O Livro das Eras
3 Planos
Canto I — Uma Promessa.
“Vendo aquela triste cena meu coração mais uma vez se enfureceu, meu sangue pulsava fortemente, meus olhos pareciam pegar fogo, mas meus punhos estavam sob controle. Mesmo com o cosmo queimando de forma intensa eu continuei dono de meus pensamentos.”
Ikki e Albert continuaram a conversa após uma longa pausa para caminharem até um local onde eles ficassem longe de todos os outros ouvidos da cidade. O assunto realmente não poderia ser aberto aos demais cidadãos. Chegando novamente onde se conheceram, na cratera do vulcão da Ilha, Ikki perguntou:
–Então já percebeu que o Ichor de Athena também circula em meu corpo?
–Desde que o abracei e senti um cosmo reconfortante, bem diferente daquele que o vi anteriormente. – Respondeu o velho.
–Bom, agora me diga o porquê de manter esta ilha desde jeito?
–Eu o fiz para suportar a minha missão. – Albert baixou a cabeça como se tivesse vergonha de algo. – Para poder manter o diário a salvo até você vir buscá-lo. Eu sabia que você iria demorar e foram alguns séculos de espera que sem minha família eu teria enlouquecido.
–Entendo. Agora eu entendo a ultima regra. Ela é fundamental para pessoas que viverão longas datas ou têm um poder fora de seu controle.
–Sim. Eu trouxe toda a minha família para cá e criei este vortex temporal quando descobri que Sara estava prestes a morrer de tuberculose, não suportaria perder-la.
–Mas e quanto ao diário de Athena? Sua missão não era devolvê-lo para as próximas Athenas?
–Não. Athena do século XII fez deu prosseguimento a um plano digno da deusa da sabedoria para terminar com todas as guerras santas. Ela sabia que nessa era os cinco mestres estariam encarnados ao seu lado. Sabia também que as próximas Athenas seriam cada vez mais amorosas com os humanos e provavelmente não iriam continuar com o plano.
–Mas que plano é esse? – Ikki parecia curioso.
–Um plano cruel que geraria um massacre na Terra, mas que colocaria um fim a todas as guerras santas. E todo o plano está descrito ao longo deste livro.
–Realmente. O coração de Athena é muito bom, ela não permitiria qualquer sofrimento aos humanos. Mas como ela poderia ter tanta certeza?
–Diga-me. Quantas ilhas existem no Japão? Qual a probabilidade de você vir parar aqui exatamente nos dias seguintes ao receber o Ichor de Hades? O destino meu amigo.
–Destino? Novamente você e essas balelas. Quando nos conhecemos me falou de maldições e de que podemos quebrá-las. Eu não acredito em destino. Acredito em nossa própria força e que nós construímos o nosso próprio destino!
–E por que afirmas com tanta convicção? A realidade não demonstra claramente ao olharmos para o passado?
–Como acabei de dizer. É notável que exista uma maldição da fênix. Assim como Midas, Perseu, Pandora e Gêmeos. Mas também sabemos como quebrá-las. Se pudermos quebrar uma maldição, o nosso trágico destino, que até então estava selado, toma um percurso totalmente novo.
–E se já está escrito quem e quando serão quebradas cada uma das maldições?
–É fácil olhar para o passado e comentar um gabarito. Toda resposta parece obvia depois que a temos e entendemos. A própria Athena em seu livro comenta sobre os eventos caóticos que envolvem todos os sistemas.
–Vejo que a leitura lhe acrescentou algo. Mas infelizmente não a entendeu por completo. De fato todo sistema que envolve uma grande quantidade de dados e eventos simultâneos parecem e são descritos pela lei da probabilidade. Todavia isto não quer dizer que estes eventos são intrinsecamente aleatórios.
–Quer dizer que para tudo o que acontece, acontece por um motivo e uma causa?
–Exato. A deusa Athena já sabia de algo que só foi publicado dezenas de séculos depois. Hamilton, propunha um espaço de fase e sua evolução temporal. Se conseguirmos, em um sistema caótico, definir certa região inicial do espaço de fase que represente o agora. Conseguiremos definir a evolução temporal desta região numa outra região futura, onde saberemos o estado final deste sistema.
–Então se definimos uma região do presente, mesmo sem saber qual, temos uma probabilidade de estarmos nela. E se estivermos, vamos saber como tudo vai acabar. Isso não é o determinismo?
–Exato. Contudo as linhas que ligam a região do passado, presente e futuro, são continuas em quase todos os pontos. Exceto em algumas singularidades. Essas singularidades são partes do sistema que não estão definidas.
–E se passarmos por elas, não saberemos o futuro. Mas então não retornamos ao ponto em que não existe destino?
–Mais uma vez estás correto. Contudo cada singularidade tem um valor representante. Ou seja, ela vai mudar de região no espaço de fase, mas as linhas dos eventos seguintes terão o mesmo percurso. E cada vez que nos afastarmos mais e mais dela, o sistema volta a convergir para a mesma evolução temporal.
