O Ladrão De Mares
13 Capítulo 13 Caça a Hermes
Notas iniciais
Onde estará aquele ladrão?
Você pode me dizer?
13 Caça a Hermes
Abri meus olhos meio zonza.
Eu estou no Elísio?
Não parecia.
Entúlho me rodiava. Cacos de piso de mármore negro. Senti alguém retirando a pedra negra na minha frente. E logo vi o olho bezerro de Tyson.
– Ela está viva! — gritou ele.
Estava esgotada, minhas pernas e braços não se moviam.
Fui carregada por Tiago até uma tenda improvisada. Ele me deitou em um colchão. E se sentou ao meu lado.
– Então, chata, sou eu que estou te carregando como fardo agora! — ele sorriu.
– Obrigado, você também não facilita nada sendo um mala sem alça! — eu ri.
Ficamos em silêncio por um tempo.
– Chata, posso te pedir uma coisa? — ele perguntou.
– Claro.
– Promete que não vai contar para ninguém?
– Prometo.
– Jure pelo Rio Estígio!
– Eu... juro pelo Rio Estígio. — um trovão cortou os céus.
– Bom, chata, eu gosto da Annabeth. E gostaria da sua ajuda para caçar aquela corujinha.
– E como você acha que eu possa ajudar?
– Ora, você é irmã dela, deve saber algo!
Ele se deitou ao meu lado.
– Vou fazer o possível, chato.
– Eu sei que vai, chata.
Tiago se virou para mim. Colocou uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha.
– Meus irmãos dizem que sou o mais fraco deles. — ele disse, triste.
– Por que?
– Me apaixono muito rápido. Tenho sentimentos grandes. Isso dificulta uma luta quando o adversário é uma menina bonita, como você. — ele disse essa última parte baixinho, quase não ouvi.
Ele foi se levantar mas eu segurei seu braço.
– Fica comigo! Eu estou com medo!
– Medo? Medo de quê?
– De que essa tenda caia sobre mim!
Ele riu e ficou sentado ao meu lado.
Ficamos em silêncio por um tempo. Tiago olhava para o nada, como se pensasse em algo. Corou.
– Por que você está vermelho? — perguntei.
– Ahn, nada.
– Conta, seu chato!
– Não posso. Prometi que não contaria.
– E... se eu te der algo em troca? — eu sou muito curiosa!
Ele pensou um pouco.
– Por exemplo?
– Não sei, o que você gostaria?
– Que tal um beijo? — ele perguntou mais vermelho ainda.
– Um beijo? E por que você iria querer me beijar? Quer dizer, eu estou imunda! — falei mostrando a sujeira do entulho em minha roupa.
Mas seu rosto era de quem não se deixaria levar por uma sujeirinha de nada.
Suspirei. Não tinha escapatória. As vezes, penso que sou amaldiçoada por Pandora, pois sou muito curiosa! Aquela curiosidade já estava me destruindo por dentro. Acho que sou a única pessoa a se sentir assim.
– Tá, mas só dou o beijo se for realemente interessante!
Ele sorriu.
– E sobre quem o Miguel gosta. — ele deu de língua.
Minha boca caiu. Eu poderia dizer a Clarisse se o Miguel gostava ou não dela! E... não vou esconder: Eu queria saber, de verdade, o que Miguel achava de mim. Quer dizer, eu não gosto dele! Só... queria saber se ele me achava legal. E como Tiago é melhor amigo dele, poderia me contar.
– Tá, agora me conta!
– Ok, mas primeiro o beijo. — ele sorriu.
Eu revirei os olhos.
Me sentei, com dificuldade. Pois meu corpo ainda doía muito.
Fechei os olhos (automáticamente) e ele também.
Sua mão passou envolta de minha cintura, e a outra foi acariciar meu rosto. Me aproximando dele. Do jeito que estávamos, seria um beijo lento. Seria.
Se Miguel não tivesse entrado na tenda.
º º º
– O QUE ESTA ACONTECENDO AQUI? — ele gritou.
