O Mais Belo Espinho De Sangue

38 Capítulo 38 - Garoto de Surra


You said I was the most exotic flower,
Hold me tight in our final hour.

Erzsébeth Pansy sentia o gosto da bílis em sua boca. Seu corpo mandava reflexos em sua garganta, um gosto amargo e nauseante da saliva quente que se acumulava inundando sua boca com uma sensação desagradável.

O problema é que ela não podia gritar amordaçada. A mordaça enchia sua boca de repulsa.

Ela também não podia ver com os olhos tapados com uma faixa.

E também não podia se mover com ambas as mãos e pés presos a agora uma corda, deitada de bruços no sofá de sua casa na fria Hungria.

Ela tinha certeza que sua imagem seria um deleite para os sados masoquistas. Felizmente ela não tinha nenhum por perto, apenas um serial killer e um agente do FBI um tanto quanto empolgado um pouco demais em prender todo mundo.

Pessoalmente Pansy achava desnecessário ser amarrada e a amordaçada como uma fugitiva sem contar que era humilhante. A última vez que ela fora presa teve arame farpado rasgando seu canal uterino. E o que seria cômico se não fosse trágico é que dos dois homens no apartamento o mesmo que a tinha prendido alguns anos atrás também estava presente ali, mas não em situação melhores que a dela, isso ela sabia.

Isso a fez se lembrar de Charlie, ela não conseguia ouvir nenhum som do homem desde que o Agente Super-Especial Bruce Taunt a tinha deixado nessa posição desconfortável, tudo porque ela resolveu estourar os miolos dele ao invés dos do homem que tinha deixado ela cheia de marcas para sempre. Parecia justo.

Aparentemente Taunt não compartilhava o mesmo raciocínio que Pansy, pois o revolver que ele tinha gentilmente cedido á ela estava vazio. Era uma cilada. Pansy foi estúpida de não se lembrar que Taunt gostava de alguns joguinhos psicológicos.

Desde o tempo do FBI ele tinha uma maneira estranha de trabalhar, sempre que tinham que interrogar algum suspeito ele dissecava o psicológico do suspeito, submetendo-o á mais intensa tortura psicológica até o infeliz vomitar tudo o que sabia para Taunt. Essa era sua maneira de trabalhar, essa era sua estratégia e isso o fez ser o ‘’melhor’’ no FBI.

Pansy nunca gostara dele, e agora gostava muito menos.

Ela estava atrofiada desde os seus dias de ouro no FBI, não trabalhava mais em campo, não lidava mais com psicopatas, na realidade ela estava exclusivamente dedicando 24hs de seu dia a pensar e respirar apenas um: Charlie Bloson.

Pansy não estava lidando a situação com frieza e com a calma que uma agente do FBI deveria ter e ela tinha plena consciência disso, estava se portando como uma donzela em perigo esperando pelo seu cavalheiro da armadura brilhante. Não precisava ser muito esperto para perceber que isso não iria acontecer. Ela precisava adotar sua antiga postura durona novamente, e se Taunt queria fazer jogos psicológicos e foder a mente dela, ela estava preparada e pronta para dançar conforme a música.

Sentiu o couro da cabeça arder, alguém puxava seu cabelo forçando-a a sentar-se. Como Charlie estava preso e devidamente algemado ao aquecedor até onde ela sabia, só podia ser uma pessoa que estava fazendo isso.

Ela sentiu algo cortando a corda que atava os pés ás mãos, ela poderia tentar se espernear, mas sabia isso faria com que apenas levasse uma coronhada de arma na cabeça. Taunt desatou a corda, Pansy sentiu os braços e as pernas formigarem com a circulação voltando. Ele a sentou no sofá e prendeu os pés com a corda e as mãos com aquele lacre vagabundo que ele estava usando para prendê-la, provavelmente porque só tinha uma algema e ela estava sendo usada. Pelo menos ela estava sentada e não de bruços, amarrada, porém sentada.

