O Lobisomem De Liveway

22 Capítulo 21 – Ainda Não Acabou.


Notas iniciais
Gente, desculpem a minha sem-vergonhice de demorar tanto para postar. Mas eu sou uma pessoa muito movida por sentimento e inspiração. Tem momentos em que estou inspirada para fantasia, tem momentos que estou inspirada para histórias "normais".... Por isso desculpem, MESMO, a minha demora e peço para que vocês entendam = E desculpem também por chegar com um capítulo tão curto, mas prometo que vou tentar compensar no próximo, e tentar não atrasar tanto, O.K?

Capítulo Vinte e Um – Ainda Não Acabou.

.

.

.

Roman havia vindo atrás de mim também.

Ele estava transformado em lobo. Estranho, porque hoje não era dia de lua cheia. Perguntei-me se ele tinha algum controle – mesmo que pouco — sobre suas transformações. Eu encontrei aquele lobo grande, branco e peludo no que um dia podia ter sido uma sala de estar. Agora, parecia mais um açougue ou um matadouro (de um jeito que me deixou nauseada), apesar de eu já ter visto qualquer um dos dois lugares mais limpos ou organizados.

Aquele lugar parecia ter presenciado a maior das carnificinas. Respingos de sangue tingiam as paredes, poças de sangue inundavam o chão e corpos mutilados à arranhões e dentadas estavam espalhados de modo irreconhecíveis.

A bile ácida subiu por minha garganta, novamente, e com ela, comecei a suar frio e a me sentir tonta. E, então, eu estava feliz por Alexander me ter em seu colo, porque eu desmaiei naquele momento.

– Bell? Bell?! – Thanatos me chamava, preocupado.

Recobrei a consciência alguns minutos depois. Estávamos do lado de fora da casa, ao lado do carro de Alexander. Mas quando abri os olhos, a primeira coisa que eu vi foi Thanatos. Deus, ele estava horrível! A pele estava vermelha, faltando em algumas partes, deixando revelar um espaço negro dentro de si. Ele era formado por sombras. Dentro de si, ele era praticamente oco.

Como uma Matryoshka sem as outras bonecas dentro.

– O que diabos aconteceu com você? – perguntei, horrorizada.

Ele riu debochado.

– Você acha que uma luz daquela intensidade não me causaria nada? – provocou-me.

– Então... Praia nem pensar, não é? – brinquei.

Meu guardião riu e Alexander me pôs no chão com cuidado, sem soltar a minha cintura. Agradeci por isso também, afinal, minhas pernas falharam ao tentar suportar meu próprio peso. Roman se aproximou de mim, quase empurrando o vampiro para longe, e me apertou em vários lugares (sem malícia, por favor).

– Bell, você está bem? Bem mesmo? Eles não te machucaram nem nada do tipo? – Ele perguntou, com muita preocupação naqueles olhos marinhos, antes de me puxar para um abraço. – Você é uma idiota. Idiota. Idiota.

Eu ri.

– Eu estou bem. Juro – respondi. Então eu me virei para Alexander. – O que me faz lembrar... Que sexy appeal despropositado é esse de aparecer para me salvar sem camisa e banhado em... Urgh, sangue?

Olhei para mim mesma. Eca! Agora, eu estava suja de sangue.

Roman mordeu os lábios, prendendo uma risada, enquanto o vampiro cruzou os braços e demonstrou irritação em seu semblante.

– Experimente lutar contra espadas, facas e pistolas para ver o estrago que isso causa – ele respondeu. – Pelo menos, você está bem o suficiente para fazer piada. O único dano foi no seu cérebro... Mas ele já veio assim de fábrica.

Eu dei um sorriso sarcástico, mas não achei engraçado. Não, eu não estava bem, mas me concentrar em coisas sem importância parecia fazer tudo melhorar. De algum jeito, deixava tudo mais fácil se eu não pensasse em minha quase morte de agora a pouco ou na carnificina dentro daquela casa abandonada numa rua que eu nem sabia qual era.

– Relaxa. Já acabou – Thanatos disse, pousando a mão no meu ombro.

Eu respirei fundo e tive uma má vibração.

Um arrepio, desagradável, perpassando por meu corpo.

– Não... Isso ainda não acabou – respondi, olhando para o nada.

