O Mais Belo Espinho De Sangue
1 Capítulo 1- Velhas e Vermelho
Notas iniciais
O gosto quente e metálico inundava toda a sua boca, era um misto de repulsa, aflição e dor, podia sentir aquele líquido viscoso passando por cada dente, sendo absorvido pela língua e cada vez mais descendo pela garganta. Sentia também o inchaço, acompanhado de uma pulsação, latejando mais e mais até entrar em contato com a saliva e arder. Queimar, de dentro para fora.
—Droga Rogs! Estou sangrando, olha o que você fez seu desgraçado!
—Cansou de bancar a durona é? Pare de ser uma bebezona, Erzs, você aguenta coisa muito pior que eu sei. Limpa essa boca, e pare de fazer graçinhas.
—Eu aguento o que? Você acabou de afirmar que eu sou mais forte que você é isso mesmo?
—Já treinamos boxe trilhões de vezes, cachorra, e você numa reclamou, só porque eu dei um soquinho de nada na sua boca vai ficar cheia de não me toques?
Ela cuspiu no chão aquele líquido vermelho da boca, e ficou observando a gosma no chão.
—Acho melhor eu ir pegar uma bolsa de gelo, estou começando a sentir isso inchar.
—Isso é uma súplica? Quer dizer que eu venci? SENHORAS E SENHORES, ROGER WINNES É O CAMPEÃO! COM UM NOCAUTE NA BOCA DE ERZSBÉTH PANSY! Sabia que você não era de nada, sua cachorrona.
—Já parou de dar show Roger? Isso vai ter volta, fique sabendo disso, cachorra!
—Não tenho medo de vira-lata, tenho pedigree meu amor! E eca, se eu tivesse um filho com a Angelina Jolie o lábio dele seria do tamanho que está o seu.
—Você bem que podia ser pai de um dos filhos dela... Um dos africanos.
—Opa! Isso é racismo e eu posso te processar por isso, sabia?
—Só porque você é negro?
—Não! Porque a Angelina não faz o meu tipo.
—Nenhuma mulher faz chérie!
—Mulher não, mas o instrutor dessa academia faz, e como faz...
—Para com isso Roger, mova seu lindo traseiro moreno para cá, e me ajude a achar uma bolsa de gelo.
—Estraga prazeres!
Erzsbéth caminhou junto com Roger até a cozinha da academia e tirou uma bolsa de gelo do freezer, aparentemente nas academias eles estavam preparados para este tipo de eventualidade.
—Sabe Erzs, você está um caco, sabia? Não apenas por estar com os lábios mega inchados, tudo bem que isso é mea culpa, mas você está cheia de olheiras, você dormiu esta noite?
—Claro que dormi— Erzsbéth disse pressionando e gemendo com o toque do gelo no corte em seus lábios.
—Quanto tempo você dormiu?
—Bati meu Recorde esta noite, dormi quarenta minutos seguidos!
Roger soltou um assobio de espanto.
—Uau! Isto é um avanço até para você. Aliais, estou começando a ficar preocupado com esse seu comportamento autodestrutivo e... — Antes que ele pudesse terminar a frase foi interrompido pelo som de um celular tocando, colocou a mão direita no bolso e viu que não se tratava do seu aparelho celular.
—É o meu Roger! Deixa comigo. Agente Pansy falando. — Pansy revirou os olhos para Roger, e logo ele soube de quem se tratava do outro lado da linha. — Mas agora? Não, não tem problema nenhum, eu estarei ai em uns trinta minutos. Sim, ele está comigo, certo, entendido, sim senhor. — Após uma pausa, ela colocou o celular de volta no bolso e foi se levantando.
—Deixa eu ver se eu adivinho, era o nosso amado Agente Especial Calças- Largas? Digo, Bruce Taunt?
—Na mosca! Não vai dar tempo de tomarmos nem um banho, troque de roupa, que temos mais um caso.
—Vou ir fedendo suor? Eca! Quem morreu?
—Até o momento ninguém, mas há um seqüestro com refém e requisitaram adivinhe quem?
—O FBI!
—Exatamente, vamos.
Erzsbéth e Roger, agora deveriam ser chamados só de Pansy e Winnes, os dois colocaram suas respectivas roupas de trabalho, o que basicamente era uma calça social justa demais para as pernas torneadas de Roger, uma camisa social rosa, e claro um colete a prova de balas. Pansy colocou uma calça social também, uma camisa branca amassada, já que ela não tinha tempo e nem paciência de desamassar ela, e obviamente o colete a prova de balas. Prendeu seus cabelos pretos em um rabo de cavalo, deixando apenas a franja solta, e disparou para o carro junto a Roger.
—O que sabemos deste seqüestro? —Roger perguntou enquanto se sentava no banco do passageiro, e colocava as escutas especiais em seus ouvidos, eles passavam por trás de sua cabeça morena, careca e brilhante até chegar a sua orelha com um brinco de brilhante.
—Pelo o que o Taunt me disse, eles localizaram aquele doido varrido do Lench na casa de uma vizinha, e ele está fazendo ela de refém, e ameaçando matá-la se não fizermos todos os caprichos dele, odeio esses idiotas chantagistas!
—Eu odeio o cheiro do seu carro, você andou fumando?
—Talvez... —Pansy disse vagamente.
Em menos de trinta minutos, após passar por sinais vermelhos, atropelar canteiros, e ensurdecer os moradores de Washington, D.C. com a sirene, os agentes Pansy e Winnes finalmente chegaram a casa em que ocorria o seqüestro.
Era uma casa comum, com cerca branca, grama verde, grandes venezianas brancas, e provavelmente tinha dois andares, como todas as casas da região. Tinha tudo para ser mais uma tarde comum, se não fosse pelas dezenas de viaturas da policia, carros e vans dos Agentes do FBI, ambulâncias e é claro os carros da imprensa na frente da casinha ordinária.
