O Mais Belo Espinho De Sangue

22 Capítulo 22- Se olhar para trás...


Notas iniciais
Olá pessoal, os próximos capítulos podem ser um pouco tensos, leiam com critério :)

Bjs e boa leitura

PS: E não me matem após lerem hehe

O pânico é um sentimento inusitado, ninguém espera por ele, e tampouco consegue descrevê-lo, ele apenas aparece sem ser convidado, como um intruso em situações em que a calma deveria prevalecer, porém na queda de braço entre a calma e o pânico, este sempre acaba ganhando, ele se aproxima sorrateiramente, entrando nos cantos mais escuros, começa como um formigamento na espinha, que como uma carga de eletricidade vai subindo até o peito, quando ele chega ao coração, suas palpitações são evidentes, fazendo o mesmo bater mais rápido, tornando a boca seca, a fala impossibilitada, como se tivesse comendo areia. Ele lateja a cabeça, deixando a mais pesada, dilata as pupilas e retarda nossas ações, tudo de uma vez só.

Erzsébeth Pansy sentia um misto de pânico com desespero, o pânico havia chegado nela assim que ela recebeu o telefonema, que fora como uma sentença de morte, a morte de seu relacionamento com o botânico Charlie Bloson. Mas o que ela viu a seguir beirou o desespero: Charlie em pé na sala da casa de Pansy, imóvel como uma escultura, na frente de uma escrivaninha que ela mantinha naquele local, segurando uma pasta, uma pasta amarela de papel simples, com apenas três letras na frente em negrito FBI, o que nada mais era que toda a ficha que ela mantinha dele e da operação que ela havia mantendo nos últimos meses.

—Char-Cha-Charlie —ela tentava formular o nome, parada na divisória da cozinha e da sala— onde foi que você encontrou isso?

Charlie não esboçava nenhuma reação, de ódio, de raiva, de ultraje, nada nenhuma, ele estava parado imóvel com a pasta em mãos apenas olhando fixamente para Pansy, ela não sabia descrever o que aquele olhar gelado queria dizer, tudo o que ela via era um vazio frio.

—Muito bem. — Ele disse com a voz calma— Eu abri a ultima gaveta da escrivaninha enquanto você estava na cozinha e encontrei isso, mas, na realidade minha querida — Ele desviou o olhar para o outro lado da sala, evitando contato visual com Pansy— devo confessar que você me pegou de surpresa, esse foi um grande achado. —Ele riu secamente, seus lábios sorriam, mas seus olhos continuavam em um ponto fixo na parede, sem demonstrar nenhum traço de sentimento, Pansy nunca havia visto aquele olhar antes, ele parecia um estranho na sua frente.

—Charlie, e-e-eu posso explicar, não é o que você está pensando, na verdade, é uma daquelas situações —ela sentia o rosto queimar e os olhos estavam começando a ficar embaçados das lagrimas Se eu olhar para trás estou perdida ela pensava— em que a gente pensa que é uma coisa, mas na realidade é o oposto daquilo então —Ela passou as mãos pelos quadris sem saber o que fazer com elas. — eu sei que você vai entender, se me deixar explicar— Ela começou a tentar rir, para afastar as lágrimas, ela ria de maneira fraca, e forçada e sabia o quanto aquilo era ridículo.

—Isso não é necessário, eu entendo muito bem o que está acontecendo. —Ele voltou o olhar para ela, seus olhos eram dois icebergs, seu olhar era frio e impenetrável. — o que acontece é que tudo isso é minha culpa, apenas minha e de mais ninguém. — Ele passou uma mão pelos cabelos, jogando uma mecha para trás, ele deu uma risada nervosa. — Há! Como eu pude ser tão estúpido á ponto de imaginar que poderia ter uma vida normal? Que poderia ser uma pessoa normal? Que poderia ter sentimentos ou até mesmo, confiar em alguém?— Ele ria baixinho como se contasse alguma piada que apenas ele entendia— Vivien sempre teve razão, eu não posso tentar fingir ser aquilo que não sou não posso tentar me comportar como uma pessoa normal, meu pior erro foi ter achado que podia confiar em você— A maneira como ele cuspiu a palavra VOCÊ foi pior que qualquer xingamento.

