O Mal se levanta novamente
15 O Assalto - quinta parte
Notas iniciais
Struggle, de onde se encontra, um pouco afastado do prédio, junto a Addae e a Cadi, uma vez que os soldados não permitem aos garotos se aproximarem muito do prédio, acena e chama, em voz alta: —Aruda!!! Aqui!!!
Ao avistar os jovens, o rosto de Aruda se ilumina com uma expressão de alegria e, sorrindo, vem rápida na direção de Struggle e o envolve em um caloroso abraço, beijando-lhe a face. Depois repousa a cabeça no ombro do adolescente: —Ah, Struggle... como é bom vê-lo... todos esses dias na cela eu não parava de pensar em você... fiquei tão feliz com sua visita, ontem, junto com os meninos... e mais feliz ainda em vê-lo aqui, me esperando...
Em seguida, Aruda abraça Addae e Cadi: —Obrigada, meninos... vê-los na visita e aqui faz dissipar um pouco o pesadelo e a tristeza de estar ou ter estado em uma cela como aquela...
—Já passou, Aruda... Diz Addae. —Importa agora olhar para frente...
—Verdade... Responde a moça. —Se bem que durante algum tempo as imagens e a sensação de estar naquela masmorra vão permanecer em minha mente... lugar horrível... tenho pena dos prisioneiros...
—Aliás... Intervém Cadi. —Você sabe que aquele cara que estava na cela em frente à sua se envolveu em um assalto, não sabe?
—Sei sim... o Pierre... a gente conversou bastante na Prisão... é um cara bem interessante... tadinho, os guardas o trataram com brutalidade, o amarraram a correntes...
Cadi fica um pouco sem graça diante da compaixão demonstrada por Aruda, em relação a Pierre, pois se lembra que pediu, junto à multidão, que o assaltante fosse linchado.
Struggle e Addae se lembram, por sua parte, que Pierre foi capturado junto de Willborn, sendo seu comparsa, portanto. E Willborn estava junto a Cardomuius e Tomazzo, no dia anterior, quando o trio dirigiu olhares de deboche para os dois adolescentes e também para Cadi, após a visita dos jovens a Aruda, na Prisão. Mas também, como Cadi, resolvem nada comentar a respeito com Aruda.
—Bem, meninos... Diz Aruda. —Me acompanham até minha casa?
—Claro que sim... é para isso que estamos aqui. Responde Struggle, enquanto oferece o braço direito para Aruda, que o segura.
Addae segura a bolsa de Aruda, para aliviá-la do peso.
O grupo vai subindo a Harbour. Struggle então introduz o assunto que para ele é crucial em relação ao destino de Aruda: —Aruda... err... você conhece o Luke, né... o administrador do Porto...
—Conheço e muito bem. Responde Aruda, em um tom de voz que denota uma certa irritação. —Ele não gostava de me ver perambulando pelo Cais. Ou me mandava sair ou mandava algum dos estivadores me dar o recado... na verdade ele desconfiava do esquema... err... o esquema que o Xerife contou para vocês, ontem... das cargas que o Bernie e o Sony... err... surrupiavam
—Os caras que roubavam as cargas para você revender eram o Bernie e o Sony??? Espanta-se Struggle. —Caramba, eu nunca desconfiaria deles dois. Eles vendiam café, chocolate quente e rosquinhas para os estivadores... eu inclusive era freguês deles...
—É... Responde Aruda. —Justamente por isso quase ninguém desconfiava. Os estivadores gostavam deles. Mas o Luke estava com a pulga atrás da orelha. Aliás, acho que foi ele quem denunciou os dois à Guarda. Tadinhos. Estão lá naquelas masmorras do Xerife. Não tem ninguém para pedir por eles...
—Poxa... Diz Cadi. —O Xerife já aliviou bastante para o seu lado, Aruda. Isso porque a gente foi lá pedir por você... mas eu acho que ele não aliviaria para o lado desses dois aí, mesmo que a gente pedisse...
—Eu sei, Cadi. E agradeço demais a você e aos meninos, pelo que fizeram por mim... Responde Aruda. —Mas mesmo assim estou com muita pena dos dois... pelo que ouvi na Prisão o Xerife vai condenar “os dois” a trabalhos forçados em uma das minas do Rei...
—Caramba... Diz Addae. —Isso equivale quase a uma pena de morte... dificilmente condenados a trabalhos forçados nas minas do Rei conseguem viver o suficiente para cumprir a pena...
Struggle retoma o assunto: —Olha Aruda... lamento pelos seus dois comparsas... independentemente do fato do Bernie e do Sony roubarem carga do Porto, eu gostava deles... mas minha preocupação é você. E o seu futuro. Quero você longe dessa vida nas ruas. Então, olha só... o Luke está procurando alguém para servir de guia a visitantes, pela cidade... eu sei que você conhece cada canto de Thais. Então... eu estou pensando em falar com ele, pedir para ele te dar uma chance em um trabalho direito...
—Strugglezinhoooo... alôôõ... “prestenção”... eu fiz parte de uma quadrilha que roubava e revendia carga do Porto... tenho certeza que o Luke sabe disso... o que te faz pensar que ele me daria uma chance dessas, meu amor? Rebate Aruda.