–Como uma bola que rola em velocidade constante, em algum momento dão um chute nela, ela ganha velocidade, mas depois sua velocidade volta a ser constante. De um valor mais elevado, mas ainda constante.
–Exato! E a singularidade que estamos falando é o sangue de Hades e Athena que circulam em seu corpo. Era previsto apenas o Ichor da Deusa. Entretanto essa mudança do sistema tirou a gente das linhas que convergiam para o destino que as Athenas tinham pré-determinado.
–Novamente o destino é quebrado. Provando-se não ter utilidade.
–Athena escolheu uma região determinada para poder fazer suas previsões. Infelizmente existe uma probabilidade dela ter errado e existe outra probabilidade inerente a esta, das mudanças criadas por não estarmos dentro desta região que acabemos convergindo para dentro da região final. Sabes quantas singularidades de grande relevância já passamos só nestes últimos oito séculos? Mais de mil. Athena acertou mais de 95% delas e no final, nenhuma das que ela errou acabou mudando a convergência para a região final prevista.
–E qual a grande influência desta singularidade então?
–É que estamos chegando perto da região final. Em menos de dez anos tudo estará resolvido. E quanto mais próximo do fim, maior a importância das singularidades. E para nossa desgraça, dois dos cinco mestres passaram por uma singularidade que não estava prevista.
–De novo esses cinco mestres. Quem são eles?
–São seres mitológicos que desenvolveram uma ligação muito forte com os cinco elementos: Fogo, Ar, Água, Terra e Luz. – Explicou o velho.
–Não me diga que...
–Sim. São vocês cinco: Seiya, Shun, Shiryu, Hyoga e você. Ou você acha que cinco meros cavaleiros de bronze conseguiriam derrotar tantos cavaleiros de ouro? Só foram capazes disso por que as suas almas já contêm uma carga lendária.
–Então eu sou o mestre do fogo?
–Sim, você é a fênix. Shiryu é o mestre da água, o dragão. Seiya é o grande mestre da luz, o Pegasu. Shun é o mestre da terra e Hyoga é o mestre do ar, o Cisne.
–Mas Shun não...
–Eu sei. Seu irmão, o mestre da terra está sendo influenciado por uma estrela do mal. E isto o fez se perder em seu caminho. O mestre da terra é o camaleão. Alguma coisa sinistra mudou seu destino. Espero que isso não altere os planos originais de Athena.
De repente um grande tremor de terra fez os dois que conversavam de forma concentrada, voltaram suas atenções para a vila à beira do vulcão. Ela estava sob ataque e ardia em chamas, gritos de crianças e mulheres eram ouvidos. Em poucos saltos os dois se encontravam na praça central da cidade, onde viram Brian cercado por cinco guerreiros com armaduras que pareciam feitas de ferro incandescente.
–Vejam... Não é que ele vai nos proporcionar um pouco de diversão. Apesar de não ser um cavaleiro de Athena ainda não morreu. – Um deles falou em tom de psicopata.
–Pai! Eles são Berserkers de Ares! – Brian gritou ao ver seu pai chegando.
–Preste atenção na batalha! – Outro que estava atrás de Brian atacou com as garras do antebraço de sua armadura arrancando o braço do filho de Albert.
A grande quantidade de sangue jorrado pelo seu ombro fez o pobre homem sentir uma vertigem, que foi o suficiente para um terceiro guerreiro perfurar seu peito com as mãos. O corpo de Brian caiu lentamente ao chão enquanto seu assassino lambia a mão repleta de sangue. Um vulto passou entre o velho e Fênix que observaram o massacre, sussurrou: -“Pai, finalmente, depois de tantos séculos posso descansar”. O único filho já não estava mais entre o mundo dos vivos, mas seu rosto pálido demonstrava um sorriso.
Desta vez foi Albert que teve seu corpo tomado pela ira e se moveu de modo que nem mesmo Ikki pode vê-lo, pois quando olhou novamente para a praça só viu o velho com a cabeça decapitada daquele que perfurou o coração de seu filho.
–Vocês são uns malditos bastardos. Não irei perdoá-los. – O centenário jogou a cabeça no chão, se ajoelhou ao lado de Brian. Uma profunda dor invadiu sua alma e lágrimas encharcaram sua face.
–Que tolo. Entrou na batalha matando nosso irmão e agora se vira de costas para nós? – falou aquele que arrancara o braço do falecido enquanto avançava para um ataque.
–Golpe Fantasma de Fênix! – Fênix entrou na batalha.
Um raio cruzou a cabeça do atacante. Este se viu sendo preso a quatro pilares que acorrentavam membros diferentes. As garras que ficavam em seus antebraços e canelas pareciam ganhar vida. Elas se aproximavam do tronco lentamente enquanto dilacerava a carne, uma dor inimaginável de seus músculos, tecidos e ossos rompendo-se, o fez gritar de forma alucinante. Quando se viu livre da corrente de um dos braços, pois suas garras já tinham desprendido a mão do pulso, preferiu acabar com a própria dor rasgando seu pescoço com o que sobrara do braço.
–Como é possível! Nosso irmão cortou a própria garganta! O que você fez com ele? – Um dos Berserkers questionou Ikki.
