O Medonho Diário de Elizabeth - Contaminação em...
1 Capitulo Único
Japão, Hyogo, 1995.
O despertador de Elizabeth despertou 6h30, ela não tinha muita coisa pra se arrumar pro colégio, seus cabelos são negros e curtos e isso como as meninas de cabelos longos sabem que consome muito tempo para pentear. 16 anos, estatura mediana, branca, feições delicadas, olhos castanho claro e com seus óculos que dava realmente um charme a Elizabeth que até ela mesma desconhecia, mas ela preferia na maioria das vezes andar sem eles.
Ela desceu as escadas que levavam a sala, onde havia deixado sua mochila surrada na tarde seguinte, colocou-a nas costas, passou pela cozinha, pegou umas bolachas que estavam em um prato em cima do balcão e foi estudar.
— Sua pirralha! Minhas bolachas... – Ela saiu fingindo nem ouvir o irmão um ano mais velho e ainda disse com tom de provocação.
Elizabeth disse em libra pro irmão, não que fosse muda “Que pena Jin, não li seu nome nas bolachas” e riu baixinho adorando saber ter deixado o irmão irritado. Se comunicar em libra era um joguinho da família pra quando não queriam falar literalmente ou quando preferiam conversar com mais segurança.
Irmão de Elizabeth, moreno de sol, 1,78, cabelos lisos que atrapalhavam um pouco a visão, olhos castanhos claros, jogador de beisebol no colégio.
Elizabeth abriu o portão de casa e saiu.
Em sua bicicleta foi comendo suas bolachas aos pouquinhos até que encontrou com uma amiga que já estava adiantada andando. Elizabeth não estava com humor pra conversas hoje e tentou passar longe de sua amiga pra ela não ficar enchendo o saco falando sobre seu namorado, todavia não adiantou.
— Elizaaa!! – Sora gritou – Me esperaaa!!
Sora, menina baixinha, de cabelos longos e olhos mel, pele clara, um pouco tímida, mas muito amigável, suportando o jeito meio isolado da amiga.
Elizabeth mesmo sem paciência parou e foi devagar para acompanhar sua amiga. Foram conversando até o colégio que não era muito longe dali, Eliza, menina de poucas palavras, mais ouvindo Sora do que falando como sempre, isso a deixava incomodada, mas ela gostava de ouvir a amiga. Não sempre.
As amigas chegaram alguns minutos mais cedo e poderiam ficar mais à-vontade pra escolher o lugar os quais queriam sentar. Elizabeth como nos anos anteriores preferiu ficar próxima a janela, nos fundos para sua maior satisfação. Sua amiga estudiosa, não que Elizabeth não fosse, preferiu sentar-se nas primeiras carteiras. Porém Elizabeth estava com náusea. Levantou-se da carteira e saiu correndo para o banheiro. Vomitou, se limpou e ficou se olhando pro espelho. Ficou sem entender, mas veio na cabeça que isso poderia ser por não estar tomando café da manhã como deveria.
Entediante como sempre as aulas. Tudo na mesma. Alunos chatos, um bando de baba ovos. Fora os professores que nunca mudavam segundo Elizabeth.
Voltando pra casa das aulas dessa vez sozinha, Elizabeth decidiu ir empurrando sua bicicleta e aproveitar os raios de sol em seu rosto. Menina difícil de lidar, mas que no fundo tinha algo realmente de bom.
Em casa não viu ninguém, só um bilhete na geladeira escrito “Comida quente no fogão. Eu e seu pai fomos viajar esse fim de semana, desculpa por não ter avisado antes filha. Seu irmão dormirá na casa de seu amigo, Saito, e voltará amanhã de manhã pra casa logo depois do treino. Mamãe te ama. Beijos”. Elizabeth não surpresa rasgou o bilhete e nem ao menos tocou na comida, subiu para seu quarto. Seu gatinho bengal Cho-chon a esperava em sua cama, louco pra que ela fizesse um carinho, mas nada ela fez a não ser jogar sua mochila no chão e cair na cama ainda de uniforme.
— Que saco de vida... – A menina disse com o rosto enfiado no travesseiro.
Na manhã de sábado Eliza vestiu uma roupa arejada e mais curta do que o de costume e saiu para caminhar. Aproveitou e foi no mercado fazer umas comprinhas.