Pansy abriu os olhos sendo cegada por um instante pela luminosidade do cômodo, não sabia quanto tempo tinha ficado naquela posição, mas fora o suficiente para deixá-la mais atordoada.

Taunt estava sentado no braço do sofá com o charuto na boca, a arma em punho. Charlie continuava preso no chão. Ele fitava os próprios pés. Pansy queria saber o que diabos estava passando pela cabeça dele. Se ele tinha algum plano de matar todo mundo e sair dali talvez.

Taunt jogou a fumaça do charuto para cima e voltou-se a Pansy.

—Muito bem Pansy. Nem preciso dizer que os anos deixaram você meio burra não é mesmo? Tentar atirar no seu próprio chefe e salvar o assassino psicopata? — Taunt fez um som negativo com a boca. — Tcs tcs tcs péssima idéia, péssima! Pois bem, vamos ao que interessa. A qualquer momento minha equipe vai chegar aqui e vocês serão deportados de volta para os Estados Unidos, enquanto isso eu preciso recolher algumas provas, se vocês não se importam é claro.

—Faz algumas horas que você tá falando que a sua equipe vai chegar e até agora eu não vi nenhum sinal que provasse isso. Fala sério Taunt, tenho quase certeza que ninguém deu importância pro monte de merda que você fala e ficaram felizes em se ver livres de você, mandando você pra essa porra de país gelado. Nem algemas decentes você tem, tá me prendendo precariamente. — Pansy revidou.

Taunt revirou os olhos.

—Pra quem vai ser presa você está muito insolente não acha? Eu já disse não que eu deva satisfação alguma pra você, mas a neve bloqueou as saídas principais logo eles estão ai. Como eu ia dizendo, preciso de uma confissão de vocês, do garotão ali — Disse Taunt apontando o charuto para um inerte Charlie — confessando tudo, e sua também Pansy, nos contando como virou cúmplice dele e essas coisas.

—Enfie esse gravador no cu Taunt! Já disse que não tenho nada para confessar seu retardado! — Pansy disse irritada.

Taunt assentiu, apagou o charuto no cinzeiro que tinha na mesa de centro, e foi com o gravador em punho até Charlie.

—Pois bem, e você. Temos um tempinho ainda até o FBI te prender pra valer, então pode começar a sua confissão. Se você quiser fingir um choro para dar mais realidade não vai ter problema algum. — Taunt disse se agachando ao lado de Charlie.

Charlie ergueu o olhar para Taunt. Seu olhar era frio e inexpressivo como uma máscara não esboçando nenhum sinal de raiva, vergonha ou arrependimento. Apenas um monte de nada.

—Eu não vou falar nada até a presença de um advogado. Estou exercendo meu direito como cidadão. — Charlie disse lentamente.

Taunt ficou tão vermelho e irritado que por um momento Pansy achou que a cabeça do homem poderia explodir. Infelizmente isso não aconteceu. Ele se levantou e disse:

—Sabiam que antigamente a nobreza e a realeza quando ficavam zangados com seus filhos, ou esposas, ou quando os mesmos aprontavam, eles precisavam ser punidos, correto? Mas como um rei ou um nobre iria descer o braço em principezinhos e princesinhas ou até mesmo na rainha? Pra isso eles tinham algo chamado ‘’Garoto de surra’’ ou garota tanto faz. Eles usavam esse empregado para sempre que fosse desacatados e como não era muito nobre bater na rainha, eles batiam nesse empregado de surra. Como a rainha não podia ver o coitado sofrendo prometia se comportar e essas baboseiras. Enfim vocês têm uma idéia de onde eu quero chegar?

Pansy sabia que esse era mais algum joguinho maldito de Taunt e ela não iria cair nisso. Charlie pela primeira vez voltou sua atenção para Taunt fitando-o.

Taunt se aproximou de Pansy e tocou seu cabelo. Pansy tentou conter um leve tremor que subia de sua perna, ela não podia sucumbiu ao jogo dele.

