O Lobisomem De Liveway

7 Capítulo 6 - Mistério em Alice.


Notas iniciais
Olhem, esse ficou melhor do que o capítulo passado - no meu ponto de vista, acho que é porque Alexander aparece -, mas espero que o próximo fique BEM melhor.
Desculpem pelos transtornos ultimamente, é que acabei as provas essa semana e, sinceramente, minhas notas não foram as melhores X_X Sem contar que eu estava lendo uns livros... Que me fascinaram por história de época e estou lutando para não me desinteressar por essa história.
Prometo tentar não desistir!
...
Agradeço aos reviews de:
> Elizabeth_Marke
> Thalia
> LahErly
> BelleCat
> Hina
> GioGio Luna
> Kath Dragomir
> miss yuuki
> aninha cia
> Stefany_Zanoni
> Pollyana
> Lilith
> Lucy347
> Carolisle

Capítulo Seis – Mistério em Alice.

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Acho que Roman estava com raiva de mim. Seria engraçado se eu dissesse que não tinha certeza se aquele surto havia sido, realmente, para mim? Mas, também, que tipo de pessoa teria sido grosseira com alguém que só queria ajudar se não estivesse com raiva desta pessoa? E eu me pergunto o que foi que eu fiz de errado para que, justo ele, ficasse bravo comigo.

- Talvez não seja raiva, mas, sim, mágoa – sugeriu Thanatos.

- Caramba! Dá para você sair um pouco da minha cabeça? – reclamei.

Alô! Eu estava tendo problemas e conflitos pessoais e adolescentes! Digo isso porque eu sabia que havia uma barreira entre mim e Roman que não envolvia — eu esperava — nada fora do normal. Ele era apenas um amigo rejeitado amorosamente, não é?

Bufei enraivecida e entrei em casa... E, para variar, ele me seguiu, como sempre. O único lugar para onde ele não me seguia era para o meu quarto, e em raras exceções. Mas quando meu pai não estava em casa, ele ia para lá sem restrições.

- Você não faz a mínima ideia de o como eu gostaria de poder sair da sua cabeça – ele respondeu. – Mas, infelizmente, por algum motivo que está agregado ao meu dever de te proteger, eu não posso.

Fiquei zangada. Era muito chato ter alguém lendo seus pensamentos, espiando os seus sentimentos... Eu me sentia exposta. E se Thanatos abrisse a boca para dizer a alguém o que eu sentia ou o que eu pensava, eu estaria em sérios apuros. O que me fez pensar no que aconteceria se eu morresse.

Se o dever dele era me proteger, o que poderia acontecer se ele falhasse?

- Esta é uma boa pergunta – ele respondeu se jogando no sofá. – Pena que eu não saiba a resposta, e, para ser sincero, não quero saber.

Cruzei os braços.

- Bem, então vamos desviar o assunto de mim um pouco e falar de você. O que você estava fazendo flertando com aquela balconista? – perguntei de modo petulante.

Ele riu... De mim.

- Está com ciúmes? – provocou-me.

- Nem um pouco. Só fiquei preocupada em ver um espírito flertando com uma humana de modo tão descarado – respondi dando de ombros.

- Para os outros, eu não sou um espírito. Eu deixei de ser um espírito no momento em que consegui um corpo próprio para mim, mesmo que, de um modo que eu não compreenda, eu precise de você viva – ele respondeu divertido.

- Bem, e o que foi que você disse para aquele tal de Sean, afinal? – perguntei.

Ele riu de modo maquiavélico.

- Você nunca saberá – provocou-me.

Acabei dando de ombros, desistindo. Eu estava com sono e cansada. Esse dia havia sido maçante. Parecia que meus amigos sugavam a minha vida. Dei graças a Deus por Thanatos e eu não dividirmos o mesmo quarto – afinal, ele tinha o dele próprio — e me retirei.

Papai não estava em casa, deveria ter ido passar a noite com a Meredith ou não sei mais aonde. Ultimamente ele aparece de casa só para mostrar a sua autoridade, mas há momentos em que Meredith aparece por aqui, quando ela tem coragem, claro, e fica um tempo com ele.

Tomei um banho e fui dormir.

Por um instante, antes de cair na inconsciência, perguntei-me se Thanatos era capaz de ver os meus sonhos. Seria algo bizarro, se levássemos em consideração que nem eu me lembrava dos meus próprios sonhos quando acordava.

...

No dia seguinte, fiz o de sempre. Arrumei-me para a escola e fui de carona com Thanatos que me olhava de modo estranho. Eu odiava o machismo do meu pai. Quer dizer, como é que um pão duro como ele dava um carro para o garoto que, supostamente, nem era para estar nesse plano enquanto eu não tinha um carro?