–Ele estava preso em uma ilusão, mas agora já não importa. Pois a mente dele foi tão fraca que ele não aguentou e preferiu retirar a própria vida. Vergonhoso. – Fênix respondeu. – Chegou a hora de vocês.
Alheio a realidade que o cercava Albert se encontrava chorando e abraçado em seu filho morto, com uma cabeça jogada sobre seus pés. Totalmente perdido, o antigo cavaleiro de taça pode ver sua casa queimando. Ele saiu em busca de sua família numa esperança de vê-los vivos. Entrando pela porta pode ver a mais horrenda cena de sua vida. Sara estava com o tórax rasgado mostrando seu coração, Marí e Lara foram decapitadas. Ao observar Glacy e Rubi que estavam com buracos enormes nas costas, escutou um gemer de dor, era Rubi que ainda estava viva:
–Vovô a... – parou de falar ao tossir sangue. Albert prontamente a pegou em seu colo, ela segurava Sophie protegendo-a seus braços. A bisneta parecia bem e intocada. – Cuide dela.
–Resista Rubi! – Falou o velho chorando ao ver que a vida abandonava os olhos de sua amada neta.
–Não! – Gritou o ex-cavaleiro sentido o Ichor de Athena que também corria em suas veias dar-lhe um poder gigantesco.
Enquanto isso, do lado de fora, Ikki estava contra três guerreiros que pareciam lutar como um só. O cavaleiro de fênix realmente parecia em desvantagem na luta corpo-a-corpo, pois não conseguia se defender dos três e atacá-los ao mesmo tempo, então numa tentativa de retomar o fôlego, saltou para cima da casa de Albert e perguntou:
–Antes que eu mate vocês três aqui. Gostaria de saber quem são vocês e o que vocês querem.
–Quanta presunção para um mero cavaleiro de bronze! – Falou um deles que possuía uma armadura vermelha com uma teia desenhada em seu peitoral e o capacete em formato de presas.
–Nós somos a tropa de elite do senhor Fóbos! Eu sou Nictos! – Respondeu outro com a armadura totalmente negra excetuando-se dois olhos vermelhos em seu peitoral.
–E eu sou Eluro e aquele é Aracno. E nós viemos atrás daquele velho gagá que está com um livro que o senhor Fóbos quer. E você quem é? Nós também queremos saber pelo menos o nome de uma das dezenas de pessoas que matamos hoje. – Explicou o ultimo que tinha quatro garras em cada punho e um elmo que lembrava um felino.
–Ótimo, eu estava pensando em matar um de cada vez até restar apenas um para me explicar o que vocês queriam, mas agora que eu já sei quem são e o que querem posso enviar todos de uma só vez para o inferno!
–Você deve ser o cavaleiro de bronze da petulância! Vamos acabar com você! – Eluro saltou uma altura duas vezes maior que a da casa. Tomou uma postura ofensiva, seu cosmo era extremamente intimidador. — Ataque das Presas Mortais!
Centenas de presas começaram a bombardear o telhado da casa e cada presa que o acertava, Ikki sentia suas pernas tremerem de medo. Algo que invadia profundamente seu ser e o impedia de se mover. Sua armadura trincava e se quebrava a cada golpe recebido daquele terrível adversário. Um golpe que atinge não somente o corpo, mas também a mente.
–Noite Eterna! — Nictos vendo a posição desfavorável de Fênix aproveita a situação e aplica seu golpe, que envolve o cavaleiro de Athena em uma escuridão extrema, que emanava um frio sinistro. Mesmo sem enxergar nada, Ikki sentia o inferno a sua volta.
–Então é isso... –O cavaleiro de fênix começa a gargalhar. – Seus golpes são notavelmente infantis. – Ele salta para fora da escuridão e da onda de presas e fica atrás de Nictos.
–O que? – Se surpreende Nictos ao ver seu adversário escapar de seu golpe tão facilmente e pegá-lo desprevenido.
–Sintam o pavor da sua impotência perante o poder da grande ave de fogo! Ave Fênix! – Ikki golpeia brutalmente o mais próximo. O guerreiro indefeso e pego de surpresa é levado por um furacão de chamas, seu corpo e armadura começam a se desintegrar parcialmente até que seus restos caem imóveis no solo.
–Vejo que meus companheiros foram tolos ao te subestimar. Infelizmente o selo de Athena e o selo daquele velho nesta ilha restringiram nosso poder muito mais do que pensávamos. – Falou Aracno
–Selo de Athena?
– Não acredita de verdade que em condições normais você seria capaz de eliminar um guerreiro de elite com apenas um golpe? E meus outros irmãos atacados covardemente de surpresa e pelas costas por aquele velho e por você, não seriam derrotados daquela maneira. – Continuou o Berserker.
–E cinco guerreiros com armaduras contra um homem desarmado não é covardia? Alias, tudo que vocês fizeram nesta ilha foi um massacre covarde. Onde fica seu orgulho de guerreiro? – Ikki falou em tom sarcástico.
