Notas iniciais
Olá pessoal, obrigada por lerem e espero que gostem desse capitulo. Aos novos leitores, bem vindos e obrigada mesmo pelo carinho pessoal, vcs são demais!

Prestem bastante atenção nesse cap, tem algumas peças chaves nele ;)

O lugar era outro, mas o sentimento era o mesmo, não era um sentimento estranho, era algo familiarizado, aquela velha sensação que estava escondida no porão, dentro de uma caixa, com corrente a sete chaves e enterrada. Não era uma boa memória, não era algo para ser revivido, mas era algo que moldou quem Charlie Bloson se tornou.

Ele se lembrava muito bem, da sensação nova, que o garotinho tinha acabado de descobrir, era aterrorizador e mágico, era como andar em uma montanha russa, sentir aquele frio na barriga, era excitante e revigorante. Isso foi há muitos anos atrás, em um passado muito distante, mas Charlie se lembrava como se fosse ontem, o simples toque, o vento da descida, o grito abafado no eco, e o som de algo caindo. Mas o pior de tudo foi à voz, aquela voz rouca, impregnada na nicotina, era um misto de espanto e raiva. Até em seus piores pesadelos ele ainda ouvia aquela voz masculina, que o aterrorizava até hoje: ‘’ Garoto, o que foi que você fez?’’ Charlie sabia que não era uma pergunta, apenas uma reação de espanto.

Agora muitos anos depois, algo improvável aconteceu, alguém havia conseguido despertar essa sensação em Charlie, a partir do momento em que ele ouviu um ‘’ —Hey, mas que merda você tá fazendo?’’ ele sabia que esse poderia ser seu fim.

Charlie estava em favor, o lugar em que se encontrava estava escuro e imerso nas sombras, como uma criatura maligna, o forasteiro, o perturbador estava na parte iluminada pela lua no estacionamento.

Charlie só conseguiu identificar o cabelo longo e a figura musculosa, por uma fração de segundo passou em sua mente em entrar em luta corporal com o sujeito, apesar de ser extremamente forte, Charlie não sabia se estava em desvantagem. Antes de arriscar descobrir se ele podia ou não dominar o tal homem, ele saiu correndo em disparada.

Charlie havia estacionado o carro a poucos metros de distancia, mas parecia uma corrida interminável. Ele escutava o som do outro homem correndo, ele gritava alguma coisa, mas Charlie não conseguia entender o que era. Ele apenas correu, o mais rápido possível, correu como uma presa foge do predador, o que era algo inusitado, pois era sempre ele quem perseguia, e não o contrario.

Assim que chegou ao carro, Charlie literalmente pulou para dentro do veiculo, e arrancou a toda velocidade. Os pneus fizeram uma espécie de grito excruciante enquanto Charlie via pelo retrovisor o homem com cabelos ao vento correndo e parando, após ver que correr atrás do carro era algo inútil.

Charlie sentiu-se inundando pelo ódio, um sentimento que o rasgava por dentro, dilacerava suas vísceras, um torpor quente como um uísque, tudo o que ele queria era bater em algo, e o volante era o que ele tinha de mais próximo.

—Porra, porra, merda, merda, COMO? COMO ELE OUSA ME INTERROMPER! QUEM AQUELE FILHO DA PUTA PENSOU QUE ERA PARA IR ME ABORDANDO? COMO EU PUDE SER TÃO IDIOTA A PONTO DE ME ARRISCAR VOLTANDO A PORRA DAQUELE SUMERPERCADO! MERDA! — Charlie gritava e esmurrava o volante que buzinava com as pancadas.

Chegando em casa, Charlie estava mais controlado, ele se jogou em sua poltrona e logo Jeffi pulou em seu colo ronronando.

—Eu sei, eu sei você está com fome — ele disse afagando o gato branco que ronronava e mordicava seu rosto— papai trouxe seu lanchinho especial, mas agora eu acho que vai demorar um pouco para trazer outro, já que você comeu dois dias seguidos, seu guloso. Está ficando muito arriscado para o papai sair brincar ultimamente. Pois bem, vou dar sua comidinha— Charlie disse levantando-se— Amanhã será um longo dia, tem uma pessoa que eu preciso visitar.

