O peso dos vivos

Seraphine já havia visto muitos homens mortos. Audrey Walker era o primeiro que lhe dava trabalho para parecer um.

Deitado no consultório emprestado de Aurelian, ele mantinha os olhos fechados com um esforço que ela conseguia perceber. A tensão junto à boca, a impaciência dos dedos, a respiração que precisava vigiar. Até imóvel, parecia prestes a questionar alguma coisa.

— Se continuar contraindo o maxilar, vai parecer contrariado.

Audrey abriu um olho.

— Estou contrariado.

— Os mortos costumam guardar isso para si.

Ela tornou a examinar a cena montada. Os sinais do embate precisavam contar uma história simples: o homem que a ameaçara no necrotério havia voltado; dessa vez, não sairia andando.

John reconheceria o perigo. Reconheceria, sobretudo, o papel que ela precisava continuar desempenhando.

Uma médica da DFI que se envolvera numa situação da qual já não conseguia sair sozinha.

Seraphine conferiu o que estava ao alcance dos olhos e o que precisava permanecer escondido. Aurelian lhe emprestara o consultório. Agora cabia a ela impedir que aquele favor o arrastasse para dentro de um problema maior.

Marcos e Annabeth aguardavam no carro, próximos dali. Audrey aguardava sob suas mãos.

Por um instante, Seraphine encontrou nisso uma familiaridade desconfortável. A disposição do corpo. A luz sobre o rosto. A atenção dirigida aos pequenos sinais que escapavam aos outros.

Então ele respirou mais fundo, e a semelhança acabou. Precisava lembrar disso. Não estava trabalhando sobre um morto. Estava prometendo a um homem vivo que conseguiria devolvê-lo aos companheiros.

— Não gosto desse plano — murmurou Audrey.

Seraphine ergueu os olhos.

— Já registramos sua opinião.

— E se o tal John resolver confirmar?

Ela demorou um pouco mais do que gostaria para responder.

— Eu cuido dele.

Audrey a observou. Não havia confiança naquele olhar. Havia a decisão de participar apesar dela.

Seraphine cobriu-o e foi até o telefone. Quando John atendeu, deixou a voz perder a firmeza habitual.Não precisou fingir tudo.

— Preciso de você.

***

Ele chegou com outro homem.

Seraphine registrou o comparsa antes de permitir que o alívio aparecesse em seu rosto. Não estava previsto. Também não podia pedir que fosse embora sem transformar urgência em suspeita.

John olhou para ela, depois para o corpo.

— É ele?

Seraphine assentiu.

Ela mostrou o suficiente da cena. Explicou menos do que John poderia desejar, oferecendo frases entrecortadas, uma mão que demorava a se afastar da outra, o olhar voltando ao homem coberto.

John preencheu parte dos silêncios por conta própria. Era isso que ela esperava.

— Eu não posso deixar isso aqui — disse. — Preciso que me ajude a levá-lo. Ao mar.

John se aproximou.

Seraphine acompanhou cada movimento.

Quando a mão dele tocou o corpo, alguma coisa se fechou dentro de seu peito.

Audrey permaneceu imóvel.

Ela também.

O exame casual terminou sem uma pergunta que arruinasse tudo.

John chamou o comparsa. Os dois ergueram o corpo, e Seraphine precisou suportar o modo como o transportaram: o peso distribuído sem cuidado, a cabeça que ela teve vontade de amparar, a facilidade com que um homem deixava de ser tratado como pessoa quando os outros o julgavam morto.

Seguiu-os até o carro.

Ao entrar, procurou por Marcos e Annabeth sem virar ostensivamente a cabeça.

Não os viu. Disse a si mesma que isso era bom, tinham sido discretos.

***

As ruas começaram a mudar.

Seraphine percebeu primeiro pelo tempo. Depois pelas curvas. A cidade conhecida foi ficando para trás, substituída por trechos que não correspondiam ao caminho que imaginara.

Olhou pela janela.

