Notas iniciais
E aqui se encerra a fic!

— E então Abby, alguma coisa? Conseguiu a comparação do DNA? – Eu estava, para dizer o mínimo, curiosa demais. Este mistério era realmente de matar qualquer um.

— Só mais um pouquinho, Ellie. Deixe as minhas coisinhas trabalharem em paz! Assim que tiver algo, eu te telefono! – Abby disse me expulsando do laboratório.

De volta às nossas mesas, o clima havia mudado. Onde antes só se via curiosidade, agora tínhamos olhares intrigados e, culpados. Tony se fechara de uma forma estranha desde que levantamos a hipótese da garota ruiva ser filha da Ex-Diretora.

Foi então que ouvimos um chute, outro chute e um soco. Alguém tentava por uma porta baixo. E, dadas às circunstâncias, parecia ser Gibbs.

Subimos as escadas em um átimo e os esprememos no corredor de acesso à sala de interrogatório. Gibbs ameaçava o Diretor, então, depois de uma série de socos, a porta foi aberta.

Todos nós corremos para a sala de observação. E foi frustrante. Gibbs não fez nada, só ficou encarando a garota. Depois saiu do mesmo jeito raivoso.

— Quer saber, mentirosa ou não, até que ela é bem bonita. – Torres soltou o comentário mais fora de hora que alguém poderia pensar.

Neste mesmo instante, pudemos ouvir os gritos de Abby:

— Gibbs, Gibbs, Gibbs, Gibbs! Você precisa ver isto! Anda Gibbs!! – ela gritava nervosa e excitada ao mesmo tempo.

— O que tem aí, Abby? Gibbs voltou ao modo normal para conversar com a sua analista forense preferida.

— Ela é filha da Jenny sim! Deu positivo o DNA! – Ela disse.

— Disto já desconfiava, Abby, era só olhar com atenção para a garota – Foi frio.

— Maaaaassss, tem mais uma coisinha. Eu consegui identificar o pai dela também! – Abby complementou. – E você não vai adivinhar quem é!

— Abby, hoje não. – Gibbs deu aquele olhar para ela.

— Ela é sua filha, Gibbs! Parabéns papai! – E dizendo isto, Abby abraçou o chefe.

Nem preciso dizer que não tínhamos palavras para a revelação. Todos nós estávamos embasbacados com a notícia, principalmente quem trabalhou sobre as ordens de Shepard.

— Desçam todos agora! Isto é uma ordem! – o Diretor Vance ordenou. Nem precisou dizer duas vezes. — E você, Gibbs, na minha sala. Ninguém mexe com a garota até voltarmos. – Ele emendou.

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Carma. Era só o que me vinha na cabeça. Não poderia ser verdade. Depois de onze anos, onze longos anos, o passado viera cobrar a sua conta.

Como que para me punir, como se eu já não fizera isto um milhão de vezes, a morte da Shepard volta a me assombrar.

E eu achando que já tinha superado isto.

Não é segredo para ninguém que eu não gosto de perder amigos. Odeio a menção à palavra morte. E também não foi segredo que eu sempre me culpei para morte de Jenny.

Que as pessoas falem o que quiserem. Que tentem tirar as minhas razões quanto a isto. Mas eu tinha um dever, um único dever. Eu fora designado para proteger a Diretora. De tudo e de todos. Mas uma menção à folga e Los Angeles todinha para mim, me tiraram dos trilhos.

E quando eu vi, já era tarde. Jenny estava morta dentro de um restaurante no meio do Deserto de Mojave.

À época eu não imaginei que ela teria uma filha, ninguém sabia. Mas ela tinha. E era para esta garota que eu tinha que dirigir o meu pedido de perdão.

Porém, o Diretor e o Chefe chegaram, as caras não eram boas. E começaram a falar o que Catherine queria.

— Então, a Srta. Shepard quer saber o que aconteceu com a mãe. Por questões de segurança interna, falaremos a história oficial que foi veiculada na mídia, que ela foi morta em um incêndio e nada mais. Ouviram? – Vance foi insensível.