Mas minha preocupação era em como eu iria encarar Roman na escola. Afinal, ele me odiava agora. Não odiava? Quer dizer, só pelo tom de voz dele, eu sabia que eu não era a preferida naquele momento.

Chegamos ao colégio e eu desci do carro. Caminhei lado a lado com Thanatos em direção à minha primeira aula. Aula esta que eu dividia com Daniel, Thanatos e... Oh, Roman.

Quando chegamos os dois conversavam calorosamente como grandes amigos e tentei nem me aproximar a fim de não estragar com aquilo. Ultimamente, tenho sentido que sou o motivo da discórdia por parte do grupo. Quer dizer, Elizabeth não gostava de mim. Roman não gostava de mim... Acho que andei usando o perfume errado.

Sentei-me um pouco afastado dos dois.

Diferente de algumas pessoas – leia-se Elizabeth – eu sabia que, quando alguém estava de mal comigo ou que eu estava de mal com ela, eu me afastava para não perturbar os outros. Não queria que o resto servisse de plateia para nossas brigas.

Thanatos só entendeu o porquê daquilo quando leu a minha mente e se sentou atrás de mim. Ao lado de Daniel e na frente de Roman. Mesmo assim, o lobisomem se viu no direito de tirar satisfações comigo e pediu licença para o garoto que estava na minha frente.

- O que foi? – ele me perguntou se sentando na minha frente.

- Nada... – Ah, qual é! Ele me pergunta “o que foi?” com essa cara lavada quando noite passada ele foi um grosso comigo? Poupe-me. – Só achei que seria melhor para você se eu me afastasse um pouco. Afinal, aparentemente uma amiga não pode se preocupar com o amigo sem receber um chega para lá.

Abri o meu caderno irritada e abri na matéria de história

- Você está chateada comigo? – perguntou.

- Não. Talvez seja só impressão sua. Assim como eu tive a impressão que você estava pê da vida comigo – respondi sem olhá-lo. – Você está tomando algum tipo de remédio que te causa amnésia por acaso?

- Desculpe. Eu fui grosso com você ontem, não fui? – perguntou.

- Oh, devo lembrá-lo agora? Bem, foi um pouco grosso sim, mas o que mais me magoou foi ver que, para você, uma amiga se torna incapaz de ajudar um amigo só porque não compartilham do mesmo sentimento.

Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas teve que voltar para o seu lugar porque o professor de História entrou na sala e o garoto que estava na minha frente pediu o lugar dele de volta. Desistiu e foi embora, mas murmurou perto de mim:

- Pode parecer confuso agora, mas é melhor para ambos que eu me afaste de você.

- Bem, não serei eu quem irá dificultar isso — respondi cinicamente.

Eu não entendia o porquê ele estava com esse papinho de “será melhor se eu me afastar de você”. Ele estava assim desde que eu dei o fora nele naquele dia na minha casa.

- Parece que o seu amigo está com um sério problema – murmurou Thanatos para mim.

- Oh, mesmo. Diga-me algo que eu não saiba ainda – respondi com sarcasmo.

- Srta. Malback... Há algo que mereça ser compartilhado para turma? – o professor de história, o mesmo homem meio calvo e meio gordo que não ia nem com a minha cara e nem a de Roman, perguntou ao perceber minha pequena conversa com Thanatos.

- Hm, nada. Meu irmão só estava confirmando que a revolução industrial começou no século XIX e eu só disse “diga-me algo que eu não saiba ainda” – menti com naturalidade. Estava começando a ficar boa nisso.

Sabe, quando você passa a ter uma vida dupla como aprendiz de feiticeira, você precisa aprender a mentir para os seus amigos. Afinal, se eles perguntarem por que eu não posso sair com eles sábado ou domingo, simplesmente respondo qualquer coisa ao invés de “porque minha tia vai me dar aulas teóricas de bruxaria”.

O professor sorriu.

- Bem, para a sua alegria, e a de muitos alunos, eu acredito, não daremos mais sobre a Revolução Industrial, Srta. Malback – o professor meio calvo disse com ironia. – Hoje, começaremos a falar sobre a fundação de Liveway. Pode ser inútil para o processo seletivo, mas acredito uma afronta vocês morarem em um lugar que não conheçam a história.

O homem andou à passos mancos – porque tinha uma série deficiência no joelho esquerdo – e puxou um mapa do estado de Utah. As cidades estavam marcadas por pequenos pontos pretos, porém Liveway estava marcado em vermelho.

- Liveway, como sabemos, é uma cidade de clima temperado e tem como reserva natural o belo rio chamado Green Falls. Mas falemos de sua história... Há muito tempo, quando mal passava de uma terra desabitada e selvagem, colonizadores ingleses se estalaram por aqui por conta das ricas florestas infestadas por madeiras caras e nobres...

