O Lobo Solitário - Interativa
5 Penitência...
Notas iniciais
Lone Hills, Canadá – 08/10/15
Eu corria o mais rápido que podia desviando de carros e bicicletas da pista enquanto tentava seguir o carro de Viggo que ia o mais veloz possível se aproximando da Rua 19 com a Ralvez, a rua da minha casa. Até que...
THINCHHH!
O carro freou de uma vez fazendo até a fumaça e o cheiro de pneu queimado subir até eu sentir uma enorme dor e depois apenas o concreto duro do chão...
—Au...- Reclamei vendo que o carro tinha freado e eu havia capotado por cima dele até cair á frente do carro de cara no concreto enquanto fazia força para me levantar –Porque você freou?-
—Seu teste de cura...- Falou Viggo descendo do carro estacionado no meio da rua com o celular na mão –Quero ver quanto tempo demora para você regenerar alguns ossos...-
—Quanto tempo demora isso?- Perguntei gaguejante todo dolorido
—Para você que é um novato em se controlar, deve demorar no máximo uns 20 minutos para esses ossos regenerarem- Falou Viggo vendo o cronometro de seu celular
—20 minutos?- Perguntei irônico esboçando dor –E ninguém vai notar seu carro e eu jogado aqui no meio da rua?-
—Ninguém vai notar..- Falou Viggo –Já foi um minuto e meio, você poderia acelerar?-
—Como posso acelerar cura?- Perguntei tentando me mexer
—Você descobriu o gatilho da força...- Falou Viggo sem tirar os olhos do celular –Descubra o da cura-
—Eu só...- Falava até começar a pensar –Sinto espasmos na pele-
—Isso significa que está curando- Falou Viggo –São os glóbulos brancos e agentes corporais reconstituindo os ossos e...-
—Ta bom, ta bom, eu sei o que é sistema imunitário- Eu falei até que pude sentir me mexer, então consegui me mexer aos poucos até me ajoelhar –Pronto? Acho que já esta tudo melhor...- Falei me levantando
—2 minutos e 37 segundos- Falou Viggo guardando o celular –Nada mau pra quem se transformou á poucos dias-
—Mais ainda sinto dor- Falei me levantando cambaleante –Muita dor!-
—Curamos ossos não dor!- Falou ele entrando no carro novamente –Bem, faça qualquer coisa que você faça, amanhã bem cedo faremos mais alguns testes-
—Arg...- Falei tentando me movimentar, bem, ser atropelado não e fácil até que me levantei e comecei a e dirigir á minha casa –Mas, amanhã eu tenho aula das 8h ás 15h-
—Você realmente acha que vai ter aula depois de um assassinato lá?- Falou Viggo fechando a porta do carro azul dele –Devem fechar até domingo para a policia fazer uma pericia ou mais blábláblá, então, amanhã cedo na metalurgica!- Ele sequer me deixou responder e engatou o carro até sumir da vista
Então assim que o carro sumiu de vista me dirigi para minha casa, onde entrei silenciosamente vendo minha irmã vendo TV e comendo pipoca, então eu tentei subir pelas escadas o mais silencioso possível com a madeira rangendo, até que cheguei no meu quarto e fechei a porta
—Annn...- Eu fui deslizando lentamente pela porta ate o chão –Que dia...- Suspirei jogado no chão, até que...
CLICK
Eu escutei o barulho e vi a luz da minha luminária ascender e meu pai sentado na minha cadeira
—Você tem 45 segundos para se explicar- Falou meu pai me encarando e eu me levantando rapidamente
—Err...ahnnn...- Eu gaguejava sem saber por onde começar
—Agora são 40 segundos!- Falou meu pai com cara nada feliz –Como você pensa em fugir da escola quando ocorre um acidente daqueles lá?-
—Foi que...- Eu tentava pensar em algo para falar para ele –A Liv sofreu um acidente e...-
—Eu já soube, os pais dela ligaram falando eu você desapareceu do hospital sem dar noticia- Falou meu pai –Fale logo o que foi fazer?-
—Sinceramente...- Eu respirei fundo e abri a boca –Eu sai pra esfriar a cabeça. O pessoal da escola falou que o cara que foi encontrado era um dos...alunos do 3º ano repetente- Eu menti descaradamente na cara do meu pai rezando para ele acreditar
—Bem...- Falou meu pai –Quando for assim venha para casa, por mais que precise pensar...- Ele então se levantou lentamente e caminhou até a porta e saiu dela até que escutei seus passos ficarem mudos me joguei na cama com a cara enfiada entre os lençóis
—Só pra avisar, a escola ficará de greve até a próxima segunda por questões...emergenciais- Falou meu pai então eu levemente levantei meu braço com sinal de positivo com o polegar sem retirar a cara do lençol escutando os passos dele se afastarem.
