O Livro das Eras
6 Nibelungo
Canto I – O Extremo Norte.
“Mesmo em terras geladas
com suas vidas mal tratadas,
os corações dos guerreiros
Permanecem fortes e inteiros.
Buscando um líder, encontraram um ditador.
Procurando a paz encontraram a dor.”
Shiryu e os outros cavaleiros de bronze se dirigiram para Asgard, onde tentariam entender o que se passava com aquele canto do mundo e porque se tornara uma ameaça a Athena. Os nórdicos em eras mitológicas eram um povo guerreiro que tinha o saque e guerra como seus principais esportes. Hoje se tornaram uma sociedade praticamente desconhecida em meio à neve e gelo, com um único objetivo: Manter um velho mal adormecido.
Hyoga e Saori sabiam disso, mas não entendiam o que podia estar acontecendo para mudarem sua posição de aliados para inimigos. Com sorte poderiam resolver a situação sem derramar rios de sangue, contudo ao chegarem foram recepcionados por guerreiros que seguiam ordens de matar Athena.
Um intenso mal cobria a terra do extremo norte, possuindo o corpo e a mente da representante de Odin na Terra. Hilda de Polaris planejava exterminar os santos e a própria deusa guardiã da humanidade. O povo de origem nórdica que sempre basearam suas existências em guerras para homenagear os deuses e assim ganhar o direito de entrar em Valhalla, deixou seu período de paz buscando novamente batalhas heroicas.
No decorrer das batalhas eles souberam que necessitariam das sete safiras de Odin para despertar a armadura divina e assim poder libertar Hilda das forças das trevas. Entretanto para obter cada safira, seria necessário derrotar um guerreiro deus responsável pela determinada estrela.
O primeiro a tombar foi o gigante Thor que apesar de agressivo e imponente tinha um grande coração. Sua devoção nas palavras da representante de Odin eram tão fortes que ele não teve dúvidas em dar a vida tentando impedir o avanço dos santos de bronze. Sua estrela guardiã era Gama, que deixou de brilhar no mesmo momento em que seu coração parou de bater.
O segundo a perder a sua safira foi Fenrir, deixando-a nas mãos de Shiryu. Este guerreiro deus tinha em sua mente a podridão que o ser humano é capaz, preferindo viver com os lobos que com os homens. Abandonado pela sociedade que seus pais tanto cultivaram, agora ele apenas queria viver isolado. Seguindo as ordens proferidas por Hilda, ele acreditava estar fazendo o certo em por um fim nessa sociedade hipócrita que deixa crianças a própria sorte, pois eles esquecem que também já foram crianças e hoje as menos prezam.
O terceiro a ser derrotado foi Hagen de Mereak diante do cavaleiro de cisne. Uma batalha fervorosa aconteceu, onde aquele que se dedicara a vida toda em treinamento para proteger Freya e Hilda das ameaças externas caiu. Um homem determinado, repleto de honra e vocação não suportou o golpe mais poderoso passado entre as gerações dos cavaleiros de aquários.
Mime e Alberich também acabaram cedendo perante os cavaleiros de bronze. O cosmo de Athena preenchia toda Asgard e parecia que mesmo Odin estava contra seus próprios guerreiros. O destino já estava traçado e aquela não era uma batalha da qual os bardos cantariam honras aos Asgardianos.
Mas ao enfrentar o sexto oponente uma surpresa estava a esperava de Shun. Shido de Mizar tinha um irmão gêmeo que era portador de outra robe divina, o tigre das sombras. Que nasceu sob a sombra do próprio irmão. O primogênito de uma família ser gêmeo de outro era algo terrível dentro das tradições e para remediar tal problema, um deles foi escondido de todos os olhos, sendo designado o protetor oculto do outro. Este era Bado de Alcor.