Na manhã seguinte Charlie acordou bem cedo, colocou um velho jeans surrado e uma camisa social preta, ele tinha planos para a manhã e não envolviam lidar com terra ou flores.

Ele passou primeiro na casa de Alfredo para devolver o carro dele (que foi muito útil, diga-se de passagem) e pegou sua velha caminhonete, seu destino era a Penitenciária de Nevada.

Charlie evitava aquele lugar ao máximo, temendo que um dia talvez aquele local pudesse ser sua casa. Fazia alguns anos que ele não visitava aquela velha pessoa. Mas no inicio da semana ele recebeu uma carta da justiça informando-o que alguém havia pedido uma condicional, e Charlie sabia melhor do que ninguém que ele não podia sob hipótese alguma deixar aquela prisão.

Chegando lá, providenciaram uma dessas salas de visita para Charlie conversar ele, havia anos que Charlie não via aquele homem, mas ele sempre assombrava seus piores pesadelos.

Assim que Charlie entrou na sala ele sentiu como se tivesse voltado ao passado, o cheiro de nicotina, o olhar de falsa piedade que aquele homem tinha. Agora ele não era mais forte como antigamente, era um saco de rugas, um velho franzino, quase sem cabelos, caquético e patético.

O velho tinha um ar superior, o ar daqueles que se julgam melhores, se julgam não culpados, mesmo sendo, mas no fundo Charlie conseguia farejar o medo nos olhos daquele velho. O velho deu uma tossida.

—Garoto, faz muito tempo que você não vem me ver. Como você está? —ele disse sorrindo com aquela dentadura amarelada.

—Eu não sou mais um garoto, estou ótimo, e acredito que você também está ótimo aqui dentro, não vejo nenhuma razão para uma condicional você me parece muito bem confortável aqui. Sua pena não era perpetua se bem me lembro? — Charlie sentia uma grande repulsa de olhar para aqueles olhos azuis.

—Já faz trinta e sete anos que eu estou aqui, garoto, sempre me comportei bem, e você sabe melhor que eu que eu não mereço estar aqui.

—Desculpe minha ignorância, mas para a maioria das pessoas assassinato é algo muito grave.

—Eu posso começar a enumerar varias coisas ruins que eu fiz, mas assassinato não é uma delas e você sabe muito bem disso, eu fiz muitas coisas de errado, mas eu NUNCA toquei em um fio de cabelo dela, nunca! — O velho tremia e seus olhos eram dois poços de fúria— Eu a amava-a mais que tudo, Rozetta era tudo para mim...

—Limpe sua boca imunda para pronunciar o nome dela, você não podia amar ela porque ela pertencia a outro! Se você a amava tanto teria ficado longe dela, e não teria feito o que fez!

O velho ameaçou se levantar, mas estava com os pés e mãos algemados.

—Mentiroso, Charlie Bloson você é um mentiroso. Pare de negar para si mesmo o que você mesmo fez, veja suas mãos, são calejadas, e suas unhas sujas de terra, você seguiu a mesma profissão que eu.

—Eu não sou um jardineiro de merda, sou um botânico. — Charlie disse com os dentes serrados se levantando, dando as costas para o velho.

—Hey garoto, eu ouvi dizer que tem um maluco a solta matando mulheres e enfiado flores dentro delas, gozado não acha? —O velho disse com uma voz de zombaria.

—Eu acho que é mais um motivo para você não sair daqui de dentro, Theodore. — Charlie disse deixando a sala.

Depois do almoço, Charlie tinha mais um compromisso, cuidar do jardim de Scarlett. Ele queria ficar longe dela, mas ao mesmo tempo queria ficar junto dela o tempo todo, sentir o cheiro dela, tocá-la, ele queria possuí-la, mas havia conflitos entre o viver o morrer que o deixava preocupado.

Charlie buzinou na frente da casa dela, e ela saiu linda e radiante. Mostrando as pernas brancas como o leite em um shorts jeans desfiado de cintura alta e usando uma regata branca. Charlie sentiu algo crescer.