—Deixa isso comigo, Aruda. O Luke gosta de mim, eu tenho crédito com ele. Além do mais eu era um protegido do Joe Pilastra. O velho Joe ainda é uma lenda entre os estivadores. Eu direi que você já... err... pagou sua dívida com a sociedade... cumpriu sua pena... merece uma nova oportunidade. Deixa comigo... eu convenço o Luke. Ele gosta de fazer pose de durão mas no fundo é uma boa pessoa.
—Além disso, Aruda. Complementa Addae. —Você deve ser uma das pessoas que mais conhece Thais, seus cantos e recantos... é a pessoa ideal para esse trabalho...
—Bom, conhecer Thais eu conheço mesmo... cada buraco dessa cidade... e tem uns buracos com cada história... vocês nem imaginam, meninos. Melhor nem imaginarem mesmo. Responde Aruda.
—Então, Aruda... estamos combinados? Indaga Struggle. —Eu vou falar com o Luke e depois levo você para falar com ele...
—Aff... tudo bem, Struggle... depois do que aconteceu vai ser muito difícil sobreviver da maneira como eu sobrevivia. Nem quero pensar na possibilidade de voltar para aquela prisão fétida... preciso encontrar um meio err... diferente, de ganhar a vida... Responde Aruda.
—Beleza! Responde, eufórico, Struggle.
Addae e Cadi também demonstram alegria, mesmo um entusiasmo, devido à concordância de Aruda.
—Tem outra coisa, Aruda. Diz Addae. —Nos três aqui, mais aquela menina de Greenshore que você conheceu outro dia, a Genevieve... além de um rapaz que trabalha na Taverna do Senhor Frodo... err.. nós vamos dar um passeio pela cidade hoje à tarde, lá pelas duas... não quer ir com a gente?
—Ah, meninos... que fofo da sua parte me convidarem... obrigada. Mas olhem, não fiquem chateados. Eu estou um trapo após esses dias “hospedada” naquele lugar. Preciso de um bom banho, e dormir umas dez horas seguidas. Por favor, não fiquem tristes por eu recusar. Eu realmente preciso me refazer... aproveitem o seu passeio. Quem sabe em uma outra ocasião... Responde Aruda.
Addae e Cadi ficam um pouco frustrados com a resposta de Aruda.
Mas Struggle diz: —Tudo bem, Aruda. Descansa hoje então. Mas amanhã na parte da manhã vou falar com o Luke. Conforme for, na parte da tarde vou te levar pra falar com ele, tá?
—Aff... tudo bem, Struggle... vou ficar aguardando, então... Responde Aruda.
O grupo sobe a Harbour até virar na esquina com a Sorcerer’s. Dali seguem para a área de praia de Thais, ao sul do Porto, onde se localizam vários prédios e flats.
—Você mora por aqui, Aruda? Surpeende-se Cadi. —Poxa, é uma área legal da cidade, perto da praia. Não deve ser barato um apê nessas redondezas aqui...
—E não é, fofo... a Aruda aqui sempre teve que “ralar” muito nas ruas para pagar o aluguel... Responde a moça. —Espero que, caso esse negócio de guia que o Struggle vai tentar dê certo, eu possa tirar uns bons trocados... caso contrário vou ter que me mudar para uma região mais barata...
—Vai dar certo sim, Aruda... Responde Addae. —Pensa positivo. Estamos torcendo por você.
Aruda conduz os meninos até um prédio de bom nível, com uma fachada de tijolinhos marrons. Eles sobem até o segundo andar e Aruda abre a porta de um apartamento localizado no fim do corredor: —Entrem meninos e fiquem à vontade. Esta aqui é a minha toca.
—Ué, Aruda. Surpreende-se Struggle. —Nesse apartamento eu nunca vim. Eu já tinha ido naquele outro, que fica um quarteirão abaixo, mais para o sul. Não sabia que você tinha se mudado...
—Ah, me mudei há pouco tempo, Struggle. Tem umas duas semanas. Gosto de trocar de ares. Então, meninos... que tal? Gostaram?
Addae, Cadi e mesmo Struggle, ficam surpresos com a decoração do apartamento de Aruda. Uma bela mobília, bonitos quadros na parede e também um confortável tapete compõem a sala de estar.
—Vou fazer um pãozinho para vocês. Diz Aruda, se dirigindo para a cozinha. —Já passa do meio-dia... vocês devem estar com fome.
—Não precisa se incomodar, Aruda. Você está cansada... Contemporiza Addae.
—Faço questão, meninos. Não vai demorar. Insiste a moça. —Ah... será que um de vocês poderia colocar um balde cheio de água para ferver, enquanto eu preparo a massa? É para o meu banho...
—Já é... Diz Cadi, se dirigindo para a cozinha.
Aruda prepara a farinha e o fermento para os pães.
Após colocar um grande balde cheio de água para ferver, no fogão, Cadi retorna para junto de Addae e de Struggle, na sala: —Caras, esse apê da Aruda é bem descolado.
—É... Responde Struggle. —Pena que é mantido com dinheiro de determinadas atividades… Struggle procura falar em um tom baixo, para que Aruda, na cozinha, não escute.
—Isso agora vai mudar, Struggle. Addae tenta animar seu amigo. —Tenho fé que você vai convencer o Luke a contratar a Aruda. Então ela vai poder ter uma atividade mais decente, mais digna...
—É... vamos torcer para que tudo dê certo... Responde Struggle.
Depois de algum tempo, Aruda retorna à sala com uma bandeja cheia de pãezinhos crocantes, encimados por uma camada de queijo derretido.