O último foi Siegfried. O lendário herói que matou um dragão com as próprias mãos e banhado no sangue da fera seu corpo ficou protegido contra qualquer ataque. Nenhuma arma seria capaz de cortar ou perfurar sua pele, tornando-se indestrutível. Foi este guerreiro que parou todos os cavaleiros de bronze e nesse momento em que a verdade veio à luz.
Hilda estava de posso de um anel, o anel de Nibelungo. Uma jóia de eras mitológicas que perturbava a mente de quem o estivesse utilizando, bem como dava a esta pessoa poderes fora do comum. Infelizmente o deus Poseidon estava utilizando este artifício para manipular as decisões da representante de Odin em Asgard.
Quando Seiya finalmente obtém a sétima safira, aparece Sorento, um mensageiro do deus dos mares, dando inicio a uma nova batalha em nome dos deuses. No entanto Siegfried com suas últimas forças, vendo a situação onde sua protegida na verdade estava sob domínio de um deus que não Odin, decide sacrificar sua vida ascendendo aos céus junto do General Marina.
Por fim, ao invocar o deus nórdico supremo com as sete safiras, surge perante a gigantesca estatua do deus, uma armadura divina e com ela o cavaleiro de Pégaso consegue libertar Hilda das trevas que a envolviam com o anel. O próximo passo agora, era ir rumo ao deus que gerara todo aquele derramamento de sangue desnecessário e sorrateiramente sequestrou Athena, levando-a para seu templo a baixo dos oceanos.
Os cinco cavaleiros de bronze seguem a caminho do templo do deus dos mares, para mais uma vez salvar sua deusa e a terra. Deixando para trás, toda uma terra arrasada, mas que novamente estava sob controle de seu verdadeiro deus: Odin!
O que quase ninguém percebeu, escapando dos olhares da maioria, é que quando o santo de bronze veste os trajes do Supremo Deus Nórdico e um intenso cosmo toma conta do corpo do cavaleiro. Esta força vinda diretamente do Deus dos Deuses de Asgard, de forma inequívoca para com a deusa grega. Invadiu toda a terra do extremo norte, sendo sentida por todos que ali estavam.
Em uma cachoeira destruída, meia dúzia de lobos tentava aquecer um corpo inerte. Fenrir em um estado moribundo percebeu um poder invadir seu coração, os lobos que o cercavam começaram uivar em comemoração ao ver seu companheiro praticamente voltar dos mortos. E mesmo cambaleante ele seguiu junto de seus amigos de quatro patas para o palácio onde estaria sua protegida.
Em outro local, Hagen que fora teleportado junto de Freya e Hyoga por Kiki, deu um profundo suspiro como se tivesse sua alma jogada de volta para sua carne. Levantou-se rapidamente ao sentir aquele cosmo que englobava todo aquele continente congelado. Fazendo-lhe brotar um pensamento: “Odin está de volta? Espere-me Hilda, estou a caminho.”.
Já perto do castelo, dois homens idênticos jogados ao chão começam a se mexer. Bado consegue ficar de pé primeiro e ajuda seu irmão Shido a se recompor. Um olhar fraterno é trocado entre eles. Aquele momento estava atrasado a muitos anos, o guerreiro deus de Mizar apoiado sobre o ombro de Alcor diz com um sorriso no rosto:
–Obrigado meu irmão.
–Pelo que?
–Por não me abandonar.
–Mesmo todo o ódio que eu sentia, não foi maior que o nosso laço de sangue. Nós somos irmãos.
–Eu senti tanto a sua falta. – Lágrimas brotavam nos rostos dos guerreiros.
–Chega de falar disso. Temos que seguir para junto de Hilda, posso sentir o cosmo do próprio Odin.
–Sim, parece que o próprio Odin esta encarnado aqui. Vamos!
Então os dois, um apoiando-se no outro, foram a passos curtos e descompassados a caminho daquele tão poderoso cosmo. O que eles, assim como todos os guerreiros que voltaram à vida não sabiam, é que aquele cosmo estava sendo emitido de um mero cavaleiro de bronze e que ao chegarem lá, o poder de Odin já teria desaparecido junto com os santos de Athena que foram em busca do templo de Poseidon.
