O Marido Da Minha Chefe

5 Capítulo V – Explicações


Notas iniciais
Hey, demorei? Bom, nesse capítulo tem um pouco de drama e comédia, enfim! Boa Leitura!

Capítulo V – Explicações:

Sasuke

Senti minha cabeça pesada assim que eu acordei, cara, parecia que eu tinha acabado de levar uma surra. Todos os meus músculos doíam, principalmente nos braços, sentei-me na cama daquele quarto olhei para o ambiente e tudo estava devidamente arrumado. Espera! Como diabos eu fui parar naquele quarto? Ainda mas, naquelas situações... Não era nenhum dos quartos que costumava ir. Meu Deus! Onde eu fui me meter... Que porra aconteceu? Respira Sasuke, respira... Vamos, lá! Eu passei o dia inteiro na agência ontem... Pedi comida mexicana, a minha secretária veio trazer e me contou o quanto ela gostava do México, afinal ela era mexicana, e wow... As mulheres mexicanas realmente são calientes, enfim, nós transamos, mas, ela acabou esquecendo-se de vestir a calcinha, ou me deixou de presente, contudo eu fui deixa suas roupas intimas, uma vez que minha sala não é guarda-roupa. Assim que entreguei a peça intima para minha secretária – que pareceu decepcionada com aquilo, será que ela estava planejando alguma coisa? – Naruto aquele idiota apareceu do nada com uma garota do cabelo rosado. Hum sim, a Sakura... O Itachi discutiu com ela, ela me bateu na cara. E, porra! Nós fomos ao hospital, eu passei mal... Mas o que eu estava fazendo naquele quarto?

Observei-me e percebi que estava com a roupa no corpo; não transamos então. Ou, ela me vestiu e me roubou, para dizer que nada aconteceu? Mas que droga! Jurei que isso só iria acontecer daquela vez, quando eu fui roubado em um reveion, maldita loira safada! Peguei minha carteira que estava em cima de um dos criados mudos e a abri, tinha o mesmo dinheiro que eu havia, deixado. Onde estava a Sakura? Levantei-me da cama e observei tudo ao redor, em cima da mesa tinha um comprido em cima de um guardanapo e um papel que dizia: engula-me e um copo d’ água; também tinha um bilhete que por fora estava escrito: “Para Sasuke”. Peguei o comprimido e a água e levei aos lábios, devia ser algum remédio para acabar com a minha maldita ressaca, eu pedia a Deus que fosse. Depois de beber o remédio peguei o bilhetinho, eu iria ler.

Sakura

O táxi que eu havia pegado depois de ter chegado a Los Angeles – de ônibus – já estava no meu bairro; eu ainda queria saber como seria a reação do Sasuke ao acordar. Provavelmente ele deve ter achado que passou a noite comigo e com certeza deve volta para casa como se nada tivesse acontecido, — e não aconteceu, fora a noite maluca — como ele era acostumado a fazer. Menos mal, pelo menos ele não iria me procurar mais, afinal era o que ele queria não é? Sexo. Ele queria sexo, eu quero um compromisso e uma carreira de modelo; ele podia ser o namorado perfeito para mim se não fosse casado e safado demais, iria ser o agente-fotografo perfeito se eu não fosse tão desinteressante. E agora aqui estou eu de volta a minha rotina normal, sem Sasuke. O táxi parou e eu tinha a certeza que chegamos ao prédio onde eu moro, foi uma corrida rápida, mas mesmo assim ele cobrou uma fortuna... o que me sobrou foram dois dólares, afinal pagar a noite no hotel, a comida, e o vinho caro do Uchiha me custou muito. Droga. Sem dinheiro, e agora ainda teria que encarar as beldades que estavam na minha casa, mais conhecidos como papai e mamãe. O que será que eles queriam comigo em? Da última vez que eu os vi eles disseram: “melhor você voltar somente quando se formar em uma boa faculdade”, e foi por isso que eu nunca mais voltei, nunca consegui entrar numa faculdade de estilismo nem derivados, achei melhor arrumar um bom emprego, comprar um apartamento grande, ganhar muito dinheiro e voltar para casa e dá orgulho para minha família assim como meus primos.

Apertei o “3” no painel do elevador, o prédio não era luxuoso, e não era nem um muquifo também, mas eu adorava o ambiente. Era confortante e simples. As portas do elevador se abriram e eu vi algumas portas, caminhei por o corredor e parei em frente à porta “47” e a destranquei, abrindo-a em seguida.

