O Mal se levanta novamente
13 O Assalto - terceira parte
Notas iniciais
Os dois assaltantes galopam rápidos pela Mill, assustando os transeuntes surpresos, que pulam e saltam para os cantos da rua, para não serem atropelados ou atingidos.
Subitamente, os dois cavalos param e refugam, ficando sobre as patas traseiras e se recusando a seguir adiante.
Diante dos animais vários círculos de energia brilhante pulsam sobre o pavimento da Mill, soltando faíscas e pequenos raios nas direções ao redor.
—_Uoooooooooouuu... uooooooooooou... calma!!! Calma!!! Pierre, e também Willborn, tentam controlar suas montarias, mas os animais ficam cada vez mais assustados com os campos de energia e acabam por derrubar os cavaleiros.
Pierre e Willborn desabam contra o pavimento. Não só eles. Suas mochilas, repletas de moedas de cristal, ainda que presas às selas, também caem contra o solo. A mochila de Pierre ainda permanece fechada, mas a de Willborn se abre, derramando centenas, quiçá milhares de moedas azuladas na rua.
Willborn, percebendo a aproximação dos perseguidores, tanto guardas como transeuntes, se levanta rapidamente e, notando que sua mochila se abrira, espalhando o conteúdo pela rua, pega a mochila de Pierre e corre na direção de um beco localizado na calçada da Mill, no lado sul da rua.
Pierre, deitado no chão e ainda um pouco atordoado, percebe a fuga de Willborn, levando sua mochila. O assaltante tenta balbuciar algumas palavras para o seu comparsa: —_Will... espere...
Como Willborn acaba por desaparecer através do beco, levando sua mochila, Pierre tenta se levantar, mas sente um objeto pontiagudo e frio pressionando sua garganta e um peso sobre seu peito, como se alguém apoiasse o pé sobre ele.
—_Na, na, ni, na, não... tsc, tsc... quietinho aí no chão.
Pierre olha para cima e para frente e vê uma bela e jovem guerreira de pé, apoiando a bota direta sobre seu peito e forçando a ponta de um florete contra sua garganta.
Pierre, apesar da situação, ainda consegue brincar, ao observar, deitado no chão, as pernas torneadas da jovem, cujas formas se deixam mostrar através de uma apertada calça de veludo: —_Bem, pelo menos a vista daqui é interessante...
—_Engraçadinho... Responde a jovem, demonstrando até se divertir com a espécie de galanteio de Pierre. Mas depois continua, em um tom um pouco mais sério: —_Para onde você vai, não sei se manterá esse senso de humor... Neste instante a jovem parece reconhecer seu prisioneiro: —_N-não p-pode ser... Pierre...
Pierre, deitado, ainda não consegue observar detalhadamente o rosto da jovem, devido também à claridade do céu por detrás de sua captora, Reconhece então a voz. Cerra os olhos um pouco e consegue divisar as feições da guerreira: —_T-Turvy...
Ao lado do casal, outra jovem, idêntica à que mantém Pierre cativo, tenta acalmar os cavalos assustados com os campos de energia, segurando suas rédeas e acariciando seus pescoços: —_Oooou... calma cavalinhos, calma... não tenham medo... Na medida em que os campos de energia perdem força, os animais se acalmam.
—_T-Topsy... Balbucia Pierre, após conseguir direcionar o olhar para o lado, apesar da presença da ponta do florete de Turvy, pressionando sua garganta. —_F-foi você quem gerou esses campos de energia?
—_Pierre??? Surpreende-se Topsy. —_M-mas o que você...
Pierre então suplica a Turvy: —_Turvy... ajude-me, deixe-me ir, por favor...
A jovem se perturba com a súplica e não sabe o que responder: —_E-eu...
Mas não há mais tempo algum. Uma multidão composta de soldados, transeuntes e mesmo um destacamento montado de guardas do Portão Norte, que se somaram aos perseguidores, chega ao local, cercando as duas guerreiras e Pierre, que permanece deitado, sob a ponta do florete de Turvy.
—_Muito bem, moças!!! Diz um sargento corpulento. —_Podem deixar que nós cuidamos dele, a partir de agora.
Vários guardas levantam Pierre do chão, de modo brusco, o desarmam, estendem seus braços para os lados e os amarram a uma lança, dando ao corpo do guildano um formato de cruz. Um outro guarda amarra uma corda no pescoço do agora prisioneiro.