Por mais que eu quisesse evitar fazer isso, mas eu precisava fazer, saquei o celular do meu bolso e digitei o numero 4, que ate hoje ainda estava na minha discagem rápida, então após alguns segundos de chamada:
No outro lado da cidade...
LIV POV
—E vai passar a me ligar toda vez assim que sair da escola, também vai passar mensagem durante as trocas de horário e....- Berrava minha mãe no banco da frente enquanto meu pai dirigia rumo á casa
—Mãe, eu estou bem, já estou melhor, foi só um...acidente...- Eu falei tentando interromper todo aquele dialogo
—Chama aquilo de acidente? Um corpo foi arremessado para a escola e tenho certeza que foi proposital...-
—Mãe, você viu aquilo? O corpo foi arranhado com garras profundas o suficiente para atravessar uma parede de 7cm de pedra pura segundo a policia, tenho certeza que não foi um humano com um proposito- Falei para ela e tenho certeza que ela sussurrou algo que eu não escutei porque no exato momento meu celular tocou, quando o peguei olhei no identificador o nome de Luke –Só um minuto...-
—Alô? Luke?- Perguntei atendendo o celular
—Oi Liv, já saiu do hospital?- Ele perguntou
—Já, estou no carro á duas ruas de casa- Falei para ele -E você pra onde foi? Você deixou tudo para trás, sabe eu não posso carregar aquele... “livro” pra tudo quanto é lugar, se os Silver-sei lá o que vierem pegar- Eu falei para ele
—Silverwood- Ele me corrigiu com um tom risonho
—Que seja, e se os Silverwood vierem pe...GAR!!!- Eu apenas senti o carro frear de uma vez, eu bater a cabeça de leve no banco á frente e até subir no banco alguns centímetros e soltar meu celular –O QUE FOI ISSO?-
—Tá todo mundo bem?- Perguntou meu pai com uma cara assustada
—Sim, mas o que aconteceu?- Perguntei assustada –Mal sai do hospital vou ter que voltar?-
—Apareceu um vira-lata na estrada, sorte que deu pra desviar...- Falou minha mãe também com cara assustada enquanto meu pai ligava o carro de novo para andarmos sobre a estrada deserta
—Liv?! Liv você está bem?!- Eu escutei o telefone falar enquanto eu o pegava do chão do carro –Liv, o que aconteceu?-
—Apareceu um cachorro na rua e desviamos- Eu falei para ele então assim que olhei já estávamos estacionando na garagem de casa –Pronto cheguei em casa...- Eu falei então assim que o carro parou eu desci correndo e subi as escadas para meu quarto desviando de caixas de mudança e...
Enquanto isso na garagem...
—Você ouviu o que ela falou Mira, não dá mais para esconder- Falou Eli, pai de Olivia
—Eu ouvi, mas não precisava quase derrapar o carro Eli- Falou Mira, mãe de Olivia –Nós sabíamos que essa hora iria chegar assim que puséssemos os pés aqui em Lone Hills-
—Precisamos contar a ela, quanto antes ela aprender a se defender de criaturas, melhor para ela e para nós- Falou Eli
—Ela não precisa saber ainda- Falou Mira batendo o pé
—Você escutou o nome “Silverwood” ser mencionado né, se eles souberem que Viggo roubou o Bestiario e Liv está o escondendo, vão declarar guerra, além de que eles descobrirem que nós sabíamos que o “Lobo’ retornaria para Lone Hills- Falou Eli nervoso
—Lucian, não é o “Lobo”, o nome dele é Luke, uma criança que juramos proteger para que ele do “Nó do Destino”, juramos isso com nossa honra e é isso que vamos fazer- Falou Mira nervosa –Não importa se algum Silverwood tentar impedir, se for para a proteção do equilíbrio, eu vou nos defender- Assim que ela acabou aquela conversa suspeita, o som ficou mudo dentro de toda aquela garagem por algum tempo
—Tudo bem...- Falou Eli se aproximando da esposa e a abraçou –Se for para proteger nossa família, não vou me importar em defender os meus, mesmo que signifique guerrear contra os meus também...- Falou Eli no ouvido da esposa enquanto a abraçava
—Mas você está certo, ela vai precisar saber sobre quem ela é, e quando chegar a hora...- Falou Mira –Vamos contar juntos...- Ela então beijou seu marido e voltou ao conforto do seu abraço
No quarto de Liv...
