O Lobisomem De Liveway

16 Capítulo 15 - Dor de Cotovelo.


Notas iniciais
Oláaa,

Não demorei muito, viram? Não sou linda e altamente perdoável?? ^ ^

Agradeço aos reviews de:

_ Izzye
_ Lucy 347
_ larimartins
_ Stefany_Zanoni
_ Amanda Olimpius Chase
_ Matry-chan
_ Nathtafner
_ Filha da Sabedoria e do Mar
_ Babydoll

Muito obrigada e espero que curtam!
Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3

Capítulo 15 – Dor de Cotovelo.

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– Você acredita naquele cara? – Thanatos reclamou quando chegamos a casa. – Ele te chamou de Bell! Nós o vimos uma vez na vida e ele acha que tem moral para te chamar de “Bell”? Que cara-de-pau! Vou comprar um óleo de peroba para ele poli-la de vez em quando!

Eu soltei um suspiro e olhei para o estojo que Alice me dera. Teria de encontrar um lugar seguro para colocá-lo. Não era como se o meu pai não soubesse que eu sou bruxa, óbvio, mas eu achava que esse era o tipo de coisa que precisava ser bem guardado. Soltei um suspiro cansado e senti o mundo ao meu redor dar uma guinada nauseante.

– Eu preciso descansar – murmurei, apoiando-me no sofá.

Thanatos me olhou, como se estivesse lembrando-se de que eu estava um pouco esgotada com tudo o que havia aconteceu. Ah, e, por favor, não vamos nos esquecer de que só hoje César e sua mãe tiveram que sair correndo de Liveway, junto com a estranha Anne Claire Florence. E tudo por conta de um capricho meu.

Deusa, um dia minha vida vai voltar a ser a moleza que era antes?

– Eu duvido muito – Thanatos respondeu por mim, ou melhor, ela.

Eu franzi o cenho e olhei para ele. Acho que eu estava com uma cara de choro, mas não me importei muito com isso. Soltei um suspiro cansado.

– Vou para o meu quarto dormir um pouco – eu avisei.

– Não tão rápido! – uma voz soou da escada.

Soltei um palavrão feio que fez Thanatos me olhar.

Ergui o meu olhar e encontrei o meu pai, o famoso Henry Malback, descendo as escadas. Estava com os cabelos molhados, vestindo uma camiseta preta e uma calça jeans também preta. Havia um tom escuro em seus olhos azuis claros e os cabelos loiros e despenteados davam-lhe um ar jovial, mas raivoso.

Mordi o lábio inferior. Eu estava perdida.

Por que justo quando eu não precisava dele, ele estava em casa? Deusa, isso é injusto.

– Ora, vejamos quem resolveu passar a noite em casa! – Thanatos disse com ironia.

Eu escondi o riso, mas meu pai não ficou feliz como eu.

– Minha vida sexual não é da sua conta, pirralho – ele disse para o meu Guardião Sombrio. – Mas não fiquei nada feliz em voltar para casa e perceber que os dois filhos que eu julguei serem responsáveis não apareceram à tarde e a noite toda! São dez horas! Onde vocês estavam?!

Eu sorri pela maneira com que ele disse “os dois filhos”. Isso significava que ele ao menos reconhecia Thanatos como sendo parte da família. Mas tive que esconder o meu sorriso. Não era momento para isso.

– Desculpe-nos papai – eu disse antes que Thanatos explodisse com mais algum sarcasmo ou ironia. – É que... Hoje o dia foi muito corrido... Prometo que lhe contarei tudo amanhã. Hoje mexi com magia e estou exausta. Preciso dormir.

Meu pai ainda estava com os braços cruzados e com os lábios cerrados. Insatisfação era o sentimento que estampava o seu rosto. Dei um beijo em sua bochecha, o que o fez amolecer um pouco.

– Ai, pequena... Você só é amável quando lhe convém né? – ele bufou.

Eu dei de ombros e sorri.

– É... Amanhã agente conversa tá bom? Estou cansada – eu pedi, fazendo um beicinho. – E amanhã eu vou querer saber também o que essa mulher faz de tão especial que te sequestra de casa!

Papai riu e deu um beijo de boa noite em minha testa.

...

No dia seguinte Roman não foi para a escola.

Foi estranho conversar com os outros do grupo e sentir a sua falta. Apesar de ele ter andado me ignorando esses dias (tipo, evitando falar comigo diretamente), ele continuava sendo uma espécie de “alta energia” entre nós. Daniel, que é seu vizinho, me disse que ele havia dormido no hospital porque o seu pai estava internado, por isso não veio hoje.