—_Aaai... geme o assaltante, sentindo dores devidas aos modos brutos com que os guardas o movimentam.
—_P-por favor, não o machuquem. Diz uma perplexa Turvy.
Um guarda toma as rédeas das mãos de Topsy: —_Pode deixar que nós cuidamos das montarias dos assaltantes; obrigado moça.
A multidão que se aglomera ao redor da cena começa a perceber as moedas de cristal espalhadas pelo chão, provenientes da mochila de Willborn, que se abrira devido à queda dos cavaleiros.
—_Não toquem nessas moedas!!! Elas pertencem ao Banco de Venore!!! Quem pegar umazinha apenas será indiciado como cúmplice de assalto!!! Se afastem das moedas!!! Grita o sargento para a multidão. Em seguida dá ordem aos soldados para que procedam ao recolhimento do dinheiro. O sargento também recolhe, do chão, a mochila de Willborn, que ainda contém um bom número de moedas em seu interior.
Turvy e Topsy conversam discretamente, um pouco atônitas. —_O que fizemos, Topsy? Ajudamos a prender um amigo...
—_Como poderíamos saber, Turvy? Indaga Topsy. —_Para nós eram apenas dois assaltantes em fuga, vindo em nossa direção... por isso gerei os campos de energia, para assustar e parar os cavalos...
Nesse ínterim, Willborn tenta atravessar o beco no qual se encontra, em direção a uma espécie de largo gramado, que conduziria, como um atalho, para a The City Wall. Para por alguns segundos, atraído por enormes explosões que parecem ecoar desde o Portão Leste. Naquele exato momento Cardomius e Tomazzo tentavam ultrapassar a guarnição do Portão para se evadirem da cidade.
Refeito após alguns momentos de indecisão e nervoso com a possibilidade dos perseguidores entrarem no beco, Willborn tenta se movimentar novamente, mas escuta um baque surdo contra uma das paredes que delimitam o beco, e sente a manga de seu sobretudo puxá-lo contra a mesma parede. Isso faz com que deixe a mochila de moedas cair contra o solo.
—_Mas que raios... Indaga-se, nervoso, o arqueiro. Ele percebe que uma flecha atingira de modo preciso a manga de seu sobretudo, na altura do pulso esquerdo, prendendo-o contra a parede.Tenta retirar a flecha com a mão direita mas um segundo disparo prende agora a outra manga do sobretudo. Preso pelos dois braços, Willborn se volta para ver quem o aprisionara daquele jeito.
René Lisek vem caminhando no beco, com sua besta na mão. Quando chega perto do infeliz assaltante, seu rosto é tomado por uma expressão de perplexidade, e o jovem paladino da Adaga balbucia: —_Will... m-mas o que você está... v-você, você...
Willborn reconhece seu captor e suplica: —_René... me ajuda, cara... me solta. Há muito dinheiro nessa mochila... eu divido com você! Diz um desesperado Willborn, olhando para a mochila caída na grama.
René não sabe como reagir, apenas olha, perplexo, para a mochila. A recolhe, abre e observa a enorme quantidade de moedas dentro do recipiente.
—_Pelos velhos tempos, René! Me ajuda, por favor! Implora um cada vez mais desesperado Willborn.
Mas não há nada mais a fazer. Nesse exato instante mais de vinte soldados irrompem no beco, vindos da Mill e do largo ao sul. Um sargento, que os lidera, retira bruscamente a mochila das mãos de René: —_Nós ficamos com isso, arqueiro. Obrigado por deter o assaltante.
Os soldados retiram as flechas que prendem Willborn contra a parede e, do mesmo modo como os outros guardas fizeram em relação a Pierre, prendem os braços estendidos do arqueiro a uma lança e amarram uma corda em torno de seu pescoço. Em seguida o conduzem para a Mill, para perto de onde se encontra Pierre.
René permanece parado no beco, observando tudo, ainda perplexo e sem saber o que fazer ou o que dizer.
Willborn é trazido para junto de Pierre, na Mill. A multidão se aglomera ao redor dos soldados e dos prisioneiros. Mais e mais transeuntes e perseguidores vão chegando ao local da captura. Com eles chegam também Addae e os outros jovens. Um burburinho começa a reverberar entre os cidadãos ali presentes até alcançar o tom de gritos: —_Lincha!!! Lincha!!! Enforquem-nos aqui mesmo!!! Algumas pedras e objetos são lançados contra os dois assaltantes.
