O Legado dos Deuses

1 Capítulo 1: O Sol e a Morte.


Notas iniciais
Espero que gostem desse primeiro capítulo. Ele está um pouco simples, pois na época eu ainda não sabia escrever de forma tão detalhada, mas estarei aceitando qualquer crítica construtiva e demais opiniões ao longo do que for postando para poder melhorar. Obrigado e boa leitura para todos.

O mundo estava cheio de pecados. Os deuses que governavam o sistema do planeta, insatisfeitos com a audácia dos homens em poluir o paraíso que fora construído para que eles vivessem de forma plena, decidiram unir suas forças e com isso literalmente refizeram todo o planeta. A civilização era mais evoluída, a tecnologia tornou-se mais inteligente e o contraste dos antigos humanos serviriam como ruínas da época em que o planeta era coberta pelo pecado. Isso tudo aconteceu cerca de cinco mil anos atrás, porém, os registros destes eventos ficaram arquivados. As divindades, tendo usada suas forças combinadas para reescrever o mundo, foram forçados a se selarem em dimensões paralelas que representavam seus próprios templos para recuperarem suas forças. A Terra, por sua vez, foi dividida em duas dimensões: a Dimensão Humana, onde os humanos desde cinco mil anos atrás não sabiam da verdade do que ocorreu e a Dimensão Divina, onde alguns dos deuses formaram territórios mais simples e passaram a administrar longe do mundo humano para não causar confusão. Os deuses, possuindo soldados confiáveis chamado de guardiões, em sua maioria filhos de outras divindades, mantinham a absoluta ordem em seus territórios.

Então, numa bela cidade com prédios tão reluzentes e brilhantes que pareciam até mesmo refletir o espírito de quem estivesse ali, um garoto de cabelos loiros estava correndo de aparentes policiais que haviam na cidade. O garoto trajava um uniforme escolar composto por uma blusa social branca, uma gravata que alternava entre as cores vermelho e azul com um linha branca as separando, bem como trajava uma calça jeans azul. Ele também vestia uma blusa azul escuro, com alguns botões, sendo ela parte de seu uniforme. Os policiais, por sua vez, trajavam uniformes de cor preta compostos por uma blusa com mangas, calça e sapatos. Os policiais, estando com um total de cinco homens, perseguiam o garoto sem deixar brechas. Então, decidindo parar de correr, uma estranha aura negra emanou do corpo do jovem loiro, manifestando em seguida duas correntes da cor negra que enrolaram-se ao redor dos braços do menino. Agora, balançando apenas o braço esquerdo, a corrente anexada aquele braço de repente movia-se numa surpreendente velocidade, tal como acontecia a mesmo com a direita, fazendo-as girarem ao redor dos policiais e produzir um tornado negro que os lançava para o ar, fazendo-os cair no chão.

[ Mainyu ] — Não direi para seres patéticos como vocês o meu nome, mas podem me chamar de Mainyu, a encarnação dos pecados humanos... — O jovem falou aquilo num tom sombrio, sendo que seus olhos tomaram uma coloração mais escurecida. Então, utilizando-se daquela misteriosa aura negra para criar três outras correntes, as cinco avançaram contra os policiais, acertando diretamente seus corações, mas por alguma razão eles não morreram, sendo a verdade que suas almas teriam sido retiradas. As almas, emitindo uma aura negra, eram absorvidas pelas correntes e depois pelo garoto, que seguidamente suspirava. — Eram apenas assassinos baratos usando farda, uma coisa que acontece bastante hoje em dia, na qual ladrões usam gravatas…

Aquela cena inteira, para todas as pessoas da Cidade Astral, foi praticamente ocultada. Somente a perseguição teria sido vista, mas ao mesmo tempo um rapaz teria visualizado aquele fato surreal.Era um jovem alto, loiro e com cabelos bagunçados. Possuía olhos azuis. Ele trajava uma blusa social branca com mangas longas, uma blusa preta de caráter social sem mangas e calças e sapatos também pretos. Ele, por sua vez, trabalhava meio período num restaurante fino daquela cidade reluzente.

[ Akaryu ] — Mainyu, o filho da morte... — Nada dizia o loiro, exceto dizendo o nome pelo qual o outro teria se chamado e complementado com uma outra alcunha. Ele virou-se, decidindo caminhar até uma outra localização, no caso um ponto de ônibus há alguns metros dali, só que depois de alguns segundos o braço direito dele era agarrado por alguma coisa, no caso, uma corrente negra.