Claro que não havia acabado. Sean, ou Trevor, era imortal... Não de corpo, mas de alma. Se dependesse dele, tenho certeza que isso iria durar para sempre. Sinceramente, não entendi por que. Por que caçar essas criaturas assim? Qual era o problema dele com eles? Ele fora acolhido por vampiros. Não como jantar, mas como visita. Por intercessão de dois bruxos...

E como ele retribuía? Roubando uma poção e jurando a morte de todos os seres sobrenaturais que cruzassem na sua frente... Poderíamos matá-lo, matá-lo e matá-lo... Mas não teria um fim.

De onde vinha esse ódio? Ninguém odeia uma coisa só por odiar... Será que eu se tivesse feito as perguntas certas... Ele teria me respondido?

Novamente, um arrepio. Uma má vibração.

De repente, algo se estilhaçou. Vidro?

Virei-me para trás. Para a casa... Mas não tive tempo de ver algo concreto.

Um grito parecendo vir de outro mundo (ou será que era um assovio?) ecoou pela madrugada, mas tudo o que eu vi foi um vulto branco. Um rosto amórfico e retorcido vindo em minha direção... Tudo ocorreu numa fração de segundos, mas, para mim, tudo parecia estar em câmera lenta.

Principalmente quando ele atravessou o meu corpo. Jogando-me para trás e me fazendo bater as costas no carro de Alexander.

Escuto me chamarem.

Uma espécie de grito vindo de outro lugar. De outro plano.

Quando volto a abrir os olhos, não estou na frente daquela casa velha e discreta sabe-se-Deus-onde, cercada por Alexander, Thanatos e Roman.

Quando eu abro os olhos, estou numa floresta invernal que parecia estar hibernando. Não parecia haver vida lá. As árvores eram nuas, e um vento gélido assoviava por entre elas, compondo uma melodia melancólica. Não vi animais por lá. Nem o mais pequeno deles e muito menos pequenos esquilos, como se via no Central Park de Nova York durante o inverno.

Olhei ao redor, completamente confusa.

– Alex? — chamei sentindo meu coração martelar na cabeça. — Thanatos?

Minha única resposta foi o irritante assovio que parecia vir do nada e de todos os lugares ao mesmo tempo. Um arrepio percorreu a minha espinha quando escutei um estalo. Um som que pareceu destoante perto da sinfonia dos uivos de vento correndo pelas árvores.

Olhei ao redor... E encontrei um coelhinho.

Ele era albino, branco com os olhos vermelhos, mas parecia bem esperto. Seu narizinho esquisito mexia-se como se farejasse o ar e suas orelhas se mexiam como uma antena procurando uma estação de rádio. Seus olhos me encontraram e ele deu um pulo em minha direção.

Ele se esticou para mim.

Se eu fosse uma princesa da Disney, esse seria o momento em que eu esticaria o braço e faria carinho nele. E ele deixaria porque consegue sentir o como sou boazinha só pelo cheiro... Mas não sou uma princesa da Disney, e quando estico a mão para tocá-lo, ele a cheira e depois dá as costas.

Ele se afastou saltitando numa velocidade impressionante.

Depois parou e se virou para mim.

Ele parecia querer que eu o seguisse. Já vi comportamentos semelhantes em cachorros — principalmente quando eles queriam mostrar alguma coisa aos donos ou simplesmente pedir comida -, mas era a primeira vez que o vejo em coelhos.

Por falta de opção, soltei um suspiro, e o segui floresta adentro.

Enquanto caminhamos, não encontrei vida e nem outro pequeno animalzinho que aja estranho. Somos só eu e aquele coelho. À medida que o sigo, percebo que ele parece emitir uma luz meio esbranquiçada ou azulada do seu pelo. Quase como se ele não fosse real, e algo me dizia que ele não era.

Minha teoria?

Em algum momento entre o cair contra o carro de Alexander e ser atravessada por aquela coisa estranha, eu havia desmaiado e agora estava alucinando com um coelho branco estranho que estava me levando para algum lugar ainda mais estranho.

Agora, o que isso significava, eu ainda não consegui descobrir.

Talvez eu seja Alice, seguindo o coelho branco atrasado até o País das Maravilhas, pensei achando graça, mas meus pensamentos sem o eco de Thanatos não são engraçados. São solitários. Nunca pensei que sentiria falta disso, mas acho que é compreensivo. Passei a vida toda com ele na minha cabeça. Ela parece vazia sem a voz dele agora. O coelho não parece apressado também, o que descartou a brincadeira. Ele fez questão de olhar “sobre o ombro”, de esperar com o nariz inquieto que eu me aproxime e então voltar a andar.