Estando dentro do mercado foi abordada por um funcionário dizendo que estariam fechados por motivos circunstâncias. Ela perguntou o porquê de fechar, mas o rapaz disse que não poderei dar mais informações. Atentamente ela observou mais um pouco e avistou alguns policiais examinando uma pessoa no chão. Não contente saiu do mercado, esperou um pouco no lado de fora e tornou entrar, chegando mais próxima da situação ocorrida tendo passado despercebida aos olhos do rapaz que a impedira antes. Viu a pessoa aparentar outra cor de pele, um tom amarelado muito forte, e em alguns segundos da boca da pessoa estava saindo alguns vermes da Guiné, que se dá a contaminação a ingestão de água contaminada com ovos do parasita só que subdesenvolvidas grandes e grossas, e quando Elizabeth olhou melhor na pele da pessoa saia alguns parasitas menores. Foi horrível, Eliza ficou horrorizada e foi saindo cautelosamente do mercado, com as mãos na boca pra reter seu inevitável grito de pavor.
— Me ajude... Por favor! – O senhor dizia agonizando no chão, moribundo.
Elizabeth chegou em casa, entrou no banheiro, tirou suas as roupas e ligou o chuveiro, pegou uma esponja e esfregou por todo o corpo até ficar muito vermelho, se sentia suja, sentia nojo, arrepios. Sentou-se no chão do Box e chorou, chorou como nunca antes. Ficou apavorada com o que tinha visto. Só de pensar na voz daquele senhor suplicando por ajuda, era horrível, ele ainda estava vivo e provavelmente não por muito tempo. Não havia ninguém em casa que poderia acolhê-la naquele momento, seu irmão não apareceu em casa de manhã como sua mãe disse no bilhete.
Ela acordou com água batendo em seu rosto, se sentindo muito quente, apesar da água estar fria e especialmente por algo que a incomodava, em seu pé havia um verme da Guiné se rastejando. Ela gritou como nunca antes, bateu no verme o tirando de sua perna. Passou um grande susto por causa da visão de mais cedo. Sentou-se na privada e tentou se acalmar. Pegou a toalha e se enxugou reparando que suas mãos estavam enrugadas por causa do tempo que tinha ficado embaixo da água. Ela pegou um pedacinho de papel higiênico, pegou o bicho e rapidamente o jogou no vaso, o tampou e em seguida deu descarga.
Fazendo a comida, pois a comida que sua mãe tinha deixado no fogão estragara há muito tempo, foi lavar o arroz antes de o por na panela. Quando abriu a bica saíram vários vermes de Guiné. Elizabeth gritou e se afastou, não sabia o que estava acontecendo, sabia que era da água que aqueles vermes vinham. Ninguém aparecia em casa para socorrê-la. Ela ficou em choque por alguns instantes. Queria beber água, mas não conseguia olhar pra nada que fosse líquido e não ficar apavorada.
A menina ligou pra polícia e falou o que estava acontecendo, disseram que isso não fazia parte do departamento deles e disseram pra ela ligar para companhia que fornecia de água da cidade, mas ela ligou e ninguém atendia ao telefone. Ficou preocupada e não sabia mais o que fazer. Decidiu ligar pra Sora, mas também ninguém atendia. O que ela iria fazer? Como se sua amiga pudesse fazer mais que ela.
Elizabeth perplexa ficou encolhida em um lençol em sua cama, fazendo carinho em Cho-chon. Não sabia o que fazer. Mas teve uma ideia que faria bem cedo no domingo.
De manhã, se sentindo fraca, por não comer e beber nada foi até a cozinha, comeu alguns biscoitos que achou na dispensa e tomou suco de caixinha de uva que tanto gostava, se sentiu melhor do que antes, retornou ao seu quarto, ligou o computador e pesquisou na internet a onde ficava a estação de tratamento de água de sua cidade, que ficava a alguns quilômetros de seu bairro. Deixou um bilhete na geladeira, onde era comum em sua casa e saiu.
Pegou um ônibus, desceu próximo a uma estação de trem e pegou um trem que deixava próximo ao bairro da estação de água que queria chegar. Ainda teve que andar um pouco. O bairro era muito estranho, precário, com poucas pessoas e andando pelos cantos, aparentemente paranóicas e andando em direção da estação de tratamento um rapaz jovem, mas sujo e com mau cheiro a abordou, levando-a dar passos para trás e se esgueirar na parede de um lugar na calçada que estava, dizendo.
— Garota... Tô vendendo essa parada aqui, – E o rapaz a mostrou um celular de última geração, novo – 2.000 yens. Se tiver, te passo ele agora.
Ela respondeu aflita.
— Não tenho dinheiro senhor. Vim aqui para ir a um lugar.
O rapaz insistindo tornou a dizer.