Para encontrar Athena, os cavaleiros Shiryu, Shun, Seiya, Hyoga e Ikki, saltaram em meio a um vortex de água, que fora sinalizado por Hilda como sendo a passagem para o mundo subaquático onde estaria o deus que teria arquitetado toda aquela tragédia.
Canto II – O Mestre da Água, o Dragão.
“Eram tão belos e miseráveis,
Portadores de virtudes admiráveis.
Suas histórias repletas de nobreza
Contrastavam com sua pobreza.
Eram filhos de um mundo desleal,
Um santo convertido em marginal.”
Quando os cavaleiros pularam ao mar, a forte correnteza levou cada um para um lado. A baixa temperatura da água dificultavam seus movimentos deixando-os a mercê do fluxo marítimo. Shiryu havia sofrido durante as batalhas, seu corpo já cansado mal podia manter-lhe acordado. Ele estava já sem ar, meio tonto pela baixa oxigenação e a pressão parecia estourar-lhe os tímpanos. E próximo do seu fim, começou a ver uma luz se aproximar e tomou forma a sua frente, uma silhueta vestida com armadura brilhante feita de ouro e diamantes.
–Estas de volta pequenino. – Falou após criar uma gigantesca bolha de ar que envolveu ambos.
–Obrigado. – Agradeceu enquanto ainda tossia água inalada. Após se recuperar um pouco continuou. – Obrigado por me salvar.
–Eu vim lhe buscar. Devemos voltar para casa. – A esfera viajava rapidamente entre as águas geladas.
–Buscar?
–Sim. Estamos indo para casa. Não posso deixar meu reino vazio por muito tempo.
–Você não entende! Eu preciso ir ao templo de Poseidon o mais rápido possível, não posso ir...
–Sou o senhor de todas as riquezas e vim lhe buscar. – Um castelo submerso apareceu. Parecia estar envolto pela mesma técnica que permitia os dois respirarem de baixo da água. – Veja! Já chegamos.
–Onde estamos? Como é possível?
–Já lhe disse, estamos em casa. E isto é possível graças a um de meus tesouros que me foi confiado pelo próprio imperador Poseidon.
–Tenho que lhe pedir que me leve até Poseidon!
–Mas por quê?
–Poseidon está com Athena e não sabemos exatamente de suas intenções!
–Isto já não vai mais lhe importar.
–Como?
–Tudo que começa tem um fim e essa é a razão da vida. Venha comigo agora.
O homem alto e forte de longos cabelos brancos deu as costas para o Dragão e começou a entrar no castelo pela porta principal. O salão principal era enorme e repleto de obras de arte e preciosidades que fariam inveja a qualquer colecionador. O santo de bronze seguindo seu salvador continuava boquiaberto com tanta riqueza e beleza.
–Athena esta morta? – Questionou o cavaleiro.
–Não, ainda não.
–Onde exatamente estou?
–Em casa.
–Por que continua repetindo isso? Esta não é minha casa!
–Sim, aqui é seu verdadeiro lar. Nasceste originalmente para ser meu servo e protetor de meu reino.
–Do que estás falando?
–Há milênios pedi para gerarem um servo capaz de proteger minhas riquezas. E Zeus me concedeu você. O grande Dragão! Agora durma, pois quando acordares lembrarás de quem és de verdade e esquecerás toda esta besteira de guerra entre deuses.
–Não seja tolo, não abandonarei minha luta!
–Estás completamente esgotado. Sem a minha interferência estarias morto.
–Posso estar sem forças, mas nunca desistirei! Uma força sempre surgirá dentro de mim enquanto eu lutar para proteger meus amigos e em nome da justiça!
–Já não vou mais tolerar sua insubordinação. Ponha-se no seu lugar!
–Mas quem é você afinal para acreditar que eu sou uma posse?