—Crunch... Nossa, Aruda. Diz Cadi. —Que pãozinho gostoso... você tem dotes culinários... já pensou em trabalhar no ramo de comida? Abrir uma padaria?
—Sabe que eu já pensei nisso, Cadi? Responde Aruda. —Mas para abrir um negócio desses preciso antes acumular um pouco de dindin, como se diz por aí... capital de giro, ou algo desse tipo... crunch... humm, ficou bom mesmo... ah, Struggle, tenho um negócio guardado para você.
Aruda abre a gaveta de um móvel na sala e pega um pequeno alforje de couro, novo, muito elegante. —Se lembra que você disse uma vez... que queria um alforje daqueles que ficam acoplados no cinto... comprei outro dia no Porto, de um marinheiro de um navio que tinha acabado de chegar de Edron...
Cadi arregala os olhos: —Caramba... que alforje maneiro.
Struggle segura o alforje mas pergunta, um pouco desconfiado, para Aruda: —Você comprou mesmo, ou...
—Comprei, Struggle, comprei... Responde, incisiva, Aruda. —Esse marinheiro trouxe alguns e estava revendendo para as pessoas no Porto. Vendeu tudo rapidinho... quase não consegui garantir um.
—Bonito mesmo. Diz, por sua vez, Addae.
—Valeu, Aruda. Vou levar para Rook e usar por lá... Struggle coloca o alforje sobre a mesinha de centro e pega um pãozinho da bandeja. —Crunch... humm, Aruda... você tá mandando bem na cozinha.. que “diliça” de pão... crunch...
Após Struggle mencionar Rookgaard, Aruda fica um pouco melancólica e pergunta: —Quando vocês vão partir para Rook?
—Acho que daqui a uma semana, não é, Addae? Crunch... Struggle responde a Aruda ao mesmo tempo em que indaga a seu amigo.
—Antes disso, talvez, Struggle... crunch... caso o Capitão Bluebear chegue mesmo daqui a dois dias, como estão esperando no Porto e no Exército, partiremos dois dias depois, ou seja, daqui a quatro dias. No Die Fafnar... crunch...
—Ainda bem que já arrumei praticamente tudo... crunch... Complementa Struggle. —Mas pode crer que o Capitão Bluebear deve mesmo chegar no Die Uman... lobos do mar como ele e como o Fearless raramente atrasam na chegada e na partida... devemos mesmo zarpar daqui a quatro dias, então... crunch...
—Também já tô com a trouxa toda pronta, praticamente... crunch. Diz Cadi. —Só faltam alguns pequenos detalhes... crunch...
—Quer dizer que você só volta para Thais daqui a quatro anos, né, Struggle? Indaga, ainda um pouco triste, Aruda.
—É... Responde Struggle. —E você vai me esperar, né?
—Esperar... esperar... esperar para quê, Struggle? Indaga Aruda.
—Ué... pra gente se casar... pra que seria? Crunch... Responde, de maneira serena, Struggle.
Addae e Cadi engasgam com o pão e tossem: —Cof... cof..
Aruda arregala os belos olhos verdes, apoia o cotovelo direito em uma das pernas, na cadeira onde se sentara, e o queixo sobre a mão direita e pergunta: —Está falando sério, Struggle? Ou é mais uma de suas brincadeiras?
—Claro que eu estou falando sério, Aruda. Continua Strggle, em um tom de voz tranquilo. E prossegue: —Eu já não tinha dito, antes, que quero me casar com você? Crunch...
Addae e Cadi fixam o olhar no casal como se estivessem presenciando a formação do Mundo de Tibia, quando Fardos e Umam davam contornos ao planeta...
—Struggle... Diz Aruda, de modo terno. —Não sei se brigo com você por dizer isso, seu “sem noção”, ou se te dou um beijo... você fala uma coisa dessas com a cara mais angelical do Mundo... você ainda tem que aprender algumas coisas a respeito da vida, Struggle...
Addae e Cadi permanecem em silêncio, observando e aguardando a conclusão da prosa entre Struggle e Aruda.
Mas Aruda se levanta e diz: —Aff... gente... preciso descansar... mas antes preciso tomar um bom banho... Cadi, será que você poderia despejar o balde em uma tina que está no meu quarto?
— “Xá” comigo... Diz Cadi, se levantando e indo para a cozinha.
Aruda vai com Cadi, para orientá-lo.
Addae, ainda um pouco perplexo, pergunta a Struggle: —Struggle... você estava falando sério? Quer mesmo se casar com a Aruda?
—Ué... qual o problema? Indaga Struggle, comendo o último pão da bandeja. —Crunch...
—Bom... é... bem... err... não há assim um problema... é que... Balbucia Addae.
—É que o quê? Crunch... Indaga Struggle, ainda com uma cara “lavada”, inocente.
Antes que Addae possa articular uma resposta, Aruda e Cadi retornam do quarto.
—Obrigada, fofo. Diz Aruda para Cadi, enquanto desarruma os cabelos do jovem.
Addae aproveita a ocasião, se levanta e diz: —Bom, Aruda. Vamos deixar você descansar. Estou torcendo para que dê tudo certo lá com o Luke.
Aruda estala um beijo na bochecha de Addae, em seguida na de Cadi.
Beija também a bochecha de Struggle enquanto esfrega as unhas no couro cabeludo do jovem, de maneira carinhosa e demanchando seus cabelos louros: —”Ciao” meus heróis, meus protetores. Obrigada pela visita na Prisão e por estarem me esperando na saída. E se dirigindo mais especificamente a Struggle diz: —Depois precisamos ter uma conversinha, Struggle... uma conversinha bem séria, viu?
