O Lobisomem De Liveway
8 Capítulo 7 - Previsões Inexperientes.
Notas iniciais
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Agradeço aos reviews de:
> Bellecat
> Lucy3457
> Luíza Quadros
> kaah
> Elizabeth Marke
> Lilith
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Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3
Capítulo Sete – Previsões Inexperientes.
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– Por que essa pergunta, Isabelle? – Alice perguntou surpresa. – Alexander disse algo que te perturbou?
Cruzei os braços, pois me sentia desconfortável em questionar Alice. Ela era a minha única parenta materna e aquela que não só me ensinava magia, mas que também me tratava como se eu fosse sua filha. No entanto, Alexander dissera que o que ela escondia tinha haver comigo também.
Será que Alice tinha planos para mim?
Algo que ela não queria me contar ainda por, talvez, achar-me imatura ou ser muito pesado para uma adolescente como eu suportar? Bem, eu passei por muitas coisas pesadas para chegar nesse desastre que chamo de vida, supus que poderia suportar qualquer coisa pesada que viesse dela.
– Ele disse que, nas suas atuais condições, ele não podia lhe negar nada. Perguntei-lhe quais eram as suas “atuais condições” e ele disse que ficou surpreso que você ainda não tinha me contado... Porque eu estava envolvida. Alice, por favor, explique-me.
Sempre gostei de pôr tudo em pratos limpos. Odiava decepcionar-me com as pessoas, tal qual fora com David e várias amigas, por isso não tive muito receio em questionar Alice.
Só não esperava que ela fizesse o que fez.
Alice Cristina Franklin, minha tia materna, riu como se eu houvesse dito uma bobagem. Pousou a mão em meu ombro, ainda rindo, e disse:
– Não ligue para o que ele diz minha querida. Alex fica muito chato quando se machuca, por ser um vampiro, ele acha degradante se machucar, e quer brincar com a cabeça de todo mundo. Está apenas querendo te confundir!
Eu deveria ter acreditado e rido também. No entanto, não consegui. Algo nela soava incrivelmente falso, de uma maneira que não acreditei ser possível acontecer com Alice. Logo ela que me passava segurança. Eu sentia essa falsidade porque, ao mesmo tempo em que seus lábios riam, seus olhos pareciam querer chorar.
Eu deveria tê-la pressionado. No entanto, não consegui. Eu sabia que Alice odiava ser pressionada, assim como eu odiava ser. Só pelo seu olhar, vi que aquilo parecia ser doloroso para ela. Mas se dizia respeito a mim, porque haveria de ser tão triste?
– Venha. Vamos para a sua primeira aula prática – ela disse com empolgação.
Infelizmente, deixei-me ser arrastada. Não que aprender magia não fosse algo empolgante – era muito legal! -, mas não consegui voltar a ficar animada com aquela ideia. Se Alexander queria tanto assim estragar o clima para mim, havia conseguido.
Dessa vez, o escritório – geralmente bagunçado – de Alice, estava incrivelmente arrumado. Acho que ela tirava uma vez por mês para arrumá-lo, mas ainda continuava a ser aquele cômodo rústico. Ainda tinha uma mesa cheia de experimentos químicos, “ingredientes” que não era nada haver com “olho de morcego” ou “língua de cobra”.
Ela me apontou para a cadeira enfrente à sua mesa do escritório e se sentou na cadeira à minha frente. Abriu a gaveta e, dizendo, postou dois objetos em cima da mesa:
– Anabelle... Ensinar-lhe-ei a fazer previsões!
Demorei um tempo para perceber que ela segurava duas esferas translúcidas que pareciam conter algum líquido solidificado dentro. Havia bolhas de oxigênio dentro? Bem, eu demorei a perceber que era, de fato, uma bola de cristal.
Bola de cristal? Não sabia que precisávamos disso.
– Prever... O futuro? – eu disse um pouco cética. E peguei a esfera de cristal. – Com uma bola de cristal? Não sei não Alice...
– Depois de tudo o que você já viu ainda duvida de mim, Anabelle? – Alice disse rindo. – Pensei em muitas coisas para te ensinar, e realmente são muitas! Pensei que primeiro deveria lhe ensinar o que fazer quando Alexander comer alho de novo... Pensei que deveria lhe ensinar a invocar o espírito de Katharine, para caso Roman fuja do controle... Mas vou primeiro começar com algo fácil e que é uma tradição de família.
– Prever o futuro é uma tradição de nossa família?
– Sim, sim. Não que isso seja algo extremamente exclusivo para do clã Franklin, mas, em nossa história, sempre houve os melhores adivinhos e videntes. Não sei se você já sentiu como se soubesse o que iria acontecer antes de acontecer – Alice disse. – E não se trata apenas de “prever o futuro”. Trata-se de prever tanto o futuro quanto o passado.