Felix embarca na onda e grita: —_Lincha!!! Lincha!!!
Cadi, por sua vez, também grita: —_Lincha!!! Lincha!!!
Addae e Struggle sentem um certo desconforto com os pedidos da multidão e de seus amigos, e não se manifestam.
É Lara quem intervém: —_Felix! Cadi! Estão malucos? O que deu em vocês? Não fiquem incentivando essa barbárie e essa covardia! Eles já estão imobilizados e presos. Parem de gritar essas coisas!
Felix e Cadi ficam um pouco constrangidos, até mesmo um pouco envergonhados com a descompostura passada por Lara, e se calam.
Turvy e Topsy, aflitas com a situação dos dois assaltantes, por elas conhecidos e por elas detidos, tentam censurar e calar os transeuntes que pedem o linchamento, sem muito sucesso, no entanto, pois são muitos os que pedem o justiçamento.
Como boa parte da multidão continua pedindo o linchamento dos dois guildanos presos, um dos sargentos presentes, um homem alto e forte, enfrenta os populares com coragem e grita: —_Estes homens estão sob a custódia da Guarda Real! Serão levados ao Xerife! Quem quer que fique incentivando o justiçamento será levado preso também! Fui bem claro?
O sargento consegue se impor e os cidadãos que pedem o linchamento momentaneamente se calam.
Os guardas, com lanças em riste, formam um cordão de isolamento ao redor dos prisioneiros. Os guardas montados que vieram do Portão Norte abrem caminho entre a multidão na Mill e a escolta começa a se movimentar na direção da esquina com a Temple, com Willborn e Pierre sendo puxados pelas cordas atadas a seus pescoços.
O cortejo avança sob os olhares da população aglomerada na rua. Aqui e ali um ou outro transeunte ainda ensaia um pedido de linchamento, mas a atitude resoluta da guarda desencoraja qualquer movimento nesse sentido. Uma senhora, perto de Addae e de seus amigos, lamenta o ocorrrido: —_Justamente quando Thais recebe as delegações estrangeiras para as negociações de um tratado, isso acontece. Que vergonha para a capital...
Turvy e Topsy permanecem paradas em frente à loja, com semblantes tristes, olhando a multidão se afastar. René vem caminhando para junto delas, com sua besta na mão.
—_Olá meninas... Diz o arqueiro, em um tom melancólico. —_Simplesmente acabei de ajudar a prender um velho amigo. Só percebi que era o Will depois de “grampeá-lo” à parede do beco ali...
—_René... Responde Turvy, ainda bem triste. —_Soube através de Mestre Arturos que você estava na cidade... o outro assaltante era o Pierre... Topsy deteve os cavalos com campos de energia e eu o imobilizei no chão.
—_O outro era o Pierre??? Espanta-se René. —_Mas o que deu naqueles dois?? Nunca os imaginaria cometendo um assalto...
—_Nem eu... Diz Topsy. —_Os mesmos Pierre e Will que sempre se sentavam à nossa mesa na taverna de Maria, em Venore... apesar de pertencerem a outra guilda...
—_Segundo me disse um senhor ali atrás, eles não estavam sozinhos nessa. Parece que tinham mais dois cúmplices que acabaram conseguindo fugir pelo Portão Leste. Diz René.
Um outro senhor, que trabalha na loja juntamente com Turvy e Topsy, vendendo móveis, intervém: —_Por que estão tão tristes, meninas? Vocês fizeram o certo. Ajudaram a prender aqueles vagabundos.
Turvy, ao ouvir isso, fuzila o comerciante com o olhar, mas não responde, apenas vai andando para o interior da loja, um pouco cabisbaixa.
—_O que eu disse de errado??? Indaga o comerciante a Topsy e a René.
—_Você não sabe quem são aqueles “vagabundos”, Gammy. Não diga besteiras. Responde Topsy, também se encaminhando para a loja.
—_Eles são velhos amigos nossos de Venore, Gammy. Responde René. —_Não foi propriamente uma situação agradável vê-los assaltando e sendo presos.
—_Ah... puxa... eu não sabia... Responde o vendedor.. —_Bem, de qualquer maneira vão receber o que merecem, conhecidos ou não... mas que bom revê-lo, René. Não sabia que estava em Thais. Quando tiver um tempinho venha ver as novidades em termos de mobília. Tem umas cadeiras novas que são um charme só... e as escrivaninhas então... aliás, se quiser dar uma olhada agora mesmo...