— Sakura! – uma voz disse e eu revirei os olhos.

Sasuke

Sasuke, só para deixar claro: nós não transamos ok? E bom quanto à carreira de modelo você pode erguer as mãos para os céus e agradecer... Eu quero, não quero mais participar do concurso, pensei lembrei do que seu irmão me disse, e ele tinha razão... Não sirvo para ser modelo, não sou alta, meu cabelo é estranho, meus olhos são opacos e eu sou pálida demais. Não quero causar nenhum contra tempo entre você e seu irmão, desculpe por gastar o seu tempo com minhas bobagens – e eu o desculpo também por querer flertar comigo, sendo que era sua verdadeira intenção – sei também que fui tapada demais em não ter percebido o seu “flert” mas, eu sou lenta assim mesmo. Desculpe-me por ter batido o seu carro, eu não queira queria ter feito aquilo, pode me cobrar o dinheiro do concerto depois, eu pago, mesmo que não seja tão rápido. Bom, te desejo sorte no casamento e na carreira!

Sakura Haruno.

Eu li o bilhetinho de Sakura e fechei os olhos. Ela estava desistindo de participar? Ótimo, menos uma dor de cabeça... Hora de procurar uma modelo de verdade para participar do concurso e salvar a empresa. Realmente, se a Sakura fosse uma das minhas apostas a empresa iria por água abaixo. Enfim, ela ainda queria que eu mandasse a cobrança do concerto para ela, que garota mais idiota! Será que ela pelo menos sonha em um preço de concertar uma Ferrari como a minha? Não com certeza ela não sonha se sonhasse não iria pedir para que pagasse, porque nem que ela passe a vida inteira me dando o salário dela, não seria o suficiente. Arrumei minha roupa, estava toda amassada e sai do quarto. Desci por as escadas. Não acredito que aquela maluca me pôs nesse hotelzinho “nenhuma estrela” tudo bem que a empresa está falindo mais eu ainda sou Sasuke Uchiha. Enfim, fui até a recepçãozinha, tenho que admitir é bonitinha, falei com o rapaz sobre a conta do quarto, comida, dormida, enfim... Ele me pediu a chave com o número do quarto e eu dei, no entanto eu levei um choque quando soube que o quarto a comida e tudo mais haviam sido pago. Sim a criatura cabelos-róseos pagou tudo, o cara ainda me entregou o vinho que ela também havia pagado. Vinho? Mas, pelo que eu me lembre ela não bebia... Assim, devia ter sido eu. Hum... Apesar do vinho não ser o melhor, era caro – para ela – sendo que ela podia ter deixado tudo para eu pagar, como era com as outras, eu transava com elas, elas saiam pela manhã e eu pagava tudo – não me leve a mal, mas a maioria das mulheres com que eu fico são executivas ou modelos. Então é isso, nós não transamos... Isso era o que ela dizia no bilhete, mas se agente tivesse transado e ela não queria admitir? Que bobagem! Porque ela não queria admitir? Será que foi tão ruim assim? Claro que foi bom, — se realmente tiver acontecido – foi ótimo, ela só está fazendo jogo duro. Meu Deus, e se ela tiver alguma doença e passou para mim? Não. Não!

Abri a porta do meu carro que estava estacionado em frente ao hotel, naquele subúrbio. Mas que inferno, eu transei ou não transei com ela? Será que eu estava tão chapado assim? Peraí! Subúrbio? Ela me levou para um subúrbio, transou comigo e se mandou? Que canalha! Agora eu estou com ódio dela, ninguém abandona Sasuke Uchiha ao relento no subúrbio! E ainda por cima deixou meu bebê – a Ferrari – estacionado de qualquer jeito, nesta merda de rua; como se não bastasse à lataria traseira amassada ainda sim quebraram o vidro... Que droga, agora... O que? O vidro do meu bebê? Aproximei-me da vidraça quebrada, por sorte o vidro era blindado e este se manteve firme, mas como diabos eles quebraram? Essa porcaria não era blindada? Digo meu bebê... Além do estraçalhado, na lataria da frente e tinha um símbolo sexual pra lá de obsceno riscado na minha linda Ferrari negra-esporte. Que ódio, menina tonta, agora sim, eu mando a conta para ela, mesmo que ela não me pague o suficiente, só para ela senti a minha ira. Garota mais louca! Deixei meu bebê em uma oficina e peguei um táxi para ir para minha casa; não era tão longe da oficina mais mesmo assim eu quis ir de táxi que por sinal foi caríssimo.