Pansy desceu do carro, acompanhada de Roger, que estava prendendo sua arma no suporte, localizado perto de seu cinto, e seguiram em direção ao Agente Especial Taunt, que estava parado ao lado de alguns Snipers,falando com alguém por um radio. Pansy se aproximou dele.
—Quando nós vamos entrar senhor?
—Estava esperando você chegar, já que você sabe tão bem como lidar com esses doidos paranóicos, o que aconteceu com o seu lábio, Pansy?
Pansy tentou evitar contado com aqueles olhos penetrantes e verdes de Taunt e desviou o olhar.
—Ah, isso não é nada. Então, quando vamos entrar?
—Agora! Você vai acompanhada do Agente Winnes, eu vou logo atrás de você, e temos Snipers posicionados em todos os lados dessa casa, com apenas um comando eles estouram o miolo deste desgraçado! Não acredito que passei cinco meses da minha vida, perseguindo esse desgraçado, e justo agora ele resolve aparecer.
O desgraçado em questão era Cristopher Lench, ele era procurado pelo FBI, por estupros de idosos, ele gostava de entrar na casa de velhas indefesas e enrugadas durante a noite, abusar sexualmente delas repetidamente e depois matar elas asfixiadas com um travesseiro, almofada e certa vez até um gato. Foram quinze assassinatos ao total.
Roger chutou a porta de entrada da casa, em posição defensiva, com a arma na mão, e fez um sinal de afirmativo para Pansy e Taunt, que o acompanharam logo depois. A casa era típica de uma vovozinha, sofá com uma manta de crochê, fotos dos netos espalhadas pela sala, e tinha até fotos de animais de estimação.
—Eles devem estar lá em cima. — Sussurrou Roger.
Os três agentes, mais alguns policias, subiram para o segundo andar, e Pansy logo avistou a sombra de Lench em um dos quartos, ela fez um sinal para os demais e entrou sorrateiramente no quarto, dando uma voz de comando.
—Cristopher Lench! A casa caiu! Largue essa faca e solte a senhora, agora!
Era incrível como as senhoras de idade avançada podem ser ingênuas, Cristopher sempre morou ao lado da Sra. Diver e ela nunca nem desconfiou de seu querido vizinho, ele entrou na casa dela com a desculpa de querer um pouco de açúcar emprestado, e assim que ela o acompanhou até a cozinha, ele pegou uma de suas facas e cozinha e tentou a violentar, um jornaleiro que passava na rua ouviu os gritos da senhora, e com medo de entrar na casa ligou para a policia, e logo o FBI entrou em cena.
Sra. Diver estava imobilizada com a faca no pescoço, e Lench estava ofegante atrás da vovó.
—Não! Eu não vou me entregar! Só covardes se entregam! —Lench berrou.
—E só idiotas estupram velhinhas. Largue essa faca, e nós iremos entrar em um acordo, podemos ‘’ignorar’’ algumas de suas vítimas e diminuir sua sentença, vamos, largue a faca devagar no chão, Lench . — Pansy falava fitando a faca.
—Ela está velha, vai morrer cedo ou tarde, e eu sei que você está de papo furado pra cima de mim.
—Claro que não! Escute-me Lench, não seja estúpido, vai ficar tudo bem, apenas largue essa maldita faca!
—Pansy! Você não esta ajudando muito —Taunt a repreendeu.
—Eu sei o que estou fazendo, vamos Lench largue essa faca, agora! Isto é uma ordem!
—Não grite comigo, sua vadia! — Lench fez um movimento brusco com a mão direita em que segurava a faca, e apertou o pescoço da Sra. Diver com o outro braço que estava entrelaçado nele, quando ele começou a fazer o movimento de corte, Pansy disparou um tiro, que acertou bem a testa de Lench, que acabou caindo para trás.
Sra. Diver soltou um gritou e colocou a mão no pescoço, ele estava com um pequeno corte.
—Tragam os paramédicos aqui para cima! —Roger disse ao microfone preso na gola de sua camisa.
—Que droga foi essa Pansy! Você perdeu o juízo? —Taunt gritou olhando furiosamente para Pansy que estava parada perto da porta, olhando o sangue de Lench escorrer pelo chão.
—Eu só fiz o meu trabalho! Ele ia matar aquela senhora.
—Claro que ele ia você não foi passiva, começou a gritar e a coagir ele, o que há de errado com você? Ele estava prestes a assassinar essa senhora na nossa frente, tem Snipers lá fora, eles iam cuidar de Lench, eu chamei você aqui para persuadir ele, e não deixá-lo mais nervoso! Que inferno Pansy! — Taunt saiu furiosamente do quarto, e quase atropelou um dos paramédicos que estava correndo para ver se estava tudo bem com a velhota.
Pansy se aproximou do corpo de Lench, e ficou olhando para seus olhos mortos que estavam abertos, como se a estivessem julgando.
—Você acabou de matar um estuprador, Erzs! Não fique se martirizando. — Roger disse, se aproximando de Pansy e colocando a mão em seu ombro.
—Acho que agora eu não escapo da terapia.
Notas finais
Minha dearie amiga Luiza Novaes que me incentivou e apoiou muito na construção desta história, me deu ótimas idéias e me ajudou a ''polir'' o contexto, muito obrigada Lu, você é demais.
Ao meu 22co Matt que me ajudou e apoiou muito, sempre me cobrando, e me auxiliou muito na escolha dos nomes e de algumas características, Matt muito obrigada mesmo, 22cão!
Espero que tenham gostado, não se esqueçam da Review, e me digam se amaram, odiaram, e o que pode ser melhorado. Beijos
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