Joguei a bola para cima e a segurei. Era bem esférica, exceto por um pequeno polo achatado – talvez para que ela não saia rolando sobre uma superfície plana. Alice pegou uma vela e pedisse para que eu não deixasse quebrar. Era caro e esta bola de cristal havia pertencido à minha tia-avó.
Alice pôs uma pena de corvo sobre a mesa, entre as duas bolas de cristais, e uma vela lilás em cima. Como se percebesse o meu olhar confuso, pediu:
– Se você se lembra da aula de “Ingredientes e para quê eles servem”, diga-me porque da vela roxa e da pena de corvo.
Encostei-me à minha cadeira e tentei me lembrar. Acho que... Foi no mesmo dia em que Roman chegou querendo falar com Alice, dois dias depois de eu ter lhe dado o fora, então o clima ainda estava tenso entre nós dois.
– Hm... Pena de corvo servia para... Adquirir sabedoria? – perguntei.
– É... Mas no caso, usaremos para termos mais afinidade com o futuro desconhecido – respondeu Alice, acendendo a vela roxa. – Enquanto a vela lilás... É para representar o tempo, sem contar o forte espírito do Deus-Fogo.
Deus-Fogo, Deusa-Terra... Acho que tudo era apenas um modo mítico para se chamar duas entidades. Alice nunca gostou muito desses títulos, e preferia chamá-los simplesmente de “Deus” e “Deusa”. Bem mais simples e sem tanto mistério.
Ela pediu para que eu lhe desse minha mão e assim o fiz.
– Agora, faça uma pergunta mentalmente, e olhe para a sua bola de cristal – mandou Alice.
Pensei uma pergunta para fazer, mas eram tantas as que eu tinha!
Poderia perguntar sobre o segredo que Alice escondia de mim, poderia perguntar sobre os problemas de Roman, sobre o porquê Sean gostava de provocar o meu amigo, qual a relação dele com o pai de Roman e o que ele queria aqui.
De repente, antes que eu pudesse me concentrar em apenas uma pergunta, senti como se minha alma estivesse sendo sugada para fora do meu corpo e indo para outro lugar. Era alucinante. Como se eu estivesse em uma montanha-russa maluca que terminou em um solavanco cuja inércia me fez ter náuseas.
Eu não estava mais com Alice à minha frente.
Eu estava sozinha.
– Por que, Alexander? Com tantas pessoas no mundo... – uma voz me soou familiar.
No espaço escuro do vácuo em que eu flutuava, uma imagem sombria se estendeu à minha frente. Grama escura apareceu sob meus pés, um céu estrelado surgiu sobre mim... Inalcançável, mas havia algo de errado. O céu estava coberto por nuvens em uns tons de roxo pesado e uma chuva forte caía, mas não me molhava.
Molhava somente o meu “outro eu”. Que fitava, com raiva e mágoa, Alexander.
– Esse era o maior desejo dela, Anabelle – ele respondeu. – Eu vivia apenas para atender aos caprichos de Alice, mas esse... Foi o único que desejo que eu não tive coragem de fazer.
Eu chorava. Eu sei que sempre fui chorona, mas eu acho que nunca chorei tanto em toda a minha vida quanto naquele momento. Minhas pernas falharam e caí de joelhos no chão, deixando Alexander alarmado.
– Por que ela não me disse isso?! Ela pode prever o futuro não pode?! Ela deveria ter me dito a verdade quando lhe pedi! – eu gritava.
Ele se aproximou de mim, mas não pude saber como aquilo acabou, ou o que ele fez. Com uma rapidez de cores, a imagem do cemitério foi sugada e me vi naquele vácuo novamente. Que foi rapidamente substituída por outra cena do futuro.
Eu estava em uma cozinha onde predominavam o branco e o preto. Havia uma mesa redonda com quatro cadeiras. Eu já a havia visto antes... Na casa de Roman. Um homem loiro com o braço enfaixado e com uma aparência doente estava sentado em uma cadeira com um bando de pastas abertas.
– Ainda bem que você voltou! Por que demorou tanto?! – ele brigou quando viu Sean entrando na cozinha.
– Você reclama velho, mas quero ver você fazer o meu trabalho como eu faço – ele lhe respondeu com ar petulante. – Eu estava na delegacia de polícia, fazendo uma pequena pesquisa.
Sem ser convidado, ele puxou a cadeira com casualidade e se jogou nela com desleixo, como se fosse um moleque que nada queria da vida. Bem diferente da posição de “observador” e “adulto” que ele havia tomado quando estava com os meus amigos.
