O Lado Sombrio do Amor
27 Quer se casar comigo?
Narrado por Renesmee
Sentei-me lentamente na beira da cama, tentando conter o tumulto de emoções que dançavam em meu peito. Por dentro, o plano gritava: mantenha o controle. Mas por fora... deixei as lágrimas caírem.
— Eu não acredito que você está desconfiando de mim… — minha voz saiu embargada, frágil, como se a dor fosse mais forte do que eu. — Depois de tudo… depois de nós…
Cobri o rosto com as mãos, deixando o choro tomar forma. Sabia exatamente como ele reagiria. E não demorou.
— Nessie… — senti o colchão afundar ao meu lado e, segundos depois, os braços de Jacob me envolveram. — Me desculpa. Me desculpa por duvidar.
Me virei e enterrei o rosto em seu peito, os soluços suaves sacudindo meu corpo — todos cuidadosamente calculados.
— Eu só… só queria proteger você. Queria estar do seu lado. E agora você acha que fui eu quem destruiu a festa daquela garota que dizia ser minha amiga…
— Ei… — ele me afastou só o suficiente para segurar meu rosto com as duas mãos. Os olhos dele estavam cheios de culpa. — Eu acredito em você. Tá me ouvindo? Eu acredito.
Ele me beijou com suavidade, com a urgência de alguém tentando apagar o estrago. Retribui, deixando o beijo crescer, se intensificar, me guiando de volta para a cama.
Deitei-me lentamente, sem romper o contato. E então, entre beijos, sussurrei:
— Eu te amo, Jacob.
Ele parou por um segundo, surpreso. Eu o encarei, os olhos ainda marejados, a expressão vulnerável e firme ao mesmo tempo.
— Eu te amo… — repeti, como quem entrega tudo, como quem se rende.
A resposta veio nos olhos dele antes das palavras. Ele se inclinou sobre mim novamente e me beijou com mais intensidade, com certeza. A dúvida havia desaparecido. E eu sabia: aquela era a cartada final. A jogada perfeita.
Eu o tinha.
Agora... Jacob Black era meu.
O corpo de Jacob se movia sobre o meu forte, intenso e eu fechei os olhos me agarrando a ele mas meus pensamentos eram confusos e perturbadores. Eu poderia ter duro a verdade e dado um passo à frente de Claire . Porém isso geraria desconfiança e eu precisava da confiança dos Black.
— Você é tão gostosa minha ruiva — ele sussurrou colando nossas testas ofegante — eu amo foder você.
O encarei em silêncio. Havia algo mas nos olhos de Jacob além de desejo e tesão — Eu sou sua Jake— sussurrei arranhando suas costas.
Ele se moveu mais rápido soltando um gemido, e segundos
Narrado por Jacob
A respiração dela era tranquila. O lençol cobria parte de seu corpo, e uma mecha dos cabelos ruivos caía sobre o rosto, como uma moldura acidental que tornava tudo mais bonito do que já era.
Nessie dormia. E eu a observava em silêncio.
Ela parecia tão… minha.
Me apoiei no cotovelo, deixando o olhar percorrer cada traço do seu rosto, tentando entender em que momento tudo isso deixou de ser só proximidade, e se transformou nesse desejo de tê-la por completo. De proteger. De manter por perto. De não permitir que mais ninguém a ferisse — nem mesmo a própria Claire.
Claire…
As palavras dela ainda ecoavam dentro de mim como um aviso. Uma última tentativa de me segurar, de me lembrar da traição, da humilhação. De me fazer olhar para Renesmee com desconfiança.
Mas mesmo que… mesmo que Claire tivesse razão…
Mesmo que Nessie tivesse sido quem armou tudo aquilo…
Eu não voltaria atrás.
Algo muito maior do que qualquer sentimento já estava em jogo.
Nessie e eu nos unimos. No desejo, na dor, na ambição.
Ela me olha como se eu fosse o centro do mundo. E, de alguma forma, eu também estava começando a ver o mundo a partir dos olhos dela.
Não era só sobre paixão. Não mais.
Era sobre propósito. Sobre legado. Sobre poder.
E se os Cullen estavam mesmo tentando reaver a herdeira perdida, não havia tempo para dúvidas.
Me aproximei e beijei sua testa com cuidado, como quem sela um pacto silencioso.
— Você vai ser minha esposa, Renesmee Newton. — sussurrei, certo como nunca estive de nada.
Naquele instante, eu tomei minha decisão.
Vou me casar com Renesmee.
O sol já atravessava as cortinas da sala quando descemos as escadas, de mãos dadas.
Renesmee estava linda, como sempre. Vestia uma blusa leve e jeans, os cabelos soltos, o sorriso sereno… mas só eu sabia como ela ficava quando acordava. Ainda sonolenta, a voz rouca, os olhos pequenos. Minha.