— Sasuke-kun! – Karin gritou assim que me viu entrar em casa.

Eu passei reto por ela e subi as escadas, eu não estava com tempo de discutir com ela, nem com paciência e se ela insistisse eu juro que podia esquecer que ela era uma mulher e dá-lhe uma surra.

— Sasuke – ela me chamou e eu parei no alto da escada – Onde você estava?

— Trabalhando – menti. – Eu estava trabalhando, agora... – olhei para ela pois eu estava de costas – Me dê licença porque eu tenho que ir visitar meu pai!

Subi os últimos degraus, e abri a primeira porta do corredor, era o meu quarto. Sim... Eu e a Karin dormíamos em quartos separados. Abri a porta e já fui tirando a camisa, cara... Eu estava fedendo a álcool, tirei à calça a cueca e fui para o banheiro tomar uma ducha gelada. O dia ainda só estava começando.

Sakura

— Sakura – meu pai me abraçava bem forte – Que saudade meu amor!

— Argh – eu resmunguei em seu abraço sufocante – Papai... Eu preciso respirar!

Ele me soltou e voltou a abraçar minha mãe.

— E então... – eu passava uma das mãos no meu pescoço, é sério fiquei sem ar.

— Então o que filha? – mamãe me perguntou de volta.

— O que vocês... Querem aqui? – perguntei sem rodeios e sentando no sofá amarelo do meu apartamento.

— Sakura – papai falou — Que grosseria com seus pais! Devia o menos nos perguntar se estamos bem!

— Eu sei que vocês estão bem, eu estou VENDO – fui grossa admito, mas eles mereciam – Mas nunca vieram me visitar, o que foi que aconteceu?

— Acho que eu vou me retirar, já são seis e cinquenta e oito, hora de trabalhar! – Ino cantarolou aparecendo de repente com a sua bolsa azul tira colo – Tchau, Sakura!

— Tchau. – eu me levantei e acompanhei ela até a porta, em seguindo fechando-a.

Dirigi-me aos meus pais com os braços cruzados, eles me deviam uma explicação.

— Tá legal, o que foi que houve?

— Como assim o que houve? – papai repetiu e eu revirei os olhos – Porque alguma devia ter acontecido para nós vermos nossa querida filha?

— Porque vocês nunca veem aqui, e eu sei que aconteceu alguma coisa!

— Filha – mamãe desta vez tentou argumentar, mas meu pai a interrompeu.

— Chega Mebuki – ele suspirou – Ela não é mais uma menina de doze anos; não podemos enganá-la como antes.

— Exato – eu murmurei – Não podem me enganar do tipo – sentei-me na poltrona marrom da sala – Saírem para as festas e me deixarem sozinha... Dizendo que todos os pais faziam isso.

— Ah – papai resmungou – Mebuki – ele virou o rosto para minha mãe que estava em pé – eu disse para adotarmos um menino, mas, não... Você nunca me ouve!

Bom, eu era adotada. Fui adotada com quatro anos, não eu não me lembro dos meus pais biológicos, me lembro de ás vezes de alguns rostos e de uma casa na praia, mas só! Enfim, eles me adotaram e tudo, no inicio era tudo um mar de rosas eles me mimavam de todas as formas, mas quando eu fiz doze anos eu descobri que eles não queriam uma filha, e sim uma escrava para fazerem tudo para eles. Apesar de tudo eu os amava e muito, só que eles não eram os melhores pais do mundo, e nem se esforçavam em nada para me agradar.

— Kizashi! – mamãe gritou, eu não disse nada, estava acostumada com as patadas da vida mesmo.

— Bom – ele levantou – Estamos aqui, porque não temos mais dinheiro! – ele berrou de uma vez e eu arregalei os olhos. – Eu exagerei no jogo, nas bebidas e acabei perdendo a nossa casa em uma aposta.

— O que? – rir nervosa – Exagerou de novo? Pai como pode? A gente só tinha aquela casa... Porque fez isso?

— Olha o tom garota! – ele gritou enfurecido – Sei que não sou o melhor pai do mundo, mas ainda sim sou seu pai... Mereço respeito!

