O Lorde Fantasma
1 Capítulo 1 - O Velho Carvalho
Notas iniciais
Prólogo
Robert e Julie eram um casal de mercadores que viviam em Noxus, o marido um alfaiate, a esposa uma artesã. Durante o retorno de uma viagem de negócios, Robert decide parar em um riacho para saciar sua sede, visto que havia perdido seu cantil de água na última cidade por qual passou. Enquanto se refrescava no límpido líquido cristalino ele escuta um barulho esquisito que mais parecia ser o som que uma criança faz quando chora.
O alfaiate intrigado decide investigar e descobre que o som estava vindo de dentro de um velho e oco carvalho. Havia um bebê chorando, embrulhado em um manto negro e com uma espécie de máscara ao lado. Robert se assusta e imagina como alguém poderia abandonar uma criança nessas circunstâncias. Ele pega o bebê em seu colo, a máscara e volta para sua viagem de volta à Noxus.
Ao chegar em casa Robert explica para Julie o que havia acontecido e ela logo se emociona e pensa que aquela criança era um presente dos deuses. O casal de mercadores não podia ter filhos pois tanto um quanto o outro eram inférteis, o que configura uma coincidência infeliz, logo aquela criança era sua única esperança de uma família completa e feliz.
– E se os pais dele estiverem procurando pelo garoto? — Pergunta Robert à Julie.
– Pelas barbas de Zilean, ele foi encontrado dentro de uma árvore, é óbvio que ele foi abandonado e agora é de nossa responsabilidade cuidar dele.
– Você tem razão, nós rezamos tanto por um milagre, acho que essa criança é o nosso milagre. Mas como iremos chamá-lo?
– Vincent, seu nome será Vincent.
– Tal como o seu falecido avô?
– Sim, exatamente. Vai ser uma homenagem a ele.
– Ouviu só garotão? A partir de hoje você irá se chamar Vincent. Nós iremos cuidar muito bem de você.
– Essa máscara assustadora foi a única coisa que você encontrou junto a ele?
– Sim, também achei essa máscara horripilante.
– Eu irei guardá-la, quando ele estiver mais grandinho eu faço uma máscara mais agradável para ele.
Apesar de serem noxianos Robert e Julie eram pessoas de bem, humanos de bons valores. Vincent estava em boas mãos. Como prometido Julie havia dado início a produção de uma máscara bem divertida para Vincent brincar, mas devido sua profissão agitada ela não tinha muito tempo para finalizar a obra e acabou adiantando o presente ao garoto mesmo sem ter feito uma boca no objeto, o que o tornou tão estranho quanto o disfarce original encontrado junto a Vincent.
Feliz Aniversário!
No dia de seu quarto aniversário Vincent acompanhava seus pais em uma viagem de negócios até Piltover quando são abordados por dois soldados:
– Alto! Desçam da carruagem imediatamente! — Avisa um dos soldados enquanto o outro só observa friamente a família de Vincent.
– O que aconteceu? — Pergunta Robert.
– Você é surdo ou o quê? Não ouviu da primeira vez? Desçam agora! — Ruge o segundo soldado.
Robert estranha a situação e passa a desconfiar dos guardas, mesmo assim decide descer da carroça.
– Não é necessário que eles também desçam, apenas falem de uma vez o que vocês querem de nós. — Diz o alfaiate.
O mercador percebe o movimento hostil de um dos guardas que estava prestes a sacar uma lâmina. Seguindo seu instinto Robert soca o homem com força que atordoado pelo golpe cai no chão meio confuso, em seguida se agarra ao outro imobilizando-o.
– Julie corre! Pegue o Vincent e fuja daqui! Esses homens não são soldados! — Grita Robert.
Julie pega o pequeno Vincent em seu colo e corre para a floresta, sendo perseguida pelo homem que foi socado pelo seu marido, enquanto Robert luta bravamente com o outro homem, mesmo que desarmado. Depois de correr desesperadamente Julie acaba chegando em um riacho onde avista um carvalho gigante próximo à margem. Julie esconde Vincent dentro da árvore — apesar de ter crescido um pouco ele ainda cabia ali dentro — e o avisa:
– Meu amor você precisa me escutar com atenção, eu não tenho muito tempo. Ouça, você precisa ficar em silêncio, não faça nenhum barulho. Você consegue?
– Eu estou com medo.
– A sua máscara, pegue a sua máscara.
– Pronto.
– Veja a sua máscara, ela não tem boca, sem boca ela não fala, e sem falar dificilmente ela fará barulho. Tente imitar a máscara que você tanto gosta. Eu prometo que irei voltar para lhe buscar, eu prometo. Você só precisa ser forte e aguentar. Por favor filho...
– Eu sou forte — Diz o pequeno Vincent enquanto colocava a máscara sem boca em seu rosto.
– Esse é meu garoto, eu te amo.
Julie esperava uma resposta mas Vincent já havia entrado no personagem, calado como a noite, sutil como as sombras. Então Julie partiu, atraindo a atenção do homem que a queria matar para longe de Vincent. O pobre garotinho passa a noite dentro do tronco do carvalho e no outro dia de manhã uma agitação com várias vozes masculinas e sons de cavalos e seus cascos batendo no chão acorda o menino que havia conseguido dormir mesmo naquela situação. Era uma patrulha do exército de Noxus — o verdadeiro — que fazia ronda e viu o que havia acontecido ali.
– Se alguém estiver escondido apareça! Nós somos do exército de Noxus! — Ruge um homem que aparentava ser o capitão.
– Aqui! Aqui dentro! Socorro! — Grita Vincent após tirar a máscara de seu rosto.
O capitão resgata Vincent e pergunta ao garoto:
– Garotinho você sabe me dizer o que aconteceu aqui?
Vincent explica a situação pro capitão e em seguida pergunta pelo paradeiro de seus pais:
– Eu quero ver o meu pai e a minha mãe. Eles devem estar machucados precisamos ajudá-los.
– Eu sinto te dizer isso mas nós encontramos dois cadáveres na estrada, perto de uma carroça abandonada com a carcaça de um cavalo. É bem provável que sejam eles...
Vincent não disse uma palavra, ficou calado e de cabeça baixa. Levado de volta para Noxus em segurança o garoto foi deixado a mercê da sorte. A adoção de órfãos não é um hábito muito comum dos noxianos e ninguém deu a mínima para o acontecido, a morte era algo comum naquela cidade e o pequeno menino iria precisar aprender a viver por si só. Um dos soldados que esteve presente no incidente com os pais de Vincent se sensibilizou com o garoto e resolveu ajudar o garoto da maneira como podia. Todo dia esse soldado ia até a casa de Vincent deixar um prato de comida para o garoto que já não queria mais sair de casa e passou a se isolar do mundo.
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