–Creio que isso de orgulho guerreiro é uma bobagem. O que importa são os resultados e as vitórias. Deixaremos nossa batalha para uma oportunidade que tenhamos pé de igualdade. – Respondeu Aracno a ponto de partir. – Vamos Eluro! Bater em retirada!
–Não lhe darei esta oportunidade! – Grita Albert saindo da casa em chamas com um bebe no colo. Ele toma uma posição também conhecida por Ikki e desfere a – Explosão Galáctica!
Fênix observa o guerreiro perecer diante de tal poder e quando torna olhar para seu mestre percebe que este segura Sophie no colo. Aquele bebe certamente significava que toda a família dentro da casa estava morta e ninguém além dele poderia tomar conta da pequenina. O cosmo do centenário estava tomando grande parte do local de forma intensa e impressionante.
–Maldito! Meu irmão! – Eluro voltou e se posicionou cinco metros frente ao velho. – Cortarei a sua garganta com um único golpe! Ataque das Presas Mortais.
–Um golpe fraco como este nem é capaz de tocar meu corpo. – Falou Albert criando uma barreira de cosmo que o envolvia.
Um único par de presas feita de um cosmo negro como a noite ia em direção ao seu pescoço. Entretanto quando esta se desfez ao tocar a barreira de cosmo, um segundo par de presas apareceu, mas com Sophie como alvo. O velho se desconcentrou e instintivamente a ergueu para desviar do ataque. Vacilo suficiente para a proteção enfraquecer e as presas perfurarem suas entranhas.
–Mas que golpe baixo! – Ikki gritou enquanto partiu em direção Eluro. Um simples soco na cervical foi o suficiente para eliminar o ultimo berserker.
–Ainda bem que estas do nosso lado. Esta é a segunda vez que o vejo do lutando por Athena. Já o vi ao seguir Hades e Zeus. Espero que a Fênix mais uma vez ajude Athena a salvar a humanidade. – Falou Albert que já estava jogado ao chão com a pequena no colo.
–Do que está falando? – Ikki toma o velho em seus braços e observa a grande quantidade de sangue acumulada ao redor dele.
–A mais de duzentos anos eu pedi um favor a um santo de touro. Que salvasse a sua alma, trazendo-o para Athena. Duas encarnações ao lado de Hades foram o suficiente. — Respondeu — Já chegou minha hora. Na verdade ela já passou há tempos... – Ele ria enquanto sangrava. – Te peço como meu ultimo desejo que cuide de minha bisneta Sophie, deixe ela longe desta guerra.
–Não fale besteiras. Você não viveu durante séculos para morrer agora!
–Me prometa que irá cuidar dela! – Albert agarrou Ikki pelo braço olhando-o fixamente.
–Eu lhe prometo. Agora aguente firme enquanto procuro ajuda! – Tomou o bebe dos braços de seu mestre. – Pressione seu ferimento, vou procurar algo para estancá-lo.
–Obrigado. Aquele bastardo me acertou forte mesmo! – O velho ria abertamente – Na verdade, estou feliz. Feliz de morrer agora, depois de completar minha missão. Sem minha família eu acabaria enlouquecendo mesmo. Lembre-se da ultima regra Ikki. – Terminou fechando os olhos. Permaneceu sorrindo mesmo quando seu coração parou de bater.
Fênix mal terminara de jantar com aquela família feliz e agora estavam todos mortos com exceção da pequena Sophie que com aquele tumulto todo a acordou aos berros. O cavaleiro não sabia o que fazer. Seu mestre morto a sua frente o fez perder-se em pensamentos: Como Ares os haviam encontrado e sabia sobre o diário? E o mais importante, o que fazer com aquela criatura em seus braços?
–Devo achar um lugar seguro para esta coitadinha. – Ikki abraçou o frágil ser e fez erguer um cosmo caloroso e gentil. Nada parecido com o que era costumado a emitir. Bastaram poucos segundos naquela posição e Sophie pegou novamente no sono. – Acredito que o melhor lugar para ela é no orfanato em que Seiya cresceu, na verdade não consigo pensar em outro lugar. Pelo menos por enquanto. – Ele fitou-a mais uma vez — Você me faz lembrar quando eu era pequeno e cuidava de meu irmão. Faz tantos anos e as coisas não melhoraram.
Canto II — Indícios de uma Nova Guerra Santa
“Muitas flores gentis da primavera morreram dando lugar ao violento calor do verão. Certamente eles tentarão, mas nunca conseguirão impedir o florescer de uma nova primavera.”
Ikki, dentro de um cânion, queimava seu cosmo ao máximo. Seu coração disparado estava cheio de dor e ansiedade. A morte recente de seu mestre ainda o abalava, pois ele não sabia o que fazer. Ainda não havia contado para ninguém o ocorrido e queria a todo custo falar com Esmeralda, todavia não importava o esforço empregado, a adorável menina de cabelos loiros não aparecia. Desde que recebera o Ichor de Athena fez inúmeras tentativas e em nenhuma delas conseguiu ver sua amada.