Tiago se levantou depressa.
– Nada, Miguel. — ele ficou vermelho e abaixou a cabeça.
– Ele só ia me contar um segredo. — eu entrei no meio deles.
– E, só um segredo! — concordou Tiago.
– Hum, percebi o segredo que você ia contar para ela, bem claro e próximo, como um sussurro. — Ele abaixou o ton de voz, mas ainda estava alto.
– Não. — eu me expliquei. — Em troca do segredo, eu daria um beijo.
– E que segredo era? — ele quis saber.
Um frio na espinha correu minha coluna. O segredo era sobre Miguel.
– Quem atira a primeira pedra? Hein? — perguntou Miguel, incrívelmente baixo.
– Era sobre você. — não aguentei segurar aquela mentira que se formava em minha boca.
– Tiago! Eu confiei em você!
Tiago estava quieto.
Miguel se aproximou e olhou fixamente dentro de meus olhos.
– Promete não contar a ninguém? — ele falou calmamente, me fazendo ficar mais calma.
– Bom, para falar a verdade, ele não me contou.
– E nem ia. — ele sorriu. — Pegaria meu beijo e ia embora, ninguém mandou não jurar pelo Rio Estígio.
Eu o fuzilei com o olhar. Miguel apenas riu de nós. Bom, era um sinal de que estáva tudo bem.
Os meninos me deixaram sozinha na tenda para eu trocar de roupa.
Olhe, minha mochila deve ter ficado em baixo dos destroços da arena. Eu "peguei", — não roubei — emprestado uma camiseta regata de Annabeth. Ele era cinza com uma corjura preta.
Quando saí, todos olharam para mim.
– Obrigado, Rosinha. — sorriu Nico.
– é, valeu, Rosinha. — concordou Luke.
– Valeu mesmo, Rosinha. — agradeceu Percy.
– Muito obrigado, Rosinha. — disse Pedro, tímido.
– Obrigado, Rosinha. — falou Tiago.- Desculpa a gente de não ter te ajudado.
– Eu perdoo, se vocês pararem de me chamar de Rosinha. — falei.
– Uhuu! — exclamou Tiago. — A Rosinha perdoo a gente!
Sai correndo atrás de Tiago em volta de todos. Até a Terceira Guerra Mundial acontecer. Annabeth saiu vermelha e raivosa de dentro da tenda.
– QUEM MEXEU NA MINHA MOCHILA?
º º º
Depois que Annabeth desistiu de correr atrás de mim, proceguimos com nossa viajem há alguma praia.
Já era noite, quando chegamos a uma rua deserta. Era uma daquelas ruas de acostamento, onde se tinha lojas de lembranças, restaurantes, hotéis para caminhoneiros...
Demoraram somente três minutos para Luke (com sua técnica em roubos) abrir a porta de um dos hotéisinhos mixurucas. Entramos e nos acomodamos.
Fiquei com um quarto só para mim, enquanto os outros ficavam dividindo.
Mas até que eu gostei. Solidão. Está é a palavra que mais parece machucar. Mas ao mesmo tempo, é ela que libera nossa alma para os pensamentos e sobre tudo o que devemos refletir. Sem a solidão, não teria os tão bons momentos em que se fica pensando na vida. Em como ela reage. Como as pessoas pensam que são.
Eu sei, o que essa garota pensa que diz? Como solidão pode ser tão bom?
Você, certamente, só diz isto pois nunca ficou realmente só.
Não digo isso só de estar sozinho num quarto. Sozinho no mundo. Sem ninguém para contar o que houve na escola. Contar as notas altas em português. Ser acordado cedo para ir a escola. Poder brincar no quintal. Ter uma casa com quem dividir. Eu sei como é ter pessoas com quem posso realmente confiar por perto. Elas se chamam família. Uma coisa que só tive uma vez. E nunca mais terei.
