O Medo Esquecido
8 A Escuridão e a Chave
Will treinou por meses, a central das bestas continham departamentos enormes somente para aprendizado de técnicas de combate, era como Mari havia dito, o local era bem maior do que aparentava, salas para treinar esquiva, outras para treinar o combate corpo a corpo e também haviam as que serviam para treinar o combate à distância.Ele passou pelo menos uma semana em cada sala,, toda vez em que sentia vontade de desistir a marca ardia e ele logo deixava o pensamento de desistência para trás.
Ele tinha pesadelos todas as noites, em alguns ele via somente olhos vermelhos, em outros via os olhos de Mari acompanhada de várias das bestas dos olhos vermelhos, Will após seu ultimo pesadelo decidiu finalmente entrar sozinho na sala em que ele decidiu chamar de "Sala dos Sonhos".Ao entrar nela , de primeiro instante nada se formou na escuridão, após alguns minutos lá dentro Will quase desistiu, quando encostou a mão na maçaneta um ponto de luz surgiu em frente a seus olhos e começou a flutuar para o fundo da sala, Will a seguiu, o piso começou a se transformar em um campo enorme de grama, uma criança corria alegremente com os braços abertos, então ele olhou para a direção em que ela estava correndo e viu uma mulher em que aparentemente era a mãe da garota esperando ela também com os braços abertos, a sala mudou de cena e agora mostrou um garoto e uma garota num clima inicial de romance, eles estavam constrangidos, porém após alguns segundos o garoto tomou a atitude e beijou a garota, novamente a cena mudou, ele estava em meio a um parto, os olhos do pai estavam brilhando enquanto segurava a mão da mulher, a cena começou a encolher até que virou novamente o ponto de luz em meio a escuridão, o silêncio tomou conta exatamente como havia tomado quando Will e Mari haviam se beijado.
Vários minutos se passaram e Will não saiu da sala, ele esperava algo que explicasse as cenas que havia visto, porém nada acontecia e o ponto de luz continuava flutuando à sua frente, a marca ardeu em seu braço exatamente como ardeu quando ele levou as outras bestas para a sala para provar sua inocência, ele se transformou e como antes, as palavras saíram automaticamente:
– O Que essas cenas significaram?
O ponto de luz começou a flutuar em círculos cada vez mais rápido e então uma voz grave surgiu:
– Finalmente você fez a pergunta, achei que nunca tomaria a iniciativa, antes que me pergunte quem eu sou irei me apresentar, eu sou o seu guia mental, o que libera sua mente de pensamentos negativos, ultimamente você tem tido pesadelos em consequência dos fatos que ocorreram à Mari, porém as cenas que lhe mostrei não tiveram nenhuma relação com isso, mostrei esses fatos para você aprender a ver os lados bons do ser humano, aprender a amá-lo e não a somente odiá-lo.
Will responde friamente:
– Isso não é nada comparado com as atrocidades que eles fazem, guerras, mal tratos, desvalorização, preconceito, racismo entre milhares de outras coisas o tornaram sujos demais para serem chamados de amáveis.
A voz responde:
– A corrupção trazida por gerações anteriores ainda é forte hoje em dia e ela não irá cessar até alguém por um basta nisso, as falhas que ocorreram na linha de esperança da humanidade devem ser corrigidas e é por esse motivo que o destino lhe trouxe até esse lugar, antes de tudo, entenda, eu sou você, o seu sub-consciente, sou a parte neutra de você, que coleta as informações e processa o que acha melhor, porém a minha balança que deixava meu julgamento neutro foi alterada ao você se transformar nessa besta, assim, meu julgamento agora, sempre irá tender para a esperança, no fundo de sua mente, você entende o que eu quero dizer.
Os olhos de Will ficaram verdes e o ponto de luz entrou na cabeça dele, e então ele completou a frase inacabada de seu subconsciente:
– Eu sou a chave para a esperança da humanidade!
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