O Ladrão De Mares
23 Capítulo 23 Um Funeral Mais do Que Mortal
Notas iniciais
23 Um Funeral Mais do Que Mortal
Abri meus olhos atordoada.
A explosão havia detonado o céu inteiro.
Senti um peso por cima de mim.
Ah, não. Ele tentou me salvar de novo?
Suas asas nos cobria. Ai que raiva desse garoto! Acha que tem o direito de me proteger! Não sou uma criança!
- Saia de cima de mim agora! — ordenei.
Mas ele nada fez. Estava imóvel.
- Miguel, é sério... — falei revirando os olhos.
Me sentei e coloquei sua cabeça em meu colo.
- Quer dormir agora? — perguntei sorrindo.
Coloquei minha cabeça em seu peito. Estranhamente frio agora.
Seu cheiro de vento de primavera...
Minha raiva passou.
- Olha Miguel, quando você me disse... — comecei.
Mas notei algo muito estranho, ele não respirava. Não tinha batidas de seu coração em meu ouvido.
Me sentei rápidamente. As lágrimas já me vinham nos olhos.
- Não! Acorde! Por favor, Miguel acorde! — gritei desesperada. — Você sabe que não pode fazer isso comigo! — agarrei o peito de sua camiseta e o balancei deixando minhas lágrimas molharem-na. — Você não sabe que eu o amo?
Meu chão já era areia movedissa. Minha respiração estava pesada. Descompassada. Ofegante. Ninguém sabia o que era estar em minha pele!
- Você tinha razão... — tentei conter o choro — eu estou morrendo de vontade de te beijar...
Minhas palavras saiam como socos. Eu me vencia a cada frase sobre como ele era bom para mim saia de minha boca.
Coloquei sua cabeça no chão e vi seus olhos cinzas como a tempestade que estava em torno de nós.
Fechei-os com delicadeza e me enclinei. Ninguém, nem Tiago, iria estragar pelo menos o meu adeu.
Toquei seus lábios. Mortos. Sem vida. Macios...
Meu beijo foi demorado. Ainda tinha gosto de doce. Um pouco de vida, pelo menos.
Passei horas observando-o. Quando olho o cabo de ferro que está a meu lado. Sigo o caminho até chegar a ponta. O Tridente.
Tudo por causa de um estúpido Tridente! Preferia viver o fim do mundo com Miguel, do que a paz sem ele. Eu desafiei Cronos. E agora quem eu amo está morto. Como minha mãe disse:
"Em sua vida duas maldições você carregará.
E uma delas, seu único amor matará."
Otimo! Cronos me amaldiçoou.
Mas... podia não ser somente Cronos. Zeus! Isso! Eu sou filha de Poseidon, Zeus nunca iria aceitar um romance entre eu e seu filho! Tudo culpa dele! Pensando bem, não é muito ruim me juntar a Cronos...
Todo o motivo que eu tinha para lutar ao lado do Olimpo agora está morto em minhas mãos...
Ordenei que o vento nos levasse para o chão.
Quando cheguei, Tiago e Grover vieram correndo.
- O que ouve? — Tiago perguntou.
Cai em seus braços ao tentar andar. Chorei por minutos em seu ombro. Se fosse outro morto, Miguel estaria fazendo isso, me consolando.
Grover observava o corpo de Miguel.
- Precisamos de uma mortalha. — disse ele por fim, ao ver que eu já havia me recuperado. Pelo menos um pouco.
- Ainda temos a flor? — perguntei em meio aos soluços.
- Sim, está... no bolço de Miguel.
Grover pegou a flor com cuidado.
- O que devemos fazer? O que ouve lá em cima? Miguel disse que sentiu que algo iria acontecer e só saiu voando! Me conte! — Tiago estava desesperado.
Contei a eles o que havia ocorrido, e como Miguel me protegeu dando a vida.
Não contei sobre o beijo. Era nosso segredo. Meu... e de Miguel.
- Onde está o Tridente então?
Pensei muitas vezes, e ele apareceu na minha mão.
Senti a força do oceano em mim. Eu tinha o domínio de tudo! Ou pelo menos do mar...
