O Mais Belo Espinho De Sangue

17 Capítulo 17- Algo novo, algo velho...


Já estava entardecendo, o sol estava se pondo dando o aspecto alaranjado ao céu, um contraste bonito com a região desértica. Pansy estava trabalhando em seu diário de relatórios que ela começara a escrever desde que conhecera Charlie pela primeira vez, lá ela anotava todas as suas impressões a respeito do homem, sua analise psicológica a respeito dele e os enviava para a central do FBI relatando sua relação com ele, era uma forma de averiguar se ele realmente era a pessoa que eles tanto procuravam. Ela foi despertada de seu trabalho quando escutou o som inconfundível da caminhonete de Charlie estacionando na frente de sua casa, ele geralmente estava indo visitá-la depois de fechar a loja para jantarem juntos ou jogarem conversa fora. Pansy estava começando a se habituar à situação.

Ela estava trajando mais um de seus shorts jeans e uma camisa com a bandeira dos Estados Unidos estampada. Pansy foi até a frente da casa e Charlie estava com uma aparência inquieta.

Charlie chegou ela e ela abriu um sorriso para ele

—A que devo a honra dessa visita? Meu jardim está muito bem cuidado senhor Bloson.

—Scarlett eu estava pensando, e, eu não sei quem você pensa que é, mas você tem uma força extremamente forte sob mim, e sempre que estou perto de você eu me sinto um novo homem, um homem melhor, case-se comigo!

Às vezes Pansy não conseguia entender o humor daquele homem, uma ponta de duvida despontou em seu interior.

—Tá bom Charlie,senta lá, você está com fome? Estava pensando em irmos jantar fora e...

—Não Scarlett! Eu estou falando sério, nós TEMOS que nos casar! — A voz dele começava a soar desesperadora. Pansy não conseguiu conter o riso.

—Oh Charlie, você realmente é uma figura não é mesmo! Pare de graça que eu não gosto desse tipo de brincadeira. —Ela disse tentando soar o mais séria possível.

—Scarlett ouça, eu nunca falei tão sério em toda a minha vida, eu gosto de você, eu preciso de você, desde que a conheci naquela loja de conveniência algo extraordinário e até o momento desconhecido despertou dentro de mim, eu quero passar o resto dos meus dias ao seu lado, eu sei... Eu sei que com você eu posso tomar as atitudes certas! Eu á amo, amo, amo, amo! Você aceita se casar comigo? —Ele disse se ajoelhando.

‘’Ohhhhhhhh merda, mas era só o que me faltava’’ Pansy pensou, o plano inicial era investigar Charlie e se aproximar dele, mas talvez ela tenha se aproximado demais, ela estava quase tocando o sol da maneira em que estava se envolvendo com ele. E o pior de tudo era que ela estava realmente confusa com seus sentimentos, será que ele falava sério? Ele realmente á amava? E o pior de tudo, será que ela o amava também? Pansy passou três anos de sua vida com Johnny, era uma relação conturbada e entorpecida pelas drogas, mas com Charlie ela finalmente se sentia lúcida...

—O que você andou fumando Charlie? A gente mal se conhece, nos conhecemos há o que? Uma seis semanas, menos que isso? Nem sou oficialmente sua namorada e você está falando em casamento?

—Às vezes nós não queremos realmente conhecer as pessoas isso pode ser decepcionante, saber quem elas realmente são... O que eu sei é que podemos nos conhecer nos desbravar a cada dia, uma vida de descobertas! — Os olhos dele cintilavam e ele tinha um sorriso no rosto.

—Mas Charlie, eu nunca fui a sua casa, e um casamento é algo que demora a ser organizado e é um grande passo. —Pansy estava começando a sentir as mãos suarem.

—Agora você viverá na minha casa, eu você e Jeffi, e caramba Scarlett pense, nós morávamos em Nevada, é só irmos a Las Vegas e em algumas horas estaremos casados! A não ser que você não queira, você não me ama? —O semblante dele agora estava mais pesado, com um ar de preocupação.

