O Martelo Prateado de Maxwell Parte 2
1 Capítulo 2
Notas iniciais
Quando pai e filho chegaram às docas abandonadas do antigo porto da cidade, depararam-se com uma escuridão e quietude no mínimo assustadoras e foram obrigados a acender uma lanterna. Assim que iluminaram o ambiente, Robert e Maxwell Edison puderam avistar o corpo estendido no chão, de olhos abertos, com duas grandes e profundas feridas abertas na cabeça do cadáver, que jorravam litros de sangue. Havia, ao lado do corpo da vítima, a arma do crime que o pai de Max deixara, por descuido, no local.
- Pronto, garoto! – Disse Robert. – Como já sabemos a localização exata desse merda, você fica aqui de vigia enquanto eu pego o carro. Quando eu chegar, a gente coloca o presunto na mala e o levamos para seus irmãozinhos.
- Tranquilo. – Respondeu o garoto.
- Agora, se eu voltar e você não estiver aqui, eu juro que te caço e te mato!
- Tranquilo.
O pai pareceu não gostar das respostas do filho, tanto que deu-lhe um empurrão, fazendo o garoto tropeçar e cair sobre a poça de sangue que escorria do defunto. Maxwell nada fez, a não ser ficar no chão, observando com ódio seu pai se afastar para trazer o carro roubado. No momento em que estava no chão, flamejando de raiva e sequer dando importância ao sangue que sujava suas roupas, Max percebeu que a arma do crime estava agora ao seu lado. Quando o garoto pôs os olhos auxiliados por um par de óculos naquele belo martelo completamente prateado (todo feito de aço, no caso), lhe veio o desejo de possuir aquele objeto mortal.
“Pegue o martelo, Maxwell!” Uma voz em sua cabeça não parava de lhe dizer isso e já estava deixando o garoto atordoado. “Erga esse martelo e viva!” A voz parecia fazer-lhe bem e mal ao mesmo tempo. De certa forma, aquela coisa em sua cabeça estava começando a fazer sentido.
“Você encontrou o sentido, Maxwell!”
“Não apenas olhe, pegue, erga, use e seja quem você realmente é!”
De repente, passou pela cabeça do pobre rapaz, além daquela estranha voz, fragmentos da sua vida, captados pelos olhos míopes: Maxwell viu a si mesmo passar fome, quando menor. Viu seu eu do passando apanhando dos colegas da escola; Viu sua mãe sendo espancada pelo próprio marido, quando este voltava para casa completamente alcoolizado; Viu o pai quebrando os dentes de leite do próprio filho de tantas pancadas; Viu os envolvimentos do pai com mãos negras que, de vez em quando, faziam uma “faxina” na humilde residência de sua família, quando não tinham dinheiro para pagar o que deviam; Viu sua mãe morrer atropelada, quando, uma noite, fugiu correndo de casa para escapar das agressões no marido e um carro a atingira em cheio; Viu o pai dando a mínima importância para a perda da esposa e, além disso, atribuindo a culpa ao filho...
“PEGUE!”
Quando finalmente pegou aquele pesado instrumento prateado, Maxwell levantou-se do chão e ficou completamente imóvel, ao lado do defunto. O menino não sabia o que sentir, exatamente. Sentia-se bem? Sentia-se mal? Todas as sensações boas e ruins do mundo pareceram ter apossado de seu corpo e alma, naquele momento.
Após uns 10 minutos, o senhor Edison retornara com o carro roubado, para levar o corpo até seu destino. Ao sair do veículo, o homem gordo e fedido a bebida observou com estranheza o estado filho, que continuava parado, segurando o martelo prateado com a mão direita. Quando viu que o garoto havia encontrado a arma do crime, gritou:
- Ei, moleque! Me dê esse martelo! Preciso dar um fim nele.
Maxwell nada respondeu. Continuava lá, de costas para o pai e parado.
- VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO, SEU MERDA?! – Gritou o pai.
O garoto continuava parado, sem responder absolutamente nada.
- Garoto, você não vai querer que eu vá até aí... – Ameaçou o senhor Edison.
Robert Edison hesitou em nenhum momento. Estava realmente cheio com a desobediência do filho e não esperava coragem no mesmo para usar aquela arma na qual estava carregando na mão. Aproximou-se, então, de Maxwell furiosamente. Quando chegou perto o suficiente do garoto para fazê-lo vira-se, Maxwell, em uma fração de segundos, desferiu contra o pai uma martelada em cheio na cabeça, fazendo o senhor Edison ficar tonto e cair no chão, além de abrir uma ferida que começou a jorrar sangue.
O senhor Edison, devido à força do impacto do martelo, ocasionando, obviamente, uma terrível dor, não conseguia falar. Maxwell, por outro lado, começou a gargalhar quando viu o homem que ele mais odiava no universo caído diante de seus pés. Para terminar com aquilo de uma vez, para impedir que o seu pai continuasse se debatendo no chão como um peixe fora d’água, o garoto martelou em cheio pela segunda vez a cabeça do homem, que ficou duro como pedra. Para certificar de que ele estava realmente morto, Maxwell deu mais duas marteladas que fizeram o crânio, da sua primeira de muitas vítimas, abrir completamente, espalhando, além de sangue, miolos.
(Continua...)
Notas finais
Se, um dia, alguém usar essa história para alguma coisa (postar no facebook, colocar em algum trabalho, etc), peço humildemente para não se esquecer de creditá-la. Obrigado!
Para quem interessar possa, a segunda parte da história ficará pronta em breve.
Fale com o autor