–Eu sou Nibelungo e tenho mais riquezas que qualquer ser que existe ou existiu. Não há nada que eu não tenha ou possa ter.
–Mas isso não te dá o direito de pensar que sou seu. Não sou um objeto!
–Sua alma só existe por meu pedido aos Deuses. Odin e Poseidon lhe concederam dons a sua alma para me servir. A sabedoria de Odin e o poder de Poseidon.
–Que história é essa? Estás alucinando!
–Não. Você é o grande Dragão, mestre da água. E é uma surpresa estar de novo contra aquele que lhe deu tanto poder: Poseidon.
–Não sei do que estás falando!
–Você é a reencarnação do grande Dragão. O dragão que foi criado nas eras mitológicas para proteger meu reino! Para ser meu servo! Ideia de Odin conceber tal criatura. Ele realmente é um deus muito sábio.
–Mas... – O cavaleiro tentou falar, contudo foi interrompido.
–Sua alma reencarna em um humano a cada 500 anos. Geração passada você serviu a um rei mortal a meu pedido. Infelizmente morreu em missão.
–Isso tudo é verdade?
–Sim. Há mil anos, quando reencarnou longe de meus olhos, a Athena da época lhe converteu em um pião de guerra e mais uma vez acabou morrendo. Mas desta vez eu não vou permitir que morras em vão.
–Morrer por Athena não é morrer em vão! É uma honra!
–Pelo visto, estás decidido... – O homem olhava para o chão transparecendo sua decepção. – Em todos esses milênios, nunca imaginei que... Enfim, o que serão mais 500 anos de espera? – Se questionou sorrindo, ergue a cabeça e fitou Shiryu — Vou levar-te até o templo de Poseidon com uma condição.
–Serio? Obrigado!
–Mas tem uma condição. – Ele se pôs de pé e entre seus diversos bens tirou uma pedra verde cristalina.
–Qual?
–Quero que me traga uma pedra do pilar principal do templo de Poseidon.
–Uma pedra? Qualquer uma?
–Você vai ver quando chegar a hora.
–Mas por que uma pedra de lá?
–Eu tenho gostos estranhos, apenas me obedeça. Estamos de acordo?
–Claro! – Respondeu eufórico. – Mas antes queria fazer-lhe uma pergunta.
–Mais uma? – E entre risos continuou — Pergunte garoto.
–Posso ver que tens enormes riquezas aqui. Por que não ajuda os outros com ela?
–Que tipo de pergunta é essa?
–Assim como posso ver essas riquezas, posso ver que tens um bom coração. Então por quê?
–Escute criança, escute com atenção. – Ele se aproximou olhando o dragão nos olhos e depositou sua mão no ombro do cavaleiro. – Imagine que eu consiga dar tanto dinheiro, ouro, ou qualquer outro bem de grande valor monetário. Fazendo com que todos os humanos tenham exatamente as mesmas quantias. Seria perfeito não?
–Sim, claro.
–E quanto tempo, você pensa que levaria para voltar tudo ao normal?
–Não sei. Talvez não voltasse.
–Algo semelhante aconteceu em vários países da África após suas independências. Ideais socialistas, todos iguais e toda aquela balela dos mortais. Os cofres de cada país estavam cheios de ouro que as metrópoles colonialistas arrecadavam sugando das terras. Agora todo esse ouro era do povo e para o povo.
–Sim, meu mestre me contou essa história.
–Ele contou como elas terminam?
–Sim. De dentro de cada povo surgiram lideres amados pelo povo, em seguida eles próprios viraram ditadores. A má administração de cada país, fez com que eles se transformassem de fontes de riquezas para serem os mais pobres do mundo.
–Exato. Antes o dinheiro jorrava deles até a Inglaterra, Portugal e outros países colonizadores. Agora eles não têm dinheiro nem para se alimentarem.
–Estás me dizendo que o mesmo aconteceria, ainda que você doasse todo o seu dinheiro? – A pergunta foi respondida com uma longa gargalhada.