— Respeito o caçete! Como eu vou respeitar um velho que vive bêbado por ai? E que ainda por cima aposta a nossa casa... Aquela casa nem era sua, era da vovó! Espera... Onde está à vovó Chyo?

Eles ficaram mudos.

— Sakura ela... – minha mãe começou a falar e se aproximar de mim – Ela, bem... Kizashi, explique a ela!

Papai suspirou e se levantou abraçando a mamãe, eu senti meus olhos úmidos. Não a vovó Chyo, não! Ela era a única pessoa da minha família que eu realmente amava... Ela não!

— Sakura, a mamãe teve um AVC e está internada aqui em Los Angeles... Por isso viemos aqui.

— E como ela sofreu um AVC? – gritei furiosa – Ela nunca, nunca tinha sofrido algo assim antes! – berrei me levantando do sofá.

— Ela passou mal quando seu pai falou sobre a perca da casa – desta vez mamãe se manifestou. – Foi agora de madrugada.

— Meu Deus... – eu derramava lágrimas – Você é louco! – gritei me virando até eles – Vocês são loucos! Saiam daqui!

— Calma Sakura! – mamãe falou – Filha escute! – ela segurou em meu rosto, mas me afastei com nojo – Nós não temos para onde ir, e não temos dinheiro para o tratamento de sua avó... Eu te peço, ajude nós dois, por favor!

— Eu... Ajudar vocês? – falei sarcástica.

— Isso mesmo, ajudar seus pais! Nós dois que te educaram, que deram comida para o projeto descartado de outras pessoas...

Ok, eu já estava acostumada com as patadas da vida, do meu pai, da minha mãe, da Karin, do Sr. Massaru – o dono do prédio para quem eu devia mais de quatro meses de aluguel. Não me culpem, tive que fazer um empréstimo para o tratamento do meu pai quando ele acabou tombando o carro. – a moça da conta do telefone, o cara do banco. Mas, eu não esperava ouvir: projeto descartado de outras pessoas, eu sabia que era adotada, ele não precisava me lembrar disso, poxa, eu sabia que alguém tinha me abandonado por “n” motivos e não gostava de pensar, dai ele simplesmente fala isso... Sacanagem! Senti minha garganta fechar, derramei uma lágrima.

— Olha eu sei que vocês não gostam de mim, então da para falarem o que querem? Eu tenho que ir visitar a vovó! – peguei minha bolsa do sofá.

— Nos já falamos! – minha “mãe” disse – Precisamos de dinheiro para comprar outra casa e cuidar da sua avó.

— Pode deixar que da minha vó eu vou cuidar! Ela vai ficar comigo... E vocês saiam!

— Você não vai ajudar seus pais? – Kizashi berrou – Veja, Mebuki – ele abria os dois braços – Olha, a filha que nós tiramos de um orfanato se tornou uma ingrata!

— Eu não sou ingrata! Pelo contrário sempre agradeci a vocês por terem me adotado, coisa que vocês nunca deixaram oculto para ninguém!

— Claro que nunca deixamos oculto! Queríamos que você soubesse desde já que nós somos ótimas pessoas por ter lhe tirado daquele lugar! – Mebuki falou – E, agora simplesmente vai virar as costas para a gente?

— Eu... – não podia ceder... Mas, eles eram meus pais... Não podia deixar de ajuda-los – Eu não posso deixar vocês aqui!

— É claro que pode! – Ele falou andando até mim, ficando lado a lado da Mebuki – Você não está fazendo faculdade... De Esti... Como é mesmo o nome?

— Estilismo, querido – Mebuki falou.

— Isso! – ele berrou – Eu vi que essas pessoas que trabalham com Estilismo ganham muito dinheiro, e além do mais – meus olhos estavam arregalados – você trabalha numa empresa chique, pode muito bem sustentar nós três!

— Eu não posso! – berrei – Por que... Por que...

Que merda, eu não tinha coragem de dizer que eu não fazia faculdade nenhuma, que só trabalhava. Por que eu não tinha coragem? Bom, vou explicar... Meu pai não tem irmãos, nem a minha mãe... Mas eles têm primos de primeiro grau e eles têm filhos, e esses filhos são muito mega inteligentes, eu tinha primos em tudo que era curso. Tinha um no Canadá que fazia Engenharia Civil; um em Nova Iorque que fazia Direito; outro lá na minha terra natal que fazia Engenharia Agronômica; duas aqui em Los Angeles que faziam Enfermagem e a outra Engenharia Mecânica; o ultimo primo que conseguiu, entrou numa faculdade de Fisioterapia, e eu? Bom. Nada! Nada e nada! Enfim, como meus pais já eram um desgosto para a família e vergonha para mim, não queria aumentar mais a cota de desgosto de nós três, por isso eu mentia para minha família inteira, até para a vovó Chyo!.