—Vejo que alguém está realmente disposto a cuidar do meu jardim.

‘’ Você não faz idéia de como’’ ele pensou, mas apenas sorriu e disse.

—Eu cumpro com meus compromissos.

Ela abiu um amável sorriso e o ajudou a pegar os artefatos de jardinagem.

Charlie estava a algumas horas mexendo na terra, adubando para colocar a grama, e Scarlett estava ajoelhada ao seu lado ajudando-o como podia. Ela era doce e delicada, seu perfume era inebriante, entre uma conversa ou outra as mãos de ambos as vezes se tocavam, passando a eletricidade de um para o outro.

Ela fazia inúmeras perguntas, mas Charlie não conseguia ficar irritado com ela, apenas esquivava da maioria delas com outras perguntas.

—Seus pais também moram em Nevada, Charlie? — Ela disse colocando uma flor atrás da orelha.

—Não, eles estão ambos mortos.

—Oh, sinto muito. — Ela disse fitando o chão.

—E os seus? São vivos?

—Sim, eles moram na Carolina do Norte. Do que seus pais morreram?

—Você faz muitas perguntas não acha? — Ele disse rindo

—Me desculpe, eu sou péssima em puxar assunto. — Ela ficou corada.

—Não há com o que se desculpar, meu pai era veterano de guerra, morreu quando eu tinha 8 anos de um ataque cardíaco e a minha...— ele fez uma longa pausa seguida de um suspiro— mãe, ela morreu de velhice um tempo atrás. —Ele deu um riso desconcertado, e tentou mudar o assunto para não gerar mais perguntas. —Está muito quente hoje não é mesmo?

—E que dia não está quente nessa porra de cidade... Ai! Merda! — Ela disse coçando os olhos.

—O que foi? — Charlie largou a pá, e se direcionou á ela.

—A porra de um cisco entrou na porra do meu olho e a porra das minhas mãos estão sujas droga, você consegue ver se tem alguma coisa dentro dos meus olhos? — Ela disse se aproximando perigosamente.

Charlie mostrou-lhe suas mãos mais sujas ainda.

—Se suas mãos estão sujas imagine as minhas. Tem outra maneira de tirar cisco dos olhos, mas não sei se você vai querer.

—Qual é? Não importa inferno, tá doendo demais tire, por favor. — Os olho dela estavam lacrimejando

—Dizem que uma maneira eficaz de tirar um cisco dos olhos de alguém é com a ponta da língua, lambendo dentro do olho, mas você quem sabe.

—Tudo bem, vai em frente.

Charlie se aproximou do rosto dela, encostou a língua naquele olho cor de âmbar, o gosto salgado das lagrimas logo veio, Scarlett estava ofegante e segurando o risco. Charlie parou e cuspiu do lado.

—Pronto saiu, você quer no outro também? — Ele sabia que só um olho tinha o cisco.

—Claro, porque não. — Ela disse com um sorriso travesso.

Charlie colocou a língua no olho dela, lambendo vagarosamente, saboreando aquele gosto salgado, era delicado e excitante ao mesmo tempo. Ele sentia a respiração ofegante dela, os rostos colado um no outro, ele sabia que algo iria acontecer se ele não parasse com isso.

—Pronto, é, eu preciso ir, você também precisa de um regador para ir cuidando, depois eu trago um para você, e amanhã ou depois eu volto para terminar.

—Sim claro, muito obrigada por tudo Charlie.

— Não me agradeça, o prazer foi meu. Sempre que tiver um cisco pode me chamar. — Ele disse sorrindo.

—Eu não me esquecerei, pode ter certeza. — Ela disse soltando um riso contido.

—Ah! Ah propósito, você tem lindos olhos, bonitos e salgados. — Ele disse entrando na caminhonete.


Notas finais
E ai quem quer uma lambida?
Não se esqueçam de comentar eu adoro os coments de vcs, pode ser aqui, no twitter, no face ou por sinal de fumaça.

PS: No próximo capitulo, será O capitulo, aguardem.

Bjs e até a próxima.