—Não Charlie não! —Tarde demais, as lagrimas já rolavam no rosto de Pansy, como vermes brancos que rastejavam em seu rosto Se eu olhar para trás estou perdida— Charlie, ouça, eu acredito em você, eu sei que você pode ser uma pessoa melhor, acredite em mim, eu, eu eu vou esquecer tudo isso, vamos continuar nossa vida! —ela falava rapidamente sem pensar nas conseqüências daquilo que dizia Se eu olhar para trás estou fodida! — Charlie, não me importa quem você é, ou o que você fez, eu o amo, amo, amo! — Ela tentou se aproximar dele, mas ele levantou a mão em protesto, e ela não teve coragem de chegar mais perto.

—HAHAHA Você é realmente ardilosa não é? Dizem que a mulher é a projeção de Eva, mas na realidade você é a serpente, a tentação o pecado em si! Como eu pude acreditar em uma puta —ele andava de um lado par ao outro e colocava as mãos na cabeça, seu tom de voz foi subindo— Deus, como eu pude ser tão estúpido! Fui contra tudo aquilo que eu acreditei a vida toda, como eu pude me entregar a uma... A uma... MULHER!IDIOTA, IDIOTA!— Ele parecia um louco transtornado, batendo com as próprias mãos na cabeça.

—Não Charlie, não diga isso, você é meu amor!— Pansy tentou segurar as mãos dele, mas com as costas das mãos Charlie, acertou a maçã quente do rosto dela com uma bofetada.

—CALA, A BOCA SUA VADIA! CALA A BOCA SUA PUTA! VOCÊ NÃO SABE O QUE É AMAR, E EU NÃO SEI O QUE É ISSO! VOCÊ NÃO CONSEGUE VER? EU SOU OCO POR DENTRO,E APENAS UMA COISA ME MOVE! Scarlett, não Erzébeth, mas que porra de nome é esse afinal? Enfim, pra mim você é apenas uma vadia estúpida que achou QUE ACHOU, que sonhou que podia me enganar! Sério até quando você iria continuar me investigando, um dia simplesmente você iria acordar me algemas e chamar o FBI é isso? Esse era seu planozinho de merda? Pois bem, a morte me move, e eu não lhe mostrarei piedade. —Os olhos verdes de Charlie se arregalaram, pela primeira vez mostrando uma reação, e ela era de ódio.

Pansy não teve tempo de pensar, de raciocinar, ela tinha que correr, correr por sua vida. Correr o mais rápido que podia, ela estava indefesa sem uma arma se quer, e sem tempo para pensar em nada, a não ser gritar, mas o grito estava preso em sua garganta, como em um pesadelo que você corre, mas não sai do lugar e grita, mas a voz não vem. Ela saiu correndo até a porta da sala, á abriu e foi até a frente da casa, já estava de noite, correndo o mais rápido que se permitia, sentindo o coração pulsar no peito. Ela abriu a boca para gritar por socorro, mas algo a agarrou por trás.

Ela sentia o abdômen de Charlie contra suas costas, ele a levantou no ar, passando os braços sobre os dela, e com uma mão tapou a boca dela, ela se esperneava e tentava gritar por socorro, mas a rua estava vazia.

—Você não queria tanto me conhecer? —Ele disse aproximando os lábios do ouvido dela. Sua voz era um sussurro rouco. — Pois bem, chegou a hora de você ver no que eu sou melhor!— Ele disse puxando-a para dentro da casa e fechando a porta, Pansy se esperneava e tentava chutar, mas ele era muito forte, e a apertava com ferocidade, ela sentia seus braços doer, o coração batia mais e mais rápido e ela chorava e tentava gritar com a boca tapada.