—Tudo bem, Aruda. E me aguarde amanhã que venho te buscar para conversar com o Luke, ok?
—Tuuudo bem. Estarei esperando. Responde Aruda.
—Tchau, Aruda. Diz Addae.
—Té mais, Aruda. Olha, maneiro teu apê... Diz, por sua vez, Cadi.
—Tchau, amorecos. Agora que já sabem o caminho, espero que venham me visitar pelo menos mais uma vez, antes de partirem para Rook...
Após se despedirem, os jovens saem do prédio e ganham a rua. Addae logo indaga a Struggle: —Struggle... sério, cara, que você quer se casar com a Aruda?
—Por que o espanto, Addae? Pergunta Struggle.
—Bem... ela é um pouquinho mais velha... Diz Addae.
—Três anos, ué. Rebate Struggle. —Eu tenho 14, ela tem 17. Não é uma grande diferença... quando eu voltar de Rook terei 18, ela 21. Aí a gente casa...
—Eu casaria com a Aruda. Intervém Cadi. —Pô, mó mulherão... err.. com todo o respeito, Struggle, claro...
Struggle franze a testa diante da afirmação de Cadi, enquanto olha para seu amigo.
Addae insiste: —Além do mais, Struggle... tem esses lances aí da vida dela, coisas que ela fez... você sabe...
—Addae... Responde Struggle. —O que importa é que ela gosta de mim… e eu dela… o resto é o resto... não me importa...
—É Addae... Intervém mais uma vez, Cadi.—Se eles se gostam, tá limpo... o resto não importa...
—Ah, tudo bem. Rende-se Addae. —Não sou juiz de ninguém. Você vai ser maior de idade quando voltar de Rook, Struggle... faz o que quiser da sua vida...
—Pô, Bro... Rebate Struggle. —Quer dizer que para você é indiferente o que acontecer comigo? Você não tentaria me ajudar caso eu fizesse alguma besteira?
—M-mas é justamente por isso que eu... ah, esquece, Struggle... Addae dá de ombros.
—Ih, esqueci!!! Struggle dá um pequeno tapa na testa.
—Poxa... Exclama Cadi. —Esqueceu rápido.
—Não... não é isso... Rebate Struggle. —O alforje... esqueci o alforje na mesinha da sala...
—Ué, vamos lá pegar já que ainda estamos perto. Diz Addae. —Pode ser que a Aruda nem tenha entrado no banho ainda...
Os três jovens retornam para o apartamento de Aruda.
No apartamento, Aruda se prepara para entrar no banho. Está enrolada em toalhas, como também tem uma toalha em volta da cabeça, prendendo os cabelos. Então, ouve alguém bater à porta.
—Ah, Struggle voltou para pegar o alforje... Pensa.
Quando vira a maçaneta, a pessoa que está do lado fora força a porta, entrando abruptamente no apartamento e empurrando Aruda.
É um homem corpulento, de meia idade, calvo na parte de cima da cabeça mas com cabelos acinzentados longos e desgrenhados, caindo-lhe até os ombros. Usa um casaco marrom e luvas negras que deixam à mostra as pontas dos dedos.
—Então saiu da prisão, hein. Deve ter colaborado com a Guarda e entregado o Bernie e o Sony. Diz o homem, segurando o braço direito de Aruda.
—S-Sordos... e-eu não entreguei o Bernie e o Sony... foi a Guarda que investigou e chegou até eles... ai, está machucando meu braço... me solta, Sordos... sai daqui, preciso descansar!
—Descansar? Que descansar o quê. Se vista. Você vai para a rua ganhar uns trocados. Nesse tempo que você e os rapazes ficaram na Prisão meu faturamento caiu muito.
—Está maluco, Sordos? Estou cansada, acabei de sair da cadeia. Vá embora. O esquema do Porto foi desmantelado, acabou... me deixa em paz. Ai... me solta.
—Dê o seu jeito. Use os seus “recursos”. Mas você vai faturar uns trocados hoje. Preciso me capitalizar.
—Ai... me solta Sordos... vai embora! Me deixa em paz!
—Solta... “ela”!!!!
—Arghhhh... blargh. Sordos sente alguém segurar seu pescoço por trás, com força, sufocando-o.
Struggle acabara de pular nas costas do homem, apertando sua garganta com força.
Sordos, sufocado, solta Aruda e procura segurar os braços de Strugge, para livrar-se do aperto na garganta. Projeta as costas contra uma parede, na tentativa de imprensar Struggle e fazê-lo soltar seu pescoço. Em seguida grita de dor, devido a um potente chute desferido contra seus testículos: —Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
Cadi acabara de chutar com força os fundilhos de Sordos, fazendo-o se contorcer de dor, com Struggle ainda pendurado em suas costas, agarrado a seu pescoço.
—Fecha os olhos, Struggle! Addae arremete contra Sordos segurando uma jarra decorativa, apanhada de uma arca na sala e a espatifa contra a cabeça do homem. “Crash!!!”
Sordos grita de dor e desaba contra o solo, tonto. Struggle solta seu pescoço e se coloca ao lado de Addae e de Cadi.
