Notas iniciais
Olá, pessoal espero que gostem, não se esqueçam de dizer o que acharam.
Esse capitulo está um pouquinho complexo, mas nada impossivel :)
Boa leitura!

A necessidade é algo complexo, ela começa crescendo gradativamente, corroendo por dentro, primeiro começa como um comichão, algo insignificante, uma picadinha de mosquito, sim sua presença é notada, mas ela é ignorada, não passando muito tempo a coceira aumenta, o que antes era algo insignificante se torna significativo de alguma forma, vai aumentando com o passar do tempo, como quem não quer nada a necessidade aparece se esgueirando pelas beiradas, se escondendo no escuro, farejando que a vontade precisa, fazendo-a aumentar, e uma coiceirinha insignificante se torna uma úlcera latejante, pulsando sobre a pele, inchada, pronta para estourar e arrebentar a qualquer momento e o que era antes apenas uma vontade, um pensamento fútil se torna uma necessidade irremediável, inadiável, ela precisa ser preenchida, precisa ser atendida, ela grita, berra ensurdecedoramente, ela precisa ser ouvida! Não deixe a necessidade bater a sua porta e ir embora, pois ela não irá, ela deve ser ouvida e principalmente obedecida.

Os movimentos eram contínuos, quase que como ensaiados, um vai-e-vem que se repetia há alguns minutos, deliberadamente, para frente e para trás, um balanço forte e precipitado, continha fúria, desejo e acima de tudo a necessidade. A pressão aumentava, a adrenalina começava a fluir preenchendo as veias de todo o corpo. Seus cabelos longos e ruivos se movimentavam, balançavam com o vento que entrava da janela, a ruiva se retorcia e requebrava, ela sabia o fazia, e desenvolvia a performance com destreza. Seus cabelos ruivos caiam em cascata pelas costas, ondulados e vermelhos, uma cor definitivamente perigosa.

A ruiva gemia, gemia de maneira alta e exagerada, Charlie levantou a mão e tapou a boca dela, os sons estavam começando a irritá-lo, tirando-o o de seu transe interno. Ela longe entendeu que era para ficar quietinha e não falar nada, ações falavam mais alto que palavras ou sons. De toda maneira seria impossível manter algum diálogo com a mulher de cabelos vermelhos, ela dominava a cama e não o idioma que Charlie falava, seu dialeto era inteiramente húngaro e ele apesar de todos os anos vivendo nessa terra distante ainda não tinha domínio absoluto sobre ele.

A prostituta húngara dançava no colo de Charlie, de costas para ele, ele não queria ver o rosto dela, não queria observá-lo e perceber que tudo aquilo não passava de uma farsa, portando, ele jazia deitado na cama e ela sentada em cima dele de costas, tudo o que ele podia ver e tudo o que ele queria ver eram aqueles longos cabelos ruivos.

Seu membro estava ereto, seus olhos estavam fechados, e a fêmea desempenhava seu papel, Charlie tirou as mãos suadas da boca dela e as apoiou nos quadris esguios da mulher, suas costas, assim como o resto do corpo era manchados pelas sardas, uma característica singular da ruivas naturais, mais uma coisa que estragava a imaginação do homem, sua Erzsébeth não era ruiva natural, definitivamente não. Mas tudo o que ele tinha naquele momento era uma mulher que ele encontrou rondando perto da ponte do Danúbio, Charlie fora extremamente exigente quando disse que queria a prostituta ruiva, ele precisava dela, a necessidade falava mais alto.

De olhos fechados, enquanto estocava dentro da mulher, sentindo a quentura interna dela em contato com seu corpo, Charlie Bloson sabia que aquilo não lhe era motivo de orgulho, muito pelo contrário, era algo ultrajante e extremamente desconcertante e constrangedor, procurar auxílio a uma mulher da vida, uma mulher que vende o corpo a estranhos por dinheiro, ele não se orgulhava de ter pagado por sexo, e ele era completamente ciente que poderia ter a mulher que desejasse, afinal de contas, sem falsa modéstia ele sabia que era considerado um homem extremamente atraente, porém não, esse não era um risco que ele podia correr, não poderia manter um relacionamento, não podia nem tentar se dar ao luxo de fazer isso, já que dá última vez as coisas deram errado, ele não queria proximidade, não queria intimidade, queria apenas sexo, queria sua Erzsébeth de volta, queria tê-la em seus braços, e também queria tirar a vida de alguém, queria sentir o sangue pulsando em suas mãos, a luz da vida se apagando, e ele queria ser o causador.

