O Mais Belo Espinho De Sangue
20 Capítulo 20- Parceira de Dança
Notas iniciais
A gorda, redonda, brilhante e maligna lua cheia brilhava no céu, ela era a única que sabia dos segredos mais perversos e obscuros da noite, guardando todas as obscenidades apenas para ela, observando as travessuras noturnas e servindo como fiel companheira e vigilante da noite. Ela era a única que realmente compreendia Charlie Bloson, há anos sendo sua companhia de brincadeiras noturnas, apenas observando com aprovação tudo lá de cima. Charlie podia jurar ver um sorriso transpassar pela lua.
Fazia oito meses que Charlie não exercia sua atividade noturna preferida, não que ele não sentisse falta ou tivesse abandonado jamais isso era algo que fazia parte dele, ele nunca poderia apagar sua identidade e deixar de ser ou fazer aquilo que ele fazia melhor: a arte da morte.
Ele não havia parado por vontade própria, não em parte, agora que ele era um homem casado e talvez até apaixonado, Charlie achou que talvez, ele pudesse suprir essa vontade, e também ele não tinha tempo para dar suas escapadas noturnas com Scarlett na sua cola o dia todo. Mas nesse dia em particular, Charlie sentiu essa vontade preenchendo todo seu vazio, era como um veneno correndo sobre suas veias, corroendo suas entranhas, ele precisava entrar em contato com o sangue quente, precisava fazer seu trabalho de purificação, ele se sentia sujo e incompleto sem realizar seus desejos. Talvez tenha sido a feira de flores, e todas aquelas variedades de aromas e possibilidades, ou a visão que ele teve de Scarlett com outro homem que o encheu de fúria.
Horas antes, de manhã, quando ele ia para a floricultura e parou no semáforo, ele avistou sua esposa, sua mulher, sua provável amada, e sua propriedade de mãos dadas com outro homem na frente de um café, ela não estava fazendo nada de mais, mas a maneira afetuosa como ela o tratava consternou Charlie. Aquilo não estava certo, como ela ousava fazer aquilo? Ela não sabia que o matrimonio era sagrado, que ela pertencia unicamente a ele, e deveria ser devotada á ele? Mulheres casadas não deviam andar de mãos dadas com estranhos, isso o trazia tantas memórias desagradáveis, Rozetta... Oh Rozetta...
Charlie sentia aquela velha vontade crescendo, de fazer coisas ruins e desagradáveis com Scarlett, mas não, ele sabia que isso era errado, ele não podia fazer isso, ela era seu mundo, seu tudo, seu álibi, desde que eles se casaram ele se sentia seguro.
Charlie não precisou procurar muito até achar sua acompanhante noturna, já que essa era uma dança que não podia ser dançada sozinha, ele precisava de uma parceira.
Aparentemente homens com aliança chamavam mais atenção que os solteiros, instantaneamente tornavam-se mais atrativos aos olhos das mulheres, Charlie não sabia se ficava enojado ou extasiado. O botânico foi até um pub, sentou-se perto do balcão e logo uma moça morena apareceu e puxou assunto, ela tinha uma atitude vulgar, uma dama jamais chegaria a um homem, Charlie começou sua avaliação notando que ela era uma forte candidata. Ele não precisou de muitas investidas, apenas ofereceu uma bebida, que ela aceitou alegremente, a moça tenha atitudes lascivas, gostava de tocar Charlie enquanto falava apesar de Charlie odiar ser tocado por ela apenas sorria e a mulher derretia-se.
Após algumas bebidas e uma conversa fora, Charlie ofereceu uma carona para a morena, que ficou mais do que feliz em aceitar, acreditando que teriam algumas horas felizes em um motel barato, mal sabia ela que era uma passagem só de ida.
Enquanto eles se aproximavam do barracão onde tudo estava imaculadamente preparado, a pobre criatura começou a desconfiar que algo não estava certo.
—Onde nós estamos indo? Não tá meio escuro aqui não cara? —A mulher morena perguntou colocando a mão na trava da porta, achando que tinha alguma chance de escapar.
—Estamos indo para um lugar melhor, onde a diversão não tem fim, bom pelo menos para mim, já para você eu não posso dizer o mesmo. —Charlie sorriu sombriamente, ele se aproximou da mulher que tentava abrir a porta do carro em vão, ele estacionou, e colocou os braços em volta da mulher, ela tentou se debater, mas Charlie era muito mais forte que a coitada, ele apenas deu um mata-leão nela, o que foi o suficiente para que ela ficasse inconsciente.