Ele fazia questão de ser seguido...

Até que chegamos a uma clareira com um poço no centro. O coelho pulou até a figura esbelta de vestido branco sentada na beira do poço, e pulou no colo dela, fundindo-se com o tecido do vestido. Eu pisquei, aturdida, enquanto me aproximava devagar, temerosa com ela.

Onde eu estava? Quem era ela? Ela me levara ali?

Um arrepio percorreu minha espinha.

– Você não deveria estar aqui – a mulher disse, virando-se para mim.

E então... Meu coração parou, enquanto um grito de horror se formou na minha garganta e se esvai. Afinal, fico sem voz.

Ali, parada ao lado do poço, está a minha mãe.

A mulher que é literalmente a minha cara. A mulher que deu a vida para me salvar, mesmo podendo salvar a si mesma... A bruxa que colocou um espírito sanguinário de valores distorcidos para me proteger de qualquer um que tentasse me fazer mal... Mesmo que, nisso, ela perdesse sua alma para a magia negra.

– Isabelle... – ela chamou, emocionada.

Antes de ela cair de joelhos e começar a chorar copiosamente.

.

.

– Isabelle!

Alexander e Roman se olharam com estranhamento. Oh, sim, os dois haviam chamado a garota que havia caído desacordada no chão e os dois haviam se apresentado para segurá-la. O que gerou, foi Alexander sustentando-a de um lado e Roman, do outro. Se a situação não fosse desesperadora, ambos teriam se olhado com desconfiança.

– Isabelle? Isabelle! Acorde, Isabelle! – Alexander a chamou.

Ela estava viva, ele sabia. Seu coração batia num ritmo suave e suculento em seu peito e sua respiração estava uniforme. Ela parecia estar dormindo, mas, de algum modo, Alexander também sabia que ela não o estava fazendo.

– Merda! Merda! Vocês viram aquilo, não viram?! – Roman perguntou olhando para o guardião e para o vampiro. – Aquela... coisa a atravessou!

Alexander franziu o cenho.

– Sim. Eu vi. – O vampiro olhou para o moreno que estava calado. – Thanatos, o que foi? Tem algo errado? Você pode sentir algo errado nela?

O guardião fitava Isabelle com bastante atenção. Seus olhos claros estavam cravados na sua protegida como se ele estivesse assustado demais para desviá-los. Alexander não gostava daquela expressão em Thanatos. Roman, também não. Ele nunca se mostrara abalado com nada.

– Eu... Não consigo ouvir os pensamentos da Bell – o guardião confessou.

– Bem... Vai ver é porque ela tá dormindo... – Roman sugeriu.

– Até mesmo quando ela dorme... Eu sou capaz de ver com o que ela está sonhando – Thanatos confessou, chocando Roman e Alexander. – Aff, não contem para ela. Ela já pega demais no meu pé por eu ler a mente dela, imaginem se ela souber que eu vejo os seus sonhos.

Alexander olhou para a garota largada em seus braços e depois olhou para Roman. O brilho sério e ríspido no olhar do vampiro era mais do que conhecido por todos, assim como aquela faísca de raiva e frustração, todavia, a preocupação que estava demonstrada naqueles orbes cinzas... Era totalmente inédita.

– Acho... Que precisaremos pedir ajuda à Alice – Alexander resmungou.

– O quê? Como é que é? – Roman perguntou alarmado. – Não foi você o primeiro que disse para não envolvermos Alice quando Sean sequestrou a Bell?!

O ruivo não respondeu, pegou Isabelle em seus braços mais uma vez e lançou um olhar duro à Roman. Um olhar que parecia dispensar qualquer resposta. “Não era mais a mesma coisa” ele deveria dizer. Eles tinham que cuidar dela o quanto antes. Antes que pudesse ser tarde.

– Dá para você abrir a porta ou tá difícil? – ele bufou.

Roman despertou de seus pensamentos num pulo e se precipitou para abrir a porta de trás para o vampiro. Thanatos entrou primeiro e ajudou Alexander a deitar Isabelle confortavelmente no banco de trás. O lobisomem não precisou de uma ordem para tomar o lugar do passageiro, enquanto Alexander o do motorista.

– Você sabe o que ela tem, Alex? – perguntou Roman.

O ruivo deu partida no carro e ligou o aquecedor.

Sem dizer outra frase que não fosse:

– Mantenha-a aquecida, Thanatos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.