Depois de um tempo de falatório, eu já sentia de novo a vontade de adormecer ouvindo as explicações dele. Ele era pior do que o detalhista Sherlock Holmes. Por um instante, pensei que ele iria até relatar as ranhuras nos troncos das árvores e em quantos passarinhos sobrevoavam no céu nesta época.

- Liveway. Caminho vivo. Por que deste nome? Simples, porque de acordo com uma das famílias fundadoras, Liveway atraía boas energias. Muitas pessoas acreditam que, não muito longe de Green Falls, há cristais semipreciosos que atraem boa sorte. Sem contar a rica variedade de plantas e ervas facilmente encontrada nas florestas...

Eu senti que já havia ouvido Alice falar algo a respeito... Oh, sim. Aula teórica de onde encontrar certos ingredientes que não são vendidos em supermercado. Alice era uma conhecedora de Liveway, talvez fosse porque ela foi criada aqui. Roman poderia saber tanto quanto ela.

- As famílias fundadoras foram os Florence, Grow e... Os Franklin – ao ouvir o professor dizendo, lembrei-me da atendente. – Sendo a história mais interessante a da família Franklin. Hubert, George, Jane Mary e Aline... Os quatro filhos da família Franklin são uma peça muito importante que...

A campa tocou e ele suspirou frustrado. Eu acho que também devo ter suspirado com frustração, pois agora eu estava começando a ficar curiosa. Mesmo sabendo que eu poderia perguntar a Alice e sabia que ela poderia me contar o que eu precisava saber.

- Terá de ficar para a próxima aula – suspirou o professor, e fez um sinal de que liberava os alunos.

Roman passou por mim, fez um cumprimento distante e foi embora. Daniel estranhou a reação, mas deu de ombros e se despediu antes de ir para a sua próxima aula, dizendo-me que nos veria no recreio.

O dia se arrastou. Foi duro encarar Elizabeth sabendo que seria alvo de comentários que já estavam começando a me irritar. Ela era uma hipócrita isso sim. Quer dizer que, na frente de Roman, ela se negava a me olhar, mas bastava ele dar as costas para ela me fuzilar com o olhar.

Lamento dizer que a melhor parte do meu dia foi ir para o cemitério.

Eu estava excitada, afinal, teria a minha primeira aula prática de magia!

Não. Eu não ia me chamar de aberração. Eu não ia dizer que era pagã e estava desafiando Deus. Eu não ia dizer que não gostava da magia, afinal, ela tinha o seu lado incrível!

Thanatos veio comigo, como sempre. Provavelmente ele ficaria sentado ou provocando Alexander enquanto eu conversava com Alice. No entanto, eu esperava que Alexander não fosse, afinal, ele ainda estava mal, não estava?

E foi por isso que eu fiquei surpresa ao reconhecer aqueles cabelos castanhos arruivados abaixados pertos de uma lápide. O que Diabos Alexander fazia ali?!

- Ei! – Aproximei-me dele, irritada. – Você não deveria estar descansando?!

Parei ao lado de um buraco que ele cavava e levei as mãos à cintura. Temendo me descontrolar e estrangular aquele vampiro metido à besta. Thanatos apenas observou tudo rindo, parecendo ver uma criança que leva bronca da mãe.

Alexander olhou para mim e eu vi que ele ainda estava um pouco abatido.

As suas pupilas estavam contraídas, de modo que seus olhos pareciam ser assustadoramente prateados. Ou como se ele não fosse capaz de enxergar direito por conta de muita luz. Parecia um pouco desorientado e estava bem mais pálido do que eu achei ser possível. Por seus lábios entreabertos, percebi as longas presas que espreitavam.

- Ei... Pensei que ficaria feliz em me ver de novo – ele comentou com sarcasmo.

- Não deste modo! – reclamei tirando-lhe a pá da mão e jogando-a no chão.

- Ah, não. Você também vai me tratar como se eu fosse um inválido? – perguntou ele, parecendo um garoto revoltado.

- Não é questão de te tratar como um inválido. E aposto dez dólares que você nem vai conseguir se levantar sozinho – desafiei.

Ele bufou, irritado e tentou se levantar. Mas perdeu o equilíbrio e quase caiu. Fiquei feliz porque eu, pela primeira vez, o amparei, assim como Thanatos também o fez. Era a primeira vez que eu o segurava se levarmos em conta que ele já o fez por mim inúmeras vezes.

- Parece que o nosso Lestat está passando mal, Bell – brincou Thanatos.

Alexander rosnou para ele, mas seu rosnado soou miseravelmente fraco.

- Você deveria ter ficado em casa descansando. Você o leva para casa, Than? – pedi à Thanatos. E completei com rancor: — Afinal, você tem um carro.