Me joguei na cama, pensando em como os outros acham ter uma vida tão inútil e singela enquanto eu sou abandonada no mundo, e estou sempre sorrindo, colocando uma mascará, para esconder as lágrimas de abandono. Como essas pessoas podem ser tão tolas de pensar que a vida delas é um lixo?
Elas não me conhecem, isso sim!
Quem liga para uma orfã? Ela não significa nada. Não teve nem coragem de proteger a própria mãe! Bobagem se preoculpar com essa assacina. Bobagem! Bobagem. Bobagem... bo...
Não consigo tirar da cabeça o quanto minha vida piorou desde que soube quem eu era. Perdi minhas duas mães. Meu irmão deve ter vergonha da insignificante irmã que sou. Minha irmã deve pensar o quanto sou burra, e o quanto mais tempo ela terá que me aturar até um monstro me matar.
Sim, eu sei como pensar no lado positivo. Como eu ser acolhida, como eu encontrar alguém que sabe o que sinto e pode me confortar em seu peito quente. Sim, tem um chato que pode me alegrar mesmo depois de ter os membros paralisados. Eles se chamam defeitos. E é com eles que eu sei que sempre serei abrigada. Eles fazem minha verdadeira família. Defeituoso é normal. E normal é defeituoso. Não há leis nesta família, só uma: Não seja comum.
Tá, eu deitada na cama.
Ok, você deve pensar que eu sou muito folgada.
Alguém bateu em minha porta.
– Pode entrar. — gritei com a boca abafada nos lençóis do colchão.
A pessoa abriu a porta e entrou, depois a fechou.
– Oi, Rosi... Posso te chamar de Rosinha, né?
Levantei o rosto e vi aqueles angelicais olhos, da mesma cor que os céus de noite.
– Claro, Miguel.
– Òtimo! Não quero acabar como o Tiago...
Eu ri.
Fomos até o telhado, lá, Miguel me fez sentar nas telhas sujas.
– Não são lindas? — ele perguntou.
– Sim, elas são. — estávamos falando das estrelas.
– Sabe que... o brilho delas... eu posso ver... a puxa! — ele corou.
– O que foi?
– Você brilha mais que elas. — ele falou baixo como se não quisesse que eu ouvisse.
Eu entendi na hora. Miguel é filho de Zeus, ele tem poder sobre os céus. Mas será que ele consegue ver o brilho interior das pessoas, como podemos ver as estrelas. Como eu disse: Nessa família, o importante é não se normal.
Ficamos em silêncio.
– Você sabia que se você pegar uma estrela, elas lhe dão um desejo?
– Verdade?
– Sim. Os mortais inventaram algo sobre fazer pedidos a estrelas cadentes, mas a verdade, são elas mesmas. Não precisamos de estrelas-cadentes! Só precisamo ter coragem de ir até lá, no desconhecido do céu, e pegar uma delas. Claro, se fosse tão fácil como parece... Já teria feito isso muito tempo atrás.
– E o que você desejaria?
– Não ter nascido. Não ter matado minha mãe.
– Miguel... você acha que já está na hora de me contar o que houve com sua mãe?
Miguel suspirou.
– Eu vou contar. Mas porque eu confio em você. — aquilo me fez sentir que não deveria fazer ele relembrar coisas ruins. Mas eu queria saber. — Ela morreu quando nasci. Foi no parto. — ele de uma pausa — Barbará existe. Elas amaldiçoou o namoro entre meu pai e minha mãe, pois Hera pediu a ela. Mas minha mãe não se conformou em ter de deixar seu amor, e ficou com ele enfrentando todas as armadilhas de Barbará. Minhas mãe pediu ajuda a Afrodite ela, por sua vez, a consedeu um filho. Eu. Que a matei.
– Você não a matou! Ela morreu de formas naturais...
– Não! Barbará me amadiçoou! Eu a matei, sim.
Eu sabia que Miguel não matara sua mãe. Mas sabia. também, de que não o convenseria do contrário.
Seu rosto se ilumina.
– Ei, quer um presente?
– Eu? Claro que quero!
Ele sorriu e disse que já voltava, abriu as asas e voou sumindo no céu negro.
