer Shizuo concordar em usar uma gravata, os dois se arrumaram no apartamento de Izaya e foram de táxi ao lugar do evento.

E ah, se não estavam perfeitos vestindo seus respectivos trajes black tie. Tentavam ao máximo não ficar encarando um ao outro, mas em alguns momentos era impossível disfarçar.

– Shizu-chan, é impressão minha ou você soltou a sua gravata um pouco?

– Er... É impressão sua...

– SHIZU-CHAN! Quantas vezes eu tenho que dizer para você deixar a gravata no lugar? Nee, Shizu-chan é pior que uma criança...

– Eu só não quero essa coisa me sufocando!

– Que exagero, tente ser elegante pelo menos por uma noite...

Izaya gostava de mexer com roupas e coisas do tipo. Era notável o ar alegre na sua expressão enquanto estava arrumando a gravata de Shizuo, por mais que soasse irritado um pouco antes.

– Por que você ainda está olhando para mim?

– Ah... Nada...

– Você tá vermelho.

– Não tô nada.

– ...

– Shizu-chan, por que você está sorrindo desse jeito? Como você é estranho, nee-

– Cale a boca, pulga. Estranho é você.

O taxista apenas assistia à discussão dos dois, parecendo assustado.

– O que é que você está olhando?! — Perguntaram, em uníssono, apenas assustando ainda mais o pobre homem.

O evento da empresa de Matsubara Shouichi se localizava no hotel Sunroute Plaza Shinjuku, um enorme hotel de luxo, o qual possuía um salão em que era realizada boa parte dos eventos da high society de Tóquio.

Izaya já estava bem acostumado a eventos desse porte, já que várias vezes tinha que entrar nesse tipo de coisa para conseguir informações. Porém, para Shizuo, essa era sua primeira vez em um evento como aquele. E ele não estava lá muito animado, para falar a verdade.

– Todo mundo aqui tem cara de metido.

– Shizu-chan, não seja indelicado, por favor~!

– Você vai ver a minha delicadeza na sua cara daqui a pouco.

– Tsc, tsc... Nós temos que encontrar Mikage Sharuku. Ela vai nós contar sobre os experimentos com a espada da Segunda Saika.

Izaya rapidamente localizou Mikage. Era uma mulher jovem, provavelmente também em seus vinte e poucos anos, tinha pele claríssima e cabelo castanho escuro de comprimento médio. Estava vestindo um vestido vermelho vivo e conversando com alguns homens.

Após cumprimentar algumas pessoas, o informante e o ex-barman foram diretamente atrás de Mikage, afinal, as informações que ela possuía eram o maior motivo de estarem naquele evento. Além de observar Shouichi e mais algumas pessoas suspeitas, é claro.

– Mikage Sharuku?

– Olá! — Ela respondeu. — Hmm, deixe-me adivinhar: Izaya Orihara?

– Exatamente — Izaya abriu um de seus sorrisos falsos e estendeu a mão para cumprimentá-la. — Prazer em conhecê-la, Mikage-san.

– O prazer é todo meu. E...?

– Esse é Shizuo Heiwajima, meu...

Izaya congelou, sem saber o que dizer de Shizuo.

Meu pior-inimigo-amante-monstro-que-eu-mais-odeio-mas-não-vivo-sem.

– Meu ajudante — ele consertou, rapidamente, sentindo uma gota de suor descer por sua nuca.

Shizuo franziu o cenho em desaprovação.

– É um prazer conhecê-lo, Shizuo-san — Mikage respondeu, abrindo um grande sorriso.

Um grande sorriso que incomodou Izaya, por algum motivo.

– Foi você mesma quem realizou as experiências na espada da Segunda Saika? Nós gostaríamos de saber quais foram os resultados e/ou conclusões que possam ter sido tiradas dos testes — disse ele, dando seu melhor sorriso falso.

– Mmm — ela levou um dedo fino e comprido aos lábios, como uma criança. — Deixe-me ver... Em primeiro lugar, a espada não tem nenhum demônio. É uma espada tipo katana qualquer.

– E...?

A mulher de cabelos castanho claros vestindo um vestido vermelho sangue levou uma mão ao braço de Shizuo, deslizando suas unhas pintadas da mesma cor do vestido pelo paletó do loiro.

– Se você dançar comigo, talvez eu te conte mais detalhes sobre a espada da Segunda Saika. — Ela disse, em uma voz provocativa.

Izaya nem tentou esconder a raiva que subiu à sua cabeça naquele momento. Ele sentiu seu rosto ficar quente e seus olhos se estreitaram, orbes vermelhas encarando aquela mulher com um ódio mortal. Ela provavelmente já tinha notado isso e deveria estar adorando. Ah, como ele queria fazer um escândalo naquele momento!

Eu não posso botar tudo a perder. Merda!

Shizuo olhou para Izaya com uma cara de cachorrinho perdido, como se dissesse 'o que eu faço agora?' e só então viu a expressão indignada que o outro tinha em seu rosto. Para alguém que costumava esconder as próprias emoções, aquela estava bem óbvia.