–Oh! Esmeralda, eu não sei o que fazer. Faz dois dias que meu mestre morreu e desde então só penso em você. Eu vi como Albert suportou todos estes anos, e foi com o amor. Mas sem você... Eu não quero desistir, mas também não quero tentar. Parece-me que agora tanto faz. Eu só quero ir para aí junto de você! – Ikki pensava enquanto lágrimas corriam pelo seu rosto.
Depois de muito refletir Fênix enxugou as próprias lágrimas e decidiu o que fazer. Obviamente uma nova guerra santa estava começando. O santuário tinha perdido muitos cavaleiros de ouro durante o conflito interno e para piorar Ares estava planejando uma investida. Seria a hora de tomar a dianteira contra o temível Deus da Guerra! Partiu em direção ao templo de Athena.
Reuniu a grande cúpula com todos os cavaleiros restantes, eram poucos afinal, cinco cavaleiros de ouro – excluindo o mestre ancião que permanecia nos cinco picos, dez cavaleiros de bronze e três amazonas de prata. E obviamente a grande Athena estava presente.
–Já que estamos todos aqui. Eu gostaria de dizer o motivo desta reunião. – Ikki começou a se pronunciar quando Miro o interrompeu.
–Espere! Ainda falta um cavaleiro de prata, um discípulo de Camus! Ele deve estar para chegar.
–Quem é este cavaleiro que nós não conhecemos? – Shiryu questionou Miro.
–Mais um discípulo de Camus? Então só pode ser... –Enquanto Hyoga falava mais um cavaleiro entra pelo salão do grande mestre.
–Mas veja quem é que sobreviveu... – Fênix falou em tom de escárnio.
–Realmente, alguns cavaleiros não têm nem a competência de terminar o serviço. – Respondeu Biorn. – Você de fato teria matado um cavaleiro qualquer, mas é sabido que a armadura de Taça tem poderes curativos inimagináveis. Minha armadura quase morreu dando-me a chance de permanecer neste mundo.
–Vocês já se conhecem? – Miro indagou.
–Melhor deixar para lá. – Ikki resmungou sem gostar da resposta do recém chegado.
–Biorn! Há quanto tempo! Não o vejo desde que obteve sua armadura e veio para o santuário! – Hyoga parecia bem feliz em reencontrar seu colega de treino.
–Hyoga meu camarada! Pelo visto também obteve sucesso em retirar a armadura de Cisne da geleira eterna. Fazia séculos que ninguém obtivera sucesso em derreter aquelas geleiras. Diga-me, como está Isaac? Ele também se tornou cavaleiro? Não o vejo.
–Isaac morreu. Ele morreu para me salvar. – Hyoga responde para o cavaleiro de Taça com o olhar envergonhado.
–Pobre Isaac. – Os olhos de Biorn demonstravam uma grande tristeza.
–Certo. Agora que as comadres botaram o assunto em dia podemos continuar. Ikki, qual é o grande motivo desta reunião? – Seiya se pronunciou quebrando o clima pesado gerado pela conversa de Hyoga.
–Ares está tramando uma guerra contra o santuário. – O cavaleiro de fênix respondeu sem grandes delongas.
–Isso é impossível! Ares não pode despertar! Ainda falta muito tempo para o selo da última Athena perder o efeito! – Shaka contestou.
–Então vejam! – Ikki puxou um pano que encobria parte do espaço atrás do trono do grande mestre. – Estas são as cinco armaduras dos cinco Berserkers que...
–Mas como? A onde você encontrou estas armaduras? – Aiolia interrompeu. Parecia espantado em vê-las.
–Eles apareceram em uma ilha na costa japonesa. Estavam destruindo uma vila, eu os impedi e os eliminei! – Fênix preferiu não contar toda a verdade, pois agora ninguém além dele sabia da existência do diário de Athena.
–Mas foram cinco Berserkers! O que eles faziam lá? E como você os derrotou sozinho? – Aiolia parecia não acreditar.
–Não sei bem o que eles queriam, pois só me disseram que vieram a mando de Fobos. Não dei a oportunidade e os eliminei.
–Então a guerra realmente está chegando. Devemos tomar o máximo de precações a partir de agora. – Aldebaran se pronunciou. – O problema é que sem um mestre, como saberemos qual estratégia tomar?
–Não podemos ficar aqui aguardando um exército de guerreiros de Ares chegarem. Devemos pensar em um plano para desarmar o exército deles antes que se fortaleça! – Afirmou Athena em seu tom altivo. – É hora agirmos.
–E o que nós faremos então Saori? – Shiryu questionou
–Ares e seu exército sempre se deixaram levar pelo calor da batalha. Vamos utilizar isto a nosso favor! – A deusa respondeu – Vamos evitar que Ares e Fobos despertem!
–Provavelmente nem Ares, Fobos, Deimos ou outro de seus filhos despertaram. Se eles já estivessem, com certeza saberíamos. — Shaka concordou. – Athena ainda não despertou todo seu potencial, mas alguns selos dela com a minha ajuda, nós poderemos postergar mais esta batalha!
–E quanto aos Berserkers despertados? – Miro perguntou olhando para Athena.