— Porque Sakura? – a loira – mãe – falou desconfiada.

— Já ouviu falar em crise financeira? – perguntei a eles – Pois é, é isso!

— Sakura – meu pai chamou – Eu sei que não somos uma família equilibrada, mas realmente, não temos para onde ir, por favor, não nos negue um teto!

Sasuke

— Itachi me contou que você vai criar um concurso para salvar a empresa! – papai falou de repente depois de beber o café, e eu quase me engasguei com o meu, fui pego de surpresa.

— Bem... – puxa vida não sabia o que falar, meu pai estava puto da vida comigo e com o Itachi, a empresa era dele então ele estava no direito de reclamar de tudo, como por exemplo, da falência – Eu...

— Saiba que você tem todo o meu apoio! – hein? Como assim apoio?

— Apoio? – falei.

— Sim, apoio! Gostei da ideia e acho que esse concurso pode salvar a agência!

— Irá salvar! – eu disse confiante, não tinha tanta confiança assim, mas se eu não dissesse que não iria salvar a agência, quem iria me salvar do meu pai?

— Eu sei disso filho, e aposto todas as minhas fichas em vocês! – ele suspirou e sorriu – Sabe... Esse concurso me lembrou sua mãe!

A mamãe?

— Foi? Ah! Que bom – sorri feliz – Mas como assim?

— Bem conheci sua mãe eu um concurso de Miss-Los Angeles— ah é, mamãe já tinha sido Miss muitas vezes.

— Nossa... Vocês nunca falaram isso! – eu murmurei e o papai tomou mais um gole de café.

— Você e seu irmão nunca se interessaram por histórias de velhos, e bom... Eu me lembro como se fosse ontem! – lá vem... Minha nossa! – Havia tantas mulheres lindas, exageradamente arrumadas, luxuosas, bronzeadas, loiras, morenas... E a sua mãe. – um suspiro. – Tão linda! Cabelos longos e negros pele tão macia, tão jovem... Linda naturalmente!

— Puxa – eu murmurei – Foi amor à primeira vista, né?

— Foi sim – ele olhou-me – Sempre admirei mulheres com belezas exóticas, naturais e sem tanto artificio! Podia fazer o seu concurso baseado nisso, filho! “Mulheres Naturais”...

Era só o que me faltava. Eu hein, só porque ele é meu pai, vai querer mandar no meu concurso? Claro que não! Era por isso que o Itachi era o queridinho dele, porque ele sempre fazia o que o velh... Digo nosso pai mandava.

— Ah pai! – eu me levantei da poltrona branca do quarto, fui até ele e fiquei em pé – Tenha dó... Um concurso sem modelos de verdade? Isso não tem graça!

— Ora... É uma ótima ideia, você não esta ligado não é? Ser natural é a ultima moda hoje em dia!

Ok, eu não esperava por essa. Itachi, papai e eu somos homens que trabalham numa agência de moda, tínhamos o dever de saber de tudo sobre o mundo do glamour, mas o papai não ficava muito nesta área, geralmente ele trabalhava no setor administrativo.

— Pai – eu neguei com a cabeça – Olha só, um concurso com um bando de mulheres inexperientes, vai dá em que? Gastos e mais gastos! – lembrei-me do Itachi e da Sakura. – Nem pensar.

— Bom dia meus amores! – mamãe entrou no quarto do meu pai, com flores vermelhas, como diabos ela conseguiu trazer essas flores? Na recepção do hospital criticaram até a minha camiseta social... Dizendo que era transparente demais e eu podia me contaminar no quarto do meu pai, tenha dó!

Dona Mikoto me beijou na bochecha e depois deu um selinho no papai, eca! Apesar de ter vinte e sete anos eu ainda não me acostumei com o fato de que meus pais se beijam na boca, ainda acho nojento... Eu acho que quase todo filho de qualquer idade acha nojento o beijo de pai e mãe... Enfim é o que eu acho.

— O pessoal te deixou subir, com tudo isso? – papai perguntou enquanto mamãe arrumava as rosas num jarro que ela trazia na bolsa extragrande na cor branca, sério que um jarro de quase trinta centímetros coube ali? Misericórdia!