–Meu caro Dragão. Escute, se eu doasse todas as minhas riquezas. A concepção humana de riqueza não seria capaz de compreender todos os meus bens.
–Mas e então?
–O que eu quero dizer é que os seres humanos precisam sofrer para poderem evoluir. O ser humano só evolui devido a sua capacidade de se adaptar. Se o meio é hostil o suficiente para terem que se esmerar para sobreviver, isso os tornará mais fortes.
–Compreendo. Mas chegará um dia em que essa miséria toda não existirá mais.
–Talvez. Se vocês tiverem todo esse tempo.
–Como assim?
–Nada. São rumores de que alguns deuses não estão satisfeitos como a humanidade tem evoluído.
–Como? – Nesse momento o cavaleiro lembrou-se do seu objetivo ao saltar nas profundezas do oceano. -Eu preciso ir até Athena! Por favor, leve-me até o templo de Poseidon!
–Então até logo. Lembre-se da pedra! Quando tiveres a pedra irei busca-la.
Nibelundo esticou o braço com a pedra que pegara e dela um raio branco acertou Shiryu, fazendo-o brilhar e desaparecer instantaneamente. Pois quando o Dragão deu por si estava em outro local, onde o mar estava sobre sua cabeça e se parecia com o céu azul. Ao longe se viam sete pilares que pareciam sustentar os oceanos e entre eles um pilar ainda mais imponente emanava um cosmo familiar e divino: Era Saori.
Canto III – O Imperador dos Mares.
Ele era poderoso e iluminado,
De fato um Deus encarnado.
Na Terra, qual seria o resultado,
Se Athena tivesse o coração lhe dado?
Uma guerra santa poderia terminar
Caso ela realmente fosse amar?
Qual outro deus iria enfrentar
Tal união para os humanos eliminar?
Mas por capricho de um destino cruento
O caminho a ser seguido era sangrento.
O combate seria tão violento
E com um profundo ressentimento.
Após seu amor para o deus negar,
No pilar central ela foi parar.
Agora sua sina era se afogar,
Tentando os humanos salvar.
Sabendo que os santos estavam por vir
Os sete pilares, um a um, deveriam cair,
Para Athena de seu cárcere poder sair.
Rápido ou sua vida iria se extinguir.
Quando todos lá chegaram
Para os pilares se encaminharam.
Diferentes caminhos os separaram
E lutas mortais eles travaram.
Passaram por várias dificuldades
Inclusive lutar com antigas amizades
Ou terríveis adversários covardes
Sem o menor senso de honestidade.
Mas também com aqueles que
Quase os matariam com um ataque,
Colocando suas vidas em cheque
Sem saber direito o porquê.
Só mais tarde é que descobrirão
Toda uma trama de traição
E um antigo sonho de ambição,
Onde tudo foi uma manipulação!
O primeiro foi o cavalo alado
Que enfrentou um renomado
General muito condecorado.
O cavalo marinho era marcado
Pela força e habilidade.
Mas mesmo assim a verdade
Do que lutava pela da amizade
Demonstrou toda a sua capacidade.
Pégaso finalmente o derrotou,
E aquele pilar ele destroçou.
Ainda que ferido não parou
E para o próximo ele avançou!
Chegou a hora do mais puro de coração
Enfrentar a um general daquela nação.
Um adversário símbolo de dedicação
Enfrentá-lo até a morte era a opção.
Possuidor de golpes fatais
E dono de seis bestas letais
fizeram em Shun feridas mortais.
‘Depois dos golpes que experimentais
Como fostes capazes de vencer?’
Perguntou ele antes de perecer,
E sua própria vida oferecer
Antes do pilar ceder.
O dono do melhor escudo
Contra a lança que perfura tudo.
O santo a sentiria em seu miúdo
Sem permanecer mudo.
Depois perderia a sua visão
Colocando em risco sua missão.
Mas ele não chegou ali em vão
E Crisaor sucumbiu ante o Dragão.