Infelizmente querer não é poder, e ele não estava em posição de fazer exigências e escolher o que queria, tinha que se contentar em trepar com uma prostituta, apesar de nunca ter dado muita importância a consumação carnal, depois de Scarlett/Erzsébeth tudo mudou, tudo tinha um sentindo diferente e revigorante.

Ele não conseguia, simplesmente não conseguia obter prazer nenhum daquilo, aquilo não fazia sentido nenhum, tirou a mulher de cima dele, a empurrando de lado, a situação era absurda e ridícula. Ela o fitava sem entender nada, provavelmente achando que tinha feito algo errado, muito pelo contrário, o problema não era com ela, Charlie era o errado, ele simplesmente era uma pessoa errada de todas as formas e maneiras possíveis e imagináveis.

A mulher fez a menor menção de voltar ao trabalho, mas Charlie protestou, a empurrou novamente mostrando que não estava interessado, ela o fitava, com o rosto sardendo, suas sardas cobriam os pequenos seios, ela definitivamente não era sua Pansy, nem em sua imaginação ele conseguia visualizá-la ali.

Charlie esticou a perna, a mulher continuava sentada na cama sem saber o que fazer, Charlie fitou sua nudez e em seguida olhou para o pé. O mostrou para a mulher, não precisavam falar o mesmo idioma, ela sabia perfeitamente o que aquilo significava. Ela o olhou com receio, mas Charlie manteve-se firme e forte, apontando ainda para o pé, ela era paga para obedecer todos os tipos de esquisitices na cama, e não para reclamar ou questionar.

Foi justamente o que ela se, se aproximou do pé do homem e sentou-se nele, ele via em seus olhos, que aquilo não era nem um pouco prazeroso para ela, mas ele não se importava se ela gostava ou não, o que importava era ele, Charlie esticou o pé, fincando-o ainda mesmo dentro da mulher, inserindo todos os dedos, aquilo estava começando a se mostrar interessante, ela gemia de descontentamento, Charlie havia cansado de ser delicado, ela iria gritar com gosto.

Sem avisos prévios ele enfiou o pé inteiro dentro da mulher, de uma única vez, em um só movimento e o pé estava completamente submerso dentro dela, ela gritou, Charlie continuou movimentando o pé dentro dela, ele sentia a ereção o incomodado, com uma mão começou a se tocar, a mulher tentava se mexer, mas com a outra perna Charlie impedia a saída dela, ela não iria sair dali, ainda não.

O calor aumento e Charlie sentia que estava muito próximo de chegar a seu ápice, introduziu o pé com mais força e o tirou de dentro dela, obtendo seu prazer, assim que o pé saiu, estava pegajoso e quente, Charlie abriu os olhos arfando, seu pé estava completamente coberto de sangue, a prostituta estava deitada na cama, sangrando como uma porca por baixo. Charlie foi até o banheiro, tomou um banho rápido, se lavou tirando toda a sujeira de si,se trocou, e antes de sair do quarto olhou para a cama, os lençóis eram vermelhos e a prostituta olhava fixamente para o nada, um par de olhos mortos o encarava, ele estava satisfeito.

A vida não estava exatamente da maneira que Charlie imaginava ou queria, mas poderia ser pior, ele não estava em um corredor esperando por sua vez na cadeira elétrica pelo menos. Fazia cinco anos desde que ele havia se mudado para Budapeste, tentava viver sua vida de maneira modesta e sem levantar muitas suspeitas, apesar de estar praticamente do outro lado do mundo todo cuidado ainda era pouco. Ele não podia levantar suspeitas, portando trabalhar com jardinagem ou flores, o que era aquilo que ele sabia fazer e amava, estava totalmente fora de questão, ele vinha se mantendo trabalhando em uma modesta marcenaria em Budapeste, fazendo artefatos de madeira, polindo e envernizando, ele era razoavelmente bom, nunca reclamaram dele, podia sobreviver, se manter e não levantar suspeitas.

Morava em um apartamento próximo da Rainha do Danúbio, o impetuoso e famoso rio Húngaro, o rio que cortava as cidades de Buda e Peste, fazendo assim a fusão de Budapeste que nada mais era que as duas cidades Húngaras ligadas pelo rio. Charlie tinha uma boa visão da varanda de seu apartamento do rio, ele era lindo e sempre o fazia perder seu fôlego.

Algumas feridas nunca fecham, nunca completamente, e Erzébeth era uma delas, uma chance de uma vida diferente que ele havia jogado fora, em todos os lugares que ele ia visualizava a mulher, inúmeras vezes parou algumas mulheres nas ruas de Budapeste, no supermecado, ou até mesmo na TV, todos os rostos que ele visualizava sempre era o dela, os sorrisos sempre eram o dela, talvez Charlie estivesse ficando um pouco louco e obcecado. Ele sentia imensamente a falta dela, tentando substituí-la todos os dias, apagar suas memórias, mas isso estava se tornando uma tarefa impossível depois de tantos anos.