—Amo, claro que amo! —Puta que pariu! Pansy pensou que assim que as palavras jorraram de sua boca elas não teriam mais volta palavras são o vento a questão era se ela realmente o amava, mas isso não seria possível se ele fosse um terrível serial killer, e se ela estivesse perdendo tempo com a pessoa errada, se envolvendo em um relacionamento quando deveria estar investigando um homem perigoso? Ela nem ao menos era Scarlett Bliss.— e quem diabos é Joffi??

Charliu sorriu

—É o meu gato, mas então, meus joelhos estão começando a doer...

—Que se dane! Eu aceito me casar com você Charlie Bloson!— Charlie se levantou e a pegou no colo, a rodopiando na frente da casa, envolvendo a em seus braços, deu-lhe um afetuoso beijo.

—Ótimo, só vou em casa pegar meus documentos e em meia hora passo aqui para irmos a Vegas! — Ele disse sorrindo, sua alegria era contagiante.

—E se eu vou me casar eu preciso de algo novo, algo velho, algo emprestado e algo azul.

—Algo velho você já tem, eu! — Charlie disse sorrindo enquanto entrava no carro.

Nunca nem em um milhão de anos Pansy pensou em se casar, e tecnicamente aquilo não era realmente um casamento, mas mesmo assim, ela estava nervosa. Antes de mais nada ela pegou o telefone e ligou para seu superior, o Agente Bruce Taunt. Assim que ela contou o que acabara de acontecer fechou os olhos esperando pelos gritos dele. Mas ao contrario, ele gargalhava.

—Ora ora, Agente Pansy você está me saindo melhor que a encomenda, quem sabe você ficando 24hs na cola dele descubra mais rápido provas para incriminá-lo, pois você está indo devagar demais, e eu tenho certeza que ele é o cara que estamos atrás!

—Não fode Taunt, se quisesse mais rápido botasse a porra de uma peruca e viesse tentar fazer isso, não é tão fácil quanto parece tá? Não dá pra chegar no cara e falar ‘’ Olá com licença, gostaria de saber se você é um doente mental que anda torturando e matando mulheres por ai e enfiando rosas na perseguida delas’’ faça-me o favor né Taunt.

—Muito engraçada Pansy, qualquer coisa mantenha-me informado! —Taunt desligou o telefone.

Ótimo, era tudo o que ela menos precisava era de um sermão agora. Pansy procurou no seu guarda roupa algum vestido apropriado para a ocasião, e como estava mais que evidente que ela não era mais nenhuma virgenzinha, já que ela estava indo á Las Vegas para se casar, ela encontrou um vestido vermelho, curto e balonê de seda, ele era novo, pois ela nunca o tinha usado, era mais uma das peças do look de Scarlett Bliss, como disse Charlie ele seria algo velho, sua calcinha era azul então já era meio caminho andado, só faltava algo emprestado, mas depois ela pensaria nisso. Charlie estava buzinando na frente de sua casa.

Como uma adolescente eufórica, Pansy foi correndo até o carro.

—Uau, o vermelho fica muito melhor que o branco em você. Já encontrou todas aquelas coisas? — Charlie perguntou assim que ela entrou no carro.

—Quase só falta algo emprestado, mas pensaremos em algo. —Ela disse deitando a cabeça no ombro dele.

Não demorou muito até eles chegarem à fabulosa cidade de Las Vegas. Pansy nunca tinha ido para lá antes, e era tudo maravilhosamente brilhante, um pesadelo para epiléticos sem sombra de duvida. Havia vários letreiros e placas iluminadas com os mais diversos tipos de luzes, hotéis em forma de palácio romano e até uma pirâmide do Egito, e muitos clubes de strip-tease. Mas eles não estavam lá para torrar o dinheiro em cassinos, e sim para encontrar uma capela para se casarem. O que não foi muito difícil de encontrar, pois havia uma praticamente em cada esquina.

