O Lorde das Rosas
1 A Lady: rosas e espinhos
Notas iniciais
Havia acabado de chegar a Collins um rapaz de cabelos escuros cacheados e pele retinta, que foi abordado por vendedores, feirantes, caixeiros e pessoas comuns daquela pequena comunidade inglesa, que montavam guarda diante da estação de trem, prontos para oferecerem serviços e produtos diversos.
Sem muita hesitação, mas prezando pela boa educação e pela perspectiva de ser agradável e criar uma “boa imagem” — pois sabia que viver ali não seria fácil mesmo se gostassem dele, imagine, então, se desgostassem. Conversou um pouco com todos, usando de toda sua boa simpatia, palavras amigáveis e um inglês mediano, com um forte sotaque estrangeiro. Ouvia encarecidamente tudo que os animados desconhecidos tinham para lhe contar. Citavam tanto uma tal “Lady Evayne”, “Elayne” “Melayne” que chegou há um momento que ele não podia mais segurar a questão, talvez não por dúvida, mas por curiosidade de saber o que eles diriam:
— Quem é Lady Evayne?
O mero som dessas palavras fez com que todos que ouvissem estremecessem e lhe encarecem com olhos surpresos, mergulhados em confusão e descrença, desde a vendedora de verduras até o engraxate de boina. Todos pareceram atordoados com o fato de que ele não conhecia tal distinta dama.
“Que diabos! Como você não conhece Lady Evayne!” — alguém resmungou. Ele sorriu para as pessoas diante de si, segurando sua mala, e aguardou suas palavras.
— Lady Macbeth Evayne, a condessa de Gardenhall — um deles disse, enquanto terminava de engraxar o sapato do rapaz. — Da família Evayne. Ela que “manda” e “desmanda” por aqui. Bom, pelo menos ela pensa assim. Se Collins fosse um reino, ela seria a rainha, com certeza!
— É uma mulher extremamente distinta, muito, muito rica... e bastante ardilosa — uma outra mulher disse, vendendo maçãs vermelhas e cheirosas à clientela da rua.
— É rica! Que rico não é ardiloso? Que rico não é hipócrita? — alguém respondeu — Mas é uma boa pessoa — ele se apressou para se corrigir, com certo receio de ser ouvido por algum amigo da tal distinta senhora.
— Longe de ser má, por óbvio! Mas, cá entre nós, se intromete em todas as instâncias — um homem respondeu, menos preocupado em tecer elogios, mas ainda assim assumindo uma postura mais “amigável”, como se tivesse medo de que as palavras chegassem aos ouvidos da condessa — Ela é como a rainha em Collins, mas uma rainha mais inquisidora e, bem, tirânica, absoluta. Entra em todas as disputas e nunca parece inclinada a deixar de tomar partido em algum assunto relativo as pessoas ou a cidade. Ela tem seu próprio ideal de justiça e de moral... E, bem, não é muito inclinada a mudar de opinião.
— É bem teimosa e extremamente irredutível, inclusive, mas é uma teimosia elegante e extremamente respeitável, afinal, ela ainda é a Lady — uma senhora completou, com um rosto rosado tímido — E rica... Muito rica. O que tem de ouro nos cofres de Gardenhall, tem de teimosia no coração de sua graça. Além de orgulho, claro...
— E conservadorismo... Não esqueçamos disso! — uma moça mais jovem disse — Lady Evayne parece se negar a aceitar que o século dezenove acabou. Mas ela é rica, então ela pode comprar o século que quiser e se isolar nele.
— É, rica, mas ninguém sabe até quando — o engraxate disse isso enquanto terminava de engraxar os sapatos do rapaz, num tom distraído e despreocupado. Todos ao redor o encaram, como se ele tivesse passado os limites da fofoca, e se afastaram, timidamente — Eles tem medo de tocar no assunto, mas é óbvio que todos tem a mesmíssima curiosidade — o homem olhou pros lados e segredou ao rapaz um sussurro, sempre antento aos seus sapatos e ignorando suas feições — Ela não tem herdeiros diretos, então toda fortuna e o título da casa vão para o parente mais próximo: o sobrinho — ele se afastou e gargalhou — Irônico, não acha? Toda fortuna e toda glória dos Evayne sendo roubadas por um parente que ela mal conhece... E sabe qual a melhor parte? Ele sequer é inglês. Aliás, nasceu na Inglaterra, mas cresceu no Brasil... — ele suspirou — Imagine, que terrível! Ter o seu destino nas mãos de alguém que fala espanhol e anda pelado pelas ruas.
— Português — o rapaz disse, finalmente. O homem ergueu o olhar e encarou-o cima a baixo, finalmente percebendo suas feições nada inglesas: seu sorriso branco reluzente, seus olhos redondos e escuros, sua pele retinta e seu cabelo cheio de cachos negros. Havia uma pequena cicatriz sob o olho esquerdo, que lhe dava certo charme, e sobrancelhas grossas, mas bem delineadas.
— O que? — sim, ele estava incrédulo por não ter se atentado que atendia um homem negro, mas, bem, esteve mais focado nos seus pés que no resto.
— Português. No Brasil não se fala espanhol, mas sim português — o rapaz sorriu, com dentes tão brancos que pareciam brilhar. O homem pareceu contrariado e irritado.
— E como você sabe disso?
— Porque eu sou brasileiro — e sorriu novamente, tirando uma moeda do bolso e jogando para o homem, despretensiosamente — Ah! — ele sorriu — E também sou o tão terrível sobrinho que veio roubar toda fortuna e glória dos Evayne, de Gardenhall, caso não tenha ficado óbvio o suficiente — e piscou um olho para o homem, que engoliu seco, surpreso, e olhou novamente, incrédulo, para o rapaz — E sim, eu também sou negro — ele disse, lendo os pensamentos do engraxate. Depois, deu-lhe as costas e saiu, timidamente, pelas ruas de Collins.
As portas da Abadia de Gardenhall se abriram com a chegada do rapaz. Seus olhos escuros luziram com toda grandiosidade da enorme fortaleza da família Evayne. Não existiam adjetivos que ele colocaria numa carta para tentar detalhar e descrever todo o local. O aroma era doce e agradável, o ambiente era dourado, prateado e banhado pela luz do sol primaveril. Estava arejado, com a brisa atravessando as enormes janelas com vitrais coloridos e com desenhos que denotavam traços médios-medievais, revelando há quanto tempo aquela abadia existia. A construção, apesar de evidentemente antiga, aparentava ser nova, com uma estrutura forte e aparentemente inabalável, e uma arquitetura e decoração modernas e românticas. Haviam detalhes floridos por todas as paredes e objetos, obras de arte, pinturas de familiares e desconhecidos, lareiras, móveis de madeira nobre, revestidos com ouro e muitos detalhes “jardinizados”, que faziam clara referência à casa da família (Gardenhall, na tradução literal, sala dos jardins). O rapaz, todavia, não achou o jardim da frente da Abadia tão incrível para que ela levasse esse nome. Era bonito, mas não algo marcante.
Um criado jovem, meio loiro e sardento, o acompanhou até a sala de visitas, levemente desconfiado e extremamente tímido, como se fosse um novado, sem saber exatamente o que fazer. Pediu educadamente para que ele se sentasse no sofá de linho, diante de uma enorme lareira de pedra e próximo à uma mesa de mogno com alguns livros sobrepostos, mas pediu também que não tocasse em nada. O rapaz abraçou sua mala e a carregou junto ao peito, ainda deslumbrado com tamanha grandeza de tudo — era inconcebível, era inimaginável, era mágico, era poderoso, era.... Inglês.
Não tardou para que uma sineta tocasse e um outro criado descesse as escadas — este, todavia, com um ar mais imponente e importante, de rosto erguido e olhar arrogante. O rapaz o encarou com um sorriso amigável, ele, por sua vez, pigarreou, meio desanimado, e disse:
— Lady Macbeth Evayne, condessa de Gardenhall.
Então ela desceu as escadas.
Todas as descrições, indiscrições, fofocas e cartas não seriam suficientes para explicar Lady Macbeth Evayne. A aparência de matrona a precedia. Havia nascido para comandar, mas, infelizmente, num país que ainda a enxergava como inapta para o cargo — e, mesmo assim, mexeu seus pauzinhos e tomou a liderança de sua casa e de suas finanças após a vacância (lê-se aqui a morte do Lorde) do cargo de Lorde, mas que agora se via diante daquele que um dia a sucederia (E poderia fazer isso até naquele mesmo instante, caso quisesse). Permanecer e parecer forte não era opção para ele em nenhum momento, naquele menos ainda. Ela desceu as escadas com toda força de sua boa educação, seus olhares graves e irritados, seu rosto amargo e duro numa carranca assustadora, seus cabelos brancos gritando por todo respeito que merecia e seus olhos tão profundos que podiam afogar um distraído. Sua presença inabalável era tão grandiosa que chegava a assustar. O rapaz engoliu seco, meio assustado depois de tudo que ouvira. A matrona e meio carola Lady Evayne desceu as escadarias, com toda elegância de uma Lady, examinou seu sobrinho sem dizer uma palavra sequer, com um olhar fechado e cauteloso, e caminhou em direção ao corredor.
— Venha rapaz — o mordomo disse. O rapaz deixou sua mala no sofá e foi com ele num silêncio continuo, acompanhando a senhora enquanto ela caminhava ininterruptamente pela abadia, indicando coisas com os dedos, fazendo breves e desinteressados comentários.
Quadros de antepassados, histórias de pessoas importantes, lugares preferidos da Abadia, lugares nem tão preferidos, lugares proibidos e lugares indicados. Foram ao primeiro salão, ao segundo — e, surpreendendo até mesmo o mais espetaculoso e exagerado arquiteto, ao terceiro salão. Conheceram a sala de jantar, a sala de conversas, a primeira, a segunda e a pequena biblioteca, o escritório do Conde e a salinha da Condessa. Passaram rapidamente pela ala de criados — onde foi recebido por olhares curiosos e levemente surpresos, quase que assustados. Subiram e desceram escadarias. Observaram paredes, flores, colunas, vitrais e paisagens pela janela.
Voltaram, por fim, a primeira biblioteca.
— É bom que saiba — ela disse quando fizeram a pausa, mas sem olhar o rapaz nos olhos, com um olhar irredutivelmente forte e severo — as regras a serem seguidas — ela se virou e o encarou no fundo dos olhos, como se estivesse alimentando de sua alma nua e crua. O rapaz engoliu seco, intimidado. Depois, voltou a seu caminhar, apontando para quadros e móveis da biblioeca — Primeiramente, é bom que tenha deixado todos os seus hábitos e costumes brasileiros no navio. Não aceitarei que você suje o bom nome dessa família andando por aí com partes do corpo demais a mostra, falando português e espalhando ideias pagãs idiotas... — afirmou. O rapaz não pode evitar rir mentalmente — E por falar em bom nome... Os Evayne são uma família extremamente importante e influente em toda Inglaterra. Todos os anos somos convidados para o chá com a rainha. Pretendo manter isso de qualquer jeito, espero que saiba.
— Sim — ele disse, mais porque achava que devia dizer algo do que para completar a fala da senhora. Ela lhe encarou com certa passivo-agressividade e ignorou seu comentário.
— Sua educação.. Com certeza foi boa, afinal, seu tio garantiu isso... Mas não boa o suficiente para um Lorde — ela afirmou, voltando a caminhada incessante — Terá aulas de etiqueta, de cultura, de arte, de música, conhecimentos gerais e, é claro, administração. Sem falar do seu inglês.
— Ele não é bom?
— Não o suficiente. Quando se é um Lorde o bom não é nada. Um Lorde tem de ser sempre excepcional — ela afirmou, irritada — Não pense que vai ser fácil. Terá aulas todos os dias e todas as horas que forem necessárias, até que eu julgue que esteja apto. Então não considere boemia, diversão jovem e toda essa bobagem que vocês brasileiros cultivam como importante. Não. A partir do momento que atravessou aquelas portas você aceitou o seu destino como senhor de Gardenhall, então é melhor abdicar de todo o resto por um bem maior.
Ela se calou, mas ele não disse nada. Lady Evayne ficou lhe encarando, esperando que ele respondesse algo.
— Ah, sim, claro! — ele disse quando entendeu o recado.
— Ótimo. Além disso, é claro, tem de saber das principais qualidades de um Lorde... E é bom que você as tenha... E, se não tiver, que as adquira com o tempo — ela fez uma pausa no caminhar e apontou para um vitral com uma ilustração de um rei num trono — Ser honrado, justo, confiável, bom e zeloso. É isso que se espera de um bom lorde para seu povo. Então devemos cultivar isso em você, caso não haja e, caso haja... tratar para que se evidencie — ela fez uma pausa e suspirou— A coisa mais importante de um Lorde, obviamente, é a sua...
— Honra? — Lady Evayne olhou para ele com uma fúria indescritível, mas ignorou seu comentário.
— Reputação. Um homem comum não é nada sem uma boa fama que o preceda, que dirá um Conde... Que dirá um Evayne de Gardenhall — ela afirmou convicta — Então é bom que faça tudo para não sujar seu próprio nome... e o nome dessa família, pois, do contrário... Bem, experiências desagradáveis podem se desenrolar. Sei que no Brasil assuntos como honra são deixados de lado em razão de dinheiro e prestigio social, mas aqui não. Aqui ainda reina o rei, não a república. A reputação é a arma mais poderosa de um homem. Serve para se defender... Mas serve também para atacar... E ferir.
Ela fez uma pausa, meio desfalecida, suspirou, tentando manter a postura forte e confiante. Haviam tantos livros na biblioteca quanto estrelas no céu e números na conta bancária de Lady Evayne. O rapaz pareceu deslumbrado com tudo, novamente, se vendo absorto das explicações da tia e olhando ao redor, apaixonado.
— Gosta de livros? — ele assentiu sorridente — Duvido que continue gostando quando souber que exigirei a leitura mínima de três deles, para se atualizar do mundo e conhecer mais da nossa cultura, nossa literatura e nossa língua... — ela riu em deboche.
— Três livros por mês? — ele questionou, incrédulo. Lady Evayne riu.
— Por semana — respondeu. O rapaz arregalou os olhos e engoliu seco — Jane Austen, Emily Blonte, Mary Shelley, Gustave Flaubert... Só não leia aquele transgressor Oscar Wilde — e voltou a caminhar, com certa pressa. Ela, definitivamente, era difícil de se acompanhar. — Ah! E claro, suas obrigações... Pode ter certeza que você não vai se livrar delas, independentemente de suas desculpas. Sua origem brasileira não vai te salvar de ter de frequentar a igreja anglicana, nem de frequentar os ciclos sociais ingleses. Teve sorte! Chegou bem no começo da primavera... — ela sorriu — A estação social está debutando! Até a próxima semana já deve ter conhecido pelo menos dez famílias e jantado fora mais vezes que jantou em toda sua vida. Será que estou esquecendo de algo, Remsy? — ela olhou pro mordomo.
— Aparência, milady — ele respondeu.
— Oh! Sim, obrigada, Remsy. É óbvio que sua aparência vai ter de mudar. Suas roupas... Muito abertas. Esses óculos... Muito campesinos. Você precisa usá-los o tempo todo? Tiram um pouco de sua boa aparência. Sim! Eu disse que você tem boa aparência, uma característica importante para um conde. Não imprescindível, observando a maioria dos lordes de Devon, mas importante — ela sussurrou, num tom de zombaria. Remsy riu baixinho — É mais fácil de se arranjar num círculo social assim — ela sorriu — Seus cachos também são adoráveis, mas estão muito longos. Vamos cortá-los — em nenhum momento pareceu ser uma sugestão ou pedido, era sempre num tom de “vamos fazer” e o rapaz não se sentiu à vontade para reclamar — Ademais, aparência vem atrelada de cultura, então vai aprender sobre arte, literatura, línguas e música. Música de verdade! Não aquela bobagem pagã brasileira. Oh! Claro! Etiqueta também! Um bom Lorde tem uma etiqueta extremamente admirável. Quantos anos você tem mesmo, rapaz?
— Dezesseis para dezessete, milady — ele respondeu. Lady Evayne e o mordomo lhe encararam com descrença e desapontamento.
— Remsy, coloque formas de tratamento nas coisas à aprender — ela ordenou — E não, você não me chama de Milady. Você me chama de Tia, Titia, Tia Macbeth ou, muito raramente, Lady Evayne. Só me chamam de Milady pessoas subordinadas a mim. Você é de minha família.
Ela suspirou e ele não disse nada, sempre numa postura tímida.
— Dezesseis pra dezessete... Ainda é jovem, pode aprender muito do mundo. Não foi extremamente contaminado pelos maus modos brasileiros — ela disse, por fim — Terminou a escola?
— Sim, Tia, estudei no colégio interno de...
— Eu sei, mas não é relevante agora. Vai ter aulas, novamente, até porque a história, literatura e cultura inglesa não foram fonte dos seus estudos, imagino.
— Não, titia — respondeu — E quando eu vou frequentar a escola?
Ambos lhe encararam novamente, incrédulos.
— Deus queira que nunca — o mordomo disse, num tom de riso.
— Enquanto eu tiver dinheiro o suficiente, e, graças a deus isso há de perdurar, você pode se assegurar que vai ter o tratamento que um Lorde tem direito... E, com certeza, frequentar “escolas” e “academias” com o campesinato não está envolvido nisso — ela disse sorrindo — Agora, por fim e mais importante: eu tenho sessenta e seis anos de vida. Minha querida mãe viveu até os noventa e cinco anos e minha avó até os cem. Então, pode ter certeza que ainda resta muito para mim nesse mundo... Dito isso, saiba, querido sobrinho que eu acabo de conhecer, que enquanto eu estiver viva e respirando, eu SEREI a senhora de Gardenhall e não aceitarei dividir minha liderança com ninguém, muito menos um rapaz brasileiro que não sabe de nada do mundo inglês. E, quando eu morrer, vocês hão de esperar sete dias, para ter certeza que eu não voltarei para retomar meu lugar. Então, é bom que entenda isso como uma ameaça, não como uma dica para que você me mate, pois saiba que vai ser mais difícil que você imagina — ela riu num tom debochado — Eu sou velha, obviamente, mas tenho mais vida que dez de você, e com o triplo de experiência e inteligência. Lady Macbeth Evayne, a condessa de Gardenhall, uma das mais importantes e conhecidas do condado de Devon, que tomou chá com rainhas e recebeu princesas em seu casamento. Minha palavra é ordem. Então, faça de suas tripas coração e entenda que, apesar de, legalmente, tudo isso ser seu... Eu continuarei reinando. Dito isso, espero que possamos ter uma boa relação. Você é melhor do que eu esperava, confesso, aguardava uma pessoa seminua falando português pelos cotovelos.
O fato de sua tia saber que no Brasil se falava português e não espanhol lhe fez sorrir timidamente. Apesar de toda carranca, arrogância e autoridade, o rapaz podia enxergar certa faísca de alegria e amor nos olhos de Lady Macbeth, que, apesar de se esforçar para parecer fria e desgostosa, pareceu feliz com sua chegada.
— E seu nome... Como é mesmo? — o mordomo questionou.
— José Eugênio Silva.
— José Eugênio Silva Evayne. Herdeiro de Gardenhall... Conde de Evayne — ela disse, por fim, com certa pontinha de orgulho — Até que soa bem.
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