— Na verdade eles não viram... – mamãe falou normalmente – Elas estavam dentro da minha bolsinha – de bolsinha isso ai não tem nada!

— Maluquinha como sempre né, meu amor? – papai falou e por um instante eu o vi sorrir e depois tossir fortemente.

E tossiu, tossiu... E não respirava mais ele estava ofegante, forçando a entrada de ar nos pulmões, minha mãe começou a gritar e correu até ele, meu pai me olhava e eu não conseguia me mexer, minhas pernas travaram-se no chão, minha mãe correu até mim, e me deu um tapa na cara, eu sai do transe e pude escutar novamente, ela mandou eu ir chamar uma Enfermeira e prontamente eu fui. Meu pai não podia morrer, não podia!

Sakura

— Certo, se vocês vão dormir no meu quarto, onde eu vou ficar? – questionei vendo papai se esticar na minha cama de casal, sim de casal eu era espaçosa e mesmo sem um gatinho eu dormia numa cama grande.

— Achei que você tivesse um quarto reserva filha – minha mãe falou saindo do eu banheiro com a minha camisola preferida, a que a Ino me deu no meu aniversário de dezoito anos.

— Ei! – chamei a atenção dela – Mãe, essa camisola é minha! Pode tirar, por favor?

— Ah, Sakura, como você é careta! – ela resmungou sentando na minha cama e o papai continuava a se espreguiçar nela.

Revirei os olhos.

— Você deveria morar num apartamento maior, filha. – papai sugeriu.

— Eu morava num apartamento maior, mas quando você quase morreu naquele acidente de carro do último reveion eu tive que vende-lo para pagar sua cirurgia... Fora o empréstimo!

— Começou! – ele se sentou – Vai jogar na minha cara, é? – ele questionou com drama.

— Esquece! – eu peguei minha bolsa – Vou ficar na minha sala de trabalho! Só espero que vocês não façam bagunça porque eu não tenho empregada!

— Espera... – mamãe levantou – Aonde você vai?

— Eu vou ver a vovó! – falei conferindo o endereço no papel que eles tinham me dado.

— Mas e a faculdade? Hoje é quarta-feira você devia estar lá! – é verdade eu devia estar lá! Mas perai... Eu não faço faculdade! Que inferno!

— Hoje só tem aula a tarde! – inventei.

— Ah, sim – ufa, ela acreditou.

— Mas e o trabalho? – papai falou, mas que droga! Eles não podiam pensar que eu tinha folga?

Perai... Trabalho? Olhei no relógio de pulso, nove e quinze... Minha nossa! Eu entro as nove! Que droga! Mil vezes, droga!

Sasuke

— Não foi nada, demais! – Kakashi, era o médico da família falava para mim, mamãe, Itachi e Madara que haviam chegado agora pouco. – Ele só teve um reflexo do resfriado da semana passada!

— Mas, isso pode afetar a última cirurgia que ele fez? – mamãe perguntou.

— Pode ser que sim, pode ser que não. – o homem de cabelos brancos respondeu pacífico – Mas o transferimos para a sala de exames, iremos fazer uma ressonância magnética do corpo inteiro, bom...

— Ressonância? – perguntei incrédulo, eu sabia que ressonância não podia se fazer assim toda hora – Não podia ser outro exame? Eu não sou médico mas sei que exames magnéticos não se podem fazer sempre! E já é a terceira vez só esse ano!

— Sasuke – Itachi deu um tapinha no meu ombro – Acalme-se.

— Não se preocupe Sasuke, cuidaremos do seu pai! Bom. Embora seja um pouco cedo eu tenho que comunicar a família...

— Comunicar o que? – mamãe perguntou.

— Depois da ressonância, Fugaku terá que fazer uma transfusão de sangue... A anemia voltou.

— O que? – todos nós com exceção do Madara gritamos.

— Eu sinto muito. E na minha visão clinica, recomendo que vocês levem ele para o Japão, para se tratar por lá! Por aqui, não temos mais o que fazer.

Eu levei um choque. Quer dizer que... Meu pai...

— Como assim Japão, porra? – eu gritei com Kakashi – Nós pagamos uma fortuna de dinheiro para o tratamento do meu pai, e você nos diz isso que não tem mais jeito?