Graças ao sangue de ouro
Com seu cosmo maduro
Tombou o pilar tão duradouro
Para termos esperança no futuro.
O próximo seria o mais escroto
Que se aproveita do outro
E de um pobre coração roto
Deixando o quase morto.
Todos caíram na armadilha
Exceto aquele que é uma ilha.
O fogo da fênix brilha
E seu adversário humilha
Não perderia para o covarde
E sem fazer muito alarde
Contra o pilar, seu cosmo arde.
Ele o destrói, pois já era tarde.
Este seria um belo momento:
Antigos amigos de treinamento
Portadores de grande talento.
Mas era motivo de lamento
Pois eles deveriam se enfrentar
Um tentando o outro matar
E nenhum desistiria de lutar.
Custasse aquilo que custar.
Uma triste batalha começou
A vitória, Cisne alcançou.
Com a morte amiga soluçou
E mais uma marco despedaçou.
Shun por fim enfrenta Sorento
Com dor e muito sofrimento.
O Portador de um instrumento
De som belo e efeito violento.
O santo estava prestes a morrer,
Quando Athena o fez sobreviver.
Ele teve outra chance de vencer,
Mas o inimigo tinha muito poder.
A batalha era muito dura
E já não lhe restava armadura
Sem escolhas a esta altura
Ganhou com bravura.
Então a trama é revelada
O humano que criou uma cilada,
Manipulou um deus para sua caçada
Em busca da profusão almejada.
Um cavaleiro traidor de Athena
Que por tudo a sua sorte condena.
Para os outros generais encena,
Transformando o templo em arena.
Mas Ikki não tardou em descobrir
Ao general uma ilusão o fez assistir
E assim, fazendo-o desistir
Para aquele marco destruir.
Poseidon despertou esbravejando
E ao mundo inteiro condenando.
Os cavaleiros estavam lutando...
Mas agüentariam até quando?
Com os sete pilares destruídos
Ouvia-se Athena e seus pedidos
Salva do grande pilar destruído.
O maléfico deus foi suprimido.
De volta na ânfora foi lacrado
Permitindo ao mundo amado,
Continuarmos sempre lado a lado.
Tudo retornava como o esperado.
Canto IV – A História do Dragão
“A busca por riqueza é um jogo
Onde todos perdem ao final.
Quem sobe rápido cai logo,
Pois todo mundo é seu rival.”
Estavam todos de volta ao santuário e não se ouvira mais falar nem de Poseidon, Ares ou qualquer outro deus. Era o momento de curar as inúmeras feridas que cobriam seus corpos e vigiar caso um novo mal tentasse tomar conta da Terra, pois entre os próprios santos havia o receio do aproximar de uma guerra. A tensão no santuário era tamanha, que Athena decidiu enviar os cinco cavaleiros de bronze que lutaram ao seu lado em ‘missões de paz’.
Seiya foi mandado ao Japão observar o orfanato, pois havia um rumor de que coisas estranhas estariam acontecendo lá. Shun ficou como responsável pela segurança da mansão Kido. Shiryu foi mandado aos cinco picos ajudar ao Mestre Ancião em uma tarefa delicada a respeito de um antigo inimigo. Hyoga e Ikki estavam desaparecidos depois do ocorrido e pouco se importaram em informar aos demais suas localizações.
Todas as incumbências eram puramente um motivo para afasta-los do front de batalha, visto que eles – na visão de Saori – Já haviam feito sacrifícios o suficiente. Mereciam por tanto passar o resto de suas vidas em paz e como pessoas normais. Mal sabia ela que mandara um deles para uma missão praticamente impossível de ser concluída e tão pouco imaginava a consequência de proporções dantescas que acarretaria em um futuro longínquo.