–Devem ser trazidos para a prisão do santuário com vida, se possível. – Respondeu a deusa.
–Mas por quê? – Seiya não entendera a decisão.
–Pois ela tentará selar todos, assim como já foi feito na grande batalha do coliseu eras atrás. – Mú explicou. – Não é mesmo Athena?
–Exato. Eu quero que cada cavaleiro, exceto Shaka, saia com dois cavaleiros de bronze a procura de informações e paradeiro dos Berserkers que já despertaram. Os cavaleiros de Prata junto com Ichi e Shun ficarão aqui para proteger o santuário enquanto Shaka me ajudará com os selos.
Todos concordaram com a cabeça e se ajoelharam dizendo um ‘sim’ em coro. Os cavaleiros começaram a sair do grande salão aos poucos formando seus trios. O pavor estava estampado nos olhos dos cavaleiros de bronze enquanto os cavaleiros de ouro por sua vez permaneciam calmos e tranquilos. Mas antes que fênix fosse embora, Shaka o chamou:
–Cavaleiro de Fênix venha cá!
–O que foi?- Ikki parou sem se voltar para Virgem.
–Eu reconheci as marcas do ataque na armadura de um destes Berserkers. E não é um golpe seu. O que você está escondendo?
–Não acredito que eu lhe deva explicações. Limite-se a fazer o que Athena lhe pediu. –Ikki respondeu a Shaka.
–Fênix, pode contar para ele. Penso que este é o momento de pelo menos alguns dentro do santuário saberem da existência daquele livro. – Mú que ouvia a conversa decidiu intrometer-se.
–Malditos Lemurianos! – Exclamou o cavaleiro de fênix olhando com raiva para o cavaleiro de Áries. – Se entrar em minha mente novamente farei questão de levá-lo as portas do inferno eu mesmo.
–Ele encontrou o diário de Athena. Ou melhor, lhe deram. – Mú se comunicou telepaticamente com Shaka.
–Entendo. Devemos saber os reais planos de Athena antes de tomarmos decisões irremediáveis. – Virgem respondeu também mentalmente.
–Penso que nós três precisamos conversar a sós antes de sairmos nesta missão. – Ikki percebeu que estavam usando telepatia e resolveu esclarecer a situação.
Canto III — O Plano de Athena
“Os deuses assistem a luta dos mortais, espalhando glória para os seguidores e miséria aos rivais. Athena sempre teve uma carta na manga que nos guiou à vitória e sempre haverá de ter.”
Após uma breve explicação de tudo que acontecera com o livro que Ikki tinha em suas mãos, bem como a história de seu mestre. Recontou a história do ocorrido na ilha com os Berserkers, agora com os detalhes verídicos. Uma nova arma acabava de chegar ao santuário, o conhecimento e as estratégias de todas as Athena com certeza não tinham preço:
“Para explicar como cada planeta era, vou contar a história de um individuo de cada planeta. Obviamente escolherei aqueles que tiveram uma contribuição decisiva no desenvolver da história do sistema solar. Os nomes reais deles assim como de cada um que será citado aqui, serão omitidos ou inventados, afinal lembrar nomes que foram abandonados a centenas de milhares de anos é bem difícil. Mesmo por que não fariam sentido nenhum em qualquer língua falada hoje.
É válido, no entanto citar nove nomes: Mercúrio, Vênus, Minerva, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Claro que com algum esforço você deve deduzir que eles também já foram chamados de Hermes, Afrodite, Athena, Ares, Zeus, Crônos, Poseidon e Hades. Agora deves entender duas coisas. A primeira o porquê de não importar os nomes reais, e a segunda que os “deuses” (se é que podemos assim os chamar) de fato existem, mas como eu já disse, o ser humano tem a incrível capacidade de florear e mitizar às coisas.
Sinceramente não lembramos se os planetas adotaram os seus nomes ou se eles adotaram os nomes dos planetas após a primeira ascensão. O que na verdade também não faz sentido pensar, afinal na Terra chamávamos ela de Terra, e em saturno éramos chamados de algo quase impronunciável que significava “dotados”. E com diferentes nomes em cada um dos outros planetas. Para ficar claro de qual planeta estamos falando, usaremos os atuais nomes dos planetas.
A confusão com os nomes de cada planeta e como os outros o chamavam só durou até a primeira ascensão, pois a partir daí todos os povos sabiam da existência de vida nos outros planetas. Esta foi chamada de segunda era. Onde cada planeta teve seu representante numa assembléia geral organizada pelos saturnianos com o único objetivo de esclarecer as coisas e ajudar o avanço social e tecnológico de cada planeta.
Agora deves estar pensando na contradição formada a cima, quando primeiro digo que não existia vida em Plutão e nenhuma sociedade em Urano e logo depois cito os nomes dos ascendidos destes planetas. Bom, vamos esclarecer primeiro que Plutão era uma incógnita e que não existia sociedade em urano, mas uma forma de vida que simplesmente não se suportava em grandes grupos. Em segundo lugar, com o passar do tempo, expedições foram formadas e descobertas foram feitas sobre plutão. E Urano ainda que formado por pequenos grupos, estes pequenos grupos avançavam, a passos curtos, mas ainda assim avançavam.
