Notas iniciais
Olá!

Eu estava faz um bom tempo com vontade de escrever sobre o passado da Kirigiri, então, cá estou eu.

Essa oneshot se passa um ano depois dos acontecimentos da novel Danganronpa Kirigiri. Infelizmente não encontrei nenhuma tradução - nem em inglês - por isso eu li um texto na wiki que contava tudo o que acontecia bem detalhado. Várias coisas foram baseadas nessa novel, como por exemplo esse "ranking" que ela precisava melhorar pra chamar a atenção da escola. Caso queiram ler, o link estará nas notas finais.

A capa foi puro improviso porque eu estou sem Photoshop, por isso é apenas uma foto da novel que eu peguei do Google.

Nenhum personagem dessa one me pertence.

As conversas que eu coloquei na sinopse, no começo e no fim da one realmente acontecem no jogo durante o "Tempo Livre" onde você tem a opção de conversar mais com a Kirigiri.

Isso é só uma teoria que eu pensei depois de estudar um pouco mais sobre ela.

No meio dessa teoria tem uma outra teoria sobre o pai da Kirigiri saber sobre A Tragédia antes dela acontecer. Ele teria descoberto enquanto a Junko "contagiava" os Remnants of Despair durante o tempo deles em Hope's Peak. Esse foi o único motivo que me fez colocar "Super Dangan Ronpa 2" como categoria, caso alguém tenha ficado confuso.

Caso alguém não tenha entendido a tradução: "Academia Pico da Esperança" é uma tradução literal de "Hope's Peak Academy" ou "Kibougamine Gakuen".

ANYWAY, acho que por enquanto é só isso mesmo.

Espero que gostem e boa leitura~

“– Já não é hora de pararmos isso?

– Parar o que?

– Você acredita que, a fim de construir um vínculo de confiança... temos que nos conhecer melhor, certo?

– Sim...

– Eu entendo o que você vê com isso... mas acho que você ficaria melhor desistindo de mim.

– O quê? Por quê?!

– Porque eu não posso te dizer nada.

– Você quis dizer... que não pode confiar em mim?

– Se envolver com os outros pode influenciar seu julgamento. Eu aprendi essa lição do jeito difícil.

– O que você quer dizer?

– Você já percebeu que tem algo que eu sempre estou usando – algo que ninguém mais usa?

– Você está falando sobre as suas luvas, não é?

– Sim.

– Mas o que as suas luvas tem a ver com o que você estava falando sobre se envolver demais com outras pessoas?

– Eu deixei meus sentimentos por uma pessoa influenciarem o meu julgamento. Essas luvas são um lembrete constante do erro que cometi naquele dia... e da promessa que fiz a mim mesma de nunca cometê-lo novamente.”

~Conversa entre Naegi e Kirigiri, durante suas experiências na Academia Pico da Esperança.

Um ano se passara desde que Kyouko Kirigiri juntara-se a Yui Samidare.

Mesmo que com objetivos completamente diferentes – Yui lutava pela justiça, enquanto Kyouko só precisava cuidar de alguns casos para ser reconhecida pela Academia Pico da Esperança – ambas tinha consciência de que precisavam uma da outra. Poderia se dizer que era pela sanidade mental, considerando que começaram a trabalhar juntas quando tinham treze e dezesseis anos respectivamente, ou simplesmente caracterizá-las como boas amigas.

Na verdade, elas não se importavam com o porquê de estarem juntas; era uma simples troca de confiança. Não precisavam de explicações.

Faltava apenas um caso para que o ranking de Kirigiri como uma detetive subisse o suficiente para que ela pudesse chamar a atenção da academia. E era por esse mesmo caso que Yui e Kyouko caminhavam lado a lado pelas ruas parcialmente cobertas de neve. Seu avô conseguira permissão para que ambas acessassem as informações do assassinato, e assim trabalhassem junto a outros dois detetives – estes que não hesitaram em aceitar assim que ouviram o nome “Kirigiri”. Apesar da família de Kyouko trabalhar nas sombras, se procurar as pessoas certas, no lugar certo, haveriam detetives que honravam os Kirigiri tanto quanto aqueles que possuíam o sangue da família correndo por suas veias.

