O Mar de Vingança
1 Prólogo
Notas iniciais
Assim como todas as manhãs, o badalar do sino local acordou grande parte do vilarejo. A placa que sinalizava a entrada de Omestrut Village chacoalhava com o vento. Em poucos minutos, as desertas ruas estariam cheias de movimentos, principalmente na praça principal. Tudo seguia como o normal. Em todos os cantos se podiam ouvir conversas amigáveis. Velhos amigos se encontrando para o trabalho. Alguns com seus machados em punho, outros, com suas varas de pesca. Crianças corriam, alegremente, em direção à pequena escola. Feirantes montavam suas barracas e lojistas abriam suas lojas.
Perto do lago Memorial Chimurr, um corpo estava caído, todo molhado. Assim que os pescadores o avistaram, correram para prestar socorro. Pobres coitados, mal sabiam que seriam as primeiras vítimas.
Era uma bela jovem, de olhos encantadores e corpo exuberante. Ao se aproximarem perto o suficiente, a Fera mostrou as garras. Num rápido movimento, cortou a garganta de cada um dos quatro pescadores, sem deixar um ruído sair de suas bocas.
"Primeira parte, concluída", pensou para si mesma. Seguiu em direção à cidade, onde começou a entrar em lojas, fazendo cada um dos vendedores e clientes suas próximas vítimas. Nem mesmo as crianças eram poupadas. Tudo estava como o planejado, pois nenhum alarme havia soado. E assim prosseguiu, eliminando cada um dos moradores do pequeno vilarejo, sem ninguém saber o que estava acontecendo.
Mas então, ela o viu. Um jovem garoto, com um pedaço de pau do tamanho de seus braços, correndo em sua direção. O último sobrevivente. Num ato de bravura e desespero, ele a seguiu, determinado a acertá-la pelo menos uma vez, mesmo que isso lhe custasse à vida. Seus olhos diziam isso. Sem hesitar, a Fera o derrubou no chão antes mesmo de ele perceber sua chegada. Colocando sua adaga no fino pescoço do garoto, perguntou-lhe o nome.
O garoto não conseguiu responder, pois estava em prantos. Foi então que, pela primeira vez em toda sua vida, ela hesitou. Deixou o garoto caído, deitado no chão manchado de sangue e correu. Sem nada entender, ainda chorando, o garoto se levantou, olhou em volta e viu, por inteiro, o que havia acontecido. Todos em sua vila estavam mortos.
- Vingue-se, garoto. Vingue-se daquela que quase o matou. — Ouviu um sussurro dizer. — Encontre-me e vingue-se, se for capaz.
Olhou em direção a voz e, pela última vez, vislumbrou a jovem moça, com seus olhos vermelhos como o fogo e cabelos brancos como a neve, vestida em sua capa, da mesma cor de seus olhos, mas com uma tonalidade vermelha sangue, como se o sangue daqueles que ela matara fosse a coloração. Em um instante, ela pulou do prédio em que estava e sumiu na floresta que rodeava Omestrut.
Sete anos se passaram, e o jovem garoto agora era um homem. Todo esse tempo ele treinou sua pontaria e manejo de espada. Tudo em prol de um objetivo: matar aquela que se denomina de "A Fera".
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