Ele passou a mão pelo rosto de Pansy, e Charlie continuava a observar com seu olhar frio e impenetrável, era impossível saber o que se passava na cabeça dele. Taunt desceu a mão até o pescoço de Pansy e encostou sua arma nele. Pansy sentiu os pêlos da nuca se eriçar.

Charlie continuava a observá-los quieto. Pansy não podia nem o ver piscar ele continuava com a mandíbula cerrada.

—Mas temos um pequeno problema. Um de nós não tem sentimentos. Infelizmente um entre nós é um psicopata filho da puta e...

—Pare de falar com o espelho, Taunt! — Pansy disse em tom de deboche.

Taunt a ignorou.

—A principio eu pensei em fazer o Sr. Bloson confessar tudo o que tem de podre sobre ele, machucando um pouquinho você Pansy — Taunt destravou a arma e Pansy engoliu a seco. — Porém eu poderia escalpelar você e ele não ia nem bocejar. Por isso você vai convencer ele a falar. — Taunt disse determinado.

Pansy não estava gostando da direção que aquilo estava tomando.

—Eu não vou convencer ninguém, não trabalho mais pra você. Se quiser fazer ele falar, tente você mesmo. —Pansy disse desafiando o homem.

Um leve sorriso passou pelos lábios bem definidos de Charlie, ele aparentemente achava graça da situação.

Taunt se levantou e destravou a arma. Ele tinha uma mala no outro sofá e foi até ela abrindo-a a pegando algo que Pansy não conseguiu identificar o que era. Ele se aproximou de Charlie que o encarava com uma pequena curiosidade.

Taunt tinha um taser de choque em suas mãos e o colocou no tórax de Charlie.

A principio Pansy achou que ele estava tentando intimidá-la, mas com a primeira descarga de choque Charlie bateu a cabeça com força na parede enquanto tremia e virava os olhos. Taunt olhava para Pansy enquanto dava o choque em Charlie. O som era aterrorizador, Charlie fazia um som estranho com a boca e um pouco de saliva se acumulou no canto da boca dele.

Taunt estava tentando causar um impacto em Pansy.

Pansy se esforçou ao máximo para fazer uma cara de pôquer e mostrar que não se importava. Deu certo, Taunt parou o choque. Charlie ainda tremia.

—Você sabe que não pode competir comigo, Pansy. Vamos lá, me diga desde quando vocês dois estão se vendo e se ele tem matado mais alguém desde então, ou peça para que ele comece a falar.

—Enfie seu taser no seu rabo peludo. Eu não tenho nada pra te falar, Taunt! — Pansy disse tentando soar o mais convincente o possível.

—Você me deu uma ótima idéia Pansy, mas isso seria nojento, não quero molestar seu namorado. —Taunt falou. — Não é mesmo amigão?

—Vai... Se... Foder! — Charlie disse por entre os dentes que tremiam.

Taunt aproximou a arma de choque do lado direito do peito de Charlie e o ligou aumentando a voltagem. Charlie tremia enquanto gemia e babava. Seus olhos eram duas bolas brancas.

Pansy não podia demonstrar, mas aquilo estava acabando com ela.

Taunt continuou o choque e parou. Charlie tremia com o corpo quase deitando no chão. Taunt deu um chute na barriga de Charlie.

—Sente-se! Não seja fraco, temos ainda muito que conversar. Está pronto para começar a falar?

Pansy sentiu algo quente escorrendo pelo seu rosto. Lágrimas involuntárias e salgadas escorriam quebrando sua estratégia de permanecer calma.

—Vamos Pansy! Há quanto tempo vocês estão se vendo? O que você sabe sobre ele? —Taunt perguntou transparecendo sua impaciência.

Pansy balançou a cabeça negativamente.

—Eu o encontrei há algumas semanas, eu não sabia que ele tava aqui eu juro! —Sua voz soava desesperada e ela estava desesperada, talvez não fosse tão forte quanto julgava ser. — Eu sei tanto quanto você, Taunt!