— Para onde estamos indo?

— Baixafaire.

— Eu disse o mar.

John continuou olhando à frente.

— Eu ouvi.

O homem ao lado dele não se virou.

Seraphine sentiu o tecido do banco sob os dedos. Afrouxou a mão antes que alguém percebesse o aperto.

Atrás deles, Audrey permanecia entregue à própria encenação. Não podia protestar. Não podia sequer perguntar. Toda a responsabilidade pelo desvio estava, agora, com ela.

Quando chegaram à base militar, Seraphine compreendeu que não conhecia John tão bem quanto julgara.

O acesso, os guardas, a facilidade com que o carro foi admitido: nada precisava ser explicado a ele.

— Que lugar é este?

John lançou-lhe um olhar breve.

— O Poço.

Seraphine voltou o rosto para a frente. O apelido permaneceu em sua cabeça.

O Poço.

Ela procurou avaliar o terreno, as distâncias, as saídas. Não tinha informações suficientes. O carro avançava, e a cada trecho percorrido ficava mais difícil sustentar a ideia de que ainda conduzia o próprio plano.

Sob a cobertura, Audrey era um homem que confiara nela o suficiente para ficar indefeso.

Seraphine sentiu náusea.

Conhecia a morte quando já estava consumada. Sabia se aproximar, examinar, procurar nela o que os outros não suportavam ver.

Ali, porém, a morte ainda podia acontecer. Por culpa dela.

— John.

Ele não respondeu imediatamente.

— John, precisamos pensar!

— Já pensamos.

A frase lhe pareceu intolerável. Ela quase olhou para o corpo.

Conteve-se.

Se demonstrasse preocupação com Audrey, perderia tudo. Precisava demonstrar preocupação consigo mesma.

Essa parte era fácil de acreditar.

— Ele é policial.

— Disse que era.

— E esteve no necrotério. Foi visto comigo. Com você.

John voltou os olhos para ela.

Seraphine sustentou o olhar, embora tivesse consciência do esforço.

— Se desaparecer, vão reconstruir os últimos lugares em que esteve. Vão fazer perguntas à DFI. Vão chegar a nós.

— Agora você está preocupada com isso?

— Agora você está me levando para dentro de uma base militar com o corpo dele.

O comparsa se mexeu no banco.

Seraphine baixou a voz.

— Eu pedi que me ajudasse a sair de um problema. Não que criasse um que ninguém vai conseguir explicar.

John permaneceu em silêncio.

O carro continuou por mais alguns instantes.

Ela precisou deixar que a objeção trabalhasse sem preenchê-la com palavras desesperadas. Sentia o coração bater no pescoço. A vontade de mandar que parassem era tão forte que seus dentes começaram a doer.

— No mar — insistiu. — Como combinamos.

John soltou o ar com irritação.

Por um momento, Seraphine acreditou que ele recusaria.

Então mandou voltar.

Ela assentiu uma única vez.

O alívio não chegou.

Audrey ainda estava no carro.

Ainda estavam dentro do Poço.

***

Atrás deles, Annabeth havia esperado até não conseguir mais.

A demora deixara de parecer parte do plano. O acesso à base tornava o acompanhamento impossível, e cada minuto acrescentava uma possibilidade pior à anterior.

Marcos olhava para o caminho pelo qual o carro desaparecera.

— Se entrarmos à força, não chegamos até eles.

Annabeth já estava procurando o telefone.

— Então não vamos entrar à força. Infelizmente, tenho uma opção. Vai custar caro, mas preciso fazer algo.

Entrou na guarita e pediu para usar o telefone pois era uma emergência. Ligou para a mãe.

Precisou escolher depressa o que dizer, o que omitir e quanto da urgência deixar atravessar a voz. Do outro lado, houve perguntas. Annabeth respondeu ao necessário. Aceitou o que foi imposto. Depois aguardou.

Quando o guarda recebeu a ordem de liberar sua entrada, ela não permitiu que o próprio espanto atrasasse o movimento.