[ Mainyu ] — Estou desapontado, filho do sol... Alguém como você, ligado diretamente neles, deveria entender o que eu tentando fazer nesta cidade. — Aos poucos uma pessoa aproximava-se do loiro, mostrando-se o garoto que anterior pegou as almas dos policiais. Enquanto dizia aquelas palavras, ele calmamente recolheu suas correntes. — Vamos resolver isso de uma vez por todas. Minhas correntes contra sua espada ou sei lá que arma você usa. Entenderei de recusar, afinal, seu pai é aquele dito ser o mais covarde entre eles e que não se manifestou até agora desde o ocorrido.

[ Akaryu ] — Insultar a mim até entendo, mas insultar meu pai é uma história diferente... Você sabe muito bem que todos eles igualmente concordaram em reconstruir tudo, só que ao mesmo tempo cada um tomou a decisão de se manifestar ou não, mesmo que não tivessem recuperado plenamente as forças... — A partir dali, cedendo às provocações daquele outro garoto, o loiro de olhos azuis então foi cercado por uma aura dourada, exibindo traços de chamas ao redor de seu corpo. O local em questão tornava-se um espaço completamente diferente, sendo tratado como uma dimensão alternativa para não ferir ninguém daquela cidade. O cenário agora era outro: um terreno escuro, cercado por montanhas e o chão era de pedra, bem como o outro oponente esperava o loiro dito como filho do sol. — Não irei me conter como nas outras vezes, fique ciente disso.

Depois daquela fala o garoto de olhos azuis foi coberto por uma aura dourado e expandiu suas chamas pelo cenário inteiro, iluminando-o de forma que até mesmo o usuário das correntes negras pudesse sentir sua visão incomodada pela luminosidade recém colocada ali. Era então que o loiro de olhos azuis manifestava em seu corpo uma armadura branca. Na parte dos ombros haviam três placas de metal em camadas, haviam proteções na parte referente aos joelhos em diante e na perna direita ele tinha uma outra placa de metal, coisa já não existente na parte esquerda. Em seus braços e cobrindo até as mãos haviam panos com partes pretas e azuis com um pequeno traçado dourado em volta deles e também tendo esses tecidos nas pernas. Aquela era uma armadura que o loiro usaria para se proteger dos futuros ataques daquele usuário de correntes.

Por falar nele, utilizando-se da corrente do braço esquerdo, logo a corrente perfurou diretamente o solo, atacando o guerreiro de armadura literalmente em sua frente. Então, para desviar, o loiro de olhos azuis afastou-se alguns passos. Logo depois ele começou a concentrar suas chamas na mão esquerda, jogando-as no chão e literalmente transformando-as numa onda de fogo. O outro, por sua vez, começou a girar suas correntes e de repente um breu obscuro gerava-se a partir delas: eram as trevas, um elemento que considerava-se literalmente a proximidade com a morte. A onda de chamas começava a consumir tudo em seu caminho, mas quando entrou em contato com o usuário das correntes, literalmente as chamas começavam a perder a essência e o calor, aos poucos sendo apagadas como se a vida delas tivesse sido consumida.

[ Mainyu ] — Utilize sua arma, filho do sol. Sabe que sem ela não poderá me derrotar ou ainda não a conquistou?

Ao dizer aquilo, visando provocar seu oponente, ele deu um incrível salto. Aproximando-se do adversário, literalmente ele fez suas correntes separarem-se e agarrar os pulsos do adversário, atraindo-o para sua frente. Recuando seu joelho direito e puxando o oponente para sua frente, logo em seguida Mainyu deu uma joelhada contra o estômago do adversário, fazendo-o sentir o impacto do golpe mesmo com armadura. Entretanto, sem que percebesse, Akaryu, o de armadura, concentrou as chamas no punho esquerdo e direcionou-as contra o chão de forma que se expandiram e atingiram o loiro de forma superficial, fazendo recuar com as correntes e ter pequenas queimaduras em sua pele.

[ Akaryu ] — Você, mais do que qualquer um, sabe que não posso usar minha arma livremente por causa da força que ela possui...

[ Mainyu ] — Aham... Conta outra, Akaryu...

A conversa durou alguns minutos, o suficiente para que os guerreiros pudessem se preparar. A partir dali Mainyu começou a liberar as trevas de forma que consumiam boa parte do ambiente. Não vendo outra escolha, Akaryu começou a liberar suas chamas de forma que elas fizessem uma iluminação artificial pelo ambiente em si. Era como a noite e o dia competindo para ver quem reinaria. Mainyu avançava concentrando as trevas na mão esquerda, enquanto Akaryu avançava concentrando as chamas na mão direita. Os dois punhos opostos chocaram-se, liberando os elementos no mesmo instante, mas a partir dali eles pareciam estar empatados, o que gerou uma cúpula de fogo e trevas com duas camadas de cada elemento demonstrando estarem em níveis equiparados. Após a cúpula cessar e uma explosão imensa acontecer, ambos aqueles guerreiros foram recuados, possuindo feridas em seus rostos e outras partes do corpo, bem como suas roupas estando um pouco rasgadas e a armadura um pouco danificada.