Taunt balançou a cabeça negativamente.

—Resposta errada. Eu sei que você está escondendo alguma coisa, mas só há uma maneira de saber. — Ele disse aumentando a potencia do taser. — Você sabe o que acontece se eu colocar isso perto do coração dele? Na melhor das hipóteses ele tem uma convulsão, na pior um ataque cardíaco. Mas só testando para saber não é mesmo? — Taunt colocou a arma de choque no lado esquerdo do peito de Charlie. — Isso não vai demorar muito amigão.

Charlie abriu os olhos que estavam fechados e balançou a cabeça lentamente.

—O que você disse? Fale mais alto. — Taunt pediu.

Pansy tentou limpar as lágrimas no ombro.

—Ela... Não tem n-ada —Os dentes de Charlie ainda batiam uns contra os outros. — A ver comigo. Não estamos tendo um caso. N-não somos cúmplice, eu sou só um babaca que fica perseguindo ela.

Taunt tirou o Taser de Charlie.

—Você continua matando mulheres, Charlie? — Taunt perguntou.

—Tem um cadáver dentro da minha banheira, então sim. Mas com menos frequência do que era antes. — Charlie disse lentamente. Pansy observava atenta.

Taunt mantinha o gravador ligado.

—Quantas pessoas você já matou Charlie?

—Eu parei de contar nos anos 90.

Taunt arregalou os olhos.

—Você mata homens e mulheres?

—Mulheres preferencialmente, homens só quando eles me atrapalham. Como aquele cabeludo que entrou na minha floricultura naquele dia do incêndio.

O coração de Pansy pulou uma batida.

—Você matou o Johnny?? — Pansy perguntou levantando a voz.

—Silencio Pansy! Ninguém te deu ordem pra falar.

Charlie afirmou com a cabeça.

—Sim, eu dei uma droga injetável pra ele misturada com ácido sulfúrico. — Ele disse fitando o gravador.

Pansy estava soluçando e chorando de novo. Charlie era uma caixinha de surpresas.

—Quem foi sua primeira vítima, Charlie? — Taunt perguntou.

—Minha mãe. A empurrei dentro de um poço desativado na casa em que morávamos.

—Você gosta de matar mulheres Charlie? — Taunt perguntou apreensivo.

Charlie não respondeu.

Taunt ligou o Taser.

—Eu me sinto... Eu me sinto elétrico quando tiro a vida de alguém, vejo como matar é uma coisa normal para mim. Como aquelas pessoas viciadas em exercício, que sempre que levantam um peso sentem a adrenalina percorrer seus corpos e a energia fluir. Quando o sangue quente escorre entre minhas mãos e a pele quente vai se tornando fria, sinto-me... Vivo. — Charlie tinha um brilho obscuro em seu olhar.

—Como você matava as suas vítimas? E como você as capturava? —Taunt mantinha o olhar fixo e sério em Charlie.

—Eu não as capturava, elas vinham na maioria das vezes por vontade própria. Eu dava uma carona, pegava elas em um bar, em uma festa ou até mesmo no estacionamento do supermercado. As pessoas dizem que eu sou bonito então acho que elas não iriam entrar no carro de um homem feio. Não, naquela época eu tinha minha caminhonete de flores, as mulheres adoram flores então esse era mais um atrativo. —Charlie falava encarando Pansy, que ouvia á tudo horrorizada com a frieza.

—Como você as matava Charlie? — A voz de Taunt era firme, porém serena.

—Dependia do que eu dispunha, às vezes eram estranguladas, outras vezes eu cortava a garganta delas, como se mata uma galinha sabe? Outras era um golpe de faca certeiro no coração. O que eu mantinha era a cerimônia de depositar a rosa dentro delas. —Charlie não apresentava nenhum sinal de remorso.

—Como você as torturava? Porque você fazia isso?