- Alice me deixou vir – Alexander bufou se debatendo para que o soltássemos. – Eu estou bem. Vou ficar bem.

- Fico feliz em ouvir isso, mas é melhor você não se esforçar – eu disse, ainda o segurando e o mantendo firme, assim como Thanatos.

Era claro que eu me sentia mais aliviada. Afinal, ele havia se machucado por um erro nosso. Ao invés de acabarmos correndo para longe daqueles animais e dos caçadores, acabamos correndo direto para eles sem que nos déssemos conta. Na verdade, não me surpreenderia se a floresta estivesse cheia deles espalhados por lá.

— Soltem-me! – Ele se debateu de novo. – Sou um vampiro! Tenho meu orgulho.

Meu Guardião e eu reviramos os olhos e começamos a arrastá-lo para o mausoléu.

- Nossa. Eu estou morrendo de medo porque você é um vampiro. – Provoquei.

Com o passar do tempo, eu percebia que Alexander parecia apenas usar o que ele era para me provocar e encher o meu saco. Somente porque achava que, se eu não podia gostar dele, eu o temeria. Porém, para o seu total desapontamento, eu havia percebido que – se ele realmente quisesse me matar – já o teria feito

- Deveria ter medo sim. Ainda mais com o seu pescoço nu tão perto de mim...

Foi de repente. Eu não levei aquela provocação a sério, até que eu senti as quão afiadas poderiam ser a presa de um vampiro. Eram mais afiados do que navalha ou uma faca. Foi capaz de fazer com que um arrepio percorresse por meu corpo e eu me afastasse quase que de imediato.

Thanatos também ficou tenso e eu percebi isso.

Até que Alexander riu e eu percebi que ele estava apenas tentando me assustar. Ele não havia me mordido, apenas roçado suas presas afiadas em meu pescoço. Eu não ri porque não vi graça nenhuma, afinal, eu realmente pensei que ele ia me morder.

- Seu idiota! – briguei chateada. – Me assustou.

- Está vendo. Deveria ter medo – ele respondeu rindo.

Dei um suspiro cansado e perguntei-me o porquê ele estava sendo tão resistente e idiota. Thanatos revirou os olhos e voltamos a guiá-lo até onde Alice estava.

Perguntei-me o quão mal Alexander estaria, porque, aquele, não parecia com o mesmo cara revoltado e mal humorado que eu conhecia. Ele estava um pouco diferente do seu comum sério e sociopata. Alice poderia ter uma explicação plausível para isso, já que ela era a “dona”, “mãe” e “amor da vida” dele.

Ela era tudo para ele.

Enquanto eu era uma irmãzinha caçula que ele gostava de amedrontar.

- Se você faz qualquer coisa por Alice, não pode ficar quieto por ela? Ela ficou absurdamente assustada por você – tentei.

- Não é difícil, para mim, fazer qualquer por Alice. Ainda mais nas atuais condições dela – ele respondeu tão baixo que eu pensei não ter ouvido direito.

Parei enfrente à porta dupla do nosso lugar de trabalho e olhei para ele.

- O que você quer dizer com isso? “Atuais condições dela”? – perguntei desconfiada. – Quais são as atuais condições de Alice, Alexander?

Ele olhou para mim e deu um sorriso cínico.

- Então ela realmente ainda não te contou nada? Isso é muito engraçado, levando-se em consideração que diz respeito a você. Ela me disse que te diria assim que encontrasse tempo – ele disse em tom provocante.

- O que você quer dizer com isso, morcego raquítico? – quis saber Thanatos.

Ele não olhou para Thanatos, agiu como se ele nem estivesse ali. Seus olhos desfocados estavam presos em mim. Como se ele quisesse me dizer algo e, no fim, fosse proibido. Mas havia uma dor tão grande em seu olhar que eu fiquei com medo do que ele e Alice me escondiam.

Mas antes que ele pudesse me dizer qualquer outra coisa, Alice apareceu.

- Alex! Meu Deus, o que foi que você aprontou desta vez?! – ela brigou parecendo preocupada. – Você havia me dito que ficaria descansando.

Vi Alice mandar Thanatos levar Alexander para o pequeno quarto no mausoléu e disse para o meu Guardião não sair de lá e ficar vigiando o vampiro ferido, o que o deixou bem chateado. Thanatos não era a companhia preferida de Alexander. Afinal, ele tinha o dom de ser naturalmente irritante para o vampiro.

- Enquanto a você, Anabelle, vamos começar nossas aulas práticas – ela disse com empolgação. – Vamos para a minha sala.

Ela segurou meu braço e me puxou, mas eu relutei um pouco. E ela percebeu.

- Alice... Há algo sobre você que eu precise saber? – perguntei.