O Melhor Das Piores Intenções

39 Epílogo: O melhor das piores intenções


Notas iniciais
Aqui está o epílogo prometido. Bem curtinho, mas espero que vocês gostem. Esta é a breve conclusão de 'O Melhor Das Piores Intenções'.

O céu se estendia pelo horizonte em um tom cor de rosa, emoldurando a paisagem do litoral japonês em um dia calmo e quieto. Os únicos sons presentes eram o burburinho dos pássaros e as ondas que atingiam a costa. O mar azulado e tranquilo dava a impressão de ser infinito.

Sentado na varanda de uma casa de praia, Shizuo se perguntava onde estaria o fim daquele mar. Se um homem se atrevesse a nadar toda aquela distância — impossível, mas vale a pena permitir a si mesmo um pouco de poesia de vez em quando -, onde chegaria?

Shizuo desviou os olhos da imensidão azul e fitou uma caixa de cigarros, deixada no chão ao seu lado. As palavras de Izaya ecoaram na sua mente: "Só pegue um se você ficar muito ansioso." Ele acabou por deixar a caixa quieta, então. Não tinha fumado nenhum cigarro ainda naquele dia — e nem precisava.

– Esse lugar é tão tranquilo... — Murmurou, deitando a cabeça para trás e fechando os olhos por um instante, como se fosse adormecer daquele jeito.

– Eu falei que essas férias seriam uma boa ideia.

A voz de Izaya, que tinha acabado de se sentar ao seu lado, surpreendeu Shizuo. Ele abriu os olhos e encarou o amado, que também o estava observando com ternura, queixo encostado no punho fechado.

– É, realmente foi uma boa ideia — Shizuo concordou, com um sorriso satisfeito.

O loiro colocou sua mão sobre a do moreno e seus dedos se entrelaçaram, produzindo um leve tilintar quando as alianças se tocaram.

– Nós temos feito boas escolhas ultimamente — disse Izaya.

– Isso é verdade.

Eles ficaram sentados ali de mãos dadas por alguns minutos, em silêncio, só observando a paisagem tranquila que se estendia até o horizonte. Shizuo soltou um longo suspiro, e perguntou:

– Será que nós podemos ser tão infinitos quanto esse mar?

A pergunta surpreendeu Izaya e este riu baixinho, mas sem malícia.

– O que foi isso tão de repente?

– Nada — o loiro respondeu com outro riso, em seguida passando a mão pelo próprio cabelo, um pouco constrangido pelo que tinha dito. — Só estava pensando.

– Shizuo.

– Hm?

No momento em que ele se virou para o moreno, os lábios macios dele encontraram os seus em um selinho. Apesar de estarem juntos por muito tempo, Shizuo ainda não tinha se acostumado completamente à essas carícias, e seu rosto reagiu ficando um pouco vermelho.

Ele segurou a mão de Izaya um pouco mais apertado e levou-a aos lábios, depositando pequenos beijos nos espaços entre os dedos.

– Ah, isso é a melhor coisa do mundo.

Se eles não tivessem sido quem foram outrora, jamais seriam o que são hoje.

Claro, sempre haveria um pouco de culpa em algum lugar — pelas palavras e ações odiosas que tinham doído como facadas no passado, mas agora eram as fundações do que eles tinham construído juntos.

O mundo dá voltas, as estações mudam e os opostos se atraem. Ora chove, ora faz sol, o céu se ilumina durante o dia graças ao Sol e o céu noturno é negro para acomodar a luz da Lua. Tempestades acontecem, guerras acontecem, o amor acontece. As pessoas amam, detestam, riem, choram. As pessoas mudam, como as estações.

Esse é o melhor das piores intenções. O amor que nasce do ódio, a alegria que nasce das lágrimas. Uma flor nasceu em meio à selva de concreto, que é ao mesmo tempo o distrito de Ikebukuro e o coração de Izaya Orihara.

Se o ódio existe, o amor existe. Se existe escuridão, existe luz. Se há um demônio, há um Deus.

E nós somos apenas humanos, tentando controlar tudo o que podemos e o que não podemos, também. Andando em uma linha torta, imperfeitos como somos, tropeçando aqui e ali, como tem que ser.

Quem sabe um desses acidentes não se torne a melhor coisa de nossas vidas.

Notas finais
THE END! Eu comecei a escrever essa história só pensando em Shizuo e Izaya e seu relacionamento mas acho que, conforme ela foi sendo desenvolvida, deixou de ser apenas sobre eles e se tornou algo mais forte, que talvez pudesse ser aplicado até a outros casais. Quando eu escrevi 'se há um demônio, há um Deus' foi apenas uma maneira de continuar a linha de raciocínio daquela frase. Não significa que eu seja muito religiosa (embora eu acredite) ou que queira que vocês acreditem em Deus. É só continuação do raciocínio. Espero do fundo do coração que vocês tenham gostado dessa fanfic. É a primeira longfic que eu realmente termino porque todas as outras eu acabava deletando (não eram de Shizaya mas enfim...) porque pensava que eram péssimas. Muito obrigada a todos que comentaram e acompanharam. Tem gente aqui que comenta desde que postei o primeiro capítulo e isso me deixa muito feliz! Foram quase oito meses de OMDPI. É quase uma gravidez (?) Enfim, obrigada por me aguentarem todo esse tempo! E obrigada a todos que começaram a comentar mais recentemente também, não importa quando, mas obrigada por deixarem suas opiniões! E as recomendações, os favoritos... Muito obrigada! Peço que quem nunca deixou comentários comente agora, afinal, é o fim da história, não custa nada dizer o que achou, né? Significaria muito para mim. Sayonara! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!