– Espero que o pai dele melhore – Elizabeth disse para nós.

Todo mundo concordou, mas no meio de tudo aquilo, meu olhar para Thanatos deixava claro que nenhum de nós dois desejávamos, verdadeiramente, melhoras para ele.

– Me surpreendo que ele não cancele a festa – Anabeth comentou, envolvendo o braço de Daniel com os seus. – Digo... Eu não encontraria forças para festejar se estivesse no lugar dele.

De repente, Erika olhou para mim com pesar. Na mesma rapidez com que Anabeth levou a mão aos lábios e me olhou. Ela achava que eu não sabia. Josh, Daniel e Elizabeth me fitaram de modo estranho. Mas tudo o que fiz foi limpar a garganta e mostrar um sorriso despreocupado de “tudo bem, eu sei da festa”.

– Calma gente. Não é como se ela fosse explodir – Thanatos brincou.

Anabeth mordeu o lábio inferior.

– Tá tudo bem, né? – ela perguntou amável como sempre.

Eu concordei com a cabeça.

– Claro que está – eu respondi. Lembrando-me levemente de César. Do como eu surtei em seu carro. – Não se preocupem. Eu entendo Roman. Realmente, seria estranho para nós dois... Ainda mais como tem sido ultimamente.

Eles concordaram com a cabeça, menos Elizabeth. Esta desviou o olhar para qualquer lugar, menos para mim e bufou. Deu uma desculpa que tinha que pegar umas anotações com um companheiro de álgebra e nos deixou no refeitório.

– Eu a incomodo muito, não é? – perguntei com uma pontada de raiva.

– Não entendo as pessoas que ficam grosseiras de uma hora para a outra e nem dizem o porquê disso – Thanatos contou, estava mais irritado do que eu mesma. – O sentido de você destratar uma pessoa, é você demonstrar o quanto se decepcionou com ela. Mas algumas pessoas acreditam que as outras têm uma bola de cristal! Ela quer que Anabelle adivinhe o que fez de errado?

Eu segurei minha risada. Pensando que eu, de fato, tenho uma bola de cristal!

Percebi, pelo olhar de Joshua e Erika que eles concordavam com Thanatos.

– Você tem razão... Eu ainda não entendi o que está acontecendo com Elizabeth, que fica te dando esses foras – a garota disse.

– Nem eu, que sou o mais esperto do grupo, encontrei uma resposta para isso – Josh concordou com a cabeça.

Olhamos para o outro casal, Anabeth e Daniel. Eles estavam calados, trocando olhares que pareciam dizer que sabiam o que estava acontecendo com a outra gêmea. Anabeth soltou um suspiro pesado e olhou para a gente.

– Você não fez nada de errado, Bell – ela disse. – O problema é com Eliza... Eu deveria deixá-la contar isso ela mesma, mas sei que ela não vai... Ela gosta de Roman. Gosta mesmo dele. E vem tentando algo mais que amizade com ele há um bom tempo, até mesmo antes de você chegar, mas ele nem a nota... E quando ele te preferiu a ela... Acho que causou ciúmes e... Sei lá, inveja.

Eu arregalei os olhos.

Sentia-me como se houvesse recebido um soco na boca do estômago.

Elizabeth gostava de Roman?! Bem, isso explicava muita coisa (principalmente seus ciúmes quanto a nós dois). Mas agora, eu me perguntava como eu não havia notado isso antes... Bem, eu estava morando em Liveway somente há três meses. Não sou capaz de saber sobre todos os “podres” das pessoas... Mesmo assim... Sinto-me uma cega.

– E o que a deia irritada então? – eu perguntei chateada. – Eu recusei Roman... Ela não deveria ficar feliz por isso?!

Irritada, me levantei da mesa.

Sem dizer nada, eu saí do refeitório. Thanatos não me seguiu, apesar de sentir que seu olhar me observou, tal como os dos outros, até eu sair daquele ambiente. Sentia-me uma cega ingênua e, pior ainda, estava com raiva da infantilidade de Elizabeth. Eu já parei de dar “esperanças” à Roman, tratando-o decididamente como tratava Daniel ou Josh. Não havia mais motivos para Eliza ficar me atacando.

Tá na hora de ela parar de implicar comigo e tentar se declarar para o lobisomem!

Meu celular começou a tocar, de repente. Era um número desconhecido.

Respirei fundo para me acalmar e atendi.

