O Lado Sombrio do Amor

1 Prólogo - A chegada a cidade dos pecados


Narrado por Renesmee

O táxi freou em frente à República de Estudantes da Parsons School of Design, e eu finalmente vi a cidade como ela era: ambiciosa, cruel e brilhante. Nova York tinha cheiro de poder, gosto de futuro e a capacidade viciante de engolir qualquer um que não soubesse jogar.

Eu não era uma dessas.

— É aqui — murmurei, apertando a alça da minha mochila enquanto o motorista abria o porta-malas.

A bolsa integral em ginástica artística foi minha porta de entrada, mas não se engane — não foi sorte. Cada passo meu até este lugar foi calculado com precisão. Desde o momento em que ouvi, escondida atrás da escada de casa, Phil sussurrar para Renée:

— Os Cullen e os Black... aquilo nunca deveria ter acontecido.

Tinha doze anos. E nunca mais esqueci.

Anos depois, montei meu próprio acervo. Recortes, reportagens, registros de família, publicações de jornais antigos. Fotos de Billy Black com Carlisle Cullen. Uma teia complexa que me levou a um nome em especial: Jacob Black, herdeiro direto de um dos impérios mais poderosos da cidade.

Jacob não era só CEO de uma empresa de bilhões. Era também o noivo da garota certa.

Claire Young.

A caçula de um dos melhores amigos de Billy Black. Rica, influente, adorada por todos. E hoje, morando exatamente no mesmo andar que eu, nesta república universitária impecável, cercada de filhas de magnatas e futuros rostos da moda mundial.

Coincidência?

Nada na minha vida é coincidência.

Assim que entrei, subi as escadas com leveza e olhos atentos. Observei cada detalhe, cada pessoa. O mundo delas era feito de dinheiro e sobrenomes de peso. Eu era apenas Renesmee Dwyer. Bolsista. Ginasta. A nova garota simpática e esforçada. A que ninguém esperava nada além de gratidão.

Mas por dentro...

Eu era fogo.

E fome.

Abri a porta do meu quarto e sorri. No fundo da mala, bem escondido, estava meu verdadeiro tesouro: a pasta preta de couro com o símbolo dourado da Black Corporation estampado na capa. Dentro, estavam os segredos. Os rostos. Os nomes. O passado.

E o plano.

Foi quando ouvi batidas na porta.

— Oi! — disse uma voz doce, do outro lado — Você é a nova moradora, né? Eu sou Claire. Claire Young.

Meu coração acelerou. Por fora, sorri com doçura. Por dentro, soou o disparo de largada.

— Renesmee. Pode me chamar de Nessie.

— Bem-vinda à Parsons, Nessie! — ela disse. — A gente vai se dar muito bem.

Eu estendi a mão, e apertei a dela com firmeza.

— Tenho certeza que sim, Claire. Tenho absoluta certeza.