O Medalhão

6 Capitulo 6 - O ultimo desejo


Notas iniciais
Bom gente esse é o penúltimo capitulo da nossa história, espero que vocês gostem!

Tudo parecia ficar escuro, a última coisa de que me lembro antes de tudo escurecer eram as sirenes, e Victor me puxando para fora, enquanto os gritos vinham dos corredores, quando dei por mim estava encostada em um carro de polícia com paramédicos do corpo de bombeiro em volta de mim. Rafael vinha correndo ao meu encontro, segurando o livro da crônica e o medalhão.

– Cris, a Ana, porque? O que aconteceu? — Ele estava desesperado, eu não conseguia raciocinar direito, tudo parecia voltar a minha mente. Quando Victor de aproximou, junto dele vinha um detetive trazendo uma estaca muito fina dentro de um saco plástico.

– Parece que sua amiga decidiu morrer por si própria! — Ele disse mostrando a estaca dentro de um saco.

– O quê? — Interrompi. — Não entendi o que o senhor quis dizer.

– Ela se suicidou.

***

A dor que tomou meu corpo naquelas duas semanas que se seguiram foi indescritível. Victor e eu ficamos juntos todo o tempo, incrédulos e chocados. Eu me sentia fervorosamente morta por aquilo tudo. Não nos reunimos mais para jogar, todos estavam amedrontados.

– Medalhão maldito! Eu falei, Vic! Falei que tínhamos que destruí-lo! — eu urrava em prantos. Eu escondera o pingente em cima da lareira desde àquela manhã e não ousei tocá-lo desde então.

Os olhos de meu amigo clarearam e eu pude ser uma expressão de esperança em seu cenho.

– O quê você... — Indaguei, mas no momento em que vi seus olhos se fixarem onde o medalhão costumava estar, pude ler seus pensamentos.

– Não Victor, você não vai usa-lo de novo, tudo por conta daquela crônica, aquele medalhão.

– Você ficou louca? Tenho mais dois desejos ainda! Posso trazê-la de volta! — Ele estava em êxtase. Não conseguia pensar em mais nada se não em saber que poderia tê-la de volta.

– Mas nós a enterramos há duas semanas. Não acho que devíamos...

– Cala a boca! — Ele me interrompeu – Os desejos são meus!

Sem pensar duas vezes ele segurou firmemente o medalhão com as duas mãos, apertando-o firme. Fechou os olhos receoso. Ele lembrava de tudo aquilo que eu havia sentido na noite de seu primeiro – e fatal – desejo.

Agora ele podia consertar tudo, pensava. Expulsando todo e qualquer pensamento diferente da cabeça, gritou:

– Quero Ana viva de novo!

Novamente, e infelizmente, uma nova explosão de energia entrou pelas extremidades de seus dedos e percorreu todo seu corpo, mas desta vez mais violentamente. O medalhão esquentou, desta vez mais quente, pesou quase dez quilos em suas mãos. Largou e desabei no chão juntamente com ele. Abriu seus olhos com medo, mas ao mesmo tempo maravilhado com tudo aquilo. Eu o olhava com desespero. O medalhão era real, todos nos sabíamos. Então, ela voltaria...

***

Nada acontecera durante todo o dia. Seus últimos fios de esperança iam se esvaindo aos poucos a medida que o dia passava e ela não aparecia. Nenhum de nós saímos para ir a formatura aquele dia. O céu começou a fechar, ficar negro e acusar chuva. Trovões poderiam ser ouvidos ao fundo. Brisas geladas forçavam para passar por pequenas frestas das janelas, provocando assovios assustadores.

Ao longe, pude ouvir passos lentos e pesados.

– Está ouvindo isso? — Victor perguntou — Eu já estava com minha expressão de panico.

– Sim! — desesperada fechei as cortinas.

– Será que pode ser? — ele sorria. Não podia acreditar. Ana realmente voltara.

Os passos começaram a ficar mais altos e próximos, mas não pareciam... Humanos. Muito menos... Vivos. Em um súbito ele percebera o que tinha feito. O que aquele segundo desejo fizera. Os passos tinham ficado quase que mais fracos, como se seus pés estivessem se esfarelando, mas não cessavam. Continuavam chegando perto.

O torpor em meu corpo latejava minhas têmporas, eu não conseguia pensar. Victor trancou as janelas e fechou as cortinas em desespero. Eu apenas fiquei sentada no sofá ouvindo, em choque.

– Victor? — pude ouvir o nome dele ser chamado do lado de fora da casa.

– Victor? Sou eu amor, Ana... — a voz dela soava gutural... Mortal. Arrepios involuntários percorriam cada vez mais rápidos a minha espinha como espasmos e eu tentava loucamente alcançar aquele medalhão.

O ranger da porta dos fundos ecoou por toda a casa e pôde-se ouvir passos arrastados cruzando a cozinha. Victor correu em direção a cozinha, e a ultima coisa que pude escutar, foi seus gritos, enquanto estava sendo arrastado. O medalhão, ela o queria.

Com um salto e em uma última tentativa alcancei o medalhão segurei-o com toda a minha força e coração e gritei o mais alto que podia, expulsando todo o ar de meus pulmões, apertando os olhos para execrar toda aquela cena da minha mente. Um silêncio assombroso tomou conta de toda a casa, podendo-se ouvir apenas a porta bater violentamente contra a parede.

Notas finais
Bom o que acharam? devo mudar algo?