– Alô?

Bell? Sou eu... Anne Claire – uma voz delicada disse. Reconheci a voz dela e isso gerou um sorriso de alívio em meu rosto. – Não temos muito tempo, então me escute primeiro. Quando puder, dê uma passada na minha loja. Deixei algo para você no armário dos fundos. Ninguém deve ter mexido, pois o cadeado é trancado com magia. Para abri-lo, você vai precisar de um ramo de oliveira.

– Tá. Entendi. Vocês estão bem? – perguntei.

Houve um breve minuto em silêncio.

Seria melhor se não estivéssemos sendo perseguidos pelos chacais dos caçadores, mas estamos vivos... E indo para a Califórnia pegar um solzinho, então não pode estar tão ruim assim para nós – ela respondeu, fazendo uma pequena gracinha.

Nossa... Califórnia!

– Sinto muito – eu pedi.

Acho que a ouvi rir do outro lado.

Está tudo bem, Bell – ela disse. – Podia ser pior... Os próprios caçadores podiam estar atrás de nós. O que me faz lembrar... – Ela suspirou. – Tome cuidado, Bell. Não se exponha muito, por favor. Se eles não vieram atrás de nós, é porque sabem que há algo maior nessa cidade.

Um arrepio percorreu a minha espinha.

– Tá. Eu vou me cuidar – prometi.

Novamente, Anne suspirou.

Tenho que desligar agora, mas prometo entrar em contato.

– Tudo bem. Até... Em breve – eu disse tentando soar otimista.

Anne sorriu do outro lado.

Até em breve! – ela exclamou com energia e desligou.

Guardei o meu celular no bolso e olhei para o céu. Meu coração estava culpado e pesado. “Ai Deusa... Você tem, realmente, que me mandar tudo de uma vez só?” perguntei, apesar de saber que a Deusa não tinha nada a ver com a minha falta de sorte.

As Wicca acreditavam no livre arbítrio do ser humano, vendo-o como um ser responsável por seus atos, uma vez que este seja dotado de racionalidade. Porém, cobravam de nós aquela elevação espiritual e racional de nos vermos, não como seres superiores ou supremos, mas como seres abençoados e capazes, assim, de respeitar seus semelhantes e seu meio: os animais e a natureza.

“Nossos Deuses” Alice me dissera nas aulas teóricas: “Não são como o Deus Católico. Não há ninguém que crie dificuldade em nossa vida, além de nós mesmos. Só procuramos alguém para culparmos”.

– Bell? Você está bem?

Dei um pulo ao encontrar Thanatos atrás de mim. Não o vi chegar. Na verdade, eu sequer ouvi o primeiro sinal tocar. O lado bom é que eu estava a duas salas de distância da minha próxima aula.

– Você pode ler a minha mente. Acha que eu estou bem? – sussurrei para ele.

Thanatos negou com a cabeça.

– Sua mente parece um loop de montanha-russa – ele me respondeu com diversão. – Daqui a pouco vou erguer as mãos e entrar nesse turbilhão.

Eu quis ficar séria, mas acabei revirando os olhos e rindo.

– Bora para a nossa próxima aula, seu palhaço.

Thanatos revirou os olhos e me seguiu. Felizmente, eu não tinha aula com Elizabeth (queria evitá-la por um tempo), minha aula era somente com Josh e Érika, que logo aceitaram a minha desculpa por minha saída brusca. Não que eu realmente precisasse pedir, mas sentia que ficaria um clima chato se eu não o fizesse.

– Tudo bem. Realmente, esse lance da Elizabeth é de chatear qualquer um – Érika disse com um suspiro. – Deve ser muito chato para você.

Eu me sentei no meu lugar, na frente de Thanatos.

– É como você disse – Josh falou ajeitando seus óculos. – Você não está com Roman. Não tem porque ela mexer com você...

Érika concordou com a cabeça.

– Sabe qual é o problema dessa garota? – Thanatos perguntou retoricamente, virando-se para nós. – O problema é que ela é uma mal-comida... Pronto falei!

Eu me engasguei com os meus risos, assim como Érika e Josh também. Não porque gostamos de ouvi-lo dizendo que Elizabeth, a bela gêmea, era uma “mal-comida”, mas porque foi algo realmente inusitado, ouvi-lo dizer isso.

– Talvez seja por aí – Érika concordou, gargalhando.

Eu revirei os olhos, mordendo os lábios para não rir mais (caramba, aquilo foi maldade) e desviei minha atenção para o meu caderno.