- Mãe, por favor, leve Miguel ao Olimpo, e de a ele o funeral devido a esse herói. — falei quando já estava sozinha.
O corpo de Miguel se transformou em pó azulado como os céu e o cheiro de primavera foi junto.
- Obrigado. — falei com as palavras entaladas em minha garganta.
Me levantei e me juntei a Grover e Tiago.
- Agora que temos o Tridente, o que faremos com flor? — Quis saber Grover.
- Hermes também é o deus dos viajantes... — pensei.
Fui até uma praça onde tinha um chafaris enorme. Joguei duas moedas na água, eu não tinha dracmas! O único que tinha era... Miguel.
- Por favor Ìris, é o que tenho. Dou a você, mas só me mostre Hermes, por favor! — falei quase gritando.
Uma névoa tremeluziu mostrando o velho carteiro.
- Companhias Sedex, boa tarde. — ele sorriu.
- Eu tenho sua flor! — gritei — Agora nos leve para o Olimpo!
- Opa, calma pequenina! Esse não era nosso trato lembra?
- Você não fez um trato solene, não jurou pelo Estígio, posso mudar esse contrato. Meu melhor amigo morreu para entregar essa maldita flor a você!
- Eu sei como é isso... Minha sorte é que sou um coroa solteiro, não sofro com amores...
Tive a impressão de ter ficado vermelha.
- Mas... — falei mais calma e abaixando a voz — você pode, por favor, fazer valer a pena esse sacrifício?
Hermes pareceu observar meu rosto.
- Você, a sim você... — ele coçou a barba mal feita — é esse tipo de mulher que quero para meu filho...
Fiquei mais vermelha ainda.
- Sim, claro que posso. Só me entregue a flor.
Joguei a flor na névoa e ela apareceu nas mãos de Hermes.
- Olha, sou o deus da confusão... e... eu iria rir de você e falar "obrigado, pela flor, agora tchau! Ninguém mandou não me fazer jurar pelo Estígio!" Mas... você é uma garota legal. E difícil encontrar alguém assim para amar. Quem ter o seu amor, será o homem mais sortudo da Terra!
- Eu te amo, Hermes! — exclamei. Sem sorrisos.
- Ora, todos me amam! Meu show de Stand Up lá na TV Hefesto é o programa mais assistido pelos deuses...
- Por favor, o Olimpo.
- Ah, sim.
Um pacotinho cheio de doces caiu dos céus.
- E só comer uma e você estará no Olimpo. Adeus.
E a mensagem sumiu na água da fonte.
Fui até Grover e Tiago e dei a eles uma bala para cada.
- E só comer e estaremos no Olimpo.
Comemos e por um segundo eu estava voando... Livre... Voando... Voando... Por que tudo me lembra ele?
Quando parei de ter a sensação de voar, vi portões de ouro puro.
Dentro da cidade, havia templos com arquitetura grega e um maior que todos, a casa dos deuses.
Andamos pelas ruas feitas de diamantes e rubis, esmeraldas e pedras d'água. Subimos e descemos caminhos vendo deuses menores e alguns animais, sátiros e ninfas. Àrvore por todos os lados. E muita alegria no rosto de todos.
Quando chegamos ao topo, nos viramos e admiramos a vista do Olimpo inteiro.
Entramospara dentro do templo, e vimos dozer tronos num semicirculo.
Do lado esquerdo, tronos cheios de vida, cloridos, bonitos, de mulheres claro.
Do lado direito tronos maiores e não muito coloridos, homens, só pode.
Dois homens estavam no meio do semi-circulo, cinco metros meiores que eu.
- Eles vão chegar! — gritou o que estava com roupas de pescador. Cabelos pretos e olhos verdes que podiam ser o Oceano Pacífico.
O outro balançava a cabeça negativamente, tinha cabelos louros e olhos azuis como o céu da tarde. Como Miguel...
- Ei! — gritei. — Toc Toc! Zeus está? — gritei e eles me olharam de cima a embaixo segurando o Tridente.
- Assassina! — gritou o de olhos azuis. — Você matou meu filho!
Notas finais
Recomendem?
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