A mesa do café da manhã já estava servida, e como sempre, Sarah havia preparado tudo com esmero. Billy estava à cabeceira, tomando café com as mãos cruzadas sobre a barriga, já em modo de observação. Rachel e Paul discutiam sobre um reality show qualquer. Rebecca ria baixinho. Bonnie, sempre com seu ar mais sério, folheava o jornal como se não estivesse prestando atenção em nada — embora eu soubesse que ele não perdia uma vírgula.
Assim que entramos na sala, todas as atenções se voltaram para nós.
— Bom dia — disse Nessie, educada, mas um pouco tímida.
— Bom dia, querida — respondeu Sarah, sorrindo com genuína doçura. — Dormiram bem?
Antes que Renesmee pudesse responder, Billy ergueu as sobrancelhas e falou com aquele tom provocativo:
— Vocês dormiram bem ou muito bem?
As risadas foram inevitáveis. Renesmee ficou levemente vermelha, e eu apenas revirei os olhos, com um sorriso de canto.
— Dormimos muito bem, pai — respondi, puxando uma cadeira para ela. — E por falar nisso…
Todos ficaram em silêncio quando minha voz mudou de tom.
Levantei-me, ficando de pé ao lado da mesa.
— Eu queria aproveitar que estamos todos aqui… — minha mão segurou a de Renesmee, que me olhou surpresa. — E fazer isso como um homem deve fazer.
Ela já sabia. Seus olhos se arregalaram um pouco, e sua respiração vacilou.
— Nessie… — falei, olhando para ela, ignorando os olhos atentos à mesa. — Eu sei que tudo aconteceu rápido. Que nossa história começou confusa, mas... tudo em você me atrai, me desafia e me faz querer construir algo sólido. Real.
Rachel levou a mão à boca, surpresa. Sarah sorria emocionada. Paul murmurou algo que parecia um “já era”.
— Então… — continuei, e me ajoelhei, sem me importar com o chão frio ou os olhares. — Renesmee Newton, você aceita se casar comigo?
O tempo parou por alguns segundos.
Renesmee me olhava em choque. E havia algo nos olhos dela… algo que misturava surpresa, emoção e aquele brilho indecifrável que sempre me desarmava.
Narrado por Renesmee
Por um segundo, senti como se o mundo tivesse silenciado.
Jacob estava de joelhos. Os olhos fixos nos meus. A aliança repousava na palma da sua mão, e ao redor da mesa, todos esperavam minha resposta como se ela fosse um espetáculo. Mas, para mim, era como se o tempo tivesse congelado.
Casamento?
Meu coração acelerou, e eu tentei respirar, mas o ar parecia denso. Casamento era grande. Gigantesco. Um passo que eu jamais imaginei dar agora, ainda mais com tudo o que estava acontecendo. Eu estava aqui por um motivo, e não era o amor. Ou talvez fosse... mas não o tipo certo.
“Renesmee Newton, você aceita se casar comigo?”
Eu olhava para ele. E ao mesmo tempo, enxergava meu pai. Minha mãe. O sangue. A foto amassada no fundo da pasta "Vingança". O nome Black estampado nas conversas cifradas de Renée. Eu precisava saber a verdade, e agora... eu estava dentro da família que escondia todas as respostas.
Talvez... fosse o destino.
Engoli em seco, forçando um sorriso, e senti os olhos marejarem. Que tipo de pessoa aceita um pedido de casamento por causa de uma missão?
Talvez a mesma que se apaixonou sem perceber.
— Sim... — sussurrei, e então mais firme. — Sim, Jacob. Eu aceito.
Ele sorriu, aliviado, e se levantou. As palmas estouraram ao redor da mesa. Sarah aplaudia com lágrimas nos olhos. Billy batia palmas como quem acabava de assistir a um jogo vencido por seu time favorito. Rachel e Paul trocavam olhares cúmplices.
Jacob me puxou com carinho e selou nossos lábios num beijo calmo, profundo, daqueles que faz o mundo lá fora sumir.
Mas foi a voz de Bonnie que me trouxe de volta à realidade:
— Parabéns, Jake. Ao menos um dos Black teve sorte com uma Swan.
O ar pareceu escapar do meu peito.
Afastei-me devagar de Jacob e virei os olhos para o tio dele.
— O que você quis dizer com isso? — perguntei, com a voz firme e o coração disparado.
Todos à mesa se calaram. Bonnie apenas me encarou com um sorriso enigmático, cruzando os braços como se tivesse dito algo irrelevante. Não respondeu.
— Bonnie... — insisti, mas ele apenas virou-se para pegar a xícara de café como se minha pergunta nunca tivesse existido.
Eu olhei para Jacob, que franziu o cenho, confuso, mas antes que eu pudesse insistir mais, Sarah mudou de assunto, perguntando se já podíamos comemorar com champanhe.
Eu sorri de canto. Mas meu peito queimava.
Agora eu sabia.
Bonnie sabia de algo. E eu ia descobrir o quê.
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