Por mais óbvia que a raiva de Izaya estivesse, entretanto, Shizuo tinha o mesmo pensamento de 'não podemos botar tudo a perder' e acabou por lançar-lhe outro olhar, como se pedindo desculpas, em seguida dando de ombros disfarçadamente e concordando em ir com Mikage.

– Tudo pela merda do plano — Izaya sussurrou.

Percebendo a 'cara de bunda' de Izaya, o homem que estava ao seu lado, provavelmente alguém que trabalhava com Mikage, tocou de leve o ombro dele.

– Ela é assim com todo mundo, não fique com inveja.

O moreno quase explodiu em chamas naquele momento. Nem parecia ele mesmo. Parecia quase com Shizuo, e por um momento ele desejou ter a força do loiro para virar todas as mesas que haviam em volta.

– Inveja? — Izaya repetiu, rindo sarcasticamente. — Não estou com inveja, estou com nojo.

O homem deu de ombros, parecendo levemente assustado com as palavras ácidas do informante, logo saindo dali para pegar um drinque.

Izaya se espremeu entre algumas pessoas para atravessar o salão, procurando Shizuo e Mikage. Logo os encontrou no canto direito. Era engraçado — e extremamente irritante — como Shizuo simplesmente era péssimo ao dançar, mas mesmo assim a garota insistia em dançar com ele. Aquilo por acaso era uma provocação ou simplesmente o comportamento normal dela mesmo?

Bufando, Izaya se dirigiu até a bancada onde eram servidos os drinques e sentou-se em um banco do qual era possível ver Shizuo e Mikage. Não poderia correr o risco de perdê-los de vista. Se aquela mulher tentasse mais alguma coisa com Shizuo, Izaya definitivamente iria matá-la. Ou dar um jeito de arruinar sua vida. Definitivamente.

Procurando uma maneira de aliviar sua irritação pelo menos um pouco, Izaya resolveu pedir um drinque. Bebericou um pouco da taça que recebeu, sentindo o álcool queimar-lhe a garganta, mas de uma maneira quase que prazerosa, que o distraía um pouco do ódio que sentia. Embora fosse um péssimo jeito de se distrair.

O que ele realmente queria fazer era ir até lá, agarrar Shizuo pelo braço, dizer 'ele é meu, será que você poderia devolvê-lo?' e dar o fora dali. De preferência terminando a noite com sexo no seu apartamento ou no de Shizuo, porque o loiro estava atraente demais naquele smoking para essa possibilidade ser ignorada. Embora ele tivesse dito antes que não fariam aquilo enquanto estivessem trabalhando...

Izaya suspirou pesadamente. Como ele queria que fosse fácil daquele jeito.

– Você está bem? — Uma voz masculina tirou o moreno de seus devaneios.

Sentado no banco ao seu lado, estava um homem razoavelmente atraente, de cabelos castanhos escuros curtos e que deveria ter mais ou menos a mesma idade que ele. Tinha uma aparência leve e despreocupada, 'brincando' com o copo vazio do qual tinha acabado de beber.

– Estou — Izaya respondeu, falsificando um sorriso. — Não pareço estar?

– Honestamente, você parece triste. E está bebendo o quarto copo, isso deveria ser um sinal.

Izaya olhou para o copo em suas mãos. Quarto... Já... Aquele não deveria ser o segundo ainda?

– Estou bem, mesmo — reafirmou.

– Como é seu nome? — O homem perguntou.

– Izaya Orihara. E o seu?

– Itsuki Makoto. É um prazer conhecê-lo, Orihara-san.

– Pode me chamar só de Izaya, por favor. E o prazer é todo meu, — Izaya disse, virando o que tinha sobrado de uísque em seu copo. — Makoto-san.

Foi então que o informante se lembrou de que não poderia perder Shizuo de vista.

Contudo, era tarde demais. Ele olhou em todas as direções mas não viu qualquer sinal de Shizuo ou daquela garota. Ou eles estavam atrás de outras pessoas ou simplesmente não estavam mais ali.

Droga!

– Perdi o Shizu-chan — Izaya murmurou, levando uma mão à testa.

Ele tentou se levantar de seu banco rápido demais e, no mesmo instante, sua visão ficou borrada e suas pernas tremeram. O moreno teria caído, não fosse pela mão que o segurou pelo braço naquele momento.

– Cuidado!

Itsuki Makoto.

Notas finais
Quando será que o Izaya vai deixar bem claro que Shizu-chan é só seu (inclusive para o próprio Shizu-chan)? E será que Shizuo também vai ficar com ciúmes ao vê-lo falando com outro homem? Como vai terminar essa noite no hotel Sunroute Plaza Shinjuku (que é real)?

O que vocês acham? Contem pra mim nos comentários e eu vou ficar feliz à beça.

Beijos e até o próximo capítulo (que pode responder à todas essas perguntas)!