O Legado do Tabuleiro
22 O Recomeço das Linhas
A virada de ano em Manhattan costumava ser um espetáculo de luzes, buzinas e multidões na Times Square, mas para Maya Styles, o silêncio era o único luxo que importava. Após o colapso na noite de Natal, ela cortara temporariamente os laços com a podridão que cercava a holding. Naquela noite de trégua, ela preferiu o isolamento do seu próprio apartamento à falsidade das festas da alta sociedade.
Vestindo um pijama de seda pérola, Maya preparou tudo com calma. O aroma de um suflê de queijo fresco e dourado preenchia o ar da cozinha. Ela abriu uma garrafa de um bom vinho tinto e, para a sobremesa, assara um bolo de chocolate denso, cuja calda ainda brilhava sobre a bancada. Acomodada no tapete felpudo da sala, com um prato na mão, ela tentava se concentrar em um filme antigo na TV para afogar os pensamentos.
Foi quando o som da campainha ecoou, quebrando a melodia da noite.
Maya franziu o cenho, o coração dando uma batida errática. Ela deixou o prato na mesa de centro, caminhou até a entrada e abriu a porta.
O ar sumiu de seus pulmões.
Lucas Carter estava parado ali. Ele usava um casaco escuro salpicado por flocos de neve, os cabelos ligeiramente desalinhados pelo vento frio e as mãos enfiadas nos bolsos. Seus olhos verdes, antes carregados de dor, agora reluziam com uma determinação madura e um brilho que ela achou que nunca mais veria.
— Eu soube que o Natal em Tribeca foi... barulhento — Lucas disse, a voz mansa, esboçando aquele sorriso de lado que sempre desarmava Maya. — E imaginei que o cardápio de Ano Novo da minha diretora favorita precisasse de uma avaliação profissional.
Maya não respondeu com palavras. As lágrimas inundaram seus olhos instantaneamente. Ela deu um passo à frente e se jogou contra o peito dele, envolvendo seu pescoço com força. Lucas a segurou pela cintura, suspendendo-a do chão por alguns segundos, enterrando o rosto na curvatura do pescoço dela enquanto fechava a porta com o pé. O abraço era apertado, um reencontro de almas que parecia curar cada ferida daqueles longos meses de distância.
— Você voltou... — Maya soltou num sussurro embargado, afastando o rosto para olhar para ele, as mãos acariciando as bochechas frias de Lucas. — Eu achei que tinha te perdido para sempre, Lucas. Eu achei que você nunca mais ia me perdoar.
Lucas segurou os pulsos dela, deixando um beijo carinhoso na palma de cada mão antes de olhar no fundo de seus olhos.
— Eu tentei fugir, Maya. Peguei um voo, mudei de país, mudei de rotina... Mas a verdade é que não existe ar puro em lugar nenhum do mundo se eu não puder respirar perto de você. Aquela ligação que você me fez... a forma como você se declarou e o que você fez naquele Natal, colocando aquela família no lugar dela e escolhendo a nós... me deu a certeza que eu precisava. O Thomas é passado, o tabuleiro deles não importa mais. Eu amo você, Maya Styles. E eu não vou a lugar nenhum sem você.
Lucas colocou a mão no bolso do casaco e puxou uma pequena caixa de veludo negro. Maya cobriu a boca com a mão, o coração disparando enquanto ele se ajoelhava no tapete da sala.
— Eu não quero mais ser o namorado que espera o tempo passar na incerteza. Eu quero construir uma vida real com você, longe das sombras do passado. Maya, você aceita se casar comigo?
— Sim! Mil vezes sim, Lucas! — ela exclamou, puxando-o para cima e aceitando o anel de brilhantes que ele deslizou por seu dedo.
Lucas a puxou pela nuca, selando o noivado com um beijo profundamente apaixonado. Mas aquele beijo não era mais o de meses atrás; estava carregado de uma urgência madura, um desejo quente e legítimo que fora represado por tempo demais.