Sem mal saber da conversa que acontecia na garagem entre seus pais, Olivia em seu quarto conversava em seu telefone
—Perai, ele realmente prendeu você numa jaula?- Perguntou Liv ao amigo do outro lado da linha
—Sim, até eu conseguir quebrar aquela grade...- Falou ele do outro lado suspirando –Ele pode parecer suspeito, mas realmente acho que ele quer ajudar, não é todo dia que você é mordido e se torna um lobisomem... e você como está com isso?-
—É como você disse...- Ela suspirou fundo –Você é um lobisomem, e eu descobri que todo um mundo sobrenatural existe, monstros assassinos que a qualquer hora podem se parecer com a pessoa que senta do seu lado da escola...- Ela falou isso, mas logo parou sua fala e começou a pensar profundamente ficando com expressão pasma –Luke, você havia mencionado que o alfa estava na escola quando o corpo apareceu, e também que quando Viggo rastreou ao redor não achou nada certo?-
—Certo, um segundo, você está pensando que...- Ele falava
—Exatamente, vamos pensar, assim que o Viggo falou conosco e eu e você descobrimos sobre tudo, exatamente entre milhares de momentos um corpo e jogado na minha frente, uma pessoa que havia acabado de descobrir sobre sobrenaturalidade- Liv falava incessantemente –O Alfa pode, ou melhor, é um aluno que estaria observando a gente, tudo se encaixa-
—Verdade...- Falou Luke concordando –A escola não vai voltar até essa historia esfriar, mas amanhã eu vou falar com Viggo exatamente isso. Eu estou indo trabalhar, na delegacia eu posso até chegar o computador para ver se acho algo que ajude...-
—Ajude como? Só deduzimos que ele está na escola, pode ser um aluno, um professor ou sei lá, não dá pra minimizar essa lista- Liv falou
—Na delegacia tem muitos arquivos sobre muitas coisas, eu posso topar com algo— Falou Luke –Mas bem, tenho que me arrumar senão vou me atrasar para o trabalho, mas serio Liv, obrigado por tudo...-
—Não tem que agradecer, eu vi o que ele fez com aquela pessoa, e algo monstruoso assim precisa ser impedido...- Liv falou determinada
—Ok, então...tchau, nos falamos amanhã- Falou Luke
—Tchau, até amanhã...- Liv respondeu com face decepcionada, então logo a linha ficou muda, até que ela desligou o telefone um pouco triste
—Ele não conseguiu falar...- Falou Liv decepcionada encarando o celular
Residência Hendrickson
—Eu não consegui falar...- Falou Luke também encarando o próprio celular triste –Eu...deveria ter dito, mas...não disse-
Residência Gerson – Olivia POV
“Sempre, não importava quando, nos falávamos “Tchau, te amo”, um para o outro, nós sempre fomos próximos como irmão, não ligávamos para nossa intimidade, mas agora, depois do que eu fiz...provavelmente nunca mais será a mesma coisa...” Eu pensava comigo mesma
—Filha, se arrume que hoje iremos jantar fora- Gritou minha mãe dos andares de baixo, então assim que escutei isso peguei minha toalha então me dirigi ao banheiro para tomar meu banho, liguei a torneira da banheira e enquanto ela enchia eu comecei a retirar minhas roupas então entrei na banheira morna, então deitei e vi o tempo passar...
“Eu e Luke crescemos juntos, erámos como irmãos, vivíamos juntos não importa para o que, o Luke sempre foi rodeado de amigos, com sua personalidade feliz ele atraia todos, mas então com o crescimento de Luke, a massa muscular dele não se adaptava, no 4º ano ele foi diagnosticado com hipertireoidismo, então ele era superativo e extremamente magro, tinha vezes que ele desmaiava por falta de nutrientes na escola, então começou a eterna sessão de bullying com ele, ele passou de amado por todos á “Esqueleto” “Desnutrido”, e outros apelidos maldosos”
“Mas Luke não queria mais isso, então ele tentou se mudar para parar com os apelidos e seu hipertireoidismo se tornou um hipotireoidismo e ele começou a engordar, muito...”