Será que eles achavam que Catherine engoliria a história? Sendo filha de quem era, eu duvido muito. Se ela veio até aqui, decidida como estava quando entrou, significava que seja lá o que lhe contaram anos atrás, ela não acreditara.

A garota só queria saber o que realmente aconteceu com a mãe. Era pedir demais para lhe falarem a verdade?

Quando os dois “Chefes” viraram de costas para a minha mesa ou soube, era a hora.

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O jogo de paciência não tinha fim, depois da visita um tanto quanto inesperada do “homem da foto”, Vance me deixou novamente a sós com a minha consciência.

No fundo eu começava a me culpar de ter vindo aqui. Mas, por outro lado, eu tinha o direito de saber a verdade.

Caramba, eu demorei mais de um ano para tomar a coragem de aparecer aqui. Mais de um ano treinando o que diria e mentalizando todas as possibilidades do que poderia ocorrer. Ficar detida por algumas horas como se fosse a suspeita de um crime contra a nação, não foi uma destas possibilidades.

Às vezes a gente pode fazer o que acha que é certo, mas acaba é estragando tudo.

Estou começando a achar que todo este exame de consciência não vai me fazer bem, quanto mais eu penso no motivo, no porquê que apareci por aqui, mais tenho a certeza de que não será tão fácil de aplacar a dor da saudade.

Neste momento, em que brigava internamente com os meus sentimentos, a porta se abre, e com que surpresa eu vejo o mesmo agente que me trouxera para esta sala a mando do Diretor.

— Boa tarde, Srta. Shepard! – ele disse, ao mesmo tempo em que colocava em minha frente uma garrafa de água. – Sirva-se, já faz um tempo que está por aqui. Onde estão os meus modos, sou Anthony DiNozzo.

Gentileza era a última coisa que esperava agora. Mas eu estava realmente com sede.

— Obrigada, gentileza sua, Agente DiNozzo – respondi pegando a garrafa. – Há quanto tempo estou aqui? – Joguei com a sua educação.

— Tempo demais para quem só quer saber a verdade. – Ele me respondeu.

Eu engasguei.

— Então o Diretor Vance contou o motivo de eu ter vindo até ao NCIS. – Pensei alto.

— E também já sabemos que fala a verdade, sobre a sua mãe. Sabemos quem é o seu pai também, por falar nisso. – Ele continuou.

— Eu sei o nome dele, ou só uma parte do nome, só nunca vi o seu rosto. – Disse sem emoção. – Mamãe nunca me mostrou quem era, e eu nunca perguntei.

— Engraçado você dizer isto, porque já o conheceu. – Ele emendou.

— Já?! Bom, isto não é importante. Você está aqui por alguma razão, qual é? – Completei. Saber quem era o meu pai, a esta altura, não era o que eu queria.

— Para te contar a verdade. E, mais sinceramente, pedir o seu perdão! – Tristeza e culpa estampavam o seu rosto.

— Perdão?! O que quer dizer com isto? – Me assustei. Por que deveria perdoá-lo? O que ele fizera?

— Bom, para começar, preciso voltar alguns bons anos e te explicar que, apesar de ser até hoje, o agente mais antigo na equipe, eu nem sempre tive lá muita cabeça no lugar. Isto mudou, é verdade, o tempo faz você amadurecer, o tempo e as experiências traumáticas. – Ele começou.

— Agente DiNozzo, onde quer chegar? – Eu estava ficando assustada.

— Sua mãe, perdão, a Diretora Shepard, me convocou para ser o seu segurança, eu e a Agente David, a outra agente que te trouxe para cá. Fomos designados para proteger a Diretora onde quer que ela fosse enquanto estivesse em uma viagem oficial a Los Angeles. Em resumo era: se ela colocasse o pé para fora do hotel, tínhamos que estar juntos.

— O que ela fora fazer em Los Angeles, era prestar as últimas homenagens a um antigo amigo que morrera de ataque cardíaco alguns dias antes. Tudo corria bem, bom era um enterro, você imagina o que bem poderia ser. – Ele tentou fazer piada.