Eles encontraram uma particularmente curiosa, ela tinha um letreiro iluminado de Pink (o que não era novidade) com os dizeres ‘’ Capela de Casamento, aberta 7 dias por semana até a meia noite’’ seria ali mesmo.

Pansy não pode deixar de notar com Charlie estava charmoso, ele usava botas de cowboy, uma calça jeans justíssima e uma blusa de botões preta, que metade estava aberta mostrando seu peitoral.

A capela era luxuosa por dentro, era dourada, cheia de flores brancas, tinha vários lustres pendurados e assentos similares a o de uma igreja para os convidados.

No altar, lá estava ele, o rei do rock Elvis Presley em pessoa, ou uma versão dele.

—Yeah baby, mais um casal de pombinhos para se enfor... digo casar, bem vindo á Capela do Rock!

—Olá, nós gostaríamos de nos casar como isso funciona? — Pansy perguntou segurando o riso, de mãos dadas com Charlie.

—É muito fácil boneca, vocês assinam alguns papeis e eu os declaro casados, vamos agitar isso então? Ninguém quer acabar numa prisão do rock não é mesmo? — O Elvis disse fazendo um movimento bizarro com as pernas tentando dançar aparentemente como o Elvis.

—Sabe o que é eu precisava de algo emprestado antes de poder começar. — Pansy disse rindo, Charlie apenas observava o Elvis


—Sem problemas doçura, deixe o rei do rock ver o que posso encontrar para você... — Ele disse vasculhando uma gaveta que tinha no altar— Aqui está, acho que isso pode servir! — Ele disse levantando uma peruca de Marilyn Monroe para Pansy que caiu na gargalhada.

—É como todos dizem, os homens preferem as loiras, mas eu particularmente prefiro você ruiva. — Charlie disse sorrindo, enquanto ajeitava a peruca em Pansy.

O Elvis pegou os documentos de ambos, e uma showgirl assistente dele, que deveria ser alguma funcionaria do cartório preencheu algumas fichas.

—Charlie Bloson você aceita Marilyn... Digo Scarlett Bliss como sua legitima esposa até que a morte os separe, ou a vocês percebam que cometeram um erro? —Elvis perguntou

—Sim, eu aceito! — Charlie disse sorrindo, colocando uma aliança que ele havia tirado do bolso surpreendendo Pansy.

—E você boneca, Scarlett Bliss aceita Charlie Bloson como seu legitimo esposo até que um Ricardão ou a morte os separe?

—Sim, eu aceito! — Pansy disse colocando a outra aliança no dedo de Charlie.

—Então eu, com os poderes de Las Vegas investidos sobre mim, o rei do rock, os declaro como marido e mulher, pode beijar a noiva, baby!

Charlie segurou Pansy e a deitou no ar cinematograficamente a beijando, um beijo caloroso até ela ficar sem fôlego.

—Arrumem um quarto vocês dois! — Elvis disse, e Pansy mostrou o dedo do meio para ele.

Após terminar o beijo, Pansy acariciou o rosto de Charlie e sorriu.

—Agora eu sou oficialmente a senhora Bloson — ela mentiu para si mesma, desejando que fosse verdade. — Onde você conseguiu essas alianças?

—Elas eram dos meus pais, as peguei lá em casa quando fui pegar meus documentos, agora se você me permite Scarlett Blosson, eu gostaria de leva — lá para a minha casa para fode-lá até desmaiar. — Charlie disse com um sorriso perverso.

—Oh Charlie, você realmente é um achado! —Ela disse desviando o olhar até o final da capela, bem no fundo, onde um homem arqueando usando um chapéu de cowboy se levantou e saiu. Havia alguém lá assistindo sua cerimônia?

Notas finais
Hmm quem será que tava na capela?
Gostaram? Não se esqueçam de deixar um review isso faz a autora mucho feliz ;)

Bjs e até a próxima