A Entrega da Seda
O calor entre os dois subiu rapidamente. Enquanto os fogos de artifício começavam a espocar ao longe pelas janelas de Manhattan, anunciando o início do novo ano, Lucas e Maya iniciaram seu próprio rito de entrega.
Entre beijos famintos e arfantes, as roupas foram sendo deixadas pelo caminho até o quarto principal. Lucas deitou Maya na cama de casal sob a luz suave do abajur. Seus olhos verdes percorreram o corpo dela, despido de barreiras e medos, com uma admiração quase sagrada. Ela era linda, e a vulnerabilidade em seu olhar mostrava o quanto aquela noite significava.
— Lucas... — Maya sussurrou, as mãos trêmulas traçando os ombros largos dele enquanto ele se posicionava entre suas pernas. — Eu quero isso. Eu quero que seja você. Mas... eu estou com um pouco de medo.
Lucas sorriu com infinita doçura, inclinando-se para colar seus lábios nos dela em um selinho demorado, enquanto seus dedos subiam pelas coxas dela, acariciando a pele macia com extrema paciência.
— Ei, olha para mim — ele pediu, a voz grossa, abafada pelo desejo, mas perfeitamente calma. — Não existe medo aqui entre nós. Eu estou aqui com você, e nós vamos no seu ritmo. Vai ser perfeito porque eu te amo.
As mãos de Lucas começaram a explorar o corpo de Maya com uma intimidade explícita e carinhosa. Seus lábios desceram pelo pescoço dela, deixando trilhas de beijos quentes que faziam a jovem arfar alto, arqueando as costas contra o colchão. Os dedos dele desceram com propriedade, descobrindo a intimidade úmida e aquecida de Maya, estimulando-a com movimentos lentos e circulares que arrancaram dela um gemido sôfrego, os dedos dela cravando-se nos lençóis.
O desejo era quente, denso e envolvente. Quando Lucas sentiu que o corpo dela estava completamente entregue e relaxado pelo calor das carícias, ele se alinhou a ela. Segurando o quadril de Maya com firmeza, mas com uma sensibilidade extrema, ele começou a entrar.
Maya soltou um gemido agudo, o corpo travando por um instante diante da novidade daquela sensação intensa e levemente dolorosa.
— Lucas... — ela arfou, fechando os olhos.
— Shh... relaxa, meu amor. Respira comigo — Lucas sussurrou contra o ouvido dela, distribuindo beijos em suas pálpebras e bochechas, interrompendo o movimento para dar tempo ao corpo dela. Ele esperou, mantendo-se estático, até sentir os músculos de Maya cederem e se moldarem à presença dele.
Quando ela abriu os olhos e assentiu com a cabeça, um sorriso nos lábios trêmulos, Lucas recomeçou. Ele iniciou investidas lentas, profundas e ritmadas, preenchendo-a por completo. O incômodo inicial de Maya dissipou-se rapidamente, dando lugar a uma onda avassaladora de prazer carnal puro. O som dos corpos se encontrando e o ritmo das respirações pesadas preenchiam o quarto.
— Lucas... mais... por favor — Maya pedia entre os dentes, envolvendo a cintura dele com as pernas, puxando-o para mais fundo.
O ritmo acelerou. O carinho inicial transformou-se em um tesão explícito e selvagem, os quadris se chocando com força na penumbra do quarto. Lucas gemia o nome dela a cada estocada profunda, sentindo os espasmos apertados de Maya声明 o ápice iminente. Ela enterrou as unhas nas costas dele enquanto o clímax a atingia como uma explosão de puro calor, seguida segundos depois pelo rugido de Lucas, que descarregou todo o seu amor e desejo dentro dela, desabando sobre seu peito em uma respiração exausta.
Deitados abraçados sob os lençóis desalinhados, sentindo o suor secar na pele e os corações batendo no mesmo compasso, Lucas puxou o lençol para cobri-los. Ele beijou a testa de Maya, que sorria com os olhos brilhando de felicidade e paz. O Ano Novo havia começado, e as linhas da vida de Maya finalmente haviam se endireitado nos braços do homem que escolhera para sempre.
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