A segunda era terminou com a segunda ascensão, o que na verdade se tratou exatamente da mesma coisa, apenas substituindo os representantes ascendidos de cada planeta. Novas leis e regras para os nove planetas foram formuladas e/ou corrigidas. O que infelizmente não agradou a todas as partes, em especial Plutão e Marte, que se sentiram oprimidos e inferiorizados. E como todo oprimido chegou o dia em que se rebelaram e iniciaram uma guerra.
Não se sabe muito bem o que desagradou cada planeta, mas um ponto que desagradou Plutão foi uma represália de ter seu segundo ascendido. A terceira era foi repleta de tensão, uma guerra era eminente, e as proporções eram assustadoras. Eventos interplanetários não costumam ser fáceis e muito menos terminarem sem reações naturais problemáticas.
Por fim a guerra começou e os povos entraram em histeria, toda a paz que fora construída durante a primeira e segunda era estava arruinada. Séculos se passaram com os planetas apenas conhecendo a guerra, até que por fim a ela terminou com a chamada supernova. E com ela o inicio da quarta era, a qual ainda estamos e estaremos prestes a terminar. Se meu último plano der certo.”
Com esta leitura Ikki sabia como fora criada uma guerra que perdurara por eras e que Athena já tinha um plano para finalmente acabar com ela de uma vez por todas. O plano final era exterminar aqueles seres que se perderam com o poder no decorrer dos milênios, julgando-se deuses e querendo ser tratados como tal, esquecendo da sua real origem.
Com dúvidas geradas pela leitura ele decide falar com Mú, afinal eles estavam junto de Jabu caminhando nas ruas de Madri na Espanha atrás de uma pista dos servos de Ares:
–Mú. Defina-me um Deus.
–Como assim? – Mú não entendera o âmbito da pergunta.
–Um ser todo poderoso. Onipresente e Onisciente. – Jabu se intrometeu na conversa.
–Então Athena pode tudo e está aqui junto conosco? Ah, então ela também deve saber onde estão os Berserkers e nos mandou aqui somente para passear? – Ikki retrucou ironicamente.
–Agora compreendi a sua pergunta Ikki. Acredito que Deus seja um ser eterno com poderes que vão além da realidade. – Mú respondeu após pensar um pouco.
–Mas eterno? Se Athena não pode morrer por que nos sacrificamos tanto? – Fênix não se conformou com a resposta.
–O corpo dela pode perecer, mas seu espírito divino voltará a terra novamente. O problema é que sem ela encarnada, provavelmente os outros deuses não deixarão humanidade para ela voltar. Por isso precisamos defender ela e a paz na Terra a todo custo. – Áries completou.
– E ir além da realidade seria fazer o impossível? – o Unicórnio questionou.
– De certa forma acredito que sim. – O cavaleiro de ouro respondeu.
–O impossível? Pergunte para qualquer um nesta rua se é possível cortar os céus com os punhos ou abrir fendas no chão com chutes. Seremos nós deuses então? – Novamente Ikki tentava entender.
–O poder que me refiro seria aquele de tornar tudo possível. Mesmo nós temos grandes limitações comparadas com os deuses. – Mú afirmou deixando ambos cavaleiros de bronze pensativos. – Poucos foram os deuses que permaneceram tempo o suficiente encarnados para despertarem todo seu poder. Imagino que não exista qualquer registro das habilidades que eles seriam capazes.
Enquanto acontecia aquele momento de reflexão entre eles. Geki, Shiryu e Aldebaran estavam a caminho de Manaus no Brasil; Ban, Seiya e Aiolia foram para Israel ao passo que Hyoga, Nachi e Miro chegavam Sidney na Austrália. Todos buscavam informações sobre o exército de Ares que, de acordo com a leitura feita pela própria Athena em Star Hills, eram divididos em quatro exércitos cada um numa daquelas cidades para onde foram enviados.
Canto IV – Os Selos de Athena
“Quando decidirmos qual caminho traçar em nossas vidas, morrermos lutando para não perder tudo o que construímos e tão pouco mendigaremos por piedade. Jamais cairemos permitindo que os deuses destruam nossa liberdade. E se encontrarmos o descanso eterno, a próximo geração será nossa voz.”
Athena ao lado de Shaka elevavam seu cosmo ao extremo. Suas mãos esticadas sobre um extenso pergaminho em branco faziam-no reluzir, ressoando com o cosmo da divindade presente. Entretanto a moça portadora de longos cabelos lisos, não aguentou a intensidade que se via necessária e suas pernas perderam as forças. O cavaleiro logo a acudiu evitando que ela caísse ao chão.
–Calma Athena, temos tempo ainda. Não precisa se sacrificar tanto. – O santo dizia para a deusa com o olhar fixo e penoso. Já havia liberado todo o cosmo acumulado ao abrir seus olhos tentando fornecer o apoio para Saori.
–Eu sei. Mas enquanto todos estão em missões perigosas, colocando suas vidas em risco, não posso fazer qualquer coisa que não seja o meu máximo.