O primeiro a partir foi Shiryu que tinha como destino rever seu mestre e Shunrei. Algo sinistro e desconhecido atormentava sua mente, por isso decidiu vestir sua armadura para evitar qualquer surpresa desagradável. O pressentimento estava correto, pois no meio da viajem, em meio a uma densa floresta, o santo ouviu ser chamado por uma voz conhecida. Não conseguia se lembrar de quem era, mas tinha certeza de já ter a ouvido pelo menos uma vez.
–Olá meu caro Dragão. Como estás?
–Quem está ai? – o cavaleiro se colocou em posição defensiva.
–Não se lembra de mim? Ah! Claro, estas cego...
–Esse cosmo... Eu conheço você...
–Sou seu amo, ainda que contestes.
–Nibelungo! O que estás fazendo aqui?
–Vim cobrar sua promessa. Você a cumpriu não é mesmo?
–Temo não ter conseguido cumpri-la.
–Do que estas falando? Eu sei que o pilar central do templo de Poseidon foi destruído. Era para você ter pegado a pedra fundamental em seu cerne! – Bradou o senhor perdendo totalmente a compostura apresentada anteriormente.
–A batalha contra Poseidon me deixou... Alias, deixou todos, entre a vida e a morte. Fomos salvos pelo cosmo de Athena. Pois já estávamos moribundos no final quando o Grande Pilar veio a baixo. – O cavaleiro explicou-se com um olhar sério.
–Seu... – O homem engasgou de raiva travando sua fala e num ato explosivo golpeou Shiryu, jogando-o contra as árvores, quebrando-as até parar ao colidir numa velha e grossa acácia.
O santo cai ao chão de joelhos cuspindo sangue. Atacado de surpresa, ele ainda continuava meio desnorteado, fora pego despreparado e recebera por inteiro o impacto do golpe. Aquela era uma atitude totalmente inesperada daquele que aparentava ser tão calmo e compreensivo até então.
–Por que... – O santo tentava ser levantar apoiando as mãos sobre os joelhos.
–Escute aqui seu pivete. Eu lhe dei uma oportunidade para poder continuar com essa sua brincadeirinha de servir Athena. Sinceramente a ideia até me soou engraçada e boa para se observar de fora. Mas uma promessa não cumprida é totalmente imperdoável.
–Mas eu... – Antes de terminar sua justificativa foi interrompido por um chute no estomago, prensando-o contra o antigo vegetal.
–Não quero ouvir. Cale-se! Sua única saída é voltar para casa e continuar como meu guardião.
–Não posso. – Ao falar isto, um novo soco vinha em sua direção, mas ele conseguiu impedi-lo segurando-o com uma das mãos.
–Como ousa? — Questionou espantado.
–Não me importa se eu fui criado para servi-lo, porque agora eu vejo claramente que caminho eu devo seguir. E este caminho é ao lado de meus amigos e irmãos de batalha, rumo à paz e ao amor na Terra.
–Tolice... Eu já observei milênios os mortais e o que eu sempre presenciei, ao ouvir tolos como você, dizerem que lutavam por uma nobre causa em nome de um Deus foi destruição e morte.
–Athena não é como os outros Deuses.
–E todos diziam isto a respeito de seus deuses. Largue este pensamento esdruxulo e venha comigo.
–O que importa é no que eu acredito. E não abrirei mão disso, não importa quantas vezes eu caia e quantos me chamem de tolo ou esdruxulo. Manter-me-ei firme e de pé perante todos!
–Todos querem ser grandes e horados, lutando por algo e ter um amor que defender. Como você, lutando pela paz e defendendo Shunrey. Ou seu amigo Seiya, lutando por Athena para poder defendê-la e assim por diante. No final são todos objetivos presunçosos e fúteis.
–Se pensas assim, não posso fazer nada. Mas de qualquer modo não irei com você. – Terminou pulando para trás, afastando-se do inimigo e colocando-se em posição de batalha.
–Está bem. Vou derrota-lo aqui e quando voltar a si, vou apagar todas essas bobagens da sua cabeça.