O bandido tenta manter-se consciente. Expressa muita dor e esfrega a cabeça, apalpando o enorme galo causado pelo ataque de Addae. Olha para os garotos e diz: —Seus... fedelhos. Vou acabar com v...aaaai. Sordos sente muitas dores e mal consegue esboçar algum movimento, no sentido de se levantar. Quando ergue os olhos novamente, vê Aruda, parada ao lado dos três jovens e empunhando uma faca.
—Some daqui, Sordos. Some da minha vida. Não me coloque mais nos seus esquemas. Diz Aruda, empunhando a faca de modo ameaçador.
—Isso não vai ficar assim. Diz Sordos, erguendo-se com grande dificuldade. —Não pode sair fora dessa maneira, Aruda. E quanto a vocês, fedelhos... abram os olhos quando andarem pelas ruas...
—Abra os olhos você, cara. Meu pai é capitão da Guarda. Responde, de modo desafiador, Cadi
Sordos demonstra surpresa e um ar de preocupação ao ouvir o que Cadi dissera. Alguns vizinhos do prédio se aglomeram em frente à porta de Aruda, assustados e curiosos com o tumulto e com a discussão. Sordos então abre caminho entre os vizinhos de maneira brusca e sai resmungando, mancando e massageando a cabeça.
—Err... desculpem... n~não foi nada... foi só uma briga de família. Diz Addae para os vizinhos parados defronte a porta de Aruda. —Com licença...
Addae fecha a porta, não sem antes ouvir uma senhora, moradora do prédio, dizer: —Humpft... esse prédio já teve moradores de melhor nível...
Após fechar a porta, Addae, como também Cadi e Struggle, notam que Aruda chora copiosamente, sentada no sofá da sala, com a face mergulhada nas palmas da mão.
—Snif... Soluça Aruda. —Minha vida acabou se transformando em um inferno... snif
Struggle senta-se ao lado de Aruda, abraça-a de maneira terna e diz: —Isso tudo vai mudar, Aruda. Você vai ver. A partir de amanhã, quando você iniciar uma nova vida, trabalhando para o Luke, tudo vai mudar. Eu prometo.
—Isso aí, Aruda. Não fica triste. Uma nova vida te aguarda, daqui para frente. Ânimo. Diz Addae.
—Ó... Diz Cadi. —Do jeito que chega gente em Thais, pelo Porto, você vai faturar uma grana trabalhando como guia. Não fica assim não. Esse submundo aí de gente tipo esse Sordos vai desaparecer da sua vida.
Aruda enxuga as lágrimas, tenta esboçar uma expressão mais animada e diz: —Obrigada meninos, por tudo o que vocês tem feito nesses dias, por mim. Agora vou tomar meu banho e dormir bastante, pelo resto do dia. Vão fazer o seu passeio e cuidado ao andarem pelas ruas. O Sordos é o gerente de uma rede de assaltantes e trambiqueiros, tem capangas.
—Pode deixar. Responde Cadi. —Ele que se engrace pra cima de mim ou dos meus parceiros aqui. Conto ao meu pai, e meu pai coloca a Guarda pra cima dele. Além disso, falo com o Xerife. Se o Capitão Wyat põe as mãos naquele pilantra, vai tratá-lo “aos costumes”.
—Tá bom... Responde Aruda, condescendente, e emenda: —Struggle... não esquece o alforje.
Após Struggle pegar o alforje, os jovens se despendem de Aruda mais uma vez e ganham a rua.
—Fiquem espertos pelas ruas. Aquele pilantra pode estar na espreita. Diz Cadi. —Vamos te deixar na porta do seu prédio, Struggle.
—Não precisa, Cadi. Moro aqui perto e sou conhecido na área. E devido ao assalto mais cedo as ruas estão cheias de guardas fazendo rondas. Vão vocês dois juntos para a área onde moram...
—Tudo bem, Struggle. Então, duas horas na taverna do Senhor Frodo? Indaga Addae.
—Tá no esquema, estarei lá. Responde Struggle.
Struggle segue para seu prédio, enquanto Addae e Cadi vão, juntos, para as imediações da Muralha Leste, onde se encontram suas residências.
Algum tempo depois, por volta das 14 horas, alguns hóspedes da estalagem de Frodo terminam de almoçar na taverna, no andar de baixo. A taverna, por ser Die Eru, não abre para o público em geral, mas apenas para os hóspedes. Tokel e Genevieve conversam com Tatius, em uma mesa localizada no lado direito de quem entra. Na outra extremidade, um outro hóspede, após almoçar, degusta um copo de vinho.
Arturos vem descendo a escada para a taverna, pitando um comprido e belamente decorado cachimbo. Se aproxima do balcão, coloca uma chave sobre o mesmo balcão e diz a Frodo: —Senhor Frodo. Devo passar o resto do dia fora, junto aos novatos de minha guilda. Portanto só retorno à noite.
—Oh, pode ficar com a chave do quarto, Mestre Arturos. Em seguida Frodo coloca outra chave, maior, sobre o balcão. —Vou deixar com o Senhor essa cópia da porta da taverna, caso eu já esteja recolhido quando o senhor voltar. Não costumo deixar a have da taverna com hóspedes, mas confio no senhor e abrirei uma exceção, no seu caso.
—Hum, obrigado pela deferência, Senhor Frodo. Na primeira oportunidade devolverei a chave.
—E o seu acompanhante, o Senhor Lizek?
—René já está junto aos novatos. Ele saiu bem cedo e está no apartamento que alugamos para abrigar os jovens. Mas deve retornar comigo, à noite.