– E o que achou?
– Acho que precisávamos ter percebido antes o número alarmante de pessoas desaparecidas e de mortos – ele lhe respondeu colocando uma folha de papel dobrada sobre a mesa. – Isso não é normal. Pode haver uma espécie de Serial Killer por aqui, ou talvez seja...
– Você o encontrou? – o homem debilitado lhe interrompeu, indo direto ao assunto.
– Parece que ele foi morto há algum tempo. Seu corpo foi encontrado em um beco escuro no bairro comercial. Seu rosto e seu corpo foram deformados com uma faca, mas percebi... Que ele estava sem a placa de identificação – comentou com precisão. – Parece que ele estava bêbado.
– Ele pode ter perdido – comentou o homem. Analisando as informações. – Agora, diga-me, o que achou dos amigos do meu filho?
– Parecem jovens vivazes. Alegres, risonhos, mas percebi que estavam se desentendendo recentemente. Tinha uma puta que não parava de implicar com a garota que o seu filhinho está sofrendo mal de amor. Ele tem bom gosto, aquela tal de Anabelle é muito gostosa... Mas talvez lhe interesse algo sobre o que o irmão dela me disse.
O homem ergueu o olhar para Sean e ergueu uma sobrancelha.
– Ele me mostrou um CD de uma banda legal que eu disse que gostava... E falou que me achava um cara legal porque eu o entendia. Disse que percebeu que eu estava secando a irmã dele e pediu para que eu tivesse cuidado porque o apelido dela costumava ser “viúva-negra”. Aparentemente, todos aqueles que caem em sua teia... Não ficam vivos para contar a história.
– Você vai ter que ficar de olho nessa garota – mandou o homem.
– Eu já estou de olho nela desde que eu a peguei – ele respondeu sorrindo com malícia. – Mas acho que seu filho não vai gostar de me ver rodando sua “namoradinha”. E olhe que ele nem vai com a minha cara!
– Nosso trabalho é mais importante do que os sentimentos de Roman. Ele pensa que somos loucos. Não compreende nosso trabalho. E é justamente por isso que eu o desprezo. Você, Trevor White, é o filho que eu nunca tive. E não vamos embora até resolver os problemas desta cidade.
Então tudo desapareceu como se sugado por um buraco negro e eu me vi na sala de Alice mais uma vez. Meu corpo tremia em espasmos, como se eu estivesse com frio ou com febre. Suor frio escorria por meu corpo e percebi que Alice tentava me despertar com algo que cheirava forte, enquanto Thanatos me abanava e Alexander me olhava com grande preocupação.
– Anabelle! Tudo bem, com você?
Alice perguntou para mim.
Mas não tive tempo de responder. Sentia-me terrivelmente enjoada. Foi com grande esforço que me virei na cadeira e vomitei.
...
– Ai de você se vomitar no meu carro, Anabelle Malback Franklin – Thanatos alertou enquanto dirigia.
Eu não respondi. Já estava bem tarde quando eu voltei para casa e me perguntava se Thanatos havia visto o que eu havia visto. Todas aquelas cenas. Eu ainda estava muito fraca e apoiava minha cabeça contra o vidro. Meu estômago já estava melhor, mas agora eu estava morrendo de vergonha.
O que poderia ter sido pior do que aquilo?
– Vomitar em cima de Alexander! – respondeu Thanatos aos meus pensamentos, rindo. – Era isso o que eu queria ter visto! Haha!
– Cala a boca seu idiota – murmurei tomando mais um gole da coca-cola que Alice havia me oferecido.
“Você é alguém que pensa em um monte de coisas ao mesmo tempo, Anabelle. É normal que, por conta disso, seja difícil para você ter previsões com uma única coisa. O resultado de pensar tanto é esse enjoo, pois aparecem muitas visões. É um erro comum de principiante. Agora eu sei que eu te devo por para meditar antes de tentar isso de novo” Alice dissera com sua voz adorável e compassiva.
Mesmo assim, eu entendia muitas coisas agora, mesmo que ainda houvesse muitas dúvidas em minha cabeça.
– Descobri muito naquelas visões... Você viu também? – perguntou.
– Não, – ele respondeu incomodado. – Isso foi algo que eu não consegui ver. Sua mente parecia bloqueada. Parecia... Em outro lugar. Foi estranho.
– Bem, descobri que, seja lá o que Alice e Alexander me escondem, vai me magoar muito. E que eu estou com sério problema se o pai de Roman for da CIA.
Thanatos franziu o cenho. Então, ao me lembrar do que Sean disse, voltei-me para ele e com raiva contida, eu perguntei:
– Então... Sou conhecida como “viúva-negra” é, Thanatos?
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