“O Bullying piorou, ele teve altas sessões de depressão, principalmente depois que o câncer da mãe dele foi detectado. O pior de todos era Benjamin, um garoto que o atormentava sempre desde que ele era menor, uma vez eu até tentei pedir para que eles parassem de irritar o Luke depois que o câncer da mãe dele se manifestou, fui direto no chefão e acabei encontrando o Ben”
“Eu sabia que era errado, mas eu conversei com Ben que eu até achava atraente, ele falou que se eu saísse com ele uma vez e pararia para sempre de irritar o Luke, então nos acabamos namorando por um tempo, ele dizia que não estava sequer chegando mais perto do Luke, mas logo eu descobri que nunca havia parado, teve até uma festa onde eu chamei o Luke, mas uns amigos do Ben o barraram e o atacaram na entrada”
“Nesse dia eu tive uma briga feia com Luke porque o Ben acabou me chutando, e a mãe dele havia morrido antes naquele dia, na hora da festa onde eu deveria estar com ele. No dia seguinte o Luke me ignorava totalmente, o Ben até havia pedido para eu voltar com ele mas ele acabou com um tapa e um chute na “arena”
“Logo a noticia que a mãe dele havia morrido se espalhou, o Luke nunca ligava para nada do que diziam, se magoava mas não ligava ele sempre se importava com os outros. O Ben então fez uma coisa horrível, ele espalhou que a mãe de Luke havia se suicidado porque não suportava mais viver com o filho, e também picharam o armário de Luke com essa mensagem, o que acabou... no pior acesso de ódio que o Luke já havia tido, ele simplesmente, no meio do corredor mesmo, Luke pegou Ben e o espancou, o atacou, o atirou na parede sem contar os amigos dele também, parecia ter força sobre-humana , foi preciso três professores para separar o Luke.”
“Os “capangas” nem se feriram muito, mas Bem, ele perdeu dois dentes, ficou com um braço quebrado, vários inchaços e quatro pontos na cabeça, por Luke ter a pegado e batido na parede até abrir furiosamente, por final depois disso, a família de Ben denunciou na policia, o que deu caso de tribunal.”
“Por final os únicos culpados fora a própria família do Ben por ter provocado que foi a causa, e se ferido como efeito, mesmo assim o pai de Luke pagou uma pequena multa, além de Luke ser expulso do colégio, por ter agredido três alunos e machucado alguns professores, além de quebrar varias coisas no corredor, por final, Luke foi pela lei do tribunal obrigado a ser internado num hospital psiquiátrico por 1 semana para ver seu T.E.I.”
Eu então após me ensaboar e lavar os cabelos me levantei coloquei meu roupão e fui me vestir ainda presa as minhas memorias
“Luke ficou preso á sua casa, sem escola para ir, e se recusando a ir novamente ao Psicologo, ele apenas se trancou no quarto por semanas, além de irado de raiva estava de luto, ficou num estado de luta contra sí mesmo, sem nenhum sinal dele, apenas descobri que ele iria se mudar ao Canadá uma semana antes de acontecer”
Eu então me dirigi ao meu closet e logo coloquei uma roupa boa para poder sair, peguei a melhor que eu tinha e me vesti, penteei meus cabelos e os deixei soltos logo depois apaguei a luz de meu quarto e desci as escadas levando apenas um casaco e uma pequena bolsa onde estava meu celular e algumas coisas
“Eu fiquei tão horrível depois que nem sabia o que fazer, havia perdido meu melhor amigo por nada, mas eu sabia no fundo que a culpa havia sido minha e de mais ninguém, ele sempre me apoiava e a única vez que ele precisou do meu apoio eu não estava lá para ajuda-lo, bem, eu fiquei louca sem saber o que fazer, até que lembrei de uma coisa...”
“Nós tínhamos família aqui no Canadá e pensei que podia ser a corda onde podia me agarrar, nós já havíamos vindo para cá uma vez com o Luke, quando tínhamos acho que sete anos, foi a primeira vez que eu visitei meus parentes daqui, eu sequer sabia que meus pais haviam nascido, se conhecido, se casado, e “me feito” aqui no Canadá, só sei que pouco antes de eu nascer eles se mudaram para os Estados Unidos”
—Vamos?- Eu falei parando na frente de meus pais que estavam na sala já prontos, pela cara eu havia demorado bastante –Onde vamos comer?-
—No Geppeto’s- Falou meu pai se levantando do sofá então nos dirigimos até o carro, entramos, e partimos em direção ao restaurante ,mas eu não saia de meus pensamentos pensando no que eu poderia ter feito para evitar a perda da minha amizade com o Luke, mas antes que eu pensasse mais já estávamos no restaurante pedindo a comida e a comendo...