Antes que ela acordasse, Charlie teve tempo de sobra para amarrá-la a uma espécie de maca que ele tinha arranjado de um hospital que estava se livrando dela, quando ele foi levar uma encomenda de flores, ela era uma dessas macas com amarras para prender pacientes agitados, como dizem, o lixo de um é o luxo de outro.
Assim que a mulher morena acordou, ela estava amordaçada e devidamente amarrada, sem suas roupas, Charlie estava de costas, mexendo em seu novo achado, naquela manhã na feira de flores, ele havia comprado algumas plantas venenosas que causavam terríveis urticárias na pele, fazia algum tempo que ele não as usava. Era simples de identificar uma planta que causasse alergia na pele, basta observar as suas folhas e lembrar-se do conselho: "três folhas, dá bolhas." As plantas que possuem três folhas ligadas a um pequeno caule costumam ser venenosas e ao entrar em contato com a pele causa alergia. E essas que ele havia comprado eram extremamente venenosas, seu contato na pele, causava de imediato uma terrível ardência, bolhas, e vermelhidão, sem contar a coceira, mas só havia uma maneira de saber, usando-as.
A mulher acordou e começou a chorar e gritar, pelo menos tentar.
—Poupe suas lagrimas e seus gritos, você vai chorar com vontade, eu não tenho muito tempo para empregar em você, mas prometo que te mostrarei um rápido, mas doloroso fim. — Charlie disse, passando as folhas (ele usava suas luvas obviamente) na pele macia da barriga da mulher.
Não demorou muito para surtir efeito, a pele dela foi adquirindo uma coloração avermelhada, e pelos gritos que ela dava, provavelmente ardia e coçava muito, não tardou até as bolhas aparecerem, o corpo humano realmente é uma invenção incrível.
—Você não passa de uma vadiazinha suja, eu não deveria fazer isso, mas como sou um homem com um bom coração, vou aliviar sua dor. — Ele disse pegando uma lixa que ele tinha para lixar suas ferramentas. Os olhos da mulher se arregalaram, e ela chorava, gritava e tentava se mexer.
Charlie com toda a delicadeza com mundo, lixou as irritações da mulher, que se tremia toda, a pele sangrava e pulsava, aquilo estava ficando desagradável. Ele resolveu que era melhor tirar aquilo de vez, uma faca resolveria isso de maneira rápida e eficaz.
E foi o que ele fez, simplesmente cortou aquela pele fora, a mulher parecia estar entorpecida pela dor, mas ainda sim gritava, era música para os ouvidos do botânico, e foi fácil remover aquela pele asquerosa dela. Feito isso, Charlie iria plantar sua rosa nela, devolvendo-lhe assim sua pureza.
Parecia que se passaram séculos desde a última vez que Charlie fizera aquilo, mas ainda sim era excitante, todo o processo de colocar o caule espinhoso dentro da mulher, sentir o sangue jorrando em suas mãos. O resto era seu procedimento padrão, tirar o fígado e esperar até ela morrer sangrando, mas dessa vez não, Charlie sentia uma necessidade de tirar a vida dela com suas próprias mãos.
Ele entrelaçou as mãos no pescoço da mulher e a esganou com toda a força que tinha, ele fechou os olhos e visualizou sua Scarlett ali, amarrada, sangrando e asfixiada, Charlie sentiu um sorriso brotar em seu rosto, feliz por não ser sua amada quem estava ali, ele não sabia se teria coragem para isso.
Depois de tudo feito como deveria ser, e as necessidades de Charlie preenchidas (por enquanto) ele depositou sua criação em um canteiro de obras e voltou para casa, faltava pouco para o amanhecer, aquela brincadeira havia tomado um pouco demais de seu tempo.
Chegando em casa, ele deu a recompensa de Joffi, e foi até seu quarto, Scarlett dormia serenamente na cama, Charlie tirou suas roupas e deitou-se ao lado do corpo quente de sua esposa, e a abraçou, ela se aconchegou no lado esquerdo de seu peito, deitando sobre sua tatuagem, ela respirava suavemente e o cheiro dela era inebriante, Charlie afagava a mulher, ele se sentia... Seguro e completo.