— Não é que nós não queremos atender o seu pai, Sasuke – Kakashi, pois a mão em meu ombro e me encarou — Estou apenas dizendo que esta clinica não tem mais condições e recursos para seguir o tratamento do Fugaku, no Japão tudo será melhor, sugiro que o transfiram o mais rápido possível!

Após dizer isso ele saiu pelos corredores da clínica, deixando todos nós estáticos.

— Ele – mamãe chorava e Itachi a abraçou – Ele vai morrer?

— Não ele não vai morrer! – falei com a voz dura – Ele não pode! Não pode! Temos que leva-lo para Tóquio ainda hoje! – decretei puxando meu celular do bolso.

— E como você vai leva-lo? Nas costas? – Madara falou – Não se esqueça de que nós não temos um tostão sequer por causa da incompetência de vocês dois!

— Cala essa boca! Você não é exemplo nenhum para nos dar sermão! Vive gastando dinheiro por ai que nem um louco! E nunca cuidou de nada da sua parte na agência, então se estamos falindo a culpa também é sua!

— Ah, agora, a culpa é minha? – Madara retrucou – Meu caro, Idra era meu pai e deixou metade da empresa para mim e a outra pro seu pai, agora se vocês foderam com a parte dele, a culpa é sua!

— Como assim parte, dele? – questionei desconfiado – Que eu saiba você também está sem dinheiro!

— Claro que não, tenho minhas economias!

— Economias?

— Sim...

— Então – mamãe se aproximou do irmão do meu pai, com lágrimas nos olhos – Madara, por favor, ajude no tratamento do Fugaku... – pediu suplicante agarrando os braços dele e Itachi se pôs ao meu lado.

— Oh – Madara acariciou a bochecha da minha mãe e sorriu – Se fosse outro homem eu até poderia pensar em ajudar, mas como foi o meu irmão que roubou a única mulher que eu amo, eu nunca vou ajudar! Prefiro que ele morra!

— Então que merda você faz aqui? – eu o empurrei contra uma das paredes do hospital e minha mãe chorou agarrada no Itachi.

— Vim apenas dizer adeus! Estou indo para o Brasil!

— O que vai fazer lá? – questionei cerrando os dentes.

— Negócios, meu caro sobrinho, negócios!

E ele saiu.

Meu Deus, que espécie de irmão é esse?

— Calma mãe! – a abracei juntamente com Itachi, que me encarou com uma cara de “o que vamos fazer?”. Eu não disse nada.

Não sabia o que fazer. A agência tinha uma quantidade de dinheiro, mas grande parte estava sendo devolvida para as modelos e os outros funcionários que pediam demissão, pois é... A fofoca se espalhou e todos descobriram que os Uchihas estavam falindo! Tinha o concurso, mas, como eu iria contratar as modelos? Eu não tinha o dinheiro que eu tinha antes para investir nelas. Devia ouvir o conselho do meu pai? Fazer um concurso, para garotas de todos os estilos? Sinceramente, não sabia o que fazer... Minha ultima aposta era achar uma garota suficientemente interessante naturalmente, mas onde? Aqui em Los Angeles não existiam mulheres assim.

— Vamos tomar um café, mamãe... – Itachi falou.

Eles saiam sem dizer nada e eu me escorei na parede branca atrás de mim, até sentar no chão... Até mês passado, eu ostentava por ai, esbanjava dinheiro e simplesmente vou à falência da noite para o dia? Meu pai ficava cada vez pior...

— Sasuke – alguém me chamou e eu levantei o rosto, era Kakashi.

Ele se sentou ao meu lado, também no chão.

— Como você está? – ele questionou e eu quis lhe da um soco.

— Como eu estou? – gritei revoltado – Meu pai tá morrendo e você pergunta como eu estou? – gritei e algumas enfermeiras me olharam feio, eu não liguei estava mandando um foda-se para tudo – A droga do Madara tem o dinheiro para o tratamento do meu pai, e sequer vai ajuda-lo, e você me pergunta se eu estou bem? – continuei gritando. – A empresa faliu e você me pergunta se eu estou bem?

Kakashi suspirou alto.

— É realmente, as coisas não vão nada bem, mas e você, como está? Vai bem?

Abaixei a cabeça, ele queria me irritar, me tirar do sério, ele sempre foi assim desde o ensino médio, sim antes de ser médico Kakashi tinha sido meu professor de Biologia, o mesmo jeito pacífico e indiferente. Que ódio.

