O Mascarado e a Bruxa de sangue
1 Prelúdio
Notas iniciais
Tenham cautela e não se apeguem a personagem algum. O destino é incerto para alguns.
Prelúdio
— Veremos se o morcego é tão rápido para salvá-lo, passarinho. — Tom sarcástico era palpável na voz do palhaço.
O sorriso macabro emergia na escuridão do galpão frio com uma alucinação, era o que Jason gostaria que fosse. Apenas uma ilusão criada pela hipotermia. Mas o pé-de-cabra batendo contra suas pernas o fizeram gritar para a realidade cruel. Ele estava sozinho, seu pai não veio para buscá-lo, o largou nas mãos desse psicopata.
A culpa era toda dele por ter seguido o palhaço sozinho, Bruce o avisou que seria perigoso, porém sua teimosia falou mais alto e agora estava sangrando no chão de um galpão abandonado nas montanhas ao sul de Gotham. Só as paredes sabem o quanto ele pediu perdão, chorou, suplicou para Bruce vim pegá-lo; tirá-lo desse inferno e voltarem para o aconchego da mansão Wayne.
— Pie, pie, pie, passarinho. O papai morcego logo, logo irá resgatá-lo. — Riu debilmente o criminoso. — Só se ele conseguir chegar a tempo para impedir os fogos…
Robin olhou assustado quando observou Coringa colocar uma bomba à frente de seus olhos, com o relógio cravado nos dezesseis minutos. Nem um minuto mais, nem a menos. Com um aceno calmo, o palhaço se despediu do jovem herói. O barulho da porta de ferro fechando foi o estalo na mente de Jason para jogar o corpo pra cima e tentar se soltar, seus dedos trabalhavam o mais rápido possível, mas o relógio pulou dos onze minutos e cinquenta segundos para dez segundos.
Jason olhou para o relógio suavizando o olhar, quando os zeros se completaram Robin sussurrou um breve: “Desculpe, pai.”
***
Batman pilotava sua moto pelas trilhas escorregadias daquela montanha o mais rápido que podia, o seu coração pulava dentro de sua caixa torácica. Se não fosse pela ajuda de Asa Noturna e sua equipe, ele nunca teria conseguido encontrar a localização exata de onde o seu filho estava, ele não esperou reforço da liga ou de qualquer outro super herói.
A culpa consumia o seu interior, ele sabia que não devia ter deixado Jason sozinho, aquele garoto com toda certeza iria caçar o palhaço e quando o encontrasse, Coringa não teria piedade. A visão noturna do traje avistava o galpão que Dick o indicou, porém algo dentro de si dizia para ir o mais rápido possível.
“ Desculpe, pai…”
A voz de Jason soou baixinha na mente de Bruce, o seu filho falava daquele jeito quando realmente percebia a gravidade do que fez. Eram as poucas vezes que ouviu falar essas duas palavras. Ele não entendia o porquê dessa lembrança vir exatamente agora em sua mente nesse momento de desespero.
O brilho ofuscante da explosão cegou o morcego por alguns segundos, caído sob a neve observou o galpão em chamas. Apenas um nome veio à sua mente: Jason. Batman se levantou correndo em direção dos escombros, seus olhos embaçados pelas lágrimas que surgia dificultava distinguir o que era seu filho e resto de madeira, e com suas mãos trêmulas retirava os escombros à procura de seu amado filho. O seu corpo paralisou ao ver a mão juvenil para fora dos destroços no meio que seria o centro do galpão. Desesperado, Batman “voou” naquela direção, suas mãos retiravam as madeiras em chamas, o calor o fazia suar, o seu corpo paralisou ao ver o rosto machucado de Robin chamuscado e molhado de lágrimas.
Deixando o seu lado de justiceiro, Batman tirou a máscara do rosto e permitiu-se derramar as lágrimas presas dentro dos seus olhos azuis. O grito de dor ecoou por toda montanha, o vento frio soprava como um sussurro, a lua escondia-se em meio às nuvens como respeitar-se o momento de dor de um pai que perdeu o filho.
Os berros de Bruce foram os guias para Asa Noturna, Superman, Batgirl e Batwoman encontrarem o herói com Jason em seu colo. Bárbara colocou as mãos sobre a boca sufocando um soluço, Dick a abraçou deixando-a derramar sua dor em seu ombro. Batwoman apertou os punhos com força, controlando-se para não cair no chão e chorar.
Superman, ficou estático vendo aquela cena. Os seus ouvidos aguçados ouviram o exato momento que o coração de Jason deixou de bater, e a vida desaparecer para sempre daquele corpo.
***
Todos estavam lá para velar o corpo daquele que um dia foi um bravo herói e morreu de forma covarde. A família Wayne chorava silenciosamente observando o caixão ser colocado aos poucos dentro da tumba, que o guardaria para sempre, até mesmo o céu de Gotham chorava naquele momento, a água lavava as lágrimas do príncipe da cidade que insistia em ficar debaixo daquela chuva.
Os heróis que conviviam com Robin ainda estavam estáticos, principalmente Bárbara que o via como seu irmão mais novo, ela estava agarrada ao peito de Dick fitando o seu irmão ser coberto de terra.
Aos poucos um por um os heróis foram colocando em cima da terra uma flor branca. Bruce com a última flor se ajoelhou em cima do túmulo e olhou para alto jurando do fundo da sua alma que Coringa iria pagar por ter tirado o seu filho. Depositando a flor com este juramento, a lápide então coberta por um pano revelou o que estava escrito.
“Jason Todd Wayne. Bravo guerreiro e amado filho”
O corpo masculino sentou bruscamente sobre a cama de casal, o suor escorria pelos músculos e a respiração ofegante soava alto dentro do quarto escuro. O relâmpago iluminou o quarto revelando um homem bem vestido sentado em uma cadeira olhando fixamente. Em movimento rápido pegou sua arma em cima do criado mudo e mirou no intruso.
— Quem é você e como entrou aqui? — questionou o pistoleiro. — Responda-me!
O homem riu zombando do medo aparente daquele humano armado, ele deixou cair algo do seu bolso fazendo o pistoleiro desviar o olhar por alguns segundos, em piscar de olhos lá estava ele frente à frente encarando aquele que apontava a arma na sua cabeça. O relâmpago iluminou mais uma vez, agora revelando a cor rubra dos olhos e cabelo do intruso. Pistoleiro não teve a chance de atirar, pois a arma foi tirada de sua mão e seu corpo paralisado.
— Chegou a hora de pagar sua dívida, Jason Todd.
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