Chamou Marcos. Os dois seguiram em direção ao carro de John. Encontraram-no voltando.

***

O carro parou abruptamente. John se moveu. O comparsa também.

Uma porta abriu, vieram vozes, uma ordem para que ela saísse. Era Marcos.

Seraphine precisou impedir que seu corpo reagisse ao reconhecimento com alívio. Annabeth estava ali.

O resgate tinha de parecer outra coisa. Seraphine recuou no banco.

— O que vocês querem?

A pergunta saiu mais alta do que pretendia.

Marcos a puxou para fora, e ela resistiu o suficiente para tornar o gesto convincente. Annabeth, lhe deu uma coronhada, mandou que ficasse quieta. Já se dirigia ao corpo. John disse alguma coisa atrás dela.

Seraphine não conseguiu distinguir as palavras. A atenção estava toda em Audrey, no cuidado disfarçado de pressa com que o retiravam, na possibilidade de ele se mover antes da hora.

Não se moveu. Ela deixou que a conduzissem.

Protestou. Chamou John pelo nome. Sentiu a mão de Marcos apertar seu braço como uma resposta silenciosa: continue.

Então estavam no carro.

Então estavam saindo.

Seraphine permaneceu tensa até perderem o outro veículo de vista.

Só quando Audrey se moveu ela conseguiu respirar inteiramente. Ele ergueu o rosto, pálido de cansaço e irritação. Ela olhou para ele. Não encontrou uma frase que servisse.

John, ao que podiam ver, seguiu seu caminho.

***

Na biblioteca, tudo pareceu pequeno demais para o que haviam acabado de trazer consigo.

As mesas, as estantes, os papéis: Seraphine precisava de alguns minutos para acreditar que não havia um guarda prestes a entrar e pedir que voltassem.

Annabeth procurou registros, preocupada com o acordo que precisava cumprir.

Marcos foi para casa contatar seus informantes.

Audrey anunciou que falaria com um contato.

Seraphine recolheu as anotações, mas não as abriu. Não suportava mais uma sala fechada.

Talvez fosse até a ponte. Talvez apenas caminhasse. Queria estar num lugar em que pudesse escolher a direção seguinte sem depender do homem ao volante.

Saiu e tomou um táxi.

Nenhum deles percebeu que estava sendo seguido.

***

Quando o carro parou, Seraphine ainda olhava pela janela. A princípio, julgou ser um atraso comum. Então viu John.

Seu corpo reconheceu o perigo antes que ela terminasse de compreender a cena. A porta abriu.

— Desça.

Ela tentou avaliar o motorista, a rua, as pessoas ao redor. John não lhe deu tempo. A arma apareceu junto à sua cintura, abrigada dos olhares pela proximidade entre os dois.

— Sem chamar atenção — sussurrou, perto demais.

Seraphine desceu. Sentiu o contato do cano através do tecido.

A cada passo, precisava corrigir o impulso de se afastar. John caminhava perto o bastante para parecer acompanhá-la. Quem olhasse depressa veria apenas duas pessoas seguindo juntas. Entrou, em silêncio, no carro do agora algoz.

Foi isso que mais a assustou.

Chegaram ao cais. Um barco aguardava.

Seraphine atravessou o acesso tentando manter o rosto sob controle. O cheiro da água, da madeira úmida e do combustível lhe pareceu intenso demais. Tempo demais esperando pelo incerto. Até que o chefão apareceu.

Não lhe ofereceram tempo para formular outra versão dos acontecimentos. Christopher estava à espera de uma resposta.

— Sabemos da sua ligação com a Candela.

Seraphine olhou para ele. A frase retirou da conversa qualquer possibilidade de inocência.

— Estou infiltrada.

Christopher deixou o silêncio se prolongar. John permaneceu perto.

— Foi isso que disse a eles também?

Ela sentiu a pergunta como um deslocamento do chão.

— Meu trabalho exige contato.

— Seu trabalho exige encenar um sequestro?

