O Mar, O Céu e um Sol

2 Apreciar o Esforço Alheio


Notas iniciais
Hello bitches! Comentem fofurinhas!

Eu esperei até a minha aula acabar para dar uma espiada em Alfred. Com o ele era o namorado ideal, o namorado modelo, médico, alto, rico e loiro eu tinha que cuide do meu lindo e precioso namorado.

Assim que minha aula de biologia acabou fui correndo para a ala hospitalar da nossa universidade dar um alozinho, nem que seja só uma espiadinha.

Risada maliciosa mental.

A ala hospitalar da nossa universidade era fantástica. Super equipada, limpa e com a melhor equipe de médicos e enfermeiros que você poderia encontrar. Requeria muito esforço e dedicação para estar ali. E eu admirava o Fred por isso. Ele dava o sangue dele pela medicina.

O observei passando ao longe e ele entrou em uma sala de análise celular. Corri até a janela ( disfarçadamente para observar meu lindo namorado estudar e analisar celular). Sorri. Ele percebeu que eu estava ali e não gostou nada, nada. Parecia azedo. Droga.

— Não o culpe por ser assim. Análise celular é uma das aulas mais chatas que tem. – olhei para a pessoa ao meu lado.

— Oh! – Apontei o dedo pra ele. Nicholas. – Você! O que você está...?

— Eu? Vadiando e você? – Sorriu alegre. Eu não havia percebido mas ele tinha sardas por todo o seu rosto.

— Só observando... Já que eu serei uma médica seria bom conhecer a ala hospitalar... – tossi.

— Mentira. Você desviou o olhar quando tava falando. É fácil reconhecer uma pessoa mentirosa. – Sorriu ainda mais.

— Ya! Não é verdade! Eu só... – Ele arqueou uma sobrancelha de leve. – Tá bom você me pegou. Eu só tava dando uma olhadinha no Fred...

— Vamos olhar juntos então. – Ele voltou a olhar pela janelinha a sala branca. Fred estava com uma cara bem irritada.

— Nicholas acho melhor a gente ir... Ele vai ficar nervoso comigo depois e... – Respondi aflita já pensando na briga que isso seria. Suspirei.

— Você vai fazer um buraco no chão se continuar suspirando assim – empurrou a minha testa com o dedo. – Quer almoçar?

— Hunrum. Vamos logo – o empurrei.

Fomos até o restaurante da Universidade para comer. Eu não gostava muito da comida do restaurante por que era nojenta e grosmenta as vezes. UGH. Nicholas era tão esquisito. Ele sorria pra tudo, era alegre, feliz, parecia que não tinha nenhuma preocupação com a vida.

— Como vão os estudos? – perguntou pegando sua bandeja recheada com uma comida nada convidativa.

— Uma droga. Tipo eu não sei por onde estudar. – peguei a minha bandeja já pensando nas coisas que eu não iria comer daquele cardápio.

— Mas o Fred não faz um super simulado pra ti ? – perguntou

— Sim... Mas sei lá... da outra vez ele fez um simulado também. Mas como ele é super avançado ele faz perguntas super difíceis e eu acabo estudando coisas que ainda não preciso estudar e não estudo as coisas que eu preciso. Entende? – Suspirei franzindo as sobrancelhas e procurando um lugar para sentar. Ele sentou de frente pra mim.

— Você está feliz? – perguntou devorando a comida dele com toda a vontade do mundo.

— Você está gostando da comida? – perguntei – não come o bolinho de carne. É o pior de todos! – o avisei mas ele já tinha colocado uns dois dentro da boca.

— Hummm- sorriu- uma delícia.

— Como você consegue comer isso? É horrível! – reclamei e ele se levantou e sentou do meu lado.

— Maria... Eu aprendi isso depois que eu entrei pra gastronomia. Eu antes reclamava de qualquer coisa que eu comia. Qualquer mesmo – Ele tinha um charme pra constar as coisas que fazia todo mundo prestar atenção. – Mas olhe lá- ele apontou para a cozinha do restaurante. – Você tá vendo aquele suor? Por mais que tenha um gosto ruim elas realmente se esforçaram pra fazer essa comida. Eu já fiz muita comida ruim e meus avaliadores sempre diziam “ruim, nojento, você vai servir isso pro seus clientes?” Eu ficava muito chateado por que pra mim tava bom mas pra eles tava ruim. Nenhum deles observava o meu esforço pra fazer aquele prato. Eles não estavam nem aí se eu tinha sofrido ou não pra fazer. Eles só queriam um resultado maravilhoso sem desculpas. Então eu pensei mais sobre todo mundo que cozinha ao meu redor. Mesmo se for uma comida horrível eu vou apreciar. Vou apreciar o preparo daquela pessoa. – observei as mulheres trabalhando com muito afinco.

— Não sei se consigo... Mas é uma atitude muito boa. – Ele deu uma piscadinha e voltou para o lugar dele. Ele comia aquela gororoba com tanta vontade que eu fiquei com vontade de comer também. Dei uma primeira garfada e senti o gosto da carne com muito, mais muito alho. Fiz ânsia na hora e tomei um copo de leite pra tentar tirar o gosto da minha boca. Ele sorriu.