Uma vez dentro da casa, Charlie segurava Pansy, ele apertava o corpo dela contra o dele.

—Oh Scarlett, poderíamos ter sido tão felizes, se você não fosse uma farsa, uma pena para você isso. —Ele disse cheirando os cabelos dela. Pansy que lutava avidamente para se soltar dos braços dele, deu uma mordida na mão que ele usava para tapar a boca dela. Charlie soltou um gemido de dor.

—Vadia!— Ele disse soltando ela que caiu no chão.

Pansy que estava estatelada no chão da sala tentava fugir dele, ela ia se arrastando pelo chão, sentindo que não tinha forças, o medo a paralisava, até ela conseguir firmas as pernas bambas, se levantando e indo novamente em direção a porta.

—A onde você pensa que vai?— Pansy ouviu a voz de Charlie atrás dela, assim que ela tocou a maçaneta da porta para abri-la notou que ele havia trancando a porta da sala. Como era possível ele ser tão rápido nessa situação? Pansy pensava nisso quando sentiu uma súbita dor na cabeça e tudo o que viu depois foi apenas a escuridão.

Um gotejar distante fazia um barulho tênue e continuo. Era um som que se repetia, a cada momento que a gota acertava alguma superfície, fazia um eco até ela estourar e se desmaterializar em mais água.

Erzébeth Pansy abria os olhos vagarosamente, tudo o que ela via era uma luz, fraca e pálida, sua visão estava embaçada, ela apenas ouvia o PLOC PLOC da água caindo em algum lugar, assim que seus olhos se abriram ela se acostumou com a visão, o que era aquela luz, ela estava morta? Era a luz no fim do túnel? Pansy tentou se levantar mas sentiu a cabeça latejar, era uma dor excruciante que parecia com que ela tivesse um bloco de concreto em cima da cabeça. Essa não era a única coisa que a impossibilitava de se levantar, quando ela tentou mexer os braços notou que os mesmos estavam presos a algo, no pulso, ela sentia que era algo de couro, que estava a prendendo muito forte e ela sentia os pulsos arderem de dor, o mesmo era válido para os tornozelos.

Finalmente ela recobrou a consciência de tudo, o telefonema, a pasta do FBI, e Charlie, oh Charlie... Pansy entrou em pânico novamente sentindo-se impotente, ela não fazia idéia de onde era aquele lugar, ela estava deitada em uma superfície dura, com os braços e as pernas presas a alguma coisa, tudo o que ela via era uma lâmpada no teto, um teto cinza de concreto, mas não era reboque, era chumbo. Pansy tentou gritar mas sentiu que a boca também estava selada, provavelmente com fita isolante.

—Se eu fosse você nem me daria ao trabalho de tentar gritar ou se mexer. — Ela ouvia aquela voz grossa e familiar ecoando de algum lugar. Pansy virou o rosto e viu que estava em uma espécie de sala cinza, ela notou uma mesa com algumas ferramentas de jardinagem, ela não conseguia identificar o que elas eram pela rápida olhada de relance que ela deu, também havia uma porta grande de metal e ao lado da mesa, sentado estava Charlie a encarando fixamente. Ela levou um susto ao vê-lo, com seus velhos jeans surrados, uma camiseta vermelha qualquer que contornava o corpo dele, ele tinha os cabelos desgrenhados, a barba estava começando a apontar, ela podia ver que ela tinha alguns fios brancos, e seus grandes olhos verdes, eles eram malignos.

—Você deve estar se perguntando onde estamos, exato? Bem, quando eu comprei a floricultura, antes de ela ser uma floricultura ela era uma casa, e nessa casa havia um abrigo anti-bombas, eu o resolvi manter para o caso de algum dia precisar dele, e agora vejo que esse dia finalmente chegou, não temos nenhum ataque terrorista, fique tranquila, mas a sua cabeça irá explodir, ah isso vai. — Ele dizia calmamente sentado, com as pernas cruzadas a olhando.