Fiquei olhando mais as estrelas, quando alguém me assusta.
– Oi, chata.
– AH, que susto Tiago!
– Minha especialidade.
Eu ri.
– O que você faz aqui sozinha?
– Eu não estava sozinha. E o que você veio fazer?
– Eu? Aceitar o fato de que vou morrer.
Eu não gostava daquele clima.
Miguel pousou no telhado.
–Ah, então era com ele que você estava. — comentou Tiago.
– Ahn... — Miguel não esperava Tiago ali. Colocou algo no bolço e sorriu para o amigo. — Também não consegue dormir?
– é, pensando em como vou morrer...
E eles começaram a conversar.
Fui para meu quarto e dormi.
Acordei sem sonhos, só isso pelo menos.
Fui até a recepção.
- Onde está Bianca e Nico? — perguntei.
- Foram para o Acampamento, medo de morrer. — explicou Annabeth.
- Mas o Acamapamento está muito longe daqui...
- Viajem nas sombras.
- Ah...
Luke explicava algo.
-... então, Hermes é o deus dos ladrões e dos mensageiros, com certeza ele saberá quem roubou e onde está o Tridente.
- Mas o que você acha que devemos fazer? Simplesmente pedir? Ele não irá querer algo em troca? — observou Melody.
- Sim, acho que devemos levar algo para Hermes. — concordou Luke. — Mas devemos nos dividir. Dois grupos, um para ir no palácio e outro para ir falar com Hermes.
- Eu, Miguel, Rosely e você. -sugeriu Tiago.
Não vou negar. Esse seria o melhor quarteto.
- Tudo bem, eu, Percy, Melody, Pedro, Tyson e Grover iremos ao palácio. — concordou Annabeth.
- E eu? — perguntou Rosa.
- Rosa, avise Quíron que Bianca e Nico estão voltando, fique aqui, não quero que você corra perigo. — falei.
Ela assentiu.
Quando Percy, finalmente, acordou, seu grupo se foi.
- O que fazemos agora? Onde estará Hermes? — pergunta Miguel.
- Em qualquer lugar do universo. — responde Luke.
- Ok, vamos mandar um SMS. — pisca Tiago.
Ele tira um dracma do bolço e pega sua garrafa de água e a despeja, fazendo um mini-arco-iris.
- ó Grande Ìris, aceite minah oferenda. Hermes, por favor.
Do arco-iris emanou uma névoa que envolveu a frente de Tiago.
- Empresas Sedex, boa tarde? — uma voz falou de dentro da névoa.
- Boa tarde, Hermes por favor.
- Ares? È você?
- Hã... não. Sou Tiago, filho dele.
- Hum, sua voz é igualzinha a de Ares. Bom, Hermes não pode atender, mas deixe seu recado após o bip.
- BIIIIP! — uma voz masculina gritou e depois sibilou.
- Seu idiota! Já disse para não sibilar!
- Eu estou com fome!
- E daí?
- Ratos seria uma delícia... humm...
- CALE-SE!! EU SOU LUKE CASTELLAN, FILHO DE HERMES!
As vozes silenciaram.
- Castellan? — a voz feminina perguntou.
- Sim, Luke Castellan.
- Hermes na linha. — a voz avisou.
Um homem de cabelos grisalhos apareceu na névoa.
- Empresas Sedex, algum problema? — o velho perguntou.
- P-pai?
- Luke? Meu garoto! Quanto tempo!
- Sr. Hermes, queremos saber onde... — Tiago começou.
- Eu sei. Tem algo para oferecer?
- O que o sr. gostaria? — eu perguntei.
- Huum... uma flor de lótus.
- Só? — falei indignada.
- Sim. Do jardim da Medusa.
- M-medusa? — engasguei.
- Isso. Medusa. Enviarei um mapa.
Um papel começou a desser lentamente do céu, e Luke o pegou.
- Quando tiverem a flor, liguem para mim.
E Hermes cortou nossa ligação.
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