— Com calma gracinha. – Ele me serviu mais água. – Você falou e falou e não me respondeu o que eu perguntei.

— O quê?

— Se você está feliz.

— Ah! Isso... – sorri um pouco sem graça- Claro... Eu tenho um namorado, tô num curso difícil, tenho uma casa de frente para o mar... tudo isso é perfeito. Uma vida perfeita.

— Você não acha que viver em tanta perfeição assim não é um pouco sem graça? – perguntou comendo minhas almôndegas.

— Valentina! – Meg pulou na minha frente sorrindo e seu sorriso abriu ainda mais quando viu o Nicholas sentado ali. – Oi calouro.

— Se juntar meus anos de faculdade acho que eu que sou o veterano por aqui. – Ele brincou e ela sorriu. – Eu vou indo tá? Tenham uma boa conversa mocinhas. — Sorriu piscando e se levantando em seguida.

— Como ele é maravilhoso.

— É... Eu não posso negar. – sorri e ela me jogou um bolinho.

Droga.

Se mudar é bom. Viver junto melhor ainda. Mas... a bagunça.. É um demônio.

Tinha meia do Fred por todo lugar. Livros, teses, folhas, roupas, jalecos, prato por todo o lugar. É faz exatamente um dia que estamos morando juntos.

— Tô em casa. – Fred anunciou ao entrar em casa e tirou o tênis na porta de casa.

— Oi! Bem, você tá muito...

— Tô cansado não enche. – reclamou subindo as escadas.

— Fred! Preciso de ajuda pra limpar a casa e...

— já disse que não posso Valentina. – só ouvi a porta do quarto batendo em resposta.

Droga Fred. Mais que droga.

Depois da casa limpa, organizada e cheirando a limpeza, coloquei umas batatas doces para cozinhar e me sentei ao lado da lareira para tentar estudar pra aquela merda de prova semestral.

Minha cabeça estava explodindo. Lendo e lendo e a matéria não entrava na minha cabeça. Uma música super alta começou a tocar. Musica clássica. Me levantei irritada e subi apressadamente e bati de uma maneira bem grosseira na porta do quarto dele. Ele abriu a porta com uma cara azeda.

— Mano. Qual é a sua? Eu preciso estudar caramba! – minha voz já foi se alterando. Ele arqueou uma sobrancelha.

— Um veterano me convidou pra assistir um concerto com ele. Eu preciso ouvir alguma coisa pra ter sobre o que comentar.

— Sério isso? Você não pode ouvir na merda do fone de ouvido? – perguntei nervosa.

— Qual o seu problema Valentina?

— O meu?! Qual que é o seu problema? — Apontei pra ele.

— Meu problema? Eu vou falar qual é o meu problema. Para de me vigiar. Para!

— Eu não estava te vigiando! Eu fui só olhar o que você tava fazendo!

— Isso é vigiar pra mim.

— Você precisa se tratar – olhei séria pra ele. Fred apenas suspirou e pegou em minha mão.

— Tina... desculpe. É que eu não consigo ser controlado. Eu não quero brigar por isso.

— Eu não estou controlando você, porra! – puxei a minha mão de volta.

— Podemos conversar sem xingar?! – pediu alterando a voz – Eu não estou xingando então você não precisa disso também.

— Ok Alfred. Faça como quiser. Continue achando que eu te controlo e continue ouvindo essa música de merda. – Fechei a porta com força.

Argh!

Ele não tentou falar comigo na manhã seguinte. Ele sempre me dava um gelo quando a gente discutia. Era um saco. Fomos em silêncio para a universidade e depois cada um seguiu seu caminho. Fui diretamente para a biblioteca estudar por que eu sentia que ia bombar nessas provas finais. Merda.

Eu precisava ir bem nessas provas por que era como uma garantia de que eu ia conseguir me virar longe da minha mãe.

Depois de algumas horas estudando, meu celular vibrou no bolso do casaco. Atendi.

— Meg eu tô na biblioteca. Não posso falar. Beijo. – e desliguei voltando a me concentrar nos meus estudos.

Eu estava frustrada com o Alfred. Poxa. Eu sempre tentava deixar tudo bem entre a gente mas ele sempre quer as coisas só do jeito dele. Eu nunca tentei o controlar. Sempre apoio ele em tudo, mas ele nem procura me entender ou conversar comigo sobre o que eu quero.

— Tsc. Tsc. – senti alguma coisa gelada na minha testa. Olhei para cima e vi um lindo par de olhos verdes me observando com uma expressão de dúvida. – eu vivia com essa ruga no meio da testa – comentou pressionando o polegar entre minhas sobrancelhas.

— Oi Nicholas. – Sorriu um pouco cansada pegando a latinha que ele havia me dado.

— Trouxe uma coisa pra você.

— O que ?

— Minhas anotações do primeiro da faculdade. – Ele me entregou uma pasta de couro marrom com muitas folhas dentro. Muitas mesmo. Sem brincadeira.

— Obrigada! – agradeci animada estendendo a mão para pegar a pasta mas ele a tirou rapidamente.

— Tem uma condição.

— Tava demorando. O que é?

Notas finais
COMENTEM!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.