—_Uma outra hora, Gammy... uma outra hora... Responde um ainda melancólico René, se encaminhando para o outro lado da rua.
Já perto da esquina com a Temple, o cortejo para a condução dos prisioneiros vai atraindo um número cada vez maior de curiosos. Os guardas montados do Portão Norte que tinham se juntado à perseguição, retornam à sua guarnição, deixando aos soldados do Portão Sul e a outros pertencentes às rondas ordinárias a tarefa de levar os dois assaltantes até o Xerife.
Quando os militares, os prisioneiros e os transeuntes passam defronte à Alameda do Templo, Sam, Marta, Rosa e os outros adultos chamam Addae, Cadi e os demais jovens.
Addae, tomando a frente, responde de longe por ele e por seus amigos, dirigindo-se a sua mãe: —_Está tudo bem, mãe. Não tem perigo algum. Só vamos seguir os guardas até a Prisão e já voltamos.
Marta. Sam, Rosa, Dona Inge e Gorn fazem expressões de preocupação mas acabam aceitando e deixam os jovens seguirem o cortejo. Genevieve e Tatius observam da alameda curiosos, mas permancem junto aos adultos.
Passando em frente ao Depot, contornando a esquina da Main com a Harbour, Pierre e Willborn são puxados pelas cordas, seus braços estendidos e presos às lanças, como condenados crucificados. Da multidão de vez em quando ainda ecoam pedidos de linchamento e mais objetos são lançados contra os dois assaltantes presos.
Os soldados, apressados, finalmente alcançam as imediações do Portão Sul e entram na rua sem saída que conduz à Prisão. Levam os prisioneiros para o interior do prédio. Os militares que costumam guarnecer a Prisão fazem uma espécie de cordão de isolamento para não permitir a aproximação da multidão que vem seguindo o cortejo.
Dentro do prédio, o Xerife Wyat já aguardava a chegada da escolta com os prisioneiros, estando de pé, atrás do balcão. O recinto se enche de soldados em torno de Pierre e Willborn.
Wyat encara os dois guildanos, com uma expressão não de ira, mas quase de tristeza, melancólica, se poderia dizer. Pierre e Willborn não tem coragem de encarar o Xerife e direcionam seus olhares para o chão.
O Xerife de Thais então diz secamente ao soldado Sewell, postado à sua direita, ao lado do balcão: —_Ponha-os a ferros.
—_Sim, Xerife. Responde Sewell, acenando a seguir para os guardas da escolta, no sentido de que o acompanhem, trazendo os prisioneiros.
Os soldados conduzem os prisioneiros para a sala posterior à do Xerife, tendo o cuidado de colocar Pierre e Willborn em uma posição na qual pudessem transpor a porta, já que seus braços permaneciam amarrados às lanças e estendidos.
O cortejo desce então para o subsolo, onde ficam localizadas as celas.
No andar de baixo, o tumulto e a agitação causados pela chegada dos guardas com os dois assaltantes faz com que os demais prisioneiros nas celas tenham sua atenção desperta. Alguns, que dormiam, acordam. Outros vêm para junto das grades tentando divisar o que ocorre.
Sewell orienta alguns soldados da escolta para que conduzam Willborn ao corredor à direta de quem desce as escadas. Lá, o guildano tem os braços desamarrados da lança e a corda em torno do pescoço retirada. Os soldados o conduzem para o fundo da cela escolhida por Sewell, a última do corredor, no lado esquerdo de quem caminha no sentido do fim do mesmo corredor. Na parede posterior da cela, Willborn tem os braços esticados e presos a duas correntes que pendem do teto. O assaltante emite um gemido de dor e desconforto.
Em seguida, Pierre é conduzido para a cela por ele ocupada até o dia anterior, no corredor da cela de Partos e defronte à cela de Aruda.
Partos coloca o rosto entre as grades e dirige um gracejo a Pierre: —_Eu sabia que você acabaria voltando para a pensão do Xerife Wyat... eu sabia...
Pierre, cabisbaixo, parece sequer ouvir a provocação. Sewell dirige um olhar de repreensão a Partos, que se cala, mas exibe um sorriso sarcástico, como se saboreasse aquele momento, devido à resposta agressiva dada por Pierre, quando saia da prisão no dia anterior.