— Não, Kakashi! – eu berrei, não estava aguentando aquela situação – Eu não tô bem! – me levantei do chão e ele continuou sentado – Sabe por quê? Porque eu sou diabético desde os meus dezenove anos! Porque eu não posso ter filhos! Porque minha vida virou de cabeça para baixo desde que eu casei com a Karin! Porque meu pai está morrendo e eu não posso fazer nada! – eu escorei minha cabeça na parede e apoiei meus braços – Nada! Eu não posso fazer nada... Porra nenhuma! – meus ombros tremeram e eu derramei lágrimas, sim eu estava chorando, sempre fui durão e nunca me permitir chorar, mas poxa, era meu pai... E eu sou humano... Não sou feito de pedra!

— Não se preocupe Sasuke! – Kakashi bateu levemente em minhas costas — Fugaku é forte! Ele vai ficar bem.

— Espero que sim. – eu disse de olhos fechados. Sorri de leve, era exatamente isso que ele queria me ver chorar e desabafar com ele, realmente Kakashi era um cara incrível! – Obrigado Kakashi, eu... Estava precisando desabafar! — continuei na mesma posição.

— Ainda bem que você está sóbrio! – ele comentou rindo e encostando na parede ao lado – Porque se você estivesse em uma situação de horas atrás... Tsc.

— Situação? – ergui a cabeça, meus olhos deviam estar vermelhos mas foda-se – Que situação?

— Ora – ele pausou – Por volta da meia noite uma garota te trouxe lá no hospital do centro, porque você estava caindo de bêbado, e ainda por cima com a glicose baixa...Como era mesmo o nome dela? – ele pensou e eu franzi o cenho – Ah, é, Sakura... Ela ficou com você até você acordar e ir embora com ela.

Eu não me lembrava de ter ficado com a glicose baixa, só da bebedeira mesmo. Porra! Kakashi viu, e se ele falasse para a Karin? Não ele não iria falar.

— Ela ficou comigo? Quer dizer... Me acompanhou?

— Sim, ela chegou ao hospital, toda descabelada e fazendo barulho na recepção, por sorte eu te reconheci e resolvi cuidar de você para não gerar um escândalo; imagina se descobrissem que você estava saindo com outra mulher? Seria o fim dos Uchihas! – riu – Você tinha que ver o jeito que ela andava, era muito engraçado...

— Corrigindo, Kakashi, já é o nosso fim, e essa garota e eu não tivemos nada. Eu a chamei para uma entrevista de emprego e...

Espera...

— Foi sim – papai olhou-me – Sempre admirei mulheres com belezas exóticas, naturais e sem tanto artificio! Podia fazer o seu concurso baseado nisso, filho! “Mulheres Naturais”...

— A garota Uchiha? – Sakura me questionou e eu afirmei com a cabeça

— Sim. Não é uma ótima maneira de te lançar no mundo da moda?

— É, mas...

— Mas, o que?

— E se eu não consegui ganhar? E se eu for a primeira a ser eliminada? E se...

— E se nada, Sakura! Pense positivo! Você sempre sonhou em ser modelo não é?

— Sim...

— Sonhe e torne possível todos os seus sonhos!

— O que? Você convidou essa desengonçada para uma seção de fotos? – Sabia que ele não iria acreditar, Itachi me conhecia bem. – Você devia estar bêbado quando fez isso não é? Ou... Bateu a cabeça em algum lugar — Olha só garota... O Sasuke só está brincando com sua cara, tá na cara que ele tá doido pra te foder, mas, é só... Ele nunca largaria a querida esposa dele, Sasuke ama o dinheiro. – Itachi e essa mania de falar loucuras. Coitada da garota, imbecil, também não precisava exagerar.

— Olha aqui você garota – o meu irmão a interrompeu – O Sasuke é um homem de negócios, nem eu, e nem ele trabalhamos com inexperientes... Se o meu irmão te iludiu com o sonho de uma carreira, pode tirar o cavalinho da chuva, porque ninguém dessa agência permitirá que alguém como você nos represente em algum evento – Eu sei que sou o senhor arrogância, mas o Itachi já estava passando dos limites. Ele estava a humilhando sem necessidade nenhuma.

Seria a Sakura a garota Uchiha?

Continua...

Notas finais
Parece que as coisas não vão bem para nenhum dos dois, né? kkk No próximo eles se encontram! Beijos e espero que tenham gostado, comentem por favor, sim?