Pansy sentia as lagrimas correrem involuntárias pelo rosto, ela tentava gritar mas só conseguia grunhir como um animal enjaulado, tentava se mexer mas apenas fazia barulho a onde quer que ela estivesse deitada. Como tudo pode desmoronar em cima de sua cabeça de uma hora para a outra? Em um momento ela tinha uma vida feliz, e no outro algo imaginável estava acontecendo, ela sabia que seria a próxima vitima de Charlie Bloson, seria ele capaz de fazer algo contra ela?

—Scarlett. Erzsébeth, eu estou ficando confuso de como devo chamá-la são tantos nomes, não é mesmo? Você está deitada em uma maca que eu salvei de ir pro lixo de um hospital, não se preocupe você não ficará ai por muito tempo. O que acha de batemos um papinho, para quebrar o gelo? Você não queria tanto me conhecer, então eis a oportunidade perfeita. —Ele disse se levantando e aproximando-se dela. Pansy virou o rosto para o outro lado.

Charlie enfureceu-se ele puxou bruscamente o rosto dela de encontro com o dele.

—OLHE PARA MIM ENQUANTO EU FALO COM VOCÊ! NÃO ME OBRIGUE A DAR OUTRA BOFETA EM VOCÊ!— Pansy olhou para ele com os olhos arregalados de medo. Charlie brotou um sorriso nos lábios. —Muito bem, você desmaia muito fácil sabia? Eu apenas bati na sua cabeça com um peso de papel que tinha na sua escrivaninha e o foi o suficiente para você cair, igual aquele dia na floricultura que eu bati sua cabeça contra a parede, foi tão fácil, eu deveria ter matado você naquele momento, que tipo de mulher diz ‘’ possua-me’’ para um estranho. Como eu não suspeitei que você era uma vadia nojenta como as outras? Me diga, como você foi a escolhida para vir atrás de mim? Pelo o que eu andei lendo naquela pasta muito interessante que eu encontrei na sua casa, isso é uma espécie de missão para caçar um serial killer, não é mesmo? Eles te escolheram por ter a cara de piranha, por ser a mais vadia, será que você fez um teste de suas habilidades na cama com todo o FBI? Céus, você me enoja, sabia disso? —Charlie segurou o rosto dela. —Você faz meu estomago embrulhar.

A verdade sempre esteve dançando na cara de Pansy, ela apenas foi estúpida o suficiente para não enxergar. Naquele dia na estufa, não foi um sonho, era tudo realidade, se eu olhar para trás estou perdida ela pensava.

—Você deve estar cheia de perguntas nessa sua cabeçinha não é mesmo? — Ele disse batendo no hematoma que ela tinha na cabeça, o que ele havia provocado com o peso de papel, ela fechou os olhos de dor. — ‘’Porque ele faz isso? Como esse homem pode ser esse monstro?’’ Muito simples minha querida, na realidade nem tanto, mas acho que dá pra você entender com a sua visão limitada. Mas essa história vai ficar pra outro dia, eu estou faminto e quero ir embora jantar, sinto muito, mas outra hora eu conto para você. Enquanto isso você vai ficar aqui pensando nas suas ultimas atitudes, e se prepare, pois quando eu voltar à diversão vai começar. Boa noite Scarzsébeth! Realmente não tenho idéia de como te chamar.

Ele disse apagando a luz e fechando a pesada porta de metal. Pansy ficou sozinha presa no escuro, e o pior é que ela sentia o estomago roncar. Se eu olhar para trás... Eu estou perdida!

Notas finais
É oficial a porra ficou séria!
Espero que tenham gostado, comentar é tão bom que nem parece que é de graça né,kkkk pois é comentem e abusem
Bjs e até a próxima :)