[ Mainyu ] — Chega desse joguinho! Até agora eu estava testando sua força, mas se vai apenas mostrar esse tipo de poder fraco, vou terminar isso aqui em breve... Correntes do Caos, liberar!

Aos poucos a luta ia ficando mais intensa, sendo que as palavras de Mainyu começavam a também refletir em sua arma, que seguidamente balançava, liberando uma aura sinistra. Naquele momento um pilar negro liberou-se tanto de Mainyu como também de suas correntes, dando-o um olhar mais sinistro. Mainyu, por sua vez, fez as correntes perfurarem o solo e moldando as trevas ele então criou serpentes negras por todo o lugar por onde as correntes percorreram. A partir dali, guiando-as somente com seu pensamento, as serpentes literalmente começavam a cercar e a morder o loiro, que apesar de tentar liberar as chamas para dissipá-las, sequer conseguia fazer isso. Mainyu, dando um salto, apareceu diante de Akaryu que estava caído, focando as trevas em seu punho esquerdo e num único ataque ele acertava o estômago de Akaryu de forma que o loiro literalmente cuspisse sangue e assim tivesse parte da armadura rachada.

[ Mainyu ] — Droga, eu errei. Era pra ter acertado nos ossos, mas parece que enferrujei um pouco ficando naquela cidade...

[ Akaryu ] — N-não é possível... Por que há tanta diferença assim entre nossas forças?

[ Mainyu ] — Eu, diferente de você, comecei a treinar minhas Correntes do Caos para liberá-las quando quisesse, assim eu posso nivelar a força que eu utilizo. Desde aquele dia eu venho vivendo com o sentimento de que falta algo, então decidi fazer as coisas do meu jeito! Tentei viver naquela cidade como alguém comum e, apesar desse lado reduzir muito o meu poder, vi que ainda existem pessoas que fazem de tudo para se sobressair com os demais… Por causa disso, eu decidi usar tudo para dominar a cidade e até mesmo refazê-la!

[ Akaryu ] — Eu só precisava saber disso... Eu, Akaryu, filho do sol, abro mão de minha vida em troca de manifestar a luz que traz a vida para este mundo. Manifeste-se, Lâmina do Sol!

Mainyu explicou seus motivos, enquanto Akaryu ouvia e começava a concentrar sua energia e até mesmo a energia vital na mão direita. A partir dali ele começava a manifestar uma luz dourada, pegando a luz com a mão direita e transformando-a numa espada branca. Entretanto, não conseguindo mais conter sua raiva, Akaryu então liberou todo aquele poder e o local inteiro tomava uma luz dourado. Parecia que por um instante o amanhecer pairava sobre aquele local, Assim, criando sobre o terreno inteiro uma espécie de selo semelhante a uma rosa dos ventos, Akaryu encarou Mainyu.

[ Akaryu ] — Ruja, Lâmina do Sol! Técnica final: JULGAMENTO DO SOL! — Exclamando aquelas palavras, bem como fazendo a luz sobrepujar as trevas de forma que Mainyu sequer conseguisse reagir, Akaryu então direcionou um corte tão forte contra o adversário que o ataque liberava também na sua execução rajadas de luz que cobriram totalmente o ambiente.

[ Mainyu ] — Interessante... SÓ QUE NÃO O SUFICIENTE! — Mainyu havia se deixado ser pego pela técnica do adversário apenas para ver seus efeitos, mas quando ele iria ser atingido, Mainyu então concentrou as suas trevas nas duas mãos, transformando-as em duas esferas que logo expandiram-se no ambiente inteiro, sobrepujando sem dificuldade nenhuma todo o ataque de Akaryu e atingindo-o com tudo. Os danos teriam sido suficientes para que a espada fosse desmateriliazada, Akaryu tivesse ferimentos sérios por todo corpo e sua armadura estivesse completamente rachada. — Não adianta tentar nada contra mim, pois como a personificação da morte, a partir do momento que cruzou meu caminho eu lhe dei um julgamento: uma vida sem poder ver mais nada!

De forma brutal Mainyu direcionou dois projéteis de trevas contra o adversário. As trevas não consumiram a vida dos olhos de Akaryu, mas sim consumiram a capacidade dele de enxergar. Não havia uma explicação para isso, afinal aqueles dois eram filhos de deuses, seres que tinham capacidades além da compreensão dos humanos. Depois da batalha, enquanto Akaryu estava inconsciente, Mainyu ficou observando seu adversário caído, se preparando para poder finalizá-lo.

Notas finais
Se chegaram até aqui, o que acharam?