Como andavam em silêncio, Kyouko optou por rever o caso mentalmente; uma garota de quatorze anos que havia sido sequestrada anos atrás foi encontrada morta no quarto de hotel. Não havia nenhum dano físico além de cicatrizes antigas nas mãos. Nenhum exame fora feito ainda, então havia apenas a hipótese de que a causa da morte fora overdose. Entretanto, a própria vítima era a única que havia adentrado o quarto depois de passar pela recepção. Funcionários e câmeras podiam afirmar. O suicídio foi descartado porque a janela fora arrombada, o que indicava que outra pessoa entrara na cena do crime – o assassino.

As garotas apenas escolheram o caso porque Yui simpatizara com a vítima. Sua irmã mais nova também fora sequestrada e morta – e Samidare sentia-se na obrigação de se tornar uma detetive pela falecida irmã. Seria uma vergonha não desvendar um caso tão parecido com o qual mudara o rumo da vida Yui tão drasticamente.

Dentro de seus pensamentos, havia algo incomodando profundamente Kyouko. Tentara se segurar, mas ela precisava saber; então, o silêncio antes preenchido apenas pelo eco de seus passos foi quebrado pela voz da garota, que mesmo não condizendo com suas emoções, saiu num tom firme:

– Você acha que esse assassinato está envolvido com o de sua irmãzinha, não é?

O eco de seus passos diminuíram. Kirigiri então percebera que Yui parara de andar.

Sem encarar a parceira nos olhos, respondeu-a friamente.

– Não. Eu apenas quero vingar a morte de quem posso, já que não pude vingar a dela... – Samidare suspirou, e voltou a andar. – ...ainda.

Nenhuma vez naquele dia fizera contato visual com Kyouko, esta que deduzira que a amiga estava incomodada com o caso por ser tão parecido com o da irmã.

Sem qualquer outra escolha, apressou um pouco o passo para alcançá-la, e durante o resto do caminho o silêncio reinou.

*

A recepcionista encarava as garotas com um olhar desconfiado. Foram necessários muitos documentos para que o acesso das duas na cena do crime fosse permitido.

Acabaram subindo sozinhas para o quarto, pois nenhum dos funcionários se sentia bem em chegar perto.

Finalmente, ambas estavam paradas em frente à porta de madeira velha. Uma placa de metal com o número “16” jazia pendurada precariamente por dois pregos.

Respirando fundo, Kyouko lentamente esticou o braço direito, aproximando-o da maçaneta. Estava prestes a abri-la, quando a voz de uma Yui irritada a assustou.

– Por que está hesitando? Você está com medo? Abra logo! – Exclamou a morena, impaciente.

Kirigiri não sabia como reagir. Ela sempre admirou Yui, a considerava como uma irmã mais velha. A amizade delas não era das mais amorosas, mas a garota nunca ouvira Yui falar com aquele tom de voz. Podia jurar ter sentido rancor naquelas palavras, além do fato de que constantemente via a mão de Samidare deslizar para o bolso da jaqueta, como se tivesse algo valioso ali.

Algo que ela estava escondendo...

Não.

Não podia duvidar de Yui. Um ano atrás, no primeiro caso do qual trabalharam juntas, Kirigiri era a principal suspeita de assassinar os outros membros da equipe, e mesmo assim obteve o apoio dela.

Ela queria confiar na amiga... não, ela tinha que confiar nela. Era o mínimo que poderia fazer.

Então, ignorando todas as preocupações, apenas desculpou-se e rapidamente abriu a porta.

Por mais estranho que fosse para uma garota de quatorze anos, Kyouko já estava acostumada com corpos. Mas aquilo era completamente diferente.

A garota assassinada usava exatamente as mesmas roupas que ela.

Tinha o mesmo cabelo, com o mesmo enfeite lilás.

Não conseguia raciocinar. O que diabos era aquilo?

E quando foi se pronunciar, percebeu que Yui estava ao lado do corpo, chorando.

Ela era três anos mais velha que Kirigiri, e tinha mais experiência. Era impossível que tenha perdido a compostura com aquele caso, por mais parecido que fosse com o da irmã.

Quando Yui correra para perto do corpo, um papel caíra de seu bolso. Jazia ao lado de Kyouko, esta que pode ler com clareza as palavras escritas em uma letra tremida.

“Jin Kirigiri é perigoso.”

Ainda desnorteada, tentando absorver toda aquela informação, ouvira uma voz ecoar pelo quarto.

Uma voz que não era nem dela própria, nem de Yui, mas sim da própria vítima.

– Yui! – Era a voz de uma garota. De uma garota que deveria estar morta.

Kirigiri poderia ter corrido. Fugido. Gritado.