— Imagino que sim. – Respondi. A estranha história agora me prendia, se eu estava certa, eu estava ouvindo os últimos momentos de minha mãe.

— Então, quando Shepard anunciou que só iria assinar o livro de presença e que partiríamos, eu fiquei aliviado. Não me leve a mal, eu só não gosto de velórios. Acontece que ela viu algo. E, sendo como era ela, não passaria em branco. Ela se afastou da entrada da capela principal e foi fotografar um carro. Algo, no que ela tinha visto ou ouvido, desencadeou aquela reação. Então, quando demos conta, ela voltava, com um ar aflito, nervoso, como se um fantasma do passado tivesse aparecido.

— Como você quando entrou nesta sala. Eu sou o seu fantasma, não sou? – Perguntei.

— Sim, Stra. Shepard, você é. – Ele me lançou um sorriso triste – mas me deixe continuar.

— Desculpe-me. – Realmente fora rude o que disse.

— Naquele momento, sua mãe estava decida a fazer algo, e este algo não envolvia os seus dois agentes/seguranças. Então, numa atitude incomum, até mesmo para ela, nos dispensou. Deu para Ziva e para mim o resto do dia de folga. Disse-nos que era para aproveitarmos Los Angeles.

— E foi aqui o meu erro. Como te disse, eu era o agente mais velho, mas mesmo assim, ainda era o mais, digamos, propenso a ser seduzido por um dia de folga na ensolarada Los Angeles. O que posso te dizer foi que fiquei empolgado de poder curtir um dia sem trabalho e ainda por cima recebendo por isto. Mas o mesmo não aconteceu com a Ziva.

— Sua mãe pegou as chaves do carro que estavam comigo e saiu. Não sei te dizer para onde. Foi a última vez que a vi com vida.

DiNozzo fez uma pausa, respirou fundo e tentou segurar o que eu acho que eram lágrimas. Eu me mantinha quieta. Por mais que quisesse saber a verdade, e por mais que soubesse o final, eu já não tinha controle sobre minhas lágrimas. A tristeza me corroía por dentro.

— Eu fiz o que fui ordenado. Resolvi curtir o dia. Depois muito insistir, consegui levar Ziva comigo. Mas ela parecia aquela vozinha irritante de nossa consciência que não concorda com o que estamos fazendo, sabe? Falou tanto, que acabei ligando para Jenny, perguntando se estava tudo bem. Ela me garantiu que sim, que era para seguir as suas ordens e deixa-la em paz.

— De repente, entre um passeio e outro, encontramos o carro da Diretora no Píer. Mas ela não estava lá. Isto acendeu um sinal vermelho em Ziva, e em mim também, algo de bom não estava acontecendo.

— Foi quando ligamos para McGee, o agente nerd que não tirou os olhos do computador quando você chegou. Tenho certeza que notou! – Ele tentou quebrar o clima fúnebre que se instalara na sala.

— Um de cavanhaque e olhos azuis? – Chutei, entrando na onda, parecia que narração estava chegando ao final. E eu queria desesperadamente tentar conter a onda de lágrimas que estavam chegando.

— Este mesmo. Ele até que é bom no que faz. – Ele fez graça. – Mas continuando. Ligamos para o McGee e pedimos que ele rastreasse o sinal do celular de sua mãe. Depois de alguns minutos ele ligou nos dando a localização. Um lugar isolado no meio do Deserto de Mojave.

Neste momento, o Agente Gibbs, literalmente jogou a porta no chão e ordenou que DiNozzo parasse o que quer que ele estivesse fazendo.

— Me desculpe, Chefe, sua filha tem o direito de saber. E eu preciso continuar. – Ele se defendeu.

— Filha?! – eu balbuciei mais para mim do que para qualquer um dos homens presentes naquela sala.

— Por favor, se não houver problemas, deixe que ele continue. – Eu implorei – Já sei o final, isto não vai mudar, mas...