Seraphine não olhou para John. Não podia descobrir, pelo rosto dele, quanto sabiam.

— O que aconteceu me permitiu continuar próxima.

Christopher a examinou.

Ela sustentou a própria versão. Repetiu o necessário, tomou cuidado com os nomes, recusou o impulso de explicar tudo. Explicações longas ofereciam lugares onde alguém podia encontrar contradições.

Mas não havia frase capaz de devolver a segurança que possuíra naquela manhã.

Quando a deixaram sair, Seraphine entendeu o que havia mudado.

Agora precisaria prestar contas de cada aproximação, cada ausência, cada informação que demorasse a entregar. Caminhou para longe do barco sem pressa.

Só depois percebeu que mantinha as mãos rígidas ao lado do corpo.

***

Audrey estava no cais por outra razão…

Seu contato era um pescador. A conversa o levara até ali, e foi durante uma pausa que viu Seraphine.

John estava com ela.

Audrey acompanhou a movimentação de longe. Viu os dois caminharem até o barco. Viu que ela entrou.

Não viu a arma contra sua cintura.

A distância apagou exatamente aquilo de que precisaria para compreender. Restou-lhe a imagem de Seraphine acompanhando o homem que os levara ao Poço. O desconforto da manhã encontrou uma explicação. Uma explicação fácil demais.

Quando voltou à biblioteca, Marcos já havia retornado. Annabeth continuava entre os registros. Audrey não se sentou.

— Eu vi Seraphine no cais.

Annabeth levantou os olhos.

— Na ponte?

— No cais. Com John.

Marcos ficou imóvel.

— Tem certeza?

— Eu reconheço o homem que atirou em mim.

— E o que estavam fazendo? — perguntou Annabeth.

— Foram até um barco. Ela entrou com ele.

Annabeth fechou o livro, mantendo um dedo entre as páginas.

— Você falou com ela?

— Não.

— Então não sabe por quê.

Audrey apoiou a bengala junto à mesa.

— Depois do que aconteceu hoje, ela vai encontrar John e não diz nada a ninguém?

Marcos passou a mão pelo rosto.

— Pode ter sido obrigada.

— Não foi o que pareceu.

Annabeth olhou diretamente para ele.

— Você estava perto o bastante para saber?

Audrey hesitou. Pouco, mas Marcos percebeu.

— Eu vi os dois juntos — respondeu.

A suspeita permaneceu sobre a mesa. Nenhum deles sabia o que fazer com ela.

Quando a porta abriu, os três se voltaram.

Seraphine parou à entrada. Entendeu imediatamente que alguma coisa a precedera.

Audrey se adiantou.

— Como foi a conversa com John?

Ela sentiu o cansaço se transformar em atenção.

— O quê?

— No barco.

Seraphine olhou para ele por alguns segundos. Então compreendeu.

— Você estava lá.

— Estava.

— Você me viu.

— Vi você acompanhá-lo.

O silêncio dela pareceu confirmar o que ele já decidira. Audrey aproximou-se mais.

— Era isso desde o começo? Fazer a gente confiar em você?

Marcos se levantou.

Annabeth deixou o livro sobre a mesa.

Seraphine olhou de um rosto para o outro.

Ainda sentia a arma de John contra a cintura.

Ainda ouvia Christopher.

E agora Audrey a observava como se tivesse voltado apenas para terminar uma mentira.

— Cuidado com o que vai dizer — falou.

— Você nos entregou?

Marcos ergueu a arma. Seraphine viu. A boca do cano apontava para ela.

Por um instante, a biblioteca desapareceu sob a sobreposição de tudo: o carro, o Poço, o cais, o barco. Havia passado o dia tentando manter Audrey vivo, proteger o disfarce, sair das mãos de John. Voltava e encontrava outra arma.

Seu rosto mudou.

— Então atira.

Marcos não baixou a mão.

— Seraphine…

— Atira!

A voz dela atravessou a sala.