Apesar de dormir tarde, Charlie acordou cedo se sentindo revigorando, levantou-se antes de Scarlett e foi disposto até a cozinha preparar o café da manhã para ambos. Ele fez um suco de laranja, torradas, ovos mexidos com bacon, e preparou a mesa primorosamente, assobiando uma canção, a manhã era linda e a vida era bela.
Algum tempo depois Scarlett acordou sonolenta e chegou até a cozinha.
—Bom dia meu amor! —Charlie disse se aproximando dela e beijando-a. Scarlett estava confusa.
—Onde você estava ontem à noite e porque chegou tão tarde? Você não vai me comprar com a porra de um café da manhã! — Ela disse empurrando-o.
—Alguém acordou do lado esquerdo da cama, ontem minha amada, eu fui fazer uma entrega de flores, me fizeram o pedido para um velório, era na outra cidade e eu acabei demorando mais do que devia. Satisfeita? —Ele disse sorrindo.
—Sei, por que tinha que ser àquela hora? — Ela perguntou sentando-se a mesa e mordendo uma torrada.
—Porque era um velório e a empresa que ia mandar as flores acabou furando com eles, apenas isso, se você quiser pode ligar lá para confirmar. — Ele tentou soar o mais seguro possível, torcendo para que ela não fizesse isso.
—Se você diz eu acredito em você, desculpe-me se eu fui grosseira, acordei com uma dor de cabeça terrível.
—Sem problemas minha querida, espero que você melhore, está um dia tão lindo lá fora, seria uma pena desperdiçá-lo com uma dor de cabeça não acha?
—Nossa, vai ser feliz pra lá, podia jurar que você transou ontem a noite pela maneira que você acordou todo feliz.
—A vida não se resume em sexo Scarlett, apenas algumas pequenas coisas podem fazer-nos felizes, felicidade é algo muito subjetivo, às vezes só por estarmos vivos e com aqueles que amamos podemos nos sentir completos e felizes. —Ele disse com entusiasmo.
—Alguém acordou inspirado hoje... — Ela disse ligando a TV da cozinha colocou em um canal de noticias.
‘’Aparentemente o que parecia ter acabado voltou. Nessa manhã foi encontrado mais um corpo de uma mulher em Nevada, faziam oito meses desde que a última vitima havia sido encontrada, a estagiária Mary Stoney foi encontrada nua em um canteiro de obras com sinais de violência com requintes de crueldade, as autoridades investigam o caso, as mulheres do estado de Nevada estão ficando apreensivas, com medo de O Assassino das Flores como ele vem sendo chamado ter voltado...’’
—Que nome de péssimo gosto... Desligue essa TV, esses noticiários faltam escorrer sangue, não tenho estomago para isso logo cedo. — Charlie disse desligando a TV.
—Pois é... Muito estranho isso não acha? —Scarlett disse desconfiada.
—Estranho mesmo é você não ter tocado nos ovos que eu preparei com tanto carinho. — Charlie disse fazendo beicinho.
—Oh, me desculpe, mas eu não estou com muita fome. — Scarlett disse empurrando o prato.
Charlie ouviu um tintilar suave de sinos, era Jeffi que se aproximava. Charlie o pegou no colo e começou afagá-lo. Ambos estavam satisfeitos nessa manhã.
—Mas que porra é essa no pêlo desse gato Charlie? — Scarlett disse apontando para uma mancha vermelha no gato.
—Oh, parece que meu menino não tomou banho ainda, eu dei um pedaço de carne pra ele mais cedo, e ele acabou se lambuzando, adorável não acha?
—Puta merda! Tire esse gato do colo, que nojo Charlie! — Scarlett disse indignada, Charlie não conseguia entender por que ambos não se davam.
Repentinamente a companhia tocou quebrando o silencio da manhã.
—Ué, quem será essa hora? — Scarlett disse se levantando para ir atender a porta. Charlie continuou sentado acariciando Joffi.
—Charlie... Vem cá, tem uma pessoa aqui querendo te ver. — Scarlett disse e Charlie foi até a sala. Apenas uma breve olhada fez com que todo o seu sorriso se dissipasse.
—Charlie meu anjo, venha dar um beijo na sua tia! — Vivien disse.