Nesse momento, Lana sai da cozinha e se dirige a uma das mesas, para limpá-la. Ao passar por Arturos, cumprimenta-o com um certo acanhamento, quase um constrangimento, devido ao episódio em que René a ensinava a manejar um arco, na Arena dos Paladinos: —Boa tarde...
—Boa tarde, minha jovem. Responde Arturos, de modo cavalheiresco.
—Lana, limpe a mesa dois também. Diz Frodo a sua filha.
—Com todo o respeito Senhor Frodo... o senhor tem uma bela filha. Certamente em um futuro próximo terá que lidar com alguns pretendentes... Diz Arturos.
—É… estou ciente do “problema”. Responde Frodo. E continua: —Err.. sabe, Mestre Arturos… eu, err... estava esperando uma oportunidade para falar com o senhor... sobre seu acompanhante, o Senhor Lizek... ele...
—Eu estou ciente deste “problema” específico, Senhor Frodo. Não se preocupe. Já estou cortando as asinhas do René... ele é um guildano cujos afazeres o fazem viajar muito. Pensa que pode construir um “affair” em cada porto. Mas já o estou fazendo ver que não é assim que a banda toca, ou deve tocar... a Adaga é muito exigente em relação ao comportamento de seus membros...
—Agradeço sua preocupação e seu posicionamento em relação ao assunto, Mestre Arturos. Responde Frodo.
Nisso, Genevieve e Tatius se aproximam de Arturos.
—Mestre Arturos... boa tarde. Diz Genevieve.
—Boa tarde, Mestre... Diz, por sua vez, Tatius.
—Oh, olá meus jovens. Responde Arturos. —E então, vão mesmo fazer aquele passeio agora à tarde?
—Sim, Mestre Arturos. Responde Genevieve. —Estamos só esperando Addae, Cadi e Struggle chegarem.
—Humm, certo. Arturos dá umas baforadas em seu cachimbo. —Sabem, se me permitem fazer uma sugestão... vocês devem ter ouvido falar no Museu de Thais...
—Ouvi sim, Mestre Arturos. Responde Tatius. —Infelizmente ainda não tive a oportunidade de visitar... é que o Museu só abre nos Die Eru...
—Exatamente. Complementa Arturos. —E como hoje é justamente Die Eru...
—Ah, vamos lá, Tatius? Entusiasma-se Genevieve.
—Por mim, tudo bem, Gê. Vamos sim. Responde o sobrinho de Frodo. —Vamos sugerir o mesmo para Addae, Cadi e o Struggle...
—Há peças muito interessantes expostas no Museu. Diz Arturos. —Vocês verão objetos arqueológicos e decorativos das antigas civilizações Tibiantida, Yalahari e Ankrahmuni, como também élfica e dwarfica... fora os objetos históricos do Reino Thaiano... e mesmo de Carlin... vale muito a pena...
Nisso, descem da estalagem para a taverna os pais de Tatius: Frederico e Soraya. Cumprimentam Arturos e em seguida se dirigem para a mesa onde se encontra Tokel. Os três camponeses entabulam animada conversa
—_E então, Senhor Tokel... Indaga Frederico. —Nessa época mais fria o que vocês estão semeando lá em Greenshore?
—Bem... tentamos semear algumas hortaliças e verduras como alfaces, alhos, ervilhas, favas... mas é difícil vingarem em boa proporção... sabem, ocorrem algumas nevascas nesta época do ano... Responde Tokel.
—Ah, o mesmo que estamos semeando em Fibula. Diz Soraya. —O senhor já tentou cobrir as plantações com panos ou outros tipos de tecidos? Dão uma proteção razoàvel contra as geadas ou nevascas.
—Curioso, Senhora Fermir... Responde Tokel. —Foi exatamente o que um vizinho meu, outro fazendeiro, me aconselhou... Após a partida de Genevieve, quando eu retornar a Greenshore, vou tentar esse recurso... err... digam-me... sabem se há terras a venda em Fibula?
—Bem... Frederico coça a cabeça. —Um outro fazendeiro, amigo nosso... o Tavares... parece que colocou umas glebas a venda... ele estava com umas ideias aí... de viajar até Edron. Então ele queria fazer um dinheirinho pra comprar alguma coisa lá em Edron, sabe?
—Hum... Edron. Eu também às vezes penso em tentar a sorte por lá... mas eu tenho ouvido tantos relatos e histórias sobre uns bichos perigosos que vivem no subsolo...
—O senhor não quer visitar Fibula um dia desses, Senhor Tokel? Faríamos questão que o senhor ficasse hospedado conosco. Diz Soraya. —Assim o senhor poderia ver as glebas que o Tavares quer vender...
—Gostaria muito, Senhora Fermir... aliás, sempre sonhei em conhecer Fibula...
—Então... vá sim. Escreva-nos quando decidir ir... ficaríamos muito felizes em ter o senhor como hóspede, no nosso sítio. E sabe, Senhor Tokel... eu e o Frederico gostamos muito de sua filha. A Genevieve é um encanto de menina. Pena que ela mais o Tatius e os outros meninos ficarão longe por quatro anos... e, bem, o senhor não acha que ela e o nosso Tatius formam um bonito casal? Indaga Soraya.
Tokel coça a cabeça, um pouco sem graça: —Err... bem... é... o Tatius é um bom rapaz, gosto dele também.
Genevieve e Tatius, ao lado de Arturos e de Frodo, próximos ao balcão, ouvem o colóquio entre os dois homens.
