Notas iniciais
Baseada na canção "Maxwell's Silver Hammer" (The Beatles).

Sentado em sua cama, de frente para o telefone, Maxwell pensava seriamente se telefonava ou não para uma amiga. O garoto sempre teve interesse em convidar a jovem, que, para ele, era uma das mais atraentes que tivera o prazer de conhecer, para sair, fazer algo que a juventude daquela época gostasse; porém, como sempre, havia nada em sua mente, muito menos coragem de ligar para a menina e ainda perguntar se ela estaria interessada em sair.

Decidindo desistir de falar com a moça, Max resolveu sair de frente do aparelho telefônico que havia em seu quarto e deitou-se na cama sem tirar os óculos de grau que lhe permitia enxergar o mundo que jamais optou por ver. Mesmo com a visão ruim, o pobre rapaz já havia visto inúmeras coisas assustadoras que não devem ser vistas por ninguém de sua idade. Tais visões não deixaram de passar como flashbacks em sua memória, apesar de todas elas terem acontecido há um bom tempo, o que lhe proporcionava constantes náuseas. Seus enjoos, porém, não o deixava doente, nem mesmo interferiam no seu desempenho na faculdade de medicina.

Maxwell, deitado de barriga para cima, observando as imperfeições do teto de seu quarto no pior estado de monotonia, sentiu as pálpebras pesarem e logo caiu em um cochilo. O sono do rapaz, porém, fora interrompido com uma violenta batida na porta de seu quarto, que fez o ambiente estremecer, seguida de um grito:

– Abra essa merda, garoto!

Max não se assustou. Sabia muito bem quem era do outro lado.

– Ande, menino! Não estou para brincadeira! – A voz parecia desesperada.

O rapaz demorou a abrir a porta propositalmente, gostava de escutar a voz desesperada de seu pai após este ter feito uma de suas típicas besteiras. Pela tonalidade de seus berros, talvez a besteira tenha sido realmente grande. Porém, Max pensou sua ideia ter-se desfeito quando o pai acalmou os nervos e disse, do outro lado da porta:

– Só quero leva-lo ao cinema, moleque! Não seja mal agradecido!

Ao finalmente abrir a porta, Max recebeu em troca um doloroso soco de esquerda no meio do nariz. A força do punho em sua face, porém, não lhe quebrou o nariz. Seu pai, Robert Edison, viúvo, desempregado há pouco tempo, alcoólatra e famoso por se envolver com mãos negras (organização criminosa bastante comum no bairro onde pai e filho viviam), portador de uma enorme pança que mal o fazia caber no quarto do filho, foi logo explicando, ofegantemente, enquanto Max observava, pressionando o nariz para interromper o sangramento:

– Eu preciso da sua ajuda, moleque...

– Não é a primeira vez essa semana, certo? – Perguntou Maxwell querendo ser sarcástico, porém a raiva que sentia do pai não lhe permitiu falar em tal tom.

– CALE A BOCA ENQUANTO FALO COM VOCÊ! – Berrou o pai que, obviamente, não estava lá para levar o garoto ao cinema. — Pois bem, você precisa me ajudar a esconder outro corpo e limpar todo o local do acontecimento.

– Imagino que tenha sido legítima defesa, pela terceira vez.

– Eu garanto a você que sim! Tanto que tive que usar a própria arma dele.

– Tem certeza de que ele está... mais pra lá do que pra cá?

– Sim, tenho certeza de que ele está morto.

– Onde? – Perguntou Maxwell que, apesar de estar interessado, tinha a mínima vontade de ir. Até mesmo lhe veio um súbito desejo de tentar ligar para a amiga, porém seu pai lhe havia arranjado um “compromisso”.

– Perto das docas leste do porto abandonado. Não se preocupe, ninguém mesmo vai lá. Não é à toa que está abandonado. Pois bem, vamos!

– Por que não jogou o corpo no mar? Teria sido mais fácil. – Perguntou o rapaz.

– Quero deixar um aviso para os irmãos Jones. Deixaremos o corpo na sarjeta da casa deles. Como já é de madrugada, pela manhã os dois descobrirão.

Maxwell gelou ao escutar aquilo: seu pai teria matado um dos trigêmeos Jones, a “gangue” atormentava sua família desde antes ele nascer. Apesar de contar com apenas 3 membros, os Jones eram temidos pelo bairro onde residiam e “comandavam”. O trio, porém, já estava perdendo forças e credibilidade, por causa dos anos de vida avançados de seus integrantes e um duro golpe financeiro.

Após ficar novamente calmo, Max percebeu o nariz parar de sangrar, limpou o excesso do líquido vermelho com um lenço, arrumou os cabelos dourados ondulados e pegou seu sobretudo preto no cabide embutido na porta de seu quarto. Terminando de se arrumar, seguiu seu problemático pai até o veículo que não o pertencia.

Max sabia da qualidade de pai que tinha e, apesar de odiar mais do que tudo aquele ser desprezível, sentia-se obrigado em ajuda-lo a resolver seus problemas, pois tinha medo que, no futuro, a coisa piorasse para o seu lado. O senhor Edison tratava o filho como qualquer lixo pisoteado que encontrava na rua.

(Continua...)

Notas finais
Leu? Não leu? Gostou? Não gostou? Tanto faz! Só escrevi isso por diversão. Se, um dia, alguém usar essa história para alguma coisa (postar no facebook, colocar em algum trabalho, etc), peço humildemente para não se esquecer de creditá-la. Obrigado! Para quem interessar possa, a segunda parte da história ficará pronta em breve.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!