Delegacia de Policia de Lone Hills – Luke POV
Eu havia acabado de chegar no estacionamento, mas assim que retirei a chave da ignição lembrei do que acontecera a semanas atrás...
“Eu após subir na moto, escutei um bufo, como se algo tossisse então eu encarei um pequeno conjunto de arvores que daria na floresta de Lone Hills onde o barulho teria vindo, eu para ver se o que eu estava vendo era mesmo real eu retirei o capacete e olhei de novo apertando os olhos e vi, por mais bizarro que pareça, dois pontos vermelhos-sangue me encarando.
—Olá? Tem alguém ai?- Eu desliguei a moto e retirei as chaves, desci dela e me aproximei dentro daquela pequena mata para ver os pontos imóveis, eu parei um pouco olhei denovo para ver os pontos sumirem e aparecerem denovo quando olhei novamente vi algo naqueles pontos que na verdade eram olhos, que haviam piscado –Droga!
Eu escutei novamente o bufo e fumaça saindo dali, a coisa então se aproxima e eu escuto um: UOUHHHH!
—Merda!- Era um uivo eu corri para a moto para correr do que eu tinha certeza que era um lobo, mas eu senti a coisa me seguir, pulei em cima da moto e a liguei o mais rápido que pude e sai correndo dali sem olhar para trás, quando percebi já estava na rota para casa, uma estrada vazia entre a floresta, para onde olhasse teria arvores, já que estava desértica então eu comecei a falar comigo mesmo –Um lobo? Nessa época do ano, eles deveriam estar na montanha!
Eu me senti com sorte, porque com o tanto de casos de ataque de animais lá na delegacia, se aquele lobo tivesse pulado em cima de mim eu não sairia vivo, eu sorri para mim estava a poucos quilômetros de casa, era possível ver a luz das outras ruas, eu estava me aproximando até que:
—AHH!- Eu gritei quando, por alguma razão um vulto se choca com a minha moto que descarrilou e caiu no chão me jogando longe eu só sinto uma enorme dor e depois só vejo o concreto e um branco”
Eu lembrava do que acontecera...
“Eu pisquei e der repente não estava mais naquela ambulância e sim numa maca passando pelo corredor sendo arrastado por alguns médicos, eu pude ver apenas nos correndo pelo corredor e deixando para trás varias portas de quartos eu também consegui escutar com dificuldade da mesma medica que estava comigo na ambulancia.
—Sofreu acidente de moto, a moto descarrilou e ele foi arremessado na estrada, ferimentos de corte profundo possível concussão, a ambulância foi acionada pela irmã, antes da ambulância chegar foi mord—Ela ainda disse mais algo mas eu pisquei novamente”
“-Bem, segundo os médicos e os caras da manutenção de automóvel, você bateu em algo tão forte que amassou a lataria da sua moto e te jogou longe, você abriu a cachola no asfalto e desmaiou, conseguiu ligar para mim mas antes da ambulância chegar parece que você foi atacado por um lobo, que te deu uma dentada na cintura- Falava Alice mas nisso eu lembrei de todo o ocorrido, como se fossem flashes –Não sei se você tem muito azar, ou muita sorte de estar vivo”
Eu apenas lembrava do que esse Alfa havia me feito passar...
“-E, tenho apenas que agradecer- Eu me olhei no espelho e vi apenas alguns cortes, mas o principal foi um pequeno corte na bochecha que necessitou pontos”
Eu coloquei a mão sobre a minha bochecha após retirar o capacete e ainda podia sentir os pontos que ainda não foram retirados, eu olhava para dentro da floresta me perdendo em meus pensamentos, pensando no que ele tinha feito a mim, sem forma de reverter o licantropismo que ele me deu...
Eu pensava se havia alguma chance de reverter o que me foi dado sem eu querer, ou será que eu seria perseguido por caçadores e sair correndo na lua cheia pelo resto da vida, eu pensava nos meus filhos, no que aconteceria com eles, SE eu ainda pudesse ter filhos.
Eu continuava pensando, no meu futuro, até que quando me dei por mim já estava sendo cumprimentado pelos outros pela minha melhora enquanto já arquivava alguns documentos, mas ainda perdido em meus pensamentos. Até que...