Mas acreditava que Yui Samidare, a pessoa que mais confiava, fosse explicar tudo depois.

Dizer que não podia ter contado pois a colocaria em risco.

Dizer alguma coisa.

Qualquer coisa.

Por isso, apenas encarou a cena. Esperando.

As duas conversavam como se ela não existisse.

Kyouko continuou em silêncio, ouvindo a conversa.

A “vítima” era Rin Samidare, irmã mais nova de Yui.

Que deveria estar morta.

Tinha um olhar angelical, e parecia estar muito feliz.

Um olhar que deveria já não ter mais vida, ou ser capaz de sentir qualquer emoção.

Ela acabara de fugir de um homem que dizia ser o diretor de uma escola de Ensino Médio superespecial chamada Academia Pico da Esperança.

Disse que ele queria forçá-la a estudar lá, que tinha um plano, dizia coisas sobre um incidente que estava prestes a acontecer...

E quando ela recusou, ele a atacou.

O nome nos documentos era Jin Kirigiri.

A conversa continuara, até Rin voltar seu olhar para Kirigiri pela primeira vez.

Não era mais o olhar de uma garota de quatorze anos.

Estava repleto de ódio.

Yui também a encarava. Não sabia dizer o que a amiga estava sentindo. Ela estava... neutra.

Mesmo com todo o nervosismo, Kyouko finalmente se pronunciou.

– Yui...?

A morena então se levantou, e segurou os ombros da parceira, num gesto de carinho.

Naquele momento, Kirigiri relaxou.

Estava tudo bem.

Ela ia explicar tudo, e tudo ficaria bem.

Certo?

O aperto em seus ombros ficou mais forte.

Estava doendo.

Sua visão começara a ficar turva.

Yui estava apertando seu nervo para fazê-la desmaiar...

Sim, ela percebera.

E sim, ela poderia ter chutado ela para longe e fugido. Havia tempo.

Mas confiava na amiga.

Então, não reagiu.

Abraçou a escuridão como gostaria de ter abraçado Samidare naquele momento.

*

Quando voltou à consciência, a primeira coisa que notou era que suas mãos estavam imobilizadas atrás de si.

As algemas estavam apertadas.

Depois de um tempo, encontrou forças para abrir os olhos.

A sua frente, estava sua parceira e única amiga, Yui Samidare.

Com seus óculos vermelhos e seu cabelo castanho. Olhos verdes cheios de determinação que Kyouko até então admirava.

Havia uma garrafa de álcool em suas mãos.

Elas se encaravam em silêncio, até que Rin se pronunciou.

– Ele me atacou, Yui. Nada mais justo que fazer o mesmo com sua preciosa filha. – Não houve resposta, então completou: – Eu sei que você quer me vingar. Essa é a sua chance.

Kirigiri então sentiu o líquido escorrer por suas mãos, que estavam algemadas por detrás da cadeira onde ela estava sentada e amarrada.

Apesar da situação, ela ainda tinha o sangue Kirigiri correndo por suas veias. Então, usou o tempo que tinha para ligar os fatos e entender o que estava acontecendo, já que não teria nenhuma explicação de Yui como esperava.

“Então... meu pai queria que a irmã de Yui entrasse na Academia. Ela recusou, e ele a atacou. A conversa teria ocorrido naquele quarto. Por algum motivo, ele não queria ser visto, por isso entrou pela janela.” Não duvidava que ele tivesse feito aquilo, afinal, Jin a abandonara após a morte de sua mãe. Tinha um coração frio. “Irritada, porém viva após o ataque, ela guardou rancor dos Kirigiri, e os estudou. Descobriu que ele tinha familiares – no caso, eu. Para se vingar, usaria isso contra ele. Claro que ela não sabia que ele me abandonara, senão saberia que não valeria a pena. Ele não se importaria. Mas de qualquer forma, um informante...”

Naquele momento, o rosto de Yui passou diante de seus olhos. Ela ignorou.

“...me estudara. Quando tinha tudo pronto, chamou meu pai de novo – provavelmente dizendo que mudara de ideia. Assim, poderia incriminá-lo. Depois que a conversa terminou, ela se vestiu exatamente como eu, e ingeriu algum sedativo para ficar desacordada... não, eles perceberiam que ela estava respirando. Então...”

Olhou ao redor novamente, procurando se situar melhor, quando percebeu que havia uma fresta na porta do armário.