–Entendo sua vontade. Vamos descansar por hoje, afinal ambos precisamos recuperar nossas forças.
–Tudo bem. – Ela respondeu ficando de pé por si só. – Nos vemos amanhã de manhã.
E assim cada qual foi para seus devidos aposentos descasarem, visto que criar selos divinos era requeria um grande depositar de cosmo sobre o determinado pergaminho. E para uma divindade que ainda não havia despertado todos seus poderes era uma missão quase impossível, mas o homem mais próximo de Deus estava ali para ajuda-la.
Virgem ao chegar em sua casa, parecia receoso com a situação, pois sentia que algo ruim estava para acontecer e o fato de Ares estar movendo suas peças, antes do esperado, era um mal presságio.
–Preciso ler os planos de Athena! Ikki não é uma pessoa psicologicamente estável e não pode ficar de posse de um bem tão precioso e poderoso.
Uma leve chuva começou a acariciar o santuário, como se tentasse lavar o todo o sangue que já foi derramado naquelas terras. O local já presenciou inúmeras batalhas homéricas, guerras tenebrosas e mortes sofridas. O protetor da sexta casa tinha uma conexão muito forte com o outro mundo e podia sentir toda aquela dor, o que lhe fez parar com seus pensamentos e começar a meditar.
Em outro local ali perto, Shina e Marin conversavam:
–Desististe de matar meu discípulo?
–Você sabe da lei. – Respondeu a amazona de cobra, virando-se para o outro lado, dando as costas.
–Eu sei. É por isso mesmo que estou lhe perguntando. – Retrucou a ruiva colocando a mão sobre o ombro da companheira.
–Eu já não sei se tenho forças para derrotá-lo.
–Não tens força, ou simplesmente não queres?- Perguntou a Águia e Shina suspirou profundamente. – Então deixa para lá, já que tu não têm forças. – Marin riu de canto.
–Você sabe como eu sou com as regras. – Se justificou e mesmo sem poder ser vista, a face dela ruborizou-se.
–Sim. Claro... Ha Ha – começou a rir da ‘amiga’. – Tens duas alternativas: Fingir que nada aconteceu. Ou... Entendeu né? Já que matar ele tu não “consegues”.
–Mas será que ele... Depois de tudo o que eu fiz.
–Arrisca. Você já é uma mulher e ele apenas um menino. Com certeza, se quiseres de verdade, conseguirás seduzi-lo.
–Certo. Ouvirei suas palavras. Obrigada Marin.
–De nada.
–Espero que possamos deixar o passado para trás. O que me diz?
–Claro. Eu te entendo. Fez todo o possível para ajudar seu discípulo.
–Obrigada mais uma vez. – Virou-se e deu um abraso na colega de prata.
Durante aquele momento entre as amazonas, outra pessoa pensava solitária em meio as montanhas do santuário olhando para o céu azul.
–Sinto meu irmão cada vez mais longe. Espero que nada de mal lhe aconteça nessa missão. Ele não é de agir em grupo, mesmo por ordem da Saori, nunca deu a menor bola para isso. Por que será que ele decidiu de boa vontade ir junto de Mú e Jabú?
De tão profundos pensamentos Andrômeda não sentiu a aproximação de outra pessoa por suas costas. Sendo surpreendido quando este segurou seu ombro com uma das mão falando:
–Você é um péssimo guarda!
–Quem é... – Shun saltou e se virou, ficando frente a frente com Biorn. – Ah, é você.
–Um sentinela não deveria estar tão distraído.
–Não estou de sentinela. Apenas queria me distanciar um pouco dos demais.
–Que pirralho. Escute! Nós estamos em guerra! Todos somos sentinelas, todos somos cavaleiros, todos somos os guardiões do santuário, de Athena e da Terra. Certo? – O santo de prata colocou tenacidade na voz.
–Desculpe. – Respondeu o bronzeado olhando para o chão. – Estou preocupa com outra coisa e isto me distraiu.
–Calma, não quis soar agressivo. Todo mundo está preocupado e às vezes não meço minhas palavras. – Tentou remediar Taça ao observar a resposta envergonhada do outro. – Vamos voltar para junto dos demais, já vai anoitecer.
–E quem fará a vigia? – Ichi aparece ao longe gritando. – Vai sobrar para o magnífico Ichi de Hidra?
–Pois é! Quem fará a primeira e a segunda ronda? – Shun se preocupou.
–Vamos deixar a primeira ronda para o “super hidra” – Respondeu Biron caminhando e dando uns tapinhas nas costas do recém-chegado. E falou terminando com uma gargalhada. – Vai que é tua! Eu pego a próxima.
–Obrigado Ichi! – Agradeceu Andrômeda seguindo o santo de prata.
E nesse ritmo seguiam os dias no santuário enquanto se desenrolava a busca pelos Berserkers mundo a fora. Um mescla de tensão militar, sentimentos pessoais e romance. Um dando suporte para o outro. Sempre buscando manter a situação estável para os problemas não tomarem as rédeas e o caos se propagar.
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