De repente todos dentro da delegacia começam a correr e a se agitar, todos indo em direção á porta onde varias viaturas partiam em direção a cidade, até que entre uma das pessoas dentro da confusão vejo Kara, falando num rádio, com aparência agitada, logo que me aproximo apenas sinto a preocupação dela.
—Não interessa! Eu apenas quero ambulâncias naquela maldita ponte!- Gritou ela para o radio e o desligando e se dirigindo a viatura
—Kara, o que aconteceu?- Perguntei para ela na sua agitação, mal me escutou e já estava na viaturas com outros policiais
—O Píer da Ponte de Metal desabou completamente, parece que uma onda forte quebrou as estruturas, e também temos feridos- Falava ela nervosa e preocupada –Acho melhor você se preparar ai, porque aqui vai lotar- Assim que ela acabou a frase a viatura partiu com as sirenes estridentes marcando por onde ela passou
—Ponte de Metal?- Eu pensava fundo até que a lembrança brilha em minha mente –VIGGO!- Assim que me lembro corro para minha moto
“-Deu sorte, mas se você não devolver até o final do dia, na ponte de metal, não teremos contagem regressiva e sim um esquartejamento!- Falava Adam”
Eu entro no carro do meu pai(que no final das contas nem precisou usar essa noite), já que minha moto permanecia na oficina, e parto á alta velocidade até a ponte de metal, que para ser sincero sequer sabia onde era exatamente só sabia que muitas pessoas iam para o local para namorar, lá tinha até uns restaurantes de luxo, e sei lá...
Eu parti a toda velocidade em direção á Ponte de Metal, consegui até ultrapassar a viatura nessa pressa e em alguns minutos cheguei lá onde deu para ver varias pessoas apavoradas, vigas de ferro grandes quebradas na costa, e agua invadindo o quebra-mar, e também muitas ambulâncias e paramédicos socorrendo os feridos, que eram muitos, mas nenhum se assemelhava muito grave.
Logo “joguei” o carro estacionado em qualquer lugar e assim que o estacionei, sai correndo do carro para procurar qualquer coisa que ajudasse sobre qualquer coisa, eu procurava Viggo, mas sequer tinha sinal dele, na multidão de pessoas fugindo do píer não era possível diferenciar ninguém.
Eu logo me dirigi para onde estava a quebrada Ponte de Metal, onde varias das vigas estavam caídas e atravessadas pelo píer, eu enquanto pensava sobre o que podia ter acontecido...
Eu lembrara de que Adam havia ameaçado Viggo que se ele não devolvesse o bestiário que agora estava na posse de Liv, ele seria atacado, também lembrava que o mesmo livro dissera que os Leviatãs eram hidrocineticos, controlavam agua com a mente, seria capaz que Viggo tivesse feito isso?! Machucado todas essas pessoas? Eu mal o conhecia, sequer sabia do que ele era capaz.
—Eu estou aqui...- Eu ouvi a voz de Viggo fracamente ecoar em minha cabeça, mas perante a gritaria não era capaz de diferenciar muita coisa entre os barulhos então comecei a olhar em volta –...a esquerda do píer, vem logo-
Eu ouvi a voz fraca ecoar com algumas pausas de uma palavra para outra, logo então eu notei, que mais a esquerda do píer, havia um armazém de containers, afastado, escuro, mesmo com toda a multidão parecia que ninguém se aproximava de lá, então eu disparei naquela direção, e assim que eu cheguei naquela arena escura comecei a escutar com mais clareza
—Mais rápido, estou no ultimo container...vem logo!- Ele falava, mas eu ainda não o escutava muito bem, eu corria, as vezes derrapando em poças d’agua em curvas entre containers, mas logo me aproximei do meu destino e já era possível ver a silhueta de Viggo, encostado ao container sentado no chão, mas havia...mais alguém, assim que me dei de encontro com os dois, fiquei pasmo.
—O que houve com você?- Perguntei me agachando vendo Viggo todo machucado, cheio de cortes, inchaços e sangue, que descia pelos ferimentos e do nariz até depois do lábio, com um pedaço de tecido rasgado da própria camiseta sendo pressionado por “Alguém” (mistério, mas esse alguém é conhecido)no maior ferimento no estomago –Não deveria estar se curando? Porque não está?!-
—Silverwood...- Murmurou ele com a visível dor
CONTINUA...
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