Aruda também se posiciona junto às grades de sua cela, procurando ver o que se passa.
Após Sewell abrir a cela, os soldados da escolta, junto a outros da guarnição da Prisão, colocam Pierre no fundo da cela, pendurado pelos pulsos em correntes que pendem do teto. Do mesmo modo como no caso de Willborn, Pierre emite murmúrios e gemidos de incômodo e sofrimento..
Aruda, observando tudo de sua cela, no lado oposto do corredor, protesta, indagando a Sewell. —_Por que atá-lo às correntes??? Não basta confiná-lo na cela???
Sewell, de modo ríspido, responde: —_Não se meta nisto, Aruda. Não é da sua conta. Levante as mãos para os céus e agradeça pelo fato do Xerife ter te dado uma pena leve e decidido te liberar hoje lá pelo meio-dia. Fique quietinha aí.
Aruda, com uma expressão de inconformismo, abaixa os olhos devido à reprimenda de Sewell. Mas em seguida, segurando as grades e com um olhar de tristeza e compaixão, passa a observar, entre os soldados que enchem o corredor à frente, a figura de Pierre, cabisbaixo e pendurado às correntes no fundo de sua cela.
No lado de fora da prisão, a multidão começa a se dispersar, percebendo que nada de notável ou diferente acontecerá, após a condução dos assaltantes para o interior da Prisão. A única “atração” é o grande número de soldados e alguns oficiais da guarnição do Portão Sul, misturados aos guardas da mesma Prisão, diante do prédio.
—_Vamos, gente. Não há mais nada para ver. Os assaltantes já estão presos. Diz Lara para Felix e para os demais jovens do grupo.
Os cinco, juntamente com parte dos transeuntes, seguem para a esquina com a Harbour, pegando em seguida o sentido para a Main Street.
—_Voces não reconheceram aquele assaltante louro de bigode? Pergunta Addae para Cadi e para Struggle.
—_Sim. Responde Struggle. —_Ele é um daqueles três que ficaram nos encarando com ar de deboche aqui na esquina com a Harbour. Bem feito, tomara que apodreça na Prisão.
—_E não só isso. Continua Addae. —_O outro assaltante é o que estava preso ontem na cela em frente à da... da... na cela em frente, vocês sabem... Addae, em função da presença de Felix e de Lara, não quer citar Aruda.
—_Como você sabe, Addae? Indaga Cadi. —_O cara estava na cama com um chapéu escondendo o rosto.
—_Pela roupa. Responde Addae. —_A roupa era idêntica, não repararam?
—_Do que vocês estão falando? Pergunta, curioso, Felix. —_Vocês estiveram na prisão, ontem? Foram fazer o quê lá?
—_Err... sabe, o Xerife Wyat é amigo do meu pai e a gente tinha combinado com ele uma visita à Prisão, para conhecer por dentro... curiosidade, entende? Essa visita foi ontem...Responde Cadi
—_Ah... tá...Reage Felix, ainda que com um ar um pouco surpreso.
Lara também fica um pouco intrigada com a conversa de Addae, Cadi e Struggle, mas muda de assunto: —_Bom, gente, eu vou tentar marcar uma visita de vocês três à sede da nossa guilda, por esses dias, antes do embarque. Vou falar com Mestre Valdemar e depois eu procuro vocês. Quero também que a Genevieve e o Tatius participem da visita....
—_Tudo bem. Responde Addae. —_Qualquer coisa me procura na armearia, durante a semana. Aí eu falo com o resto da galera. Quero muito conhecer a sede dos Cavaleiros de Banor.
Os cinco jovens vão subindo a Harbour em direção à esquina com a Main, para em seguida rumarem para a Alameda do Templo, e reencontrarem o resto do grupo maior, com os adultos.
Neste exato momento, na estrada para Thais, um grande cortejo composto por dez soldados montados, fortemente armados, que acompanham e escoltam um grupo formado por dois oficiais do Exército, um sábio de barba e cabelos brancos com uma túnica cinza que o identificam provavelmente como mago ou mesmo um druida, dois adolescentes com indumentárias e capas caras, de ótimo nível, e um homem alto e forte, semblante resoluto e cabelos castanhos claros um pouco grisalhos, cujas vestes indicam ser de linhagem nobre ou ocupante de alguma função de alta responsabilidade no Reino, se aproxima da agência postal que fica no caminho para a Capital.
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