— Mas você não irá se arrepender está novinho, olha...
Ela fez sinal com a cabeça que não queria o produto, conseguir desviar do rapaz, com o coração quase saindo pela boca de nervosismo e seguiu em frente, pensando em desistir e voltar pra casa.
Andando ficou pensando o porquê de estar ali. Deveria ter chamado alguém para acompanhá-la, mas quem? Todavia tinha pensado com tanta determinação e impulso que acabou não pensando nos detalhes. Em pelo menos ter chamado alguém, qualquer um. Sentiu-se uma idiota por ter errado nisso. Agora estava correndo perigo, mas por estar determinada e tão próxima a estação de tratamento de água que seguiu em frente.
A estação de tratamento de água parecia estar abandonada, porém havia um carro muito velho próximo dali, uma pick-up C10, que nem aparentava estar pegando, só não concluiu estar mesmo, pois viu uma luz acesa na estação, distintamente quando olhou pra uma janela bem distante do portão da entrada. Não havia porteiro, não havia ninguém a quem pedir alguma informação. Eliza reparou uma escada de emergência em um beco ao lado da estação que dava a uma janela. Decidiu em não sã consciência investigar. O que deu nela para querer ir mais afundo nisso sozinha?
Agachada, próximo a janela olhando para dentro, viu que tudo ali estava sujo, com um cheiro terrível e alguns sacos de mais ou menos 2 metros no chão jogados. Não entendeu nada. Não havia ninguém ali trabalhando ou mesmo vigiando o lugar? Em alguns instantes ouvira um barulho crescente, alguns passos, se agachou mais ainda, tirou seu corpo da visão da janela. Ouviu um barulho de portão se abrindo e fechando, muitos barulhos de chaves e alguns segundos depois barulho de carro sendo ligado e partir. Era aquela pick-up partindo, a que estava próximo a entrada. Elizabeth sabia que tinha algo de muito estranho naquele lugar. Olhou se vinha alguém no beco ou mesmo próximo a rua e decidiu entrar pela janela que não estava fechada, estava apenas encostada.
O cheiro dentro da estação de tratamento estava insuportável, Eliza estava com uma pequena toalha em seu bolso, improvisou e a amarrou da forma que os motoqueiros amarram suas bandanas em estradas empoeiradas. Ficou observando a estação de cima pra ter certeza se não tinha mais ninguém ali e desceu pra investigar. Sabia que o que estava fazendo nem deveria ser feito, mas fez por que achava que não tinha muito a perder se algo desse errado.
Sorrateiramente foi andando e se assustou com um rato que passou, mas não foi nada de mais. Porém passou outro e outro, e mais um. Ela começou a ter calafrios só de imaginar o que poderia estar à frente para ter tantos ratos. Foi até o final da estação e olhou pra dentro dos dutos que a água era filtrada e se apavorou, viu que na água já filtrada que é direcionada as casas estava com quilos e quilos do verme da Guiné que antes vira sair de seu chuveiro e bica, e quando olhou com mais atenção viu uma mão humana no meio deles. Ela se afastou horrorizada, começando a chorar. Ela só queria que alguém pudesse mudar essa situação. E falou consigo.
— Tenho que chamar a polícia para eles solucionarem esse problema absurdo, — Ela sentiu um calafrio ao observar novamente o duto de água – pois aquela pessoa que saiu naquele carro provavelmente tem tudo haver com isso. Mas não posso falar dessa forma com eles, não iriam acreditar que eu descobri isso sozinha, iriam pensar que tenho algo haver com tudo isso... Preciso falar isso com mais alguém e...
Naquele momento Elizabeth ouviu um barulho no portão de alguém tentando entrar, ficou atenta. Não era a pessoa que estava na estação de água antes, pois teria simplesmente aberto com a chave. Esgueirou-se numa escada e ficou observando se alguém entraria. Ela ouviu mais algumas tentativas de abrir o portão, mas nenhum sucesso da pessoa. Ficou mais tranquila, mas não totalmente. Sabia que a pessoa não iria desistir assim tão fácil sem investigar, pensou assim, pois foi o que pensou quando tinha chegado à estação de tratamento.
Se uma simples estudante entediada conseguiu entrar ali, por que outra pessoa não entraria? E quando olhou pela janela que entrou, um homem observava tudo lá de cima como ela fez antes. Ficou aterrorizada e pôs a mão esquerda na boca, para caso viesse fazer algum ruído e com a outra segurava uma faca de cozinha que trousse por segurança. Ela se encolheu em baixo da escada e ficou atenta, mas não era muito corajosa e estava arranjando coragem pra atacá-lo caso ele a descobrisse. Não tinha muita coisa a perder mesmo. Seus pais e seu irmão não estavam nem aí pra ela.