— Isto não trará Jenny de volta! – Gibbs, disse exasperado. – Você não tem que saber os motivos dela!

— Os motivos?! Tem mais o que nisso? – Agora eu estava realmente curiosa. Minha mãe morrera, no meio do Deserto do Mojave protegendo algo, o que seria?

— Por favor, me diga que não foi por minha causa! – Era egocêntrico pensar nisto, mas era a única possibilidade que passava pela minha cabeça.

— Não foi por você, ou tenha sido, em parte. – Gibbs continuou, mas nem ele sabia ao certo.

— Agente DiNozzo, por favor! – Eu agora precisava saber.

— Não tem muito mais, Catherine.- Ele disse como se desculpando. – Eu e Ziva tentamos chegar o mais rápido possível, nos perdemos no caminho. Quando finalmente achamos o local.....

— Ela já estava.... – Eu não consegui continuar.

— DiNozzo, pare. – Gibbs ordenou.

— Sim. E eu sinto muito. Se eu tivesse seguido as ordens que me deram quando deixei este prédio, ela não teria sido pega por aqueles malditos assassinos de aluguel. Sei que não serve de consolo, mas ela lutou até o fim, Catherine. Ela não se deixou vencer com facilidade.

— É claro que investigamos. A história é mais complexa do que te conto. Tem gente que sabe de detalhes que não sei. – E dizendo isto apontou a cabeça para o Agente Gibbs que, a este ponto, estava parado de costas para o vidro. — Esta é a parte que sei. Mas mesmo assim, eu me culpo pelo que aconteceu. Me culpo por ela ter morrido. Eu tinha uma obrigação e não a cumpri. Na época em que tudo aconteceu, eu não sabia que você existia, aliás, ninguém nesta agência chegou a desconfiar que a Diretora tinha uma filha, e eu tentei esquecer tudo aquilo. Não da maneira certa, é claro, mas eu tentei. Mas nunca me livrei do sentimento de ter errado. Nunca esqueci da culpa. Pedi perdão à sua mãe, quando fiquei parado em frente à lápide, mas não é a mesma coisa do que escutar um “eu te perdoo” de algum parente. – ele encerrou com lágrimas nos olhos.

Eu não sabia o que dizer, nem como agir. Fui buscar respostas e encontrei mais dúvidas do que tudo. E agora isto.

— Catherine Shepard, você é capaz de me perdoar por não ter cumprido o meu dever e salvado a sua mãe? Você pode me desculpar por ter sido o culpado pela morte dela?

— S-s-sim. – Eu gaguejei. – Não foi sua culpa, Agente DiNozzo. Tenho certeza de que ela teve os motivos dela, e que não queria que mais ninguém se ferisse. – Eu chorei. Eu conheci pouco minha mãe, mas sempre soube que ela resolveria os problemas dela sozinha, sem colocar mais ninguém no fogo cruzado.

Depois disto, DiNozzo me olhou, balançou a cabeça como que me agradecendo, se levantou e saiu. Me deixando ali, com mil pensamentos. Como disse, mas dúvidas do que respostas. Foi quando lembrei que o Agente Gibbs ainda estava ali.

— E-e-eu acho que, bom, eu tenho que ir. – Eu disse.

Eu estava completamente perdida. Mas o que eu poderia falar?

— Tem mais nesta história, Catherine. Muito mais. Mas saiba que, o motivo principal de Jenny ter feito o que fez, foi para me proteger. Ela se sentia em divida comigo, então a pagou do jeito que ela sabia fazer. – Gibbs terminou.

Era demais pra mim. Eu já não queria saber o que levara ela a fazer aquilo, mas desconfiava. Eu simplesmente tinha que sair, tinha que respirar.

— É o bastante, isto está entrando no trabalho dela, e nós duas nunca conversamos sobre isto. Eu peço perdão por toda esta confusão. Não era para ter virado o que virou. – Eu terminei esta frase a meio caminho da porta.