Tudo que pôde ver, era um braço. A mão estava coberta de cicatrizes de queimadura. Eram horríveis.

Não quis considerar aquela hipótese, mas não havia outra escolha.

“Ela matou outra garota. O corpo encontrado, era dessa garota que está no armário, e não dela. Ela vestiu essa garota exatamente como eu, para que depois pudesse substituir o corpo pelo meu.

Os únicos que chegaram a ver o corpo até então eram os peritos. Eles não me reconheceriam, considerando que os Kirigiri sempre trabalhavam nas sombras. Isso quer dizer que o corpo não estava nesse armário o tempo todo... não, não há tempo para pensar nos detalhes.

Assim, Jin Kirigiri teria matado a própria filha, Kyouko Kirigiri. Seria fácil culpá-lo, já que meu avô confirmaria que ele cortara contato comigo depois da morte de minha mãe.

Mas para uma garotinha fazer algo assim, com certeza precisaria de pelo menos um cúmplice...”

O rosto de Yui novamente passou pela sua mente.

Esta que voltava com uma caixa de fósforo em mãos.

Samidare sabia que Kirigiri era capaz de solucionar aquilo.

Então, quando Kyouko a encarou, perguntando silenciosamente se estava certa, Yui assentiu, quase imperceptivelmente.

E aquele aceno foi a última cena que viu,

antes que a dor excruciante de suas mãos ardendo no fogo a impedisse de pensar em qualquer outra coisa.

~

Kyouko encarava as luvas, perdida em pensamentos. “É... as queimaduras ficaram idênticas mesmo...”

– Kirigiri? – A voz de Makoto Naegi a tirou de seus devaneios. – Olhe, eu realmente não entendi o que você quis dizer. Poderia entrar em mais detalhes?

Encarou as luvas mais uma vez, antes de respondê-lo.

– Não posso te dizer mais nada. Essa conversa acaba aqui.

Naegi ficou em silêncio, então, ela decidiu completar:

– Não fique tão deprimido. Não é como se eu não confiasse em você. Eu confio. E é por isso que eu senti que deveria dizer... – Ela fez uma pausa, lembrando de como optou por não dizer a ninguém sobre o plano de Yui e Rin. Conseguira fugir, e teve a chance de dizer a polícia tudo o que aconteceu. Uma chance que ela mesma optou por descartar. – ...que eu realmente, honestamente, não posso te dizer mais nada. Nem sobre mim, nem sobre essas luvas.

O garoto a ouvia, quieto. Provavelmente não queria interrompê-la, já que era raro ela falar tanto. Então, ela continuou. Suas palavras eram honestas, mesmo que guardassem um segredo.

– Já fazem anos desde que outro além de mim viu minhas mãos descobertas.

– Anos...? – Sussurrou Makoto, surpreso.

– E eu tenho certeza que isso não vai mudar por um tempo. As únicas pessoas a quem posso mostrar minhas mãos, – Mais uma pausa. – são a minha família.

– Apenas a sua família... – A incredulidade em sua voz era quase bonitinha. Representavam a inocência que ele estava, infelizmente, perdendo aos poucos naquela escola...

Aquela inocência, de alguma forma, a animou.

– Quer fazer parte? – Brincou. Conseguiu forçar-se a corar também, com a intenção de constrangê-lo ainda mais.

– O quê?

– Te peguei de novo. – Disse ela, e logo em seguida, se pôs a rir.

Fazia muito tempo que não ria daquela forma.

Enquanto se afastava, sem deixá-lo responder qualquer outra coisa, ajeitou melhor suas luvas.

Talvez ela não tivesse que usá-las para lembrá-la daquilo pra sempre.

Talvez,

se envolver com as pessoas não fosse sempre ruim.

Notas finais
Yo!

Aqui está o link de >um resumo dos capítulos< da novel que eu citei nas notas iniciais (Danganronpa Kirigiri): http://great-blaster.tumblr.com/post/61922209315/so-i-got-the-danganronpa-kirigiri-novel

Eu AMEI demais escrever isso, ter a honra de tentar escrever o ponto de vista uma personagem tão complexa, misteriosa e maravilhosa como a Kirigiri, e espero do fundo do meu coraçãozinho que vocês tenham gostado de ler tanto quanto gostei de escrever essa one.

Sei que pode ter alguns furos, eu não sei TUDO sobre o universo de DR, mas dei meu máximo anyways.

Não sei como terminar isso, então vou terminar com um emoji kawaii:

(=゜ω゜)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!