O Lorde Fantasma
6 Capítulo 6 - Luz do Sol
Notas iniciais
Os anos se passaram e Vincent ia revivendo sua amizade de longa data com as sombras. Nenhuma notícia de Alice chegou aos ouvidos de Vincent que naquela altura já havia perdido as esperanças de escapar da prisão. Nada além dele próprio mudou durante os dez anos que se passaram. Seu cabelo já alcançava seu joelho, sua barba e bigode estavam colossais, sua pele era branca como a de um fantasma, ele não teve contato direto com a luz durante todo esse tempo, o máximo que conseguia fazer era ver a luz do sol através de uma minúscula brecha na parte superior da parede. Vincent estava raquítico devido a má alimentação servida na prisão.
O dia de sua execução chegara e ele não aparentava estar com medo, não se importava com mais nada. Vincent não viu Darius nenhuma vez nos dez anos que passou engaiolado e o mesmo também não apareceu no dia de sua execução, talvez estivesse morto, Vincent não tinha como saber.
Os guardas abriram a jaula de Vincent e tiveram que carregá-lo pois suas pernas estavam fracas e ele quase não conseguia ficar de pé. Mesmo assim os guardas algemaram suas mãos — Vincent outrora já foi um exímio guerreiro e eles não queriam arriscar.
Quando finalmente fora do calabouço a luz do sol cegou os olhos mal acostumados de Vincent e sua pele formigava. De algum modo Vincent viu um lado positivo no que estava sentindo naquele momento. Ele é levado para o local onde Draven estava fazendo uma de suas "apresentações" e é jogado no meio de outros criminosos que só aguardavam o momento de sua entrada triunfal no palco, na verdade era uma arena a céu aberto em forma de circunferência, um coliseu.
Hora do Show
É chegada a hora e o show de Draven tem início. Todos os condenados começam a correr desesperadamente na esperança de se salvarem, todos menos Vincent, que permaneceu imóvel no mesmo lugar onde foi deixado só observando enquanto Draven ceifava a vida de dezenas de homens e mulheres.
Draven sabia muito bem quem era Vincent, afinal os dois já tiveram uma desavença no passado, por isso resolveu matá-lo por último. Entreter os telespectadores com uma carnificina é mais importante do que uma simples vingança pessoal. O melhor prêmio havia ficado para o final.
Alguns minutos se passaram e a paisagem que se tinha era a de um mar de mortos, preenchido com os cadáveres dos desafortunados cujas vidas estavam na palma das mãos de um único homem e as lâminas afiadas de seus dois machados.
Chegou a vez de Vincent, que já não se importava com o rumo que as coisas estavam tomando. Ele podia sentir a respiração da morte em seu pescoço, só aguardando para levá-lo para o outro mundo.
– Talvez você não se lembre de mim mas saiba que a minha mão não parava de coçar com a vontade que eu tinha de escorregar meu machado no seu pescoço toda vez que eu te via nas ruas. E agora Vincent, finalmente...
Vincent se lembrou da surra que deu em Draven quando esse tentou abusar de Alice, mas preferiu ficar calado e fechou os olhos esperando a morte.
– Não se preocupe, eu prometo que não vai doer... Pouco!
Draven começa a balançar seus machados e se prepara para a última execução do dia. Ele arremessa suas lâminas horizontalmente na direção do pescoço de Vincent visando decapitá-lo.
– Me perdoe Alice...
Parecia ser o fim da história de Vincent, porém... No momento em que os machados de Draven estavam prestes a decepar sua cabeça uma sombra enorme surge e engole o prisioneiro. Tanto Draven quanto a platéia ficam desnorteados e não fazem ideia do que havia acontecido. Os machados de Draven continuam seu trajeto e param a poucos centímetros de acertar os telespectadores. Os machados voltam para Draven que vai embora nem um pouco satisfeito com aquele final do show.
Ao abrir seus olhos Vincent percebe que está em uma floresta estranha, com as árvores definhadas, pântanos, névoa e um clima pesado de que havia algo ou alguém o observando. Ele houve um barulho agoniante de correntes se arrastando no chão e então uma voz horripilante em um tom sádico ecoa no vazio da floresta...
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