Annabeth se moveu.

Marcos puxou o gatilho.

O mecanismo estalou.

Nada mais.

A arma estava descarregada. Seraphine não se mexeu. Olhou para a mão dele, depois para seu rosto. O silêncio que veio depois pareceu exigir uma reação que ela não tinha como oferecer.

Audrey começou a falar. Ela o interrompeu.

— Você me viu no cais. Viu John me levando para um barco. E voltou para contar que eu fui porque quis.

— Foi o que…

— Você não chegou perto.

Ele fechou a boca. Seraphine continuou, agora mais baixo:

— Não perguntou. Não tentou descobrir. Mas conseguiu chegar antes de mim para decidir o que eu era.

Annabeth pronunciou seu nome. Ela já estava se afastando. Na porta, voltou o rosto para Marcos.

— Vem comigo.

***

No corredor, Seraphine precisou apoiar a mão na parede. A raiva ainda a sustentava, mas começava a deixar espaços.

Marcos parou a uma curta distância. Não estava mais com a arma erguida. Ela não olhou para suas mãos.

Contou tudo. O táxi interceptado. John. A arma contra sua cintura. O caminho até o barco. Christopher dizendo que conheciam sua ligação com a Candela.

A insistência de que estava infiltrada. A certeza de que, agora, qualquer passo em falso poderia ser o último.

Marcos ouviu sem interromper.

Quando terminou, Seraphine percebeu que havia falado depressa demais. Respirou.

— Eu não confio nos outros dois.

Marcos manteve os olhos nela.

— Depois de hoje, não vou fingir que confio. Nunca vou trair este grupo, mas não faço questão de demonstrar nada por eles.

A frase saiu firme.

Era a única coisa, naquele momento, que podia oferecer sem calcular a quem serviria.

Marcos demorou antes de responder.

— Eu acredito em você.

Seraphine soltou uma risada curta, sem alegria.

— Há pouco apontou uma arma para mim.

Ele baixou o olhar. Não tentou tornar o gesto menor.

— Eu sei.

Ela esperou. Marcos tornou a olhá-la. Havia alguma coisa em sua expressão que ela ainda não conhecia.

— Você me lembra de uma época boa.

Seraphine franziu ligeiramente a testa.

Ele procurou as palavras, mas não parecia disposto a transformar aquela lembrança numa história inteira.

— De algo que eu tive. Antes.

Ela permaneceu em silêncio. Pela primeira vez naquele dia, alguém a observava sem procurar uma prova. Isso tornou mais difícil manter o rosto imóvel. Seraphine afastou a mão da parede.

— Christopher sabe o suficiente para me vigiar. John também. Não sei quanto tempo temos antes que decidam verificar a minha versão.

Marcos assentiu.

— Então começamos por isso.

Ela abriu o caderno. Precisavam registrar o que fora dito, separar o que os perseguidores sabiam do que apenas suspeitavam e encontrar uma forma de continuar a investigação do circo sem conduzi-los até cada descoberta.

Marcos se aproximou para olhar as páginas. Seraphine permitiu.

Do outro lado da porta, Audrey e Annabeth ainda estavam na biblioteca. A conversa com eles não poderia ser evitada por muito tempo. Mas primeiro ela precisava conseguir pensar.

Escreveu o nome de Christopher. Depois o de John. Marcos indicou um espaço na folha, e ela acrescentou o Poço.

O plano anterior terminara com uma arma encostada em seu corpo e outra apontada para seu rosto. O seguinte teria de considerar coisas que ela deixara de fora: quem os seguia, quem controlava os acessos, quem acreditaria em qual versão. E quanto custaria esperar.

Seraphine ergueu os olhos.

— Estamos ficando sem tempo.

Marcos puxou uma cadeira.

— Então me diga por onde começamos.

Ela olhou para a página. Ainda havia perguntas demais. Dessa vez, porém, não precisava responder a todas sozinha.

— Precisamos descobrir logo o que está escondido nesse circo...