O silêncio da biblioteca de Hogwarts era entrecortado apenas pelo som do virar de páginas e murmúrios ocasionais. O grupo, agora reunido após o retorno às aulas, estava determinado a desvendar o mistério das visões e da profecia. Rose, como sempre, liderava os esforços, com os gêmeos Scamander ao seu lado, debatendo freneticamente sobre as runas que haviam aparecido em seus sonhos.

Rose suspirou, empurrando para o lado um pesado tomo sobre magia antiga. “Ainda sinto que estamos deixando algo escapar. As visões são... fragmentadas, mas têm um propósito.”

“Sabemos disso,” disse Albus, tamborilando os dedos na borda da mesa. “A questão é: como os lugares mencionados nas visões se conectam com Hogwarts? O castelo, as sombras... tudo aponta para cá.”

Lysander inclinou-se para frente, os olhos brilhando de excitação. “E se a magia antiga que as visões mencionam ainda estiver ativa? Quero dizer, estamos em um lugar construído com feitiços poderosos. É possível que algo tenha sido deixado para trás.”

“Ou escondido,” acrescentou Hugo. “Afinal, não é como se Hogwarts não tivesse segredos.”

Fred, que havia permanecido calado até então, apoiou o queixo nas mãos. “A questão é: por onde começamos a procurar? Não podemos simplesmente andar pelo castelo lançando feitiços de revelação. Isso chamaria atenção.”

“Já estamos começando a atrair atenção,” comentou Lily, ajustando os óculos. “Neville me perguntou hoje por que andamos tão... furtivos nos corredores.”

James soltou uma risada baixa. “O que você disse?”

“Que estávamos planejando uma festa surpresa para o aniversário de alguém. Ele pareceu satisfeito com a resposta.”

Molly, que examinava um antigo mapa do castelo, levantou o olhar. “Talvez devêssemos começar pelo básico. Alguém mais percebeu como as visões são incrivelmente conectadas a lugares? Precisamos explorar os pontos mais antigos da escola.”

“Concordo,” disse Rose, voltando ao mapa. “Mas temos que fazer isso discretamente. Mesmo que a profecia seja verdadeira, não podemos esquecer que estamos lidando com algo perigoso. Talvez algo que nem devesse ser encontrado.”

Lorcan sorriu de lado. “E é exatamente por isso que estamos fazendo isso. Não somos conhecidos por jogar seguro.”

James deu um tapinha nas costas do amigo. “Finalmente, alguém disse algo sensato.”

“De qualquer forma,” continuou Rose, ignorando os dois, “podemos começar nos dividir para investigar locais diferentes, sempre pensando em ser antigo.

Com o plano traçado, decidiram dividir tarefas. Rose, Albus e Scorpius começariam investigando o Salão Principal e as áreas mais antigas da escola, usando feitiços de revelação. Lorcan e Lysander ficariam encarregados da biblioteca, focando em livros que pudessem falar sobre passagens ou câmaras secretas esquecidas. Hugo, Molly e Lily explorariam os jardins, procurando sinais de magia antiga ou feitiços ocultos que pudessem apontar para algo escondido. James e Fred ficariam de olho nos professores e nos movimentos dos outros alunos para evitar chamar atenção

Enquanto vasculhavam os jardins na manhã seguinte, Hugo sentiu uma estranha vibração sob os pés. Ele parou, olhando para Molly e Lily.

“Vocês sentiram isso?” perguntou ele.

“Senti,” respondeu Lily, inclinando-se para tocar o solo.

Ela murmurou um feitiço de revelação, e uma runa brilhante apareceu momentaneamente na grama antes de desaparecer.

“Isso é definitivamente magia antiga,” disse Molly, franzindo a testa. “Mas por que aqui?”

“Talvez seja um marcador,” sugeriu Hugo.

Lily assentiu. “Precisamos reportar isso aos outros.”

Na biblioteca, Lorcan e Lysander tinham encontrado algo promissor. Um mapa antigo de Hogwarts, que mostrava não apenas as áreas conhecidas, mas também algumas passagens ocultas que não estavam no Mapa do Maroto.

“Olha aqui,” disse Lorcan, apontando para uma seção perto do lago. “Essa câmara foi marcada como ‘Santuário Esquecido’. Parece promissor.”

“E está nos terrenos, perto dos jardins,” completou Lysander.

No Salão Principal, Rose e Albus estavam examinando os escudos e tapeçarias que decoravam as paredes. Scorpius, porém, estava parado diante de uma estátua de um bruxo medieval, com uma expressão intrigada.

“Scorpius, o que foi?” perguntou Albus.

“Tem algo estranho aqui,” respondeu ele, apontando para a base da estátua. Havia uma inscrição quase apagada que só ficou visível quando Scorpius passou a mão sobre ela.

Rose aproximou-se e leu em voz alta: “‘Aqueles que buscam o segredo devem seguir o chamado das sombras.’”

“Sombras... como na visão,” disse Albus, os olhos arregalados.

Naquela noite, o grupo se reuniu na Sala Precisa para compartilhar suas descobertas.

“Tudo leva aos jardins,” disse Rose, espalhando os mapas e anotações sobre uma mesa.

“E ao que chamam de ‘Santuário Esquecido’,” completou Lorcan.

“A questão é: como chegamos lá?” perguntou Hugo.

“Com cuidado,” respondeu Lily. “Se isso é realmente magia antiga, não vai ser fácil ou seguro.”

“Quando foi que alguma coisa que fizemos foi fácil ou segura?” brincou James.

Enquanto risos nervosos enchiam o ar, todos sabiam que estavam cada vez mais próximos de algo grande. O santuário os chamava, e as sombras de Hogwarts guardavam segredos que poderiam mudar tudo o que conheciam sobre o mundo mágico.