Ele era atormentado por pesadelos estranhos, sonhava estar em um campo de rosas, preso entre os espinhos, sem poder se mover, o espinhos rasgavam sua pele, logo acima dele, parada com a luz do sol refletida em seu corpo, estava Erzébeth Pansy, ela trajava um vestido vermelho, o mesmo do dia do casamento de ambos, Charlie podia ver o sangue escorrendo entre as pernas dela, ele tentava esticar o braço para alcançá-la, mas os espinhos não deixavam, ela estendia a mão de volta para ele, mas sua imagem ia se dispersando entre as flores e sumindo, ela lhe dava um sorriso, e seus dentes estavam manchados de sangue, Charlie queria tocá-la mas não podia. Ele acabava acordando ensopado na cama e com o coração saindo pela boca.

Sua rotina era simples, trabalhar na marcenaria, ir para casa, alimentar o gato (com comida própria para gato na maioria das vezes) ele não podia ser descuidado e exibido como era em Nevada, não com o FBI inteiro e até a polícia internacional em sua cola, ocasionalmente, não mais que duas ou três vezes por ano ele dava suas escapadas noturnas e procurava uma parceira de dança, sem se exibir muito, depois de tirar suas vidas, colocava modestamente uma rosa dentro delas e as enterrava em algum lugar estratégico, deixá-las a mostra seria estúpido e insensato, talvez, se ele ainda tivesse sua amada, ele não precisaria fazer isso, se as coisas fossem um pouco diferente, ele poderia ter se tornado um homem decente, mas eram perguntas e hipóteses que jamais teriam respostas.

Após outro dia normal como qualquer outro, sem prostituas, sem pés e sem sangue, finalmente era sexta feira, Charlie foi até um pub, para sentar-se rodeado de estranhos e tomar algumas cervejas. Não que ele apreciasse companhia dos outros, desde pequeno ele sempre aproveitou sua própria companhia, ele era seu melhor amigo e também seu pior inimigo.

Charlie estava sentando, no balcão, bebendo e apreciando sua própria companhia, mas as vezes o destino resolve ser caridoso e dar algumas recompensar a boas pessoas, como Charlie. Uma mulher se aproximou, ela não era muito alta, tinha os cabelos encaracolados e dourados, se sentou ao lado dele e começou a puxar conversa fiada, ela falava o mesmo idioma de Charlie o que facilitou muito mais, algumas horas depois, ela estava amarrada na cozinha de Charlie.

Ele não tinha domínio da cidade, que apesar de pequena ainda era desconhecida para ele, então o homem tinha que se virar com o que tinha, a mulher foi por vontade própria até a casa dele, o que era mais do que previsível, o que não foi por livre e espontânea vontade, foi ser amarrada no balcão frio de mármore de Charlie. Ela o xingava em húngaro e falava coisas inteligíveis que Charlie ficava feliz por não saber do que se tratava.

—Não leva para o pessoal e não me odeie só porque sou bonito, o problema não é você, mas apenas uma necessidade que cresce dentro de mim, é mais forte do que eu poderia ser qualquer uma, mas infelizmente, para o seu azar foi você. — Charlie tentou sinceramente soar verdadeiro, apesar de o sorriso em seus lábios o dedurar.

Após o trabalho ser feito, cuidadosa e cautelosamente, Charlie levou o corpo até um jardim a alguns quilômetros de sua residência, não perto o suficiente para incriminá-lo obviamente, nada mais propicio que ser enterrada entre as flores, todo o trajeto o rio Danúbio o olhava, encarando-o de medo que parecia incriminá-lo, o rio sabia que ele fazia coisas más e o repreendia por profanar sua pátria. Depois de depositar o corpo dela e começar a cavar, Charlie notou que a bolsa da mulher continuava no carro, a pegou e a levou até a cova para enterrá-la junto a mulher, ele estava facilitando a identificação do corpo, existia assassino mais prestativo que ele?

Algo chamou sua atenção, um papel caiu de dentro da bolsa, após enterrar a mulher, ele se aproximou do papel que brilhava no chão e o segurou.

—Hummm. —Charlie soltou. — Isso pode ser interessante. —Ele disse lendo conteúdo do papel.


Notas finais
O que será que ele achou?
E o que vocês acharam?

Bjs e até a próxima o/