—Tia, o que você tá fazendo aqui? Eu já não te dei dinheiro não? — Charlie disse consternado.
—Oh Charlie, você deve pensar que eu sou uma velha interesseira não é mesmo? Eu estava passando por aqui e resolvi vir visitar meu amado sobrinho, e confesso que estava morta de curiosidades para conhecer sua esposa, que é muito bonita, diga-me minha filha, o que você viu nele? — Vivien disse passando as longas unhas no rosto de Scarlett.
—Agora não é uma boa hora para você vir aqui, eu tenho que ir trabalhar e como você soube disso?
—Ora, tolinho, eu tenho meus informantes. — ela disse sentando-se no sofá— Então minha filha, qual seu nome?
—Scarlett, Charlie nunca me falou que tinha uma tia... — Scarlett disse mais surpresa que Charlie.
—Porque ela não é importante, sério, tia agora não é uma boa hora para uma visita.
—Não seja desagradável seu merdi... Mal agradecido, ele diz isso, mas fui eu quem o criou. — Vivien disse com um sorriso malicioso.
—Não estou entendendo, como assim criou? A mãe do Charlie morreu tem pouco tempo, ele me disse... — Scarlett disse encarando Charlie.
—Oh meu Deus! Ops! Eu não queria causar confusões, longe de mim, talvez meu sobrinho esteja com alguns lapsos de memória, convenhamos que ele nunca foi muito certo das idéias, sabe querida? Como ele tem se comportado com você? —Vivien disse ascendendo sua piteira.
—Eu preferia que você não fumasse aqui, acho que está na hora da senhora ir embora! — Charlie disse impaciente, aquilo estava começando a irritá-lo.
—Calma, mas eu nem contei ainda para a... Como é seu nome mesmo? Minha memória não anda tão boa, enfim, você precisa saber das travessuras que Charlie fazia quando pequeno, foi quando eu percebi que ele não era muito normal. Oh Charlie, lembra-se daquela vez, que você pegou o cachorro da Sra. Anderson e...
—Chega! Eu realmente acho que você PRECISA ir embora, eu tenho mil coisas para fazer, e minha mulher não tem tempo para ouvir devaneios de uma maldita velha retardada!
—Charlie! Isso é jeito de tratar a sua tia? — Scarlett o repreendeu.
—Oh minha filha deixe. Ele sempre foi um merdinha mal agradecido, nunca deu valor para porra nenhuma que eu fiz para ele, eu sempre me sacrifiquei com uma condenada para criar esse imbecil, e é assim que ele me retribui. Eu devia ser tratada como uma rainha e ao invés disso só recebo ingratidão, ele puxou a puta da mãe dele!
Charlie sentiu o ódio atravessando sobre seus olhos, ficou cego, mudo e surdo, tudo o que ele enxergava era aquela velha maldita, e ela havia profanado um nome santo. Charlie vôo até o pescoço da mulher e a prendeu contra o sofá.
—LIMPE A SUA BOCA IMUNDA PARA FALAR DA MINHA MÃE, VOCÊ JAMAIS SERÁ A MULHER QUE ELA FOI! RETIRE O QUE DISSE SUA VELHA PORCA, RETIRE, RETIRE AGORA!!!! — Charlie gritava e cuspia na cara da velha, ele nunca havia visto ela tão assustada em todos esses anos, aquilo inflava seu ego.
—Charlie! Charlie! Pare, com isso! Larga ela Charlie, solta! — Scarlett batia nas costas de Charlie e tentava soltá-lo. Charlie a empurrou, que caiu no chão. Só depois de ouvir o grito de dor de Scarlett ele notou o que havia feito. Rapidamente correu até sua amada.
—Scarlett! — Ele disse tocando o braço dela, mas ela recuou— Me perdoe, me desculpe me desculpe, me desculpe, me desculpe não queria te machucar! — Ele disse quase chorando.
Vivien se levantou com as mãos ao redor do pescoço se dirigindo a porta.
—Scarlett, vejo que finalmente você conheceu o homem com quem se casou, se eu fosse você dormiria com um olho aberto! — Ela disse saindo pela porta.
Scarlett apenas olhou horrorizada para Charlie.
Notas finais
E aos leitores fantasmas: Não se acanhem em comentar, eu ñ mordo....
forte :D
Bjs e até a próxima!
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