Charlie ignorava a presença de Taunt e continuava a olhar Pansy, seu olhar era desafiador e encantador, ela ainda sentia seu corpo responder aquele olhar. Isso era doentio e ela se sentia enojada de si própria de alguma maneira ainda gostar dele de se sentir atraída por ele. Aquilo não era amo, era uma fixação. Ambos eram obcecados um pelo outro e só agora ela via isso com clareza. Erzsébeth Pansy sabia que era tão oca e fria por dentro quando Charlie e que nunca realmente aprendera como amar alguém.

—Eu as prendia á uma mesa, maca, enfim á alguma superfície plana. As deixava imobilizadas e amordaçadas, não gostava de ouvir as vozes delas... —Charlie respirou fundo por um segundo. —Apenas seus gritos, eles eram como doces melodias de verão. Eu as cortava com pequenas facas de jardinagem, usava alguns alicates para apertar os dedos delas, às vezes as coisas saiam do controle e eu tinha que recolher alguns pares de dedos que ficavam pelo caminho. Os espinhos também era muito importantes eles tem um certo tipo de... Aderência a pele, entende o que eu digo? Eles deslizam facilmente sob a carne macia fazendo com que o sangue escorra lentamente pela pele. Geralmente eu colocava a rosa dentro delas ainda vivas, era muito importante que elas presenciassem o momento em que eram puras novamente. Infelizmente nem sempre dava tempo, algumas morriam antes da hora mas eu colocava mesmo assim. Também usava algumas plantas venenosas para causar algumas urticárias na pele. —Charlie riu baixinho — É incrível ver como elas gritavam e se contorciam com a pele pegando fogo. Porque eu fazia isso? Ora, porque elas mereciam ser purificadas, tudo fazia parte do trabalho de tirar a imundice delas e deixá-las prontas para serem limpas e puras novamente. —Charlie ainda estava convicto que fazia a coisa certa.

Taunt tinha um olhar de repulsa, e Pansy sentiu um leve arrepio pela espinha.

—Você se arrepende de alguma coisa? — Taunt perguntou.

—Sim. —Charlie abriu a boca, tornou a fechar e depois abriu novamente. Ele parecia tão vulnerável preso e machucado encostado na parede. — Me arrependo de não ter matado ela. —Charlie disse olhando para Pansy, que sentiu um enorme nó em sua garganta.

—Quando a Agente Pansy se aproximou de você, sua intenção era matá-la?

—Quando eu a vi pela primeira vez sim. Depois eu achei que seria bom ter uma namorada. Ser um cara normal com um relacionamento normal, não para provar para mim mesmo que eu sou normal, mas para que não levantassem suspeitas sobre mim.

Pansy sentiu como se cravassem um punhal em suas costas.

—Como você se sente sobre isso, Pansy? — Taunt a instigou.

—Um homem que faz uma besta dele mesmo não tem nada a perder. — Pansy disse olhando para Charlie que pela primeira vez a olhava dentro dos olhos, ela não sabia dizer o que passavam por aqueles olhos verdes, mas não era indiferença.

—Quando você prendeu e torturou a Agente Pansy, você ia matá-la Charlie?

Charlie fechou os olhos e respirou profundamente. Prendeu a respiração e soltou pela boca, ele ainda deveria ter dores pelo ferimento de bala no ombro.

—Charlie? — Bruce perguntou. — Você se considera culpado pelas vidas que tirou?

—Eu ia matar a Erzsébeth. Ia matá-la aos poucos. Mas não para punir ela, mas para me punir por me deixar levar. Sim, eu sou culpado. Se eu a tivesse matado aquele dia ela não estaria indo para a cadeia agora por algo que ela nem sequer fez. Eu não deveria me importar com isso. Afinal eu nunca me importo. Sim, eu deveria ter matado ela quando tive a chance. — Pansy não tinha certeza se via lágrimas nos olhos de Charlie. Aquilo não fazia sentido.

—Sim. — Ela concordou. —Você devia ter me matado quando teve a chance. Você fez algo muito pior do que me matar. — Pansy fez uma longa pausa. — Me deixou viva e morta por dentro.