Sai correndo dali. Mas eu não tinha minha bolsa, minhas chaves. Mas não precisei perguntar para ninguém. Quando dei por mim, uma moça, com um ar gótico e um rosto simpático me chamou pelo nome.

— Catherine! Catherine! – Ela gritou – Não esqueça suas coisas. – Ela disse me fazendo olhá-la. — Está tudo aqui. Não mexemos em nada do que não era preciso. Tem minha palavra.

— Obrigada. – Eu disse.

— Ah! A saída por ali! – Ela me apontou um corredor. – É só virar à direita que você encontra a escada para o elevador! – Ela continuou.

— Mais uma vez, muito obrigada. – Eu só queria sair.

— Espero te ver de novo. Aliás, eu sou Abby! – Ela me estendeu a mão. – Também sinto falta da sua mãe. Ela era tão elegante e bonita. Você se parece muito com ela, apesar de ter um olhar mais parecido com o seu pai.

— Prazer, Abby, eu acho. – Ela era legal, mas eu não queria conversa. Tinha muito o que processar. – Até mais, então.

— Então você vai voltar! Eba! – Ela comemorou entendendo errado minhas palavras – Eu queria era ficar longe dali.

Dei um meio sorriso, e sai. Achei fácil a escada que subi quando cheguei. Assim que desci, vi que toda a equipe me olhava, com um misto de curiosidade e tristeza. Foi quando a Agente Ziva, chegou perto de mim e me entregou uma caixa.

— O Diretor Vance disse que você veio pegar isto. Está meio empoeirado, mas são os pertences da sua mãe. – Ela disse com uma voz gentil.

— Sim. Muito obrigada. – Disse a ela. – Me desculpem por tudo. – Me dirigi a todos. No mesmo momento em que os vi dando um sorriso. Fiquei sem entender.

— Sabe, Srta. Shepard, pedir desculpas é sinal de fraqueza. – um dos agentes me disse.

Eu preferi ficar sem entender. Agradeci mais uma vez. Peguei a caixa e parti para o elevador com a certeza de que não pisaria mais ali.

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— Satisfeito? Espero que esteja feliz, Leon. – Minha paciência já havia acabado há muito tempo.

— DiNozzo foi longe demais. – Leon retrucou.

— Ele disse apenas o que sabia. Não falou nada demais. – Exasperei-me.

— Ele não, mas você sim. Você deu os motivos! – Vance ficou de pé

— Era o que ela queria! Elas os tem, não vai querer saber o resto. Notou que se tratava de alguma missão da mãe. Ela não é estúpida! – Eu defendi a filha que há menos de cinco horas eu nem sabia que existia.

— O que você vai fazer com ela, Jethro? Vai trazê-la para sua vida? – Ele me questionou.

— Eu não sei. Não faço ideia. – Disse. E sai da sala.

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— O que será dela? – Eu me perguntei, mas acho que os meus pensamentos saíram altos demais.

— Não sei, Ziva. — McGee disse.

— Ela precisa de um tempo. Veio procurando respostas e pelo jeito saiu mais assustada do que entrou. – Quinn completou.

— Te garanto que ela não vai querer nos ver nem tão cedo. – Bishop disse.

— Ela tem esta escolha. – Ducky disse, enquanto passava rumo ao elevador. – Mas ela tem a escolha de tentar conhecer o pai também. A coitadinha esta assustada, precisa de um tempo, esfriar a cabeça e, então, notar que a mãe fez a escolha certa. No final, sendo filha de quem é, vai tomar a decisão certa. Disso eu tenho certeza. Boa noite para vocês. – Dizendo isto, se retirou.

— Será? – Perguntei me dirigindo a Tony. — Acha que ela vai voltar?

— Você voltaria? – ele me respondeu. – Você buscaria as respostas finais ou deixaria deste jeito.

— Eu iria atrás das resposta, com certeza. – Respondi de pronto.

— Sendo ela filha de quem é, e tendo trabalhado com a mãe dela e, bem, com o pai também, ela vai atrás. Não hoje, mas ela vai querer saber. – McGee comentou.