—Sabe, senhor Frodo... Diz Arturos, em um tom de voz baixo e apontando o cachimbo para o hóspede sentado, solitário, em uma mesa junto à parede. —Aquele seu hóspede ali... alojado no quarto contíguo ao meu e de René... parece estar sempre de ressaca. Agora percebo o porquê... é bom de copo. Já esvaziou duas garrafas de sua adega, pelo que pude perceber...
—Ah.. o senhor Todd. Reage Frodo. —É... ele entorna bem, hehe. É dos meus. Geralmente se hospeda aqui por períodos de uma semana. Depois viaja.. e reaparece. Paga adiantado, dá boas gorjetas e, como o senhor falou, gosta de degustar bons vinhos da adega, hehe...
—Muitas vezes pedi para limpar o quarto dele, mas ele estava com dor de cabeça e pediu para eu voltar mais tarde. Diz Tatius, em um tom de voz também baixo, para que Todd não possa perceber.
—Eheh... Ri Arturos. —Já sabe a razão da dor de cabeça, Tatius. Mas o que mais me intriga nele é que, ao responder às minhas saudações e cumprimentos, no corredor da estalagem e mesmo aqui na taverna, mostrou ter um sotaque, assim, diferente...
—É... eu também percebi isso, Mestre Arturos. Complementa Frodo. —Percebi que ele não é de Thais. Apesar de anotar no registro que seria da Capital. Mas não consegui identificar sua procedência. Em uma ocasião tentei puxar conversa no sentido de me informar de onde ele seria, mas ele ficou um pouco arredio a respeito e então não perguntei mais...
—Poderia apostar que aquele sotaque é... carlinês. Diz Arturos.
—Sério? Surpreende-se Frodo. —Mas como ele consegue entrar na cidade? Carlineses não são admitidos em Thais, a não ser que solicitem cidadania thaiana ao Rei e tenham seu pedido deferido. E pelo que sei, neste caso, tem que abrir mão da cidadania carlinesa, ou seja, deixar de ser súdito de Eloise, e se tornar súdito do velho Tiba... só se ele conseguiu cidadania thaiana...
—Será que ele não veio com a delegação de Carlin? Pergunta Genevieve.
—Não creio, Genevieve. Responde Arturos. —Integrantes da delegação não deixariam de ficar hospedados no Palácio. Além do mais, como o senhor Frodo disse, não é a primeira vez que ele vem a Thais...
Nesse momento, adentra a taverna, vindo da rua, o irmão mais velho de Tatius: Tito. Tito acena para Tatius, para Genevieve, como também para Frodo e Arturos e se dirige à mesa onde estão seus pais e Tokel. Depois de cumprimentar Tokel, diz a seus pais: —Pai... mãe... subi naquela torre alta que fica perto do Portão Sul... olha... dá pra ver toda a região em volta...
—Eu que não subo naquela torre. Diz Soraya. —Vou sentir vertigens lá em cima...
—É segura, Soraya. Diz Frederico. —Você deveria tentar. A vista lá de cima vale a pena uma subida... vou te levar lá amanhã.
—Mas de jeito maneira... não subo lá nem que a vaca tussa! Rebate Soraya.
Tokel se diverte com o diálogo da família Fermir.
Junto a Arturos e a Frodo, Genevieve manifesta preocupação quanto à demora de Addae, Cadi e Struggle. —Gente, Addae e os outros já deveriam estar aqui. Nós marcamos duas horas.
Segundos após a jovem expressar sua preocupação, Addae e Cadi entram na taverna de Frodo.
Cadi, tirando alguns flocos de neve acumulado em seu ombro, exclama em voz alta: —Rapaz... tá tão frio lá fora que é capaz da bunda rachar.
Addae, percebendo que há pessoas sentadas às mesas, apesar da taverna estar fechada, com a porta da frente apenas entreaberta, cutuca Cadi e diz: —Shhh, Cadi, tem gente na taverna...
—Ih, foi mal... Reage Cadi, percebendo que sua exclamação chamara a atenção das pessoas no recinto.
Genevieve, rindo da afirmação de Cadi, demonstra alegria ao ver seus dois amigos: —Gente... já estava agoniada... e o Struggle?
—O Struggle ainda não chegou?? Surpreende-se Addae. —Ele mora bem mais perto da taverna do que eu e o Cadi... esperava encontrá-lo já aqui...
—Será que aconteceu alguma coisa, depois que ele saiu da casa da Aruda? Indaga Cadi
Addae cutuca Cadi novamente, para que ele não fale a respeito do que acontecera na casa de Aruda.
Mas Genevieve já ouvira a referência: —Vocês estiveram na casa daquela moça?
—Err... a gente foi lá ver uns alforjes que a Aruda está revendendo... ela... err.. ela compra de um pessoal que chega nos navios, no Porto... e revende... Explica-se Addae.
—Hum... entendo. Responde Genevieve, um pouco desconfiada e franzindo a testa.
—E aí, Tatius? Beleza? Pergunta Cadi.
—Tudo beleza, Cadi. Responde o sobrinho de Frodo. —Hoje vou poder ir com vocês, a passeio. E voltando-se para Addae, pergunta. —E aí, Addae? Que confusão hoje mais cedo em frente ao Templo... mas acabaram pegando aqueles dois...
—É... quase foram linchados, mas a Guarda colocou moral nos transeuntes e os levou para a Prisão. Responde Addae.
Ao ouvir a menção ao linchamento pedido pelos cidadãos, Cadi coça a nuca e olha para os lados.
Addae cumprimenta Frodo e Arturos: —Boa tarde, Senhor Frodo... Mestre Arturos, que bom revê-lo...
Cadi também cumprimenta o estalajadeiro e o cavaleiro: —Boa tarde Senhor Frodo... boa tarde, Mestre...
—E aí, meninos? Vão servir de guia mais uma vez para os visitantes? Hehe... Brinca Frodo.
—Vamos sim, Senhor Frodo. Eu e o Cadi vínhamos comentando pelo caminho... acho que vamos levar a Genevieve e o Tatius para lugares diferentes daqueles que fomos no último passeio, só com a Genevieve... Responde Addae.
—Como vão , meus jovens? Indaga Arturos. —Eu já dei uma sugestão para a Genevieve e o Tatius, aqui... um lugar que seria interessante visitar...
—O Museu de Thais, Addae! Exclama, motivada, Genevieve. —Vamos??? Só abre nos Die Eru... então tá aberto hoje!
—Claro, Gê. Responde Addae. —Coincidentemente eu e o Cadi viemos falando do Museu, no caminho para cá... vamos sim!
Cadi puxa Addae pelo braço, levando-o alguns passos distante de onde se encontram Genevieve e os demais: —Addae... olha só... eu tinha esquecido de falar no caminho.... o Museu cobra ingresso... e eu estou “durango”, entendeu?
—Ih... sério? Indaga Addae, revistando os próprios bolsos e tirando deles algumas moedas. —Caramba... e o que eu tenho nem sei se paga o meu ingresso...
Genevieve, percebendo o teor da conversa entre os dois jovens, se aproxima deles e diz: —Meninos, não se preocupem. Eu tenho dinheiro e o Tatius também tem. Ele recebeu hoje uma boa soma do Senhor Frodo. E se o Struggle precisar, nós pagamos o ingresso dele, também.
Tatius, também percebendo o que ocorre, diz, por sua vez: —Fiquem tranquilos, caras. Eu garanto a entrada de vocês no Museu.
Nisso, irrompe na taverna, Struggle. Bate alguns flocos de neve em seu ombro e exibe, acoplado ao cinto, o belo alforje dado por Aruda. Também segura um pequeno farnel. —Oi galera, beleza? Indaga a seus joven amigos. Em seguida se dirige ao balcão e diz a Frodo: —Senhor Frodo, boa tarde... eu trouxe alguns biscoitos amanteigados feitos pela minha mãe, para que o senhor ponha à venda aqui na taverna...
Frodo abre um sorriso iluminado na face e diz: —Ah... ótimo. A partir de amanhã vou colocá-los à venda. Com certeza serão vendidos todos pela parte da manhã. Hoje vou servir alguns aos hóspedes da estalagem, como Mestre Arturos aqui. Após dizer isso, Frodo abre o farnel e oferece alguns biscoitos a Arturos.
Arturos leva um biscoito à boca, prova e diz: —Crunch... absolutamente delicioso. Vejo aqui o início de uma promissora parceria entre o Senhor Frodo e sua mãe, Struggle.
—Mestre Arturos... Diz Struggle. —É um prazer revê-lo...
—O prazer é meu, Struggle. Ainda me sinto em dívida com você, por ter agenciado aqueles carregadores para o dia da partida para Rook... Responde Arturos.
—Que isso, Mestre... foi um privilégio poder ajudá-lo... Complementa Struggle.
—Aliás… Continua Arturos, agora se dirigindo aos cinco jovens. —Como eu havia proposto ao Struggle, naquele dia no Porto... gostariam de fazer uma visitinha ao apartamento onde estão hospedados os discípulos da Adaga, seus futuros colegas em Rookgaard?
—Eu adoraria, Mestre Arturos! Adianta-se, animada, Genevieve.
—Seria demais, Mestre. Complementa Cadi.
Addae, Struggle e Tatius também demonstram vontade de conhecer o apartamento e visitar os alunos da Adaga.
—Então... Continua Arturos. —Eu sugiro, portanto, que vocês dividam o tempo do passeio entre a visita ao apartamento, depois ao Museu e finalmente, devido ao fato de vocês serem aspirantes ao Exército Real, o Palácio Real. Não percam esta oportunidade. Me arrependo de não ter tentado obter, há alguns meses, uma autorização para que os alunos da Adaga também pudessem visitar o Palácio. Isso tem que ser visto com bastante antecedência. Talvez eu consiga para a próxima leva de alunos, no meio do ano. Mas Victor e os demais que estão indo agora não poderão visitar o Palácio...
—Que pena, Mestre Arturos. Diz Genevieve. —O Palácio Real é encantador.
—Sim, é verdade. Responde Arturos. —Mas os alunos que terminam o curso e retornam a Main têm condições de visitar o Palácio, de alguma forma... bem, meus jovens, vamos então?
Os cinco jovens se despedem de Frodo e do grupo formado por Tokel e pelos familiares de Tatius, em uma das mesas. Arturos também se despede de todos e, ao sair, faz um leve cumprimento a Todd, sentado no lado oposto da taverna. O hóspede responde levantando seu copo de vinho.
Tatius e Genevieve olham curiosos para Todd, após terem ouvido as ponderações de Arturos a respeito do homem. Finalmente o grupo ganha a Temple, se dirigindo na direção da Royal.
(Continua...)
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