Quando o rapaz estava entrando viu o portão se abrindo e ouviu o barulho da chave. Era a pessoa que tinha acesso a estação. O rapaz recuou e se agachou na janela. E num momento o rapaz que estava na janela viu Elizabeth no momento que ele olhava para ela e Eliza viu que era seu irmão.
Ele quando a reconheceu fez sinal de silencio com a mão e em libra falou para ela permanecer no mesmo lugar que iria dar um jeito. Ela fez sim com a cabeça.
Jin desceu a escada de emergência, foi até o beco e achou uma pedra. Na janela viu o rapaz trancando o portão por dentro e Jin conseguiu acertar com a pedra na cabeça do cara assim que ele viu que ele realmente trancara o portão. O cara gritou e olhou desnorteado procurando quem teria feito isso e viu Jin na janela e gritou.
— Seu idiota! Não sabe com quem está metendo! Se eu te pegar irei arrancar sua cabeça...
Jin desceu as escadas correndo enquanto o cara tentava abrir o portão que tinha acabado de trancar, mas Jin apenas fingiu que iria fugir, voltou bem devagar e entrou na estação de tratamento para salvar sua irmã. Ele chegou perto dela e sussurrou em seu ouvido.
— Fique calma Eliza. Tudo acabará bem.
E no momento seguinte ouviram o portão ser fechando por fora. Acharam estranho, mas aí olharam para janela, pois ecoava passos ríspidos.
Jin pegou Elizabeth pela mão e adentrou a estação procurando uma saída que não fosse à janela. Subiu as escadas que davam ao duto de água e olhou horrorizado o que Elizabeth vira antes. Um barulho de revolver batendo contra o corrimão da escada ecoou e logo se agacharam. O cara estava na janela e disse bem alto descendo as escadas bem devagar.
— Sabe... Rapaz. Estou farto das pessoas. Farto de atrapalharem o que quero fazer. Ninguém! Ninguém me deixou realizar meus sonhos, ninguém me deu uma chance se quer na vida. Que morram! De dentro pra fora. Morram esses filhos da puta. Não irei suportar mais nenhum sorriso enquanto estou triste... Sei que sou egoísta, mas sempre foram assim comigo, porque não ser com os outros não é mesmo?!
Onde os irmãos estavam ele não podia velos, mas por quanto tempo? Ainda bem que o cara com a arma não sabia que Eliza estava ali também. Jin olhou para o rosto da irmã expressando não ter outro jeito.
Jin agarrou Elizabeth e se jogou no duto cheio de vermes de Guiné para se esconder. Ela ficou em estado de choque, os vermes rastejando na pele dos dois e precisavam ficar assim só o suficiente pro rapaz armado pensar que Jin conseguira fugir dali e ir procurá-lo. Mas novamente o rapaz torna a falar.
— Incrível como pessoas intrometidas existem. Mas admiro que você, rapazinho, tenha vindo investigar sozinho. Isso não iria me atrapalhar sabe... Um verme como você atrapalhar meus planos? Creio que não. Hisashi Mikatu irá conseguir o que quer.
Hisashi estava andando a procura de Jin e subiu as escadas do duto cheio de vermes que os irmãos estavam escondidos e tornou a falar.
— Vou te achar e você irá se arrepender seu moleque insolente!
Jin saiu com um pulo do duto e agarrou a perna de Hisashi que desequilibrou, mas não caiu e deu uma coronhada em Jin que tornou a cair no duto ficando inconsciente. Eliza não aguentou ficar naquele duto por mais tempo e por saber o que acontecera com seu irmão. Foi até seu irmão e o agarrou. Nessa altura os vermes não faziam a menor diferença se estavam ou não a li, pois era seu irmão que corria perigo.
Ela olhou nos olhos vazios de Hisashi e não tinha palavras. Mas falou rápido e com a voz tremula de choro.
— Nos deixe ir, por favor. Não contaremos nada que vimos aqui pra ninguém! – As lágrimas começaram a escorrer em seu rosto com o pano na boca sujo dos vermes que foram esmagados.
Hisashi olhou surpreso e começou a rir. Dizendo.
— Mais outra pessoa. Uma garota nova. Linda. Não deveria estar aqui... – Ela o cortou dizendo.
— Fui eu quem vim aqui investigar sobre a água, meu irmão só veio me procurar.
Hisashi a pegou pela gola de sua camisa com muita força colocando o revolver em sua cabeça e disse.
— Não me interessa! Quem me atrapalha merece morrer!! – Ele gritou.
Ele largou a arma na escada e agarrou Elizabeth pelo seu cabelo e a estendeu. Dando um murro em sua cara e outro em seguida. Ela começou a sangra no primeiro golpe.
— Sua linda e imunda garota! Coma!
Ela fraca com os olhos quase fechados, ficou séria, mesmo com as lágrimas rolando em seu rosto pegou os vermes em uma mão, mas mal conseguiu olhar pra eles e Hisashi insatisfeito há pegou, jogou-a com força na escada, encheu a mão dos vermes, abriu a boca de Eliza e os enfiou, fechando a boca dela para que ela engolisse. A menina se debateu, mas não conseguiu se soltar, e não estava conseguindo respirar. Começou a mastigar os vermes. E Hisashi olhando no fundo dos olhos dela ainda apertando a mão em sua boca. Disse.
— Coma criança. Faz bem pra saúde. E logo que eu acabar com você e com seu irmão irei atrás das imundices que te criaram! Seus pais correto?!
Eliza arregalou os olhos e atacou Hisashi com a faca que ela tinha no bolso, o acertando na garganta. E ela enfiou o mais fundo que pode. Atravessando a garganta do monstro-humano que ela enxergava. Uma rajada de sangue por todo lado. Ele caiu na escada com um grito abafado e em seguida Eliza cuspiu os vermes que havia mastigado, mas não chegou a engolir. Muito ofegante ela tirou seu irmão do duto. Esperou ele acordar, contou toda a história, pegou a chave do portão da estação para abri-la.
Olharam um para o outro e se perguntaram o que iriam fazer. Quem iria acreditar no que houve ali? Não podiam ir na polícia, nem chamar uma ambulância da forma que estavam, pois o que falariam de convincente do porquê estarem daquele jeito? A verdade não era o que precisavam naquele momento.
— Jin, tenho uma ideia que será o melhor a ser feito... – Elizabeth disse.
— Diga. – Jin olhando fixamente nos olhos de Eliza.
— Vou chamar a polícia e explicar tudo a eles. Mas explicarei como se você não estivesse na história, pois você sendo meu irmão as possibilidades de sermos cúmplices é muito grande, de por acaso termos armado matar esse tal de Hisashi. – Ela disse convicta – Sei que não é uma boa ideia, mas acho que será melhor assim. Não podemos correr esse risco e se alguém for pressa deve ser eu!
— Não diga besteiras Elizabeth! Te salvei por acaso, porque vi você sair sozinha, pegar um ônibus que você nunca tinha pegado antes. Decidi te seguir. Você estava muito isolada que preferi dessa forma. E se eu não tivesse feito isso você poderia estar morta garota!! – Jin fez um olhar de raiva pra ela e ela abaixou a cabeça vendo o rosto de desaprovação do irmão.
Elizabeth ligou para polícia e enquanto a polícia não chegava levou o irmão na estação de trem, o deixou sentado do lado de dentro da estação e quando ele viu a polícia chegando pegou o trem que veio pra casa.
Os policiais abordaram Elizabeth, ela foi levada e já tinha pensado em uma história bem convincente para eles não desconfiarem que alguém mais tivesse a ajudado. Uma ambulância foi chamada, levou a para o hospital aonde fez alguns curativos, teve alta e foi direto pra delegacia. Depois de tudo ter sido esclarecido Elizabeth ficou sobre observação policial por uns dias.
A cidade de Hyogo e cidades próximas tiveram problemas catastróficos com a contaminação da água, sobre os vermes da Guiné. Toda a água estava contaminada e praticamente todos que beberam da água da estação estavam contaminados. O governo começou a tomar suas providências para cuidar dos contaminados depois do ocorrido acidente da estação de tratamento de água que não completamente divulgado.
Elizabeth voltou para sua vida normal, porém mudou por dentro, era outra pessoa naquela pele, uma pessoa melhor, corajosa, mais carinhosa. Sua família ficou mais unida depois do que aconteceu. Não era de se esperar menos que isso.
“Isso é um clichê que enxergamos com clareza pelos exemplos que vemos na TV, nos jornal, etc. Esperamos que algo bem ruim que sabemos existir nos afete ou afete alguém bem próximo para darmos valor ao que nunca deveria ter deixado de ter. Chega a ser uma tolice bem comum, mas por incrível que pareça a cada dia se repete e com mais frequencia.”
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