— Falando nisso. Como o Gibbs vai fazer com ela? Será que vai correr atrás dela e recuperar os últimos dezenove anos? – Torres perguntou.

— Pergunte pra ele. – Quinn alfinetou. – Mas só mais uma coisa, você ainda a acha bonita, Torres? – Completou sarcástica.

Todos nós olhamos para ele, mas nada dissemos, porque bem na hora, Gibbs parou bem atrás dele e soltou um de seus famosos tapas bem no alto da cabeça do agente.

— Eu?! Não! Ruivas não fazem meu estilo. – ele tentou se safar.

— Acho muito bom, Agente Torres. Muito bom. – Gibbs disse o olhando daquele jeito mortal. Depois lançou um olhar para toda a equipe como que dissesse que estávamos liberados e partiu para o elevador.

Caminho que todos tomamos ao mesmo tempo. Afinal a sexta-feira tinha oficialmente acabado. Fora do horário normal, mas tinha acabado.

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Eu ainda tinha duas noites na Capital. Não sabia o que fazer com elas.

Depois de sair às pressas do NCIS, o único local que pude pensar em ir, foi no cemitério onde ela estava.

Desci do carro, mesmo já sendo noite, e caminhei até a sua sepultura. O caminho não era novo para mim.

Ajoelhando-me, finalmente coloquei para fora tudo o que vinha guardando. Chorei como há muito não chorava. E desejei, como há muito tempo não fazia, que ela estivesse ali para me abraçar. Nada no mundo substitui o abraço de mãe.

Era certo que tinha mais perguntas do que respostas. Algo me dizia que Gibbs sabia o que eu queria saber. Mas eu não perguntaria para ele. Não mesmo. Eu as buscaria do meu jeito. E do meu jeito seria mais difícil, mas daria certo.

Foi ali que decidi. Foi naquele momento que percebi. Toda esta loucura, o pedido que ela fizera em sua última carta. Ela estava me guiando. Me guiando para que eu seguisse os passos dela. De uma forma sutil, indicara o que ela queria que eu me tornasse.

E eu iria seguir exatamente isto. Vai demorar um pouco, mamãe. Mas eu vou chegar lá. Vou seguir os seus passos e virar Agente Federal. Assim como você foi. E desse jeito o vou saber o que ainda me atormenta.

— Não sei posso concordar com isto. – Uma voz surgiu da escuridão me assustando. Não tinha notado que falava alto.

— Quem está ai? – Perguntei. Droga. Não tinha nada para me defender comigo.

— Se importa de eu ficar por aqui também? – Gibbs se fez presente, parando a poucos metros de onde eu estava.

— Acho que não. – Respondi, um tanto quanto insegura.

— O que você disse é válido. Querer se tornar agente e chegar às respostas pelos meios oficiais. Só não acho que você será tão paciente. – Ele me deu um meio sorriso.

— Por que acha isso? – Questionei um tanto quando brava.

— Porque paciência não era o forte da sua mãe. Nem é o meu forte. Você não tem muito de onde tirá-la, filha. – Ele me desarmou.

Não tive o que responder, estava atônita. Ele me chamara de filha! Não era o que buscava.

— Sabe, — ele continuou, olhando da sepultura para mim – vocês duas são parecidas, até demais.... — ele suspirou. Mas não é para isso que eu vim aqui.

— Como me achou? – Washington é imensa, não tinha como ele saber que eu estava justamente ali.

— Poderia te dizer que já desconfiava que você viria vê-la. Mas foi com a ajuda de Abby que te achei. Ela te localizou para mim.

— Ah..., mas... – eu comecei.

— Você quer saber como e por que ela morreu, não é? Primeiro eu vou te contar como ela viveu, pode ser?

— Pode. Pode sim.

E daí para frente, eu conheci um pouco mais da minha mãe, e do meu pai. Ou seja, vou finalmente, saber a minha história!

Notas finais
Obrigada por ter chegado até aqui. O capítulo foi revisado, mas qualquer erro, confusão ou dúvida, é só falar que arrumo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!