Nibelungo saltou sem grandes cuidados atacando apenas com socos e chutes simples, obviamente não era nenhum mestre das artes marciais. Por tanto, Shiryu que tinha grande destreza nesta área, desviava com facilidade, mas seus contra-ataques ao atingir o inimigo não lhe provocavam dano algum.
Todo e qualquer golpe ao tocar a armadura brilhante daquele senhor, esvaia-se como um sopro perante uma rocha. O Dragão não sabia o que estava acontecendo e distraído pelos seus pensamentos que buscavam explicar a ineficácia de seus golpes, acabou sendo atingido por um poderoso soco no queixo.
–É impossível você me vencer. Já deves ter percebido isto. Desista e venha comigo.
–A sua armadura... Não é qualquer armadura. Ela parece absorver por completo todos meus ataques! – Falou o santo de Athena ignorando completamente o convite do adversário.
–Eu sou o mais rico de todo o universo. É obvio que eu tenha a melhor armadura de todas. Foi forjada pelo próprio Hefesto e me dada como retribuição de certos assuntos que eu ajudei a resolver.
–Grande coisa! – Nibelungo surpreendeu-se com a resposta.
–O que disse?
–Grande coisa! Não importa se a sua armadura é a melhor de todas se o seu coração não está lutando por algo em que acredita! O verdadeiro poder das armaduras veem do coração!
–Chega de moralismo! Vou por um fim nisso tudo agora!
O imortal disparou contra Shiryu, nitidamente tentando acerta-lo com um soco, mas este percebendo as intenções do inimigo conseguiu desviar-se facilmente e preparou para atacar com seu poderoso ‘Cólera do Dragão’. O cosmo do cavaleiro de bronze explodiu ardentemente, tomando a forma de um gigantesco Dragão que acertou o alvo de modo brutal.
Apesar do grande impacto e da força descomunal utilizada, a majestosa armadura continuou praticamente intacta a não ser por um buraco formado no peitoral do tamanho de um punho. O senhor continuava de pé e sem um único arranhão, mas demonstrava estar boquiaberto pelo feito do adversário.
–Como pode? Como conseguiu fazer isto? Ninguém nunca fez algo parecido!
–Este é o poder da minha força de vontade! Jamais perderei para alguém tão indolente como você! – Respondeu Shiryu.
–Cale-se! Não é porque conseguiu fazer uma pequena abertura em minha armadura que vais ganhar! Morra com o meu poderoso golpe! Tesouro Eterno!
–Excalibur!
O cosmo de Nibelungo formou um gigantesco rio dourado que aos poucos aumentava sua intensidade e fluxo. Em contra partida o ataque do santo cortava as águas brilhantes impedindo ser atingido por elas, ao mesmo tempo em que avançava chegando cada vez mais perto do adversário. Entretanto as ondas partidas pela espada sagrada começaram a fechar atrás do cavaleiro que agora estava sendo atingido por rajadas nas costas.
Quanto mais a Excalibur penetrava na correnteza dourada, mais fina ficava a abertura que mantinha o Dragão do golpe adversário. Até que por fim, quando ambos estavam frente a frente, tudo se tornou claro. O bronzeado desapareceu entre os brilhos formados pelo impacto das ondas em seu corpo.
Ao cessar dos cosmos e a poeira baixar, viu-se Shiryu deitado de costas para o solo. O senhor permanecia de pé e com a armadura no mesmo estado, como se nada a tivesse encostado.
–Derrotado pelo meu próprio servo! Que piada... – Nibelungo olhava para seu peito perfurado pela excalibur bem onde havia a fenda criada pelo ‘Cólera do Dragão’.
–Eu disse que não seria derrotado. – Ele sorria mesmo sem forças para se levantar.
–Está bem, podes continuar com essa sua caminhada inútil até eu me recuperar. Mas já aviso que irei voltar para busca-lo e da próxima vez usarei métodos mais eficazes. – Citando tais palavras desapareceu no